Formulário de Busca

O porquê dessas milongas

Sáb, 06/09/08
por cristian bonatto |

“Então vai morar na Argentina”. Foi a resposta do goleiro da sele-nike-traffic à crítica feita pelo presidente Lula, de que os jogadores desta seleção não fazem como os argentinos, que ao perderem a bola partem imediatamente para a recuperação dela. Com essa frase, Julio César não apenas reconheceu firma da crítica feita, como entregou nas entrelinhas o que o pessoal do eixo quer realmente quer dizer quando chamam os Gremistas de argentinos. A lógica é simples: quem gosta de ver seu time jogando com empenho, raça e força e negando a faceirice e o descomprometimento do futebol arte, logo, é argentino.

Parabéns Flipper! Chegamos a um certo consenso. Claro que esta proximidade não é exclusividade do futebol. Tem origens não só geográficas como também históricas e culturais. Só que esta parte a literatura escolar nunca fez muita questão de ensinar. Assim como os nordestinos em São Paulo, todo gaúcho riograndense conhece um “gáucho” uruguaio ou argentino estudando, importando cerveja ou fazendo os melhores pastéis da Rua da República. Que razão teríamos para comprar essa briga em nome do ranço brasileiro? Culpem o Tratado de Tordesilhas.

Nosso gosto pelo futebol peleado, o pioneirismo na cultura de contratação de castelhanos (zagueiro bom é zagueiro uruguaio), as avalanches, o alento nos 90 minutos e os cânticos intermináveis são apenas conseqüências. Assim como o Porquê Dessas Milongas, cantadas por Leonel Gómez: “Se as fronteiras nos separam, com bandeiras e aduanas; hay un toque de guitarra que há muito nos hermana; porque não é a guitarra portuguesa ou castelhana (…) Pois apesar dos idiomas; há uma só voz que ressona; e a pampa que nos hermana é o porquê dessas milongas.”

Enfim, mesmo sem saber, Lula é um Gremista na teoria mas corintiano na prática (da mesma forma que é socialista na teoria e social-democrata na prática). Os gremistas são brasileiros na teoria e castelhanos na prática e o Julio César, um ananá na teoria e na prática. Se novamente fui além do tema futebol, de novo não fui eu que comecei. Além do mais, já é clima de Semana Farroupilha. Me dêem esse desconto.

Teu comentário não foi publicado? Saiba porquê.

A Copa, 25 anos de obsessão.

Seg, 28/07/08
por cristian bonatto |

deleontrofeu.jpgGanhar Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil é bom, sabemos disso meia dúzia de vezes. Mundial é ótimo. Estivemos por lá duas vezes ganhando ou perdendo. Mas tanto o irreversível Mundial tradicional (R.I.P.) quanto as copas e campeonatos nacionais são coadjuvantes. Se tornam causa e conseqüência da Libertadores. Uma obsessão que adquirimos há exatos 25 anos, quando A Copa era um território inóspito para o futebol arte. La Copa, se mira y no se toca, diziam uns e ouviam outros.Pois passaram os anos e a Libertadores não é mais A Copa. Não como era. A tocou quem podia. O futebol moderno lhe tirou grande parte da essência, ganhou um naming right e perdeu a alma. Hoje temos um torneio muito mais democrático e menos brioso, que permite a aventureiros como Paulistas de Jundiaí e Arsenais de Sarandí se aventurarem a disputar e até mesmo Once Caldas e Internacionais da vida a conquistá-la em discrepâncias históricas sazonais.

Depois d’A Copa ganhamos mais uma, ficamos em segundo em outras, voltaremos a ser finalistas, voltaremos a trazê-la para o Olímpico e/ou para conhecer a nova casa. Não será Aquela Copa que exigia mais do que futebol para se entregar a um novo dono, exigia sangue na testa, mas ainda assim será uma Libertadores. Hoje é uma data de celebração e deve ser muito comemorada, vale até um trago na segunda-feira, pois a primeira o Rio Grande não esquece. Mesmo com esse sentimento de nostalgia.

De Jaciara à Tóquio. O Grêmio é a referência.

Ter, 12/02/08
por cristian bonatto |


Nesta quarta o Grêmio inicia a caminhada rumo ao Penta da Copa do Brasil contra um adversário-filho do Mato Grosso. O Jaciara é um clube fundado por gaúchos, onde quem manda são os gremistas. Por isso o time recebeu as cores e o símbolo do imortal. Nada de novo nisto. Temos vários Flamengos e Cruzeiros uns Palmeiras, outros Corinthians e muitos etceteras de genéricos dos grandes clubes espalhados pelo país. Todos com histórias e justificativas parecidas, fundados em épocas gloriosas dos clubes de referência, adotando suas cores, símbolos ou nome.

Comum no território nacional. Já quando se fala em clube brasileiro sendo referência mundial, esse clube é o Grêmio. Reconhecimento internacional por uma história de façanhas e títulos (duas coisas diferentes), o posto de número 1 do Brasil e uma camisa tricolor de tradição, com cores e desenho únicos servem de explicação para esta inspiração sem fronteiras. Vamos aos nossos mais ilustres afilhados internacionais:

Kawasaki Frontale – O Clube da primeira divisão do Japão utiliza o azul, preto e branco desde a sua fundação em 1995, foi a segunda disputa do Mundial pelo Grêmio que inspirou o tricolor da região metropolitana de Tóquio a adotar os uniformes principais e reservas iguais aos do Imortal. Até mesmo o símbolo do clube era igual. No final dos anos 90, um novo layout foi criado para a camisa do time, mantendo-se as cores.

Clube Almagro – Um dos mais populares da Argentina, fundado em 1911 no bairro de mesmo nome na capital portenha se considera irmão do Grêmio. Começou-se aí um intercâmbio que partiu das arquibancadas (onde as camisetas e barretes do tricolor gaúcho são comuns no estádio do Almagro e vice-versa) e passou para as diretorias, até que no ano passado o Grêmio recebeu a visita dos dirigentes argentinos, que entregaram uma placa e uma camiseta do tricolor de Buenos Aires.

Grêmio Porto Riesbach – O clube amador da Suíça tem uma parte de seu site em português dedicada exclusivamente a explicar a origem de sua inspiração no Grêmio, que ocorreu durante a conquista do torneio de juniores FIFA/Blue Stars Youth Cup, em 2001 pelo tricolor em Zurique. O fundador Manuel Rieder, também organizador da competição e seus amigos ficaram “fascinados” pelo Grêmio e desde então são gremistas “de paixão”.

A inspiração não pára por aí. Continua no Japão com o tal Primeiro Fukushima, segue para os Estados Unidos e se espalha pelo Brasil de Jaciara a Montes Claros. Uma espécie de imperialismo pela bola, conseqüência natural de uma tradição conquistada de forma honrosa e sem subterfúgios apelativos.

———————–
Para refletir: O que frustra é perceber que esta marca nunca foi explorada de forma eficiente pelo departamento de marketing do clube. Será que o clube já fez pelo menos algum levantamento profissional do valor de mercado da marca Grêmio em termos de patrimônio? Fica o espaço para a resposta.


Formulário de Busca


2000-2008 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade