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Perspectivas no carnaval

Seg, 04/02/08
por cristian bonatto |
categoria Gauchão

Levando-se em consideração que meio time ainda não estreou e estipulando-se com muito otimismo uns dois jogos para que cada uma destas novas peças demonstre algum ritmo de jogo e entrosamento, o prazo ainda é de mais ou menos um mês para que qualquer torcedor racional possa analisar o Grêmio como um time definitivo. Mas o jogo contra o Caxias deu mais nitidez para as características deste projeto de Grêmio. Mostrou o lado bom e o lado ruim de uma forma bem didática, um capítulo para cada um, no primeiro e segundo tempo.

Nos primeiros 45 minutos, time para cima do adversário com três atacantes fora de casa. Ofensivo não só na teoria, mas com os três realmente atacando. Dois a um, fora o show e as duas bolas na trave. O segundo tempo mostrou uma característica nova em relação ao Grêmio do Mano Menezes, uma evolução considerável, o Grêmio não recuou com o placar favorável. Claro, esta tendência ainda verde em um time experimental, somada a àquela mão do juiz para o time da casa, acabou resultando no empate do Caxias. Não levamos os três pontos, mas ganhamos algo muito mais importante nesse período do Grêmio. Boas perspectivas.

Vitor, Willian Magrão e André Luis já estão deixando ser destaques para se tornarem afirmações. Paulo Sérgio, uma das contratações mais reprovadas ainda não mostrou nada de espetacular no Grêmio e ninguém na verdade esperava isso. Mas uma coisa deve ser dita: em quatro jogos com a camisa do Grêmio, produziu em campo, no mínimo a mesma coisa que o dispensado Bustos produziu em seis meses, com a vantagem de ter um cruzamento melhor e apoiar bem mais. Ainda falta trabalho sanar o velho problema da lateral-direita mas parece estar no caminho certo. Wagner cederá o lugar naturalmente para o Jean, mas com contrato até 2010, tem que trabalhar esse nervosismo urgentemente.

Contra o Nóia, o time começa a receber em doses homeopáticas a outra metade do time de 2008, previsão de casa cheia para a estréia de Perea e Roger, além da possível volta de Hidalgo. Na seqüência o zagueiro Jean e o recém contratado ao Bayern, Julio dos Santos. Mais adiante, a última e misteriosa peça do tão especulado meio de campo tricolor. Sem falar dos liberados Rodrigo Mendes e Bruno Teles.

Muito trabalho, muita gente para estrear, muita água para rolar. Porém, invictos.

Alalaôs.

Grêmio Protótipo

Seg, 28/01/08
por cristian bonatto |
categoria Gauchão

As coisas que nunca foram fáceis na história do Grêmio, mas num momento de construção como este as dificuldades se multiplicam e todos têm o seu carrinho de mão para puxar, desde os jogadores, o Mancini, a direção, a torcida. Um cronista que não é cronista e nem se encaixa na categoria imprensa também tem o seu para carregar. Seria muito mais fácil a crítica vazia, cega e irresponsável para agradar uma parcela inconseqüente da torcida que já quer levantar o telhado quando o momento é de construir o alicerce. Geralmente não carregam nem um tijolo, mas vão aparecer na hora da festa de inauguração.

Como no futebol não se pode colocar uma placa de “fechado para reformas”, a vida continua. No sábado quem foi ao Olímpico teve a oportunidade de conferir o andamento dessa construção de time enquanto curtia um nordestão nas paletas. A maioria dos presentes estava neste espírito, mais ou menos como quando se vê uma criança aprendendo a engatinhar, sabendo que ela vai se desequilibrar e se esborrachar muito antes de nos dar alguma alegria. Claro, também tinham muitos lá loucos para dar uma rasteira na criança.

Direto da praia para a cancha, sem escalas, peguei o pré-jornada no caminho e ouvi uma declaração, se não me engano, do Peter. Perguntado se o Grêmio seria o da estréia ou do meio da semana, disse que não seria nenhum dos dois e teríamos um Grêmio diferente no jogo daquela tarde. Isto sim me preocupou, uma declaração visivelmente preocupada com a pressão, de quem está assimilando uma pressa perigosa. Claro, que não veríamos isto em campo ainda.

O que pudemos ver de fato foi mais vontade dentro de campo, esse elemento que nunca é demais e talvez tenha faltado no jogo contra O Sapucaiense. Pena que entrosamento não é tão fácil assim de se adquirir. Não dá para o Mancini chamar o pessoal no vestiário e “Abracadabra! Declaro que a partir agora vocês estão entrosados e sabem onde os companheiros estão de olhos fechados”.

Sem este entrosamento que leva a um esquema e depois a um padrão de jogo, resta avaliar individualidades, o que se torna um tanto inútil também quando não está em um contexto de time. Vitor mais uma vez foi seguro quando exigido. Paulo Sérgio teve alguma melhora principalmente nos cruzamentos, mas nada de significativo. Anderson não é o mesmo de quando joga no meio, mas tem bola e crédito para se adaptar e brigar com o Hidalgo. A zaga não está se achando e Léo continua resolvendo sozinho, deve melhorar com a chegada do Jean e não está descartada a vinda de mais um zagueiro.

O meio é o setor que mais sofrerá mudanças, só Eduardo Costa tem lugar garantido, enquanto isso segura as pontas e vai dando tranqüilidade para os aspiras mostrarem serviço, como foi o caso do Willian Magrão no sábado. Por ali a surpresa é a possibilidade do Roger pintar já no próximo jogo. Bem antes do previsto se o Mancini entrar na onda da precipitação. O ataque espera por Perea e promove um vestibular para seu parceiro. Tadeu, Jonas e quem sabe André Luis. Reinaldo não está mostrando vontade para essa briga e deve perder a posição já contra o Caxias.

“Vamo embora, vamo embora
prenda minha, tenho muito que fazer…”


Se for possível um pedido ao que partilham comigo dessa doença incurável, é de muita paciência e o incentivo possível. Esse time e o técnico Wagner Mancini merecem. Mais do que isto, o Grêmio merece paciência para uma remodelação necessária, com os pés no chão e um planejamento para longo prazo. A pressão deve ser direcionada para que a direção defina os reforços que ainda faltam o mais rápido possível. O tempo necessário para pensar a política de contratações é justo, mas tranqüilidade ao grupo também se dá com jogadores diferenciados. A Copa do Brasil se aproxima e o Penta tem que ser a recompensa do trabalho que todos estamos tendo nesta empreitada. Para chegar à Libertadores numa situação diferente da que iniciamos e mesmo assim, quase levamos, no ano passado.

Haja Paciência

Qui, 24/01/08
por cristian bonatto |
categoria Gauchão

A mesma lógica de conter as conclusões precipitadas que valeu depois da goleada em cima do XV, vale também para o empate com “O” Sapucaiense em seu estádio alugado por temporada. Estoque paciência em casa. Precisaremos muito dela até que se arrume este time sob nova direção e em obras para melhor atender-nos. Não será no próximo jogo que teremos sequer uma idéia do Grêmio 2008, nem no próximo, nem na estréia de Perea e Roger e ainda demorará mais um pouco depois de chegar o pacote contendo um zagueiro e dois meias que a direção promete para os próximos dias. Muito pouco do esquema do jogo do Mancini pode ser mostrado nos últimos jogos por muito nervosismo e pouco entrosamento em um time onde Eduardo Costa com 25 anos é chamado de tio.

Bastou o Grêmio enfrentar um adversário mais forte que o XV para que essa disfunção bipolar ficasse evidente. Quem diria! Segunda rodada e já me referi ao Sapucaiense como um time mais forte que alguém. Não que isto me surpreenda muito, eu já havia dado a letra do time da minha capital nacional dos chevettes na segunda-feira. O adversário do Grêmio foi abusado, veloz, inexperiente quando perdeu dois gols feitos e com um técnico que vale a pena prestar atenção. Ipsis Literis ao que foi escrito na segunda-feira. Mas os eventos previsíveis ficam por aí.

Anderson que havia sido destaque na primeira partida jogando no meio, ficou sem muita opção de jogada ontem na lateral, dada às ausências de Jonas e a onipresença de Peter. Victor, o goleiro que muita gente imaginou que ficaria embaixo das traves o jogo inteiro admirando a lua cheia acabou salvando o Grêmio quando foi exigido em uma saída de gol perfeita e numa defesa de reflexo. Tadeu foi outro destaque positivo, se movimentou bem no ataque, chamou a responsabilidade para uma cobrança perfeita no pênalti que ele mesmo sofreu do zagueiro Cirilo, que de fato é muito parecido com o incompreendido ex-aluno da Professora Helena. Uma pena foi a queda de rendimento do André Luis.

Sábado o mistério continua contra o Santa Cruz, mais uma vez o placar não deverá traduzir muita coisa, melhor estar lá tirar, as próprias conclusões e dar aquele apoio que só o Monumental é capaz de proporcionar.

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Souza não vem mais, ou nunca esteve de fato, para vir. Mais uma novela sem o final esperado. O pior disto tudo é o trabalho dedicado em vão com Soares, Diego Souza e Souza. Foi muito tempo nessa brincadeira. Só não dá para dizer “tempo perdido”, porque Perea e Roger foram anunciados justamente no intervalo dessas novelas.
Agora a imprensa fala em Rochemback, não comento até ouvir alguma palavra oficial, mas quem ainda quiser comentar especulação, fique a vontade. Depois é o Pelaipe que faz pegadinhas…

Prudência e Caldo de Galinha

Seg, 21/01/08
por cristian bonatto |
categoria Gauchão


Vencer na estréia do Gauchão sempre será uma obrigação, o Grêmio entrou em campo sábado sabendo disto e tendo em mente que a necessidade, além disto, era outra. Buscar tranqüilidade até que mais reforços de qualidade cheguem. Na estréia do ano passado, tínhamos uma base do ano anterior muito melhor, o técnico era o mesmo e as novas contratações tinham mais respeito do torcedor. O resultado foi um magro 1×0 no Zequinha em Cidreira, abaixo de chuva. A estréia no Olímpico em 2007, contra o mesmo adversário de sábado rende uma comparação mais coerente: 4×0 e 3×0 respectivamente contra o time de Campo Bom. A diferença era que o time do ano passado tinha a cabeça nos Libertadores e o time do Mancini estava apresentando á torcida o tipo de Grêmio teremos a partir de agora.

Missão cumprida, embora ainda muito cedo para se empolgar e mais cedo ainda para desconfiar, algumas características de jogo do Grêmio puderam ser apresentadas. Vimos um Grêmio mais compacto e mais veloz, buscando trabalhar mais a bola e acertando bem mais passes do que se espera de um time todo novo com quinze dias de trabalho. Alguns jogadores ainda estão visivelmente fora de forma. Paulo Sérgio mostrou uma determinação até comovente, mas só isso. Reinaldo era outro que pareceu meio perdido no meio da correria do Grêmio.

Se o preparo físico é a desculpa, então Anderson é a contradição. O jogador que se apresentou mais fora de forma, não deu bola para as arriadas dos colegas, desconfiança da imprensa e para o nariz torcido da torcida, baixou a cabeça e foi puxar uns carrinhos de mão. Não interessa o que o guri andou fazendo nas férias. Nos interessa o golaço marcado e o pataço que resultou no gol do Léo. O melhor cartão de visitas sem dúvidas foi do André Luiz, sob a desconfiança de não ter apresentado quase nada na Copa Amorety pelo Caxias, mostrou que estava guardando algo melhor para estréia no Grêmio. Nos deu velocidade, técnica e entrega e recebeu os aplausos da torcida. Tendo cabeça para interpretar isso como um apoio para que o bom futebol continue, o nome será cantado com mais freqüência.

Agora, o meu conterrâneo Sapucaiense. O caçula do campeonato apesar de inexperiente é abusado, tem gana, velocidade e um técnico que vale a pena prestar atenção. Mandará a partida de quarta e todas as outras do campeonato no lendário Cristo Rei em São Leopoldo. Um Grêmio em fase de entrosamento e com algumas peças ainda fora de forma, tem que ter todo cuidado com essa incógnita.

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Apesar da eliminação contra o São Paulo, a gurizada do Grêmio nos deu algo mais valioso que o título inédito que, claro, queríamos sim. Nos deu o que mais interessava: a impressão clara que a lógica de fazer os próprios craques continua viva no Olímpico. Muitos deveriam ser recebidos no aeroporto, não como eliminados da Taça São Paulo, mas como reforços.

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Um alento de esperança para ainda acreditar na contratação de Souza. Foi possível ler nas entrelinhas das palavras do jogador na entrevista coletiva do São Paulo que ele considera a proposta do Grêmio muito superior e que para ficar no Morumbi, terá que conversar sobre aumento. O detalhe é que por lá, pedidos de aumento são encarados praticamente como uma ofensa.


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