Acreditar que eles acreditam
“E aí? Tua acha que dá?”. Essa é a pergunta que substituiu nas últimas semanas os tradicionais “Como é que tu tá?” ou “Tem visto o pessoal?” quando dois ou mais Gremistas se encontram no buteco ou no supermercado. Deveria ser um pergunta simples e fácil de responder, bastando apenas analisar a tabela, o rendimento do time no 2º turno, o histórico de chegada do Roth ou ter lido a coluna do Santana. Usar a racionalidade. Seria simples, se não fosse o fato de o Grêmio ter, ao longo de sua história remota ou recente, transformado essa pergunta numa armadilha que deixa até o mais pessimista como refém.
O Grêmio nos subtraiu o direito ao realismo por mais evidente que seja a forma que ele se apresente. Insistir no realismo é viver no constante risco de ter a língua queimada em praça pública. Afinal, quantos já pagaram caro pelo menos uma vez pela heresia de ser realista quando questionados se dava para reverter o 3×0 contra o Caxias, se dava para passar da primeira fase da Libertadores 2007, se após o desastre do primeiro semestre escaparíamos do rebaixamento este ano? Só para ficar em exemplos mais recentes e não transformar isso em livro. Também não é necessário citar Aflitos 2005, covardia.
Os jogadores também acreditam, mas por uma questão quase contratual. A grande questão é o QUANTO eles acreditam e o QUANTO eles tem noção do QUANTO que esta crença é importante para os Gremistas fora das paredes do cárcere. Será que em meio à sinuca, videogames, ipods, livros de auto-ajuda ou marias-chuteira online, há tempo para perder o sono ou se preocupar 24 horas por dia com o problema de quem CERTAMENTE estará no Olímpico ano que vem, seja qual for a competição a ser disputada, acreditando sempre, mesmo que da boca para dentro?
Aos jogadores: Esperamos que sim. Ou queremos ACREDITAR que sim. Mais que isso, nesta reta final queremos VER essa crença materializada em atitude, correria, indignação consigo próprio, pressão nos 90 minutos, costas esfoladas de buscar bolas impossíveis, câimbras, nada de fôlego para entrevistas no final e amor à causa (nem estamos pedindo que seja à camisa). Pois nos mostrem, não apenas digam. Afinal foram vocês mesmos que nos fizeram ACREDITAR no impossível que era este título. Agora os outros dizem que o líder não vai chegar, a própria vaga na Libertadores é questionada. Contam com isso torcendo para que vocês NÃO SE LEMBREM que são o Grêmio. Pois isto bastaria para desafiar o difícil, o improvável e até o impossível.
Mas TEM que ser o Grêmio. Lembram dele?
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Se somos assim não é por acaso. Busque na história, justifique-se em retóricas, mas está nos astros a resposta para as características do Grêmio. Foi no mesmo setembro em que 68 anos depois o Grêmio seria fundado, que os rebeldes chegaram a Porto Alegre para correr o presidente da província. A tropa revolucionária chegou por onde? Nenhuma surpresa na coincidência: Ponte da Azenha.
Por mais que a Conmebol e o patrocinador façam beicinho pela opção do uso dos reservas pelos times grandes na Sudamericana, não fomos nós que a desvalorizamos desde o sorteio. Que tenham mais sorte da organização da próxima. A tornem mais atrativa e menos política que a gente conversa. Nos atuais moldes, não vale as despesas, a mobilização e nem mesmo risco de lesão em um reserva. Que fiquem com ela os argentinos donos da festa e os emergentes em busca de afirmação internacional.
Rodrigo Mendes – Quase um flash-back do velho Rodrigo. Primeiro gol após o retorno e o 51º com a camisa do Grêmio. Tcheco entrando no meio-de-campo e Mendes deslocado para o ataque parece a idéia mais lógica para o jogo contra a lusa.
Assim como o apoio e cânticos incessantes nos 90 minutos das peleias boas ou ruins, o Alentaço de véspera de clássico também é nossa marca. Nossa voz no treino de sábado pela manhã é tão importante quanto a do domingo á tarde. Então, o melhor é nem parar. Para nós que não estaremos lá somente para assistir, o GRE-nal começa às 9h da manhã de sábado e vai até as 20h da noite de domingo.
Um está conhecendo o que é viver à sombra de Danrlei, o outro sabe bem o que é isso. A fisionomia também é parecida, além disso, passaram por lesões complicadas e deram a volta por cima para defender a sagrada camisa número 1 de Lara. Separados pelos 110 metros de campo do Olímpico, serão ambos aplaudidos neste domingo. Pois são gremistas, um de fato e outro de direito.