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Não poderia ser em outro lugar

Qui, 03/04/08
por cristian bonatto |

Alguns sacaram outros não, mas o texto da quinta-feira foi irônico na sua maior parte. Pelo menos deveria ter sido. Mesmo que as evidências do desconhecido saltem aos olhos, é melhor deixar o enfoque “forças ocultas” de lado, sob pena de pararmos todos no São Pedro. Façamos de conta que aquele toró inesperado em uma região seca, os três jogadores sacados por lesão e o time com dez jogadores em campo por não ter mais como substituir tenha sido tudo culpa do acaso, assim como o histórico de vexames no Serra Dourada.

Vamos nos ater ao que é físico, terreno e deste plano. A derrota de ontem começou muito antes de o time viajar a Goiânia, com os experimentos que foram prematuramente julgados como positivos. Se a lógica do jogo de ontem era manter a posse de bola o máximo possível, Rudnei e Nunes eram a incoerência em campo. Rudnei fez uma boa partida contra o Juventude, mas Julio dos Santos em seus piores dias segura a bola e arma com muito mais eficiência. Nunes é guerreiro e sabe marcar, mas na maioria dos desarmes, a bola acaba voltando para o adversário nos segundos seguintes.

Mas as coisas até que vinham dando certo com Nunes e Rudnei. A casa caiu mesmo foi quando as lesões de Nunes e Pico tiraram o direito de Roth mexer no time. Teve que reconfigurar a equipe a partir dos problemas e não pela solução. Passou ao 3-5-2 com Hidalgo no lugar do Anderson, mas o Hidalgo não apoiou como o Pico e acabou atraindo o adversário. Outro fator decisivo foi a combinação de um campo absurdamente grande, um gramado alto e molhado e uma bola pesada que anulou a jogada aérea. Todas as bolas lançadas na área vinham por baixo, inclusive nos escanteios e mesmo pelos pés de quem sabe chutar, como o Roger.

Cabe ao Grêmio agora esquecer o que aconteceu ontem por que de nada serve como parâmetro para um jogo completamente diferente que será o do Olímpico. As coisas começaram a mudar ainda no Serra Dourada com o gol peleado na adversidade, bem característico do Grêmio, pelos pés do Roger. Gol que nos livrou de ter que exercer a imortalidade contra um Atlético Goianiense no jogo de volta. Um a zero nos basta, nada que um pouco de alento e as “forças” do Olímpico, não sejam capaz de dar conta. Claro, menos invenções também ajudam.

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Tem que se destacar Roger e Paulo Sérgio, pela defesa da causa em campo. Alheios às condições do campo e as dificuldades criadas. O primeiro mais que marcar o gol, chamou a responsabilidade de ir para as divididas e desarmar, além do seu papel de criação. O segundo, se errou alguma vez, foi por ter que fazer de tudo, estava em todas as posições do campo o tempo todo.

Depois da tempestade, vem as interrogações

Sex, 15/02/08
por cristian bonatto |

O que está feito, está feito. Celso Roth é o futuro, Mancini é o passado. Passei o dia lendo e ouvindo as explicações oficiais da direção e também as palavras do ex-técnico-de-futuro-inteligente-com-a-cara-do-Grêmio. Ficou tudo mais ou menos claro como a água do Rio dos Sinos. Parece que o Odone, nunca gostou muito da idéia do Mancini ser o técnico, numa condição dessas, seria demitido de qualquer forma. Como não ele teimava em não dar motivo e permanecia invicto. Foi sem motivos mesmo. Se foi uma decisão acertada só o tempo dirá. Mas dirá.

Pesa a favor do Celso Roth o estilo antagônico ao futebol moderno. Esqueçam a história do Costelão 12 horas. Times do Roth costumam dar resultado de forma rápida, mesmo que não duradoura. Um dos grandes mistérios do futebol brasileiro: Roth nunca ganhou um título de relevância, mas está sempre nas cabeças de algum grande clube. Uma hora vai. Que seja agora então.

