Dois lances idênticos de dois times com a mesma pontuação no topo da tabela. A mesma forma inédita de denúncia pela TV. O mesmo tribunal. O mesmo peso mas duas medidas diferentes. Este fato não mostra que seja necessariamente o Palmeiras o beneficiado do campeonato. Nem é tão claro por enquanto que exista este beneficiado, mas fica evidente que há sim, um prejudicado, no mínimo pela incoerência do STJD e das arbitragens.
Talvez pelo casco grosso de tanta pancada como esta ao longo da história já há um certo conformismo por parte da própria torcida do Grêmio. Estes pregam que é preciso fechar os olhos para estas coisas e passar por cima delas. Concordo inteiramente com a segunda parte. Mas fechar os olhos não faz nosso tipo. 2005 pode até se repetir, mas não será aceito e legitimado com a mesma passividade dos prejudicados daquele ano.
Sonhos já conquistamos todos, precisamos de desafios. Este campeonato começa a se tornar mais do que uma classificatória a Libertadores. É uma questão de honra. .
. “Andam falando por aí, de boca em boca Que a nossa fibra e nossa raça esmoreceu Que andam pisando em nosso pala Quem consente é certamente porque a fibra já perdeu.“
Luiz Marenco (Comp. José Atanásio Borges Pinto, Cenair Maicá, Chaloy Jara)
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O Gol contra do Roth – Proibiu o Grêmio de reagir no segundo tempo, numa total falta de sangue nos olhos com o que estava acontecendo, retirou um atacante para colocar mais um volante como se estivesse ganhando e trocou seis por meia dúzia com Souza no lugar do PS. Sua teimosia tem saldo pelas 12 vitórias do primeiro turno, no segundo, o que mais venceu foi o prazo de validade da mesmice. Desde que o Grêmio assumiu a liderança que o próprio Roth alertava que o Grêmio seria estudado, mesmo assim nada mudou, nenhuma jogada nova surge nos treinamentos e não há mais nenhum elemento surpresa.
O Gol contra do DM - Basta ser cliente do SUS para saber que se um paciente ganha alta e tem um ataque cardíaco na calçada do hospital, a culpa é do médico. Por pressão interna ou erro de diagnóstico, Pereira foi pro jogo e não suportou 10 minutos. Além de desestabilizar a equipe queimou-se uma substituição do Roth. Se o técnico saberia o que fazer com ela mais tarde ou não, é outra história.
O Gol contra do Presidente – Não saiu do MSN de um gurizão empolgado com seu primeiro GRE-nal. Saiu da boca do calejado e experiente presidente do Grêmio. Talvez atucanado com tanta eleição a sua volta, Odone decidiu que velhos chavões servem para qualquer momento e contexto. Com uma frase curta, pretensamente irreverente mas que ninguém achou graça, Odone conseguiu não só vender jornal e motivar o adversário, mas também tornar nossa segunda-feira ainda pior que o domingo.
O Gol contra do Roman – Os próprios erros do Grêmio e a atuação perfeita do adversário legitimam o resultado mas não livram a cara do árbitro. Passou quase desapercebida sua péssima e previsível atuação. Por, no mínimo, falta de culhão, expulsou agressor e agredido no lance envolvendo Tcheco e Edinho deixando o adversário com dois a mais em campo. Também demonstrou entrosamento incrível com o ataque do inter no lance decisivo da partida, o segundo gol. Fechou sonegando do Grêmio o segundo pênalti passível de expulsão em dois jogos seguidos.
O Gol Pró-Grêmio– Veio justamente de onde não se poderia esperar o contrário. A torcida fez sua parte incentivando o lado certo desde a véspera, com quase 10 mil pessoas no treino. Os 2800 que conseguiram ingresso demonstraram a indignação que não se viu em campo com alento na boa e na ruim, em gols contra ou a favor.
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Hoje mais totalitário que nunca.
No que pareceu ser uma decisão política para agradar chimangos e maragatos, o árbitro do Gre-nal será um gaúcho, mas que atua pela federação paranaense: Evandro Rogério Roman, conhecido por ser o árbitro brasileiro que mais gosta de marcar pênaltis. Uma obsessão tão grande como a do Nilmar em se atirar na área. Opa…
Trata-se de um ilustre desconhecido. Isto pelo fato de não apitar jogos da dupla Grenal no Brasileiro por ser natural do RS e nem no gauchão por ser federado no Paraná. Mas não seja por falta de informações, basta uma busca no YouTube para conhecê-lo melhor. Aviso de antemão, se você for influenciável por teorias da conspiração e tem um mínimo de desconfiança quanto ao quem vem acontecendo, não assista estas imagens. Elas podem estragar sua sexta-feira.
