O porquê dessas milongas
“Então vai morar na Argentina”. Foi a resposta do goleiro da sele-nike-traffic à crítica feita pelo presidente Lula, de que os jogadores desta seleção não fazem como os argentinos, que ao perderem a bola partem imediatamente para a recuperação dela. Com essa frase, Julio César não apenas reconheceu firma da crítica feita, como entregou nas entrelinhas o que o pessoal do eixo quer realmente quer dizer quando chamam os Gremistas de argentinos. A lógica é simples: quem gosta de ver seu time jogando com empenho, raça e força e negando a faceirice e o descomprometimento do futebol arte, logo, é argentino.
Parabéns Flipper! Chegamos a um certo consenso. Claro que esta proximidade não é exclusividade do futebol. Tem origens não só geográficas como também históricas e culturais. Só que esta parte a literatura escolar nunca fez muita questão de ensinar. Assim como os nordestinos
Nosso gosto pelo futebol peleado, o pioneirismo na cultura de contratação de castelhanos (zagueiro bom é zagueiro uruguaio), as avalanches, o alento nos 90 minutos e os cânticos intermináveis são apenas conseqüências. Assim como o Porquê Dessas Milongas, cantadas por Leonel Gómez: “Se as fronteiras nos separam, com bandeiras e aduanas; hay un toque de guitarra que há muito nos hermana; porque não é a guitarra portuguesa ou castelhana (…) Pois apesar dos idiomas; há uma só voz que ressona; e a pampa que nos hermana é o porquê dessas milongas.”
Enfim, mesmo sem saber, Lula é um Gremista na teoria mas corintiano na prática (da mesma forma que é socialista na teoria e social-democrata na prática). Os gremistas são brasileiros na teoria e castelhanos na prática e o Julio César, um ananá na teoria e na prática. Se novamente fui além do tema futebol, de novo não fui eu que comecei. Além do mais, já é clima de Semana Farroupilha. Me dêem esse desconto.
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Ganhar Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil é bom, sabemos disso meia dúzia de vezes. Mundial é ótimo. Estivemos por lá duas vezes ganhando ou perdendo. Mas tanto o irreversível Mundial tradicional (R.I.P.) quanto as copas e campeonatos nacionais são coadjuvantes. Se tornam causa e conseqüência da Libertadores. Uma obsessão que adquirimos há exatos 25 anos, quando A Copa era um território inóspito para o futebol arte. La Copa, se mira y no se toca, diziam uns e ouviam outros.Pois passaram os anos e a Libertadores não é mais A Copa. Não como era. A tocou quem podia. O futebol moderno lhe tirou grande parte da essência, ganhou um naming right e perdeu a alma. Hoje temos um torneio muito mais democrático e menos brioso, que permite a aventureiros como Paulistas de Jundiaí e Arsenais de Sarandí se aventurarem a disputar e até mesmo Once Caldas e Internacionais da vida a conquistá-la em discrepâncias históricas sazonais.