Porém, duas perguntas que me preocupam, e muito, sobre esse episódio não foram respondidas embora sejam muito importantes para o futuro próximo do Grêmio:

Mancini ficou no Grêmio 43 dias, enfrentando o desentrosamento da equipe e más condições físicas na maioria desse período, mesmo assim conseguiu um aproveitamento de 77,7%. Celso Roth pega um time bem melhor fisicamente e com menos desentrosamento. O que acontecerá se no mesmo período de 43 dias, Roth não atingir um aproveitamento pelo menos parecido? Já que este é o período estabelecido como suficiente pela direção, para que um time dê um resultado satisfatório.

Não foi simplesmente o Mancini que foi demitido. Foi um projeto que estava sendo construído. Uma idéia de time substituída por outra bem diferente. Roth terá em mãos, material humano contratado para o projeto de time ofensivo do Mancini. Mais ou menos como dar para um marceneiro, o material de trabalho de um pedreiro. Sendo que a ferragem já fechou. E agora?

Domingo é com a gente

Domingo, contra a Ulbra o time entrará em campo sob o comando de Julinho Camargo, que montará um esquema tático tampão e fará o que for possível. Será da arquibancada que terá que vir o incentivo. A torcida, livre de qualquer culpa, que apoiou Mancini e apoiará o Roth, assume a função de técnico no que diz respeito a empurrar o time para cima da Ulbra. O time não tem culpa nessa história e não os deixaremos na mão. Sorte do Grêmio que somos assim.

E a histeria venceu

Sex, 15/02/08
por cristian bonatto |


Demitiram o assador. A carne foi fora. Chama uma tele-entrega da solução fast-food.
Mata a fome na hora, não alimenta, mas tem gente que gosta.

Valeu Mancini, primeiro técnico demitido invicto.

Pelaipe, novo herói dos cornetas. Se merecem.

A linha tênue entre a preocupação e a histeria

Qui, 14/02/08
por cristian bonatto |

Numa noite onde nada dava certo, o Grêmio jogou mal e deixou de se classificar para a próxima fase da Copa do Brasil, contra o seu clone mato-grossense, que atuando num 0-5-5 garantiu assim, a primeira viagem de avião da sua história, para conhecer Porto Alegre. Essa é a notícia, isso foi o que todo mundo viu. Até o Pelaipe se irritou e não fez questão de esconder sua preocupação. Claro que há casos a serem repensados, Paulo Sérgio chegou sob desconfiança e a confirmou, até foi bem contra o Novo Hamburgo, mas ontem errou quase todos os passes e ainda queria dar pedalada com o jogo empatado. Peter ainda não mostrou nada desde que chegou ao Grêmio. Por menos, Wagner já foi sacado do time.

Mas também não se pode fechar os olhos para o nervosismo e o desentrosamento quando um passe pára no calcanhar do companheiro e para a falta de sorte quando o goleiro adversário defende sem querer um chute com a cara.
Agora, tem que ser muito ignorante e/ou cego e/ou mal-intencionado para colocar isto fora de um contexto que apesar de parecer chato e repetitivo, é o real: O Grêmio é um time em formação, um grupo todo modificado, com menos de dois meses de trabalho, onde quase metade dos jogadores considerados titulares ainda não estreou e ainda tem gente por chegar. Não existe um time sequer do planeta, que tenha dado show numa condição dessas.

A imprensa faz a parte dela, muitas vezes, o fato por si só não garante audiência, visibilidade, leitores e ouvintes. Neste caso, é preciso colocar lenha na fogueira, ignorar a situação real de um time em formação e produzir manchetes sensacionalistas em cima da atuação de algo que ainda está no rascunho. Se isso gerar uma crise, azar do goleiro, cada um com seus problemas e não saia daí até ouvir todos os patrocinadores.
Lamentável é que parte da torcida acabe embarcando nessa, dando mais crédito para comentaristas (muitas vezes com intenções obscuras) do que pra o time. Muitos acabam se tornando verdadeiras lavadeiras histéricas.

Quem fica apressando o assador acaba comendo carne crua por dentro e queimada por fora. Não é por aí. Ainda mais quando é um costelão 12 horas que está sendo preparado.


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