O importante é que não precisamos nos preocupar. Afinal esse negócio de complô não existe, podemos confiar totalmente nas nossas arbitragens e erros acontecem para todos os lados. Seria muita paranóia nossa, imaginar que um campeonato brasileiro pudesse ser armado para beneficiar alguma equipe do eixo. Também seria muita pretensão de nossa parte suspeitar ainda que isso seria armado contra uma equipe gaúcha. Isso nunca aconteceu, não há precedentes. Não neste país. É muito chororô.
Demorou mas a hora chegou. Era uma questão de tempo para o a tabela escolher dois times para a fase de cancha reta do campeonato. Nada de anormal, ou alguém achava que a conquista pelo Grêmio de um Campeonato Brasileiro na era dos pontos corridos seria com algumas rodadas de antecedência e muitos pontos de diferença? Este alguém, se existe, se proclamou gremista este ano e só agora vai descobrir o que é sê-lo, de fato. Se este criou uma falsa expectativa neste decorrer, não foi neste blog. A chance que o Grêmio perdeu foi na verdade, de adiar um pouco mais esta hora, por culpa da própria festa prematura da torcida, do desgaste natural do time, das lesões ou das alterações prematuras na equipe ou algum outro motivo à sua escolha.
O verdadeiro momento para vislumbrar o tricampeonato é agora, na realidade da tempestade. Quem pensar assim não é louco, é simplesmente um gremista calejado. Uma comparação que deixa isto bem explicado, pode ser feita com um mata-mata, o de 1995. Contra o mesmo Palmeiras pela Libertadores, sempre um adversário a se respeitar e abrir o olho, principalmente quando conta com um CNPJ por trás. Assim como aconteceu no final deste primeiro turno do Brasileirão, muita gente achou que tudo já estava encaminhado após a goleada de 5×0 no jogo de ida. Todos sabem como terminou. Aquela é a realidade e assim será sempre. No fim das contas, será de novo por um gol ou quem sabe com mais sorte, por um ponto.
Um alento e um prejuízo - A situação chegou prematuramente a este ponto com um empate fora de casa, o que deixou de ser bom resultado faz tempo para quem mais venceu na casa do adversário neste campeonato. Ainda mais contra um cone, um peso morto, um estorvo ou qualquer denominação que queiram utilizar para algo que estava lá apenas como obstáculo. Admitidamente sem qualquer outra ambição a não ser evitar a vitória do Grêmio, o atlético do Paraná era apenas um coadjuvante no mais moderno estádio da Série B do ano que vem.
Um 0×0 em que o tricolor mostrou algo parecido com o futebol do primeiro turno, sendo gremistas todas as boas atuações em campo, inclusive o goleiro adversário. Orteman se firmou como opção ao Magrão, Perea mostrou sua necessidade mesmo não guardando, Tcheco voltou a fazer o que sabe de melhor, Souza mesmo jogando não tão bem foi melhor que o Pico na esquerda. Morales estreou mostrando o que era possível em 10 minutos: vontade e participação. Enfim, um prejuízo na calculadora, mas um alento às perspectivas.
Paranóia atestada
É um esforço tentar não falar das forças ocultas, mas lances como de ontem dão margem a toda e qualquer desconfiança que se pode ter e mostram o quanto precisamos abrir o olho nesta reta final. O pênalti mais óbvio do campeonato até aqui deixou de ser marcado aos 42 minutos em Soares. Fato que, não só contribuiu para a tão esperada “emoção ao campeonato” como deixou o Grêmio líder também entre os prejudicados do Brasileirão pelas contas do Blog do Mauro Beting. Continuaremos como paranóicos, mas com atestado para tal. É oportuna e coerente a lembrança de 1995, enquanto estávamos mais preocupados em lamber nossas próprias feridas, outros “paranóicos” alertavam para as forças ocultas agindo em favor do eixo. O fato foi confessado e nem para nós foi engraçado, até porque tirou muito da graça de rir da situação.
O STJD resolveu adotar o conceito “trabalhe no conforto do próprio lar” e quer que acreditemos na seguinte situação: Um procurador ou um vizinho ou um estagiário ou um grupo de aspones reunidos (não se sabe, pois não foi explicado), tem tempo suficiente para assistir a todos os jogos do Campeonato Brasileiro séries A, B e C, analisar criteriosamente todas as rusgas dentro de campo para apresentar, sem nenhuma imparcialidade, uma única denúncia para julgamento.
Pois o André Luis foi o único jogador punido desta forma em todo o campeonato (partindo do princípio óbvio de que este critério tenha sido adotado desde seu início e não depois que o Grêmio assumiu a liderança). O jogador pegou dois jogos de gancho em um lance que ninguém pode formar opinião, pois ninguém sabe, ninguém viu e também não foi divulgado ao público.
Mas tudo bem, vamos guardar nossas pedras por enquanto, pois o STJD tem agora uma chance de ouro para tentar salvar um pouco de sua credibilidade. Já que tem em mãos o vídeo do lance protagonizado por Diego Souza no jogo contra o Cruzeiro.
Havia algo de muito estranho nesta campanha do Grêmio no Campeonato Brasileiro. Nunca foi a marca do Grêmio liderar um campeonato longo de pontos corridos por tantas rodadas. Ter cinco ou seis pontos de vantagem para os segundos colocados era ainda mais surreal. Faça-se um pequeno exercício de regressão, ao dia 4 de maio, local: Ivoti e tente imaginar que estamos falando do mesmo time. O que mudou então?
Jogadores e comissão técnica baixaram a cabeça foram fazer a parte deles. O comportamento e o discurso são os mesmos de maio. Sem olhar a tabela, sem prospecções e sem olhar além do próximo adversário. Os fatores e méritos que levaram o Grêmio a liderança estão todos dentro do vestiário. Já os perigos e armadilhas que começaram a surgir, todos fora dele:
Dentro de campo, o Grêmio virou alvo e não está acostumado a isso, um X marcado nas costas nunca combinou com a camisa tricolor. Em pontos corridos ainda está em processo de aprendizagem enquanto é o objeto de estudo de 19 adversários que assistem, assistem de novo e dão mais uma olhada nos tapes dos jogos do Grêmio. Eureca! A fórmula foi descoberta, as características de cada jogador mapeadas e os dados repassados pelas agências de inteligência.
Fora de campo, os mesmos que profetizaram o rebaixamento viram o Grêmio golear fora de casa e já começaram a reservar lugares nos bares da Goethe. O “Fora Roth” foi substituído nas paradas de sucesso do Olímpico por “O Grêmio vai sair campeão”, quando o momento não era nenhum e nem outro, e sim, dos bons e velhos “Vamos Vamos”. Jogo perdido em casa é jogo perdido também pela torcida. A queda de rendimento também acontece à medida que a arquibancada se divide entre o apoio de alguns ao grupo e a histeria de outros contra individualidades.
As forças ocultas começaram a agir. Enquanto o Grêmio era visto como cavalo paraguaio, nenhum problema. Até que as manguinhas do sobrenatural precisaram ser colocadas de fora. As manchetes sobre o Grêmio parecem seguir um manual guardado para sempre que o Grêmio representar algum perigo. A escala de arbitragem também começa a ficar estranha. O que um árbitro com tanta inexperiência fazia apitando uma decisão como a de domingo, sob a alegação de “renovação do quadro”? Que renovem o Quadro em Ipatinga x Atlético Paranaense. “Desse jeito vão renovar é a liderança” bem comentou um repórter da Gaúcha.
Junte-se um pouco de cada um desses ingredientes e acrescente uma boa dose de azar e uma atuação eficiente de um adversário sempre complicado para o Grêmio e teremos a derrota de sábado. Em casa, de virada, consagrando Harlei, levando um gol olímpico e outro com uma cotovelada na origem do lance mais pênalti não marcado em Soares, além da afobação. Ao contrário da retórica, esse é um jogo para não ser esquecido. Tudo que podia ter dado errado, deu errado. Que sirva então para alguma coisa. Retomar o foco e a consciência da situação dentro de campo e nas arquibancadas, sem esquecer que há muito com o que se preocupar também fora deles.
Precisando de uma boa notícia? Pois bem, tudo isso leva a constatação de que só agora o campeonato fica com a cara do Grêmio. Ou alguém achou que seríamos campeões de algo com oito pontos de diferença, arbitragem apenas arbitrando e a torcida usando o gogó só para cantar pingos de amor? Nunca foi assim e nem nunca será.
É vendo o comportamento dos outros que a gente percebe porque o Grêmio é o líder do campeonato com cinco jardas de vantagem. Boca fechada, trabalho e foco total sempre e apenas no próximo jogo é a receita que vem dando certo. Por mais que a imprensa cutuque, afinal vive disso, projeções, números e resultados paralelos são assuntos proibidos no Olímpico. Pode até não agradar o repórter que chega na redação sem uma frase boa para entregar ao editor, mas antes um problema para ele do que para o Roth.
Um tiro no pé de boleiros e técnicos que são chegados num microfone, o Luxemburgo é desses e o Diego Souza também. Passaram a semana falando do Grêmio, gerando manchetes e iludindo sua própria imprensa de que só havia esses dois times disputando o campeonato. O Sport era apenas mais um adversário antes da “final” do Palmeiras contra o Grêmio em seu estádio. Deu no que deu, 3 pontos perdidos em casa para a própria soberba ingênua e para um Sport de sangue doce no campeonato, treinando para a Libertadores.
Antes dos palmeirenses, Murici Ramalho, quando estava ainda em 4º já dizia que sua meta era o Grêmio, o tempo passou e agora está em 6º. Bastou o Botafogo crescer na tabela e já tinha jogador pensando no confronto contra o Grêmio, lembrando que tinham vencido o confronto do primeiro turno. Aqui na aldeia, lembro também do Kenny Braga projetando, na semana da chegada do D’Alessandro, um eminente atropelamento coletivo do inter sobre quem estivesse pela frente. Só faltou combinar com todo mundo.
Para o Grêmio a final é neste sábado contra o Fluminense. Da mesma forma como foi uma final o jogo contra o São Paulo na estréia. Seguimos em frente, dando passos do tamanho da perna e sempre aprendendo com os erros alheios.
Pois o centroavante chegou. Apressado atravessando a porta janela quase fechando. Richard Morales que não quis saber do Flamengo se apresenta hoje ao Grêmio, mas já foi à cancha ontem mesmo para pegar o clima, que definiu como “impressionante”. Autor de 14 gols na temporada pelo Nacional, impressionante mesmo é o tamanho do negão. No mínimo, mete medo, falo isso com a experiência de quem tem cunhados nesse estilo “vai vendo”. Mas que se aquietem os mais imediatistas. O Morales vai ter que suar muito a camisa XXG para entrar no time. Será a primeira coisa que vai ouvir do Roth, mas já teve uma noção disto ontem. Sob a sombra que vinha das tribunas, o ataque funcionou.
Marcel para Soares: 1×0. Soares para Marcel: 2×1. Fazia tempo que não víamos uma vitória configurada com dois gols dos atacantes recebendo dos atacantes. Chorados, é verdade, não necessariamente tocados, mas empurrados para dentro: Golaço no dicionário tricolor. Foi o segundo gol de Soares desse jeito esta semana. Impressionante a fome com que ele abraçou as oportunidades que teve neste período. Tem mostrado entrega, indignação e um pouco de sorte. Com Perea na sua seleção, ganharia uma nova chance de ouro, mas pertence ao Fluminense, próximo adversário. Influenciado ou não pela sombra, foi o jogo do Marcel. Fez um partidaço e um gol que não fazia a seis jogos.
Se tem dor de à vista no ataque para o Roth, o meio de campo não deixa por menos. A mistura Tcheco com Souza pegou e não deu ressaca. Tcheco pareceu mais ágil e dinâmico jogando recuado e viu Souza fazer sua antiga função sem decréscimo de qualidade e com mais movimentação. E agora? Willian Magrão não saiu por opção técnica e nem haveria motivos para isso. Orteman ganhou a torcida entre os reservas no GRE-nal e também quer uma vaga. Vai ser uma semana interessante para quem tem costume de acompanhar os treinos.
A cada olhada no retrovisor vemos um e outro se distanciando, chegamos a abrir oito pontos no domingo, mas sempre tem alguém se revezando a cinco jardas. O tropeço mais importante foi do Botafogo, que vinha numa aceleração crescente. O Palmeiras é o adversário do momento e possivelmente será até o final. Um olho no porco outro na feijoada.
O restante da rodada já tinha terminado e as atenções de todas as torcidas que se mantêm vivas na disputa do título se voltavam para os econômicos 4 minutos de acréscimos do Estádio dos Aflitos. A aflição ia além do nome do estádio. Era a cara do Náutico tentando segurar uma vitória importante em sua disputa particular, contra a aflição do líder, que tentava encerrar uma jornada de dois jogos fora com um pouco de dignidade e mantendo a mesma distância dos demais com que saíra de Porto Alegre. Estava tudo dando certo, o líder que se desequilibrara na rodada anterior estava indo com a fuça no chão. Até que socos na mesa se ouviram por todo o país: “Time desgraçado!!”
100% transpiração, 0% inspiração em uma partida fadada a nunca mais ser normal desde 26/11/2005, até mesmo quando o jogo é horrível como o que se viu ontem. O gramado dos Aflitos (que o mandante parece fazer questão de não reformar), serve de explicação mas não de justificativa. O Grêmio deixou escapar outra vez, por seus próprios méritos, a vitória e os pontos que lhe dariam tranqüilidade. Desta vez contra um adversário desfalcado de importantes titulares e jogando 49 minutos sem goleiro. Era só chutar a gol e partir pro abraço, mas nem isso o time conseguia fazer.
Também teve o fator catimba do time do Náutico. Nenhum demérito nisso, que fique claro, faz parte do jogo. O lamentável é o juiz participar dele. Vagner Tardelli: uma espécie de Leandro Vuaden às avessas. Outra observação talvez desnecessária: bafômetro pro tiozinho do carro maca, que entrava em campo quando não era chamado e quase colidiu com a trave. Num jogo destes, com tanta cara de Avellaneda anos 80, só faltava mesmo nosso goleiro ir para a área no escanteio, não voltar mais e participar passivamente do gol de empate no último segundo, com direito á bate-rebate. Esse é o Grêmio (“time desgraçado!”).
Não foi o caso de “sorte de campeão”, essa nós gastamos no dia em que a arbitragem falhou para o lado errado. Foi mais raça que juízo mesmo. Só que agora chega, Roth terá pela segunda vez no mês uma semana inteira para trabalhar. Esperamos que seja mais proveitosa que a primeira. Além de puxar a corda, está na hora de ver que tem ingrediente de qualidade mais que maduro querendo entrar nessa receita. Nada melhor que o caldeirão do Olímpico fervendo para isso. Coparemos!
Foi mais ou menos como aquela situação em que tropeçamos em alguma coisa na rua e olhamos em volta para ver se alguém percebeu. Não, desta vez ninguém viu. Quem poderia ter percebido, por estar no campo de visão e se aproveitado da situação estava ainda mais preocupado em xingar quem jogou a casca de banana de seu próprio escorregão. Portanto, nenhuma mudança perceptível na tabela do campeonato. Só o lamento da oportunidade perdida de abrir oito pontos.
Sinceramente, não vi o mesmo jogo que o comentarista da TV, que passava a idéia de estarmos assistindo a uma partida eletrizante. Vou esperar pelos comentários da galera aqui no blog para decidir se ligo para o oculista ou para a assistência da net. Talvez o clima de final alheia e a determinaçãoquasecomovente do Flamengo com os jogadores saindo de campo sem conseguir ficar em pé não pode ser confundida com bom futebol.
Muito embora não seja mais aquele Flamengo de uns poucos anos atrás, em que fazíamos 6×1 ou 3×0 com a mão nas costas, também não era o bom time do ano passado. Pode-se dizer sem risco de soberba que o Grêmio perdeu para si próprio no Maracanã. Deu um branco na galera, esqueceram todas as fórmulas que estavam tão bem decoradas. Uma apatia que chamou o adversário para o nosso campo, sob a trilha sonora de um Roth desesperado à beira do gramado: “Sobe! Sobe! Soooooobeee! Borra!” ou “Pra frente, Pra frente canário!”.
O principal alvo dos gritos era o Pico. Só não tomou uma tunda porque talvez Roth não tenha percebido que foi numa bola perdida sua, em que ficou reclamando falta em vez de retomar a marcação, que surgiu o primeiro gol do Flamengo. O técnico teve que ser cirúrgico e ousado, sacando Pico e Jean, colocando André Luis e Reinaldo e deslocando Souza para o meio. O time ganhou ofensivamente e no meio Tcheco e Souza mostraram que são compatíveis. O Grêmio pressionou em todo o restante da partida sofrendo o risco dos contra-ataques. Foi assim que empatou e foi assim que sofreu o segundo gol.
Uma hora o Grêmio iria perder alguma, não é o Ajax dos anos 90. Mas se fossemos escolher um momento para a derrota, seria justamente este. Este acidente de percurso é um limão bom pra limonada. Vai rolar um pito dos grandes com toda a certeza, para o pessoal lembrar que o esquema é bom mas não trabalha sozinho. Levanta e sacode a poeira, pois por cima, ainda estamos.
A cachorrada ladra e a caravana segue seu caminho.
E ufanismo alheio? Garantia de diversão para nossa sexta-feira.
Cristian Bonatto, gaúcho de Sapucaia do Sul. Acadêmico de Publicidade e Propaganda na Unisinos, tendo atuado na Área de Criação do Grupo Sinos, House de Marketing das Ferramentas Gerais S/A e na Agência Inside Direct. Em 29 anos de gremismo percorreu boa parte dos rincões gaúchos, brasileiros e sulamericanos com o Grêmio onde o Grêmio estivesse. É um dos milhares de sócios tricolores que preferem entrar pelo portão 10 da Geral, alentando incondicionalmente o imortal.
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