Quase um editorial
Evito escrever em primeira pessoa aqui no blog. É uma forma de tentar diminuir um pouco o inevitável personalismo quando se trata de um espaço de opinião. Mas na falta de um ombudsman vou pedir essa licença para meus leitores para falar desta maneira. Já estava preparado para uma semana onde, seguindo as regras do blog, o botão “excluir comentário” funcionou que foi uma maravilha para comentários visitantes, mas acabou sendo uma tarefa fácil pela previsibilidade desse pessoal, uma olhada por cima de um comentário já bastava para mandá-lo ao limbo. Pasmem, mas teve muita gente que se ainda se sentiu ofendida por não verem publicadas suas disfunções verbais, ao ponto de rolar até ameaça de processo em uma visão banal de liberdade de expressão.
Mas isso não é culpa da inclusão digital. Prova disto é que a maioria das ofensas descarregadas eram apenas um ctrl v do que foi escrito pelo blogueiro do Flamengo, que não é nenhum guri e já terminou o primeiro grau faz tempo. É sim, um choque entre a cultura do “ir no baile sem calcinha” contra uma cultura onde o fio do bigode diz muito, a cultura do povo mais hospitaleiro que existe, até o momento em que pisam no nosso pala. Cada estado com sua cultura, seu povo, seus valores, seus times, suas torcidas. Os blogueiros apenas refletem isso. Cabe a quem lê, ter em mente essas diferenças quando for visitar o espaço alheio, indiferente do time que torça, do estado que nasceu e dos valores que carrega.
Não é barbada é escrever um blog de massa para um público crítico por natureza, unificado culturalmente mas polarizado política e futebolisticamente. O povo que mais consome livros no país (e que não perdoa o mínimo erro gramatical no blog). Barbada e livre de responsabilidade é escrever para a cultura do créu. Mais fácil ainda é ser levado por ela e baixar o nível, esse é o cuidado que devemos ter. Já perdi muito tempo antes mesmo de assumir este blog, caindo na besteira de tentar explicar por exemplo, que o gaúcho não é argentino e sim o argentino que também é gaúcho, mas me dei conta que esse seria um trabalho para os livros de história do nosso ensino público de “qualidade”. Também por este culpado, não perco mais tempo explicando a ironia e o sarcasmo do que está escrito.
Não vamos cair na utopia de achar que um dia os comentários não precisarão ser moderados, mas muita gente por aí tem mostrado que as regras desse blog não são nada absurdas para quem tem o que dizer. Há torcedores de todos os times nos comentários, alguns bem surpreendentes que contrariam a lógica do que escrevi acima. Quanto ao comportamento de gremistas em outros blogs, é responsabilidade de cada blogueiro julgar e moderar de acordo com seus critérios e valores. Não tenho filhos da idade que já dominam um teclado.
O futebol é uma máquina de fazer doidos, aproximar culturas, unificar classes, transformar personalidades, expor índoles e destruir credibilidades, mas não confie em quem é adverso a ele.
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