Nunca foi assim e nunca será
Havia algo de muito estranho nesta campanha do Grêmio no Campeonato Brasileiro. Nunca foi a marca do Grêmio liderar um campeonato longo de pontos corridos por tantas rodadas. Ter cinco ou seis pontos de vantagem para os segundos colocados era ainda mais surreal. Faça-se um pequeno exercício de regressão, ao dia 4 de maio, local: Ivoti e tente imaginar que estamos falando do mesmo time. O que mudou então?
Jogadores e comissão técnica baixaram a cabeça foram fazer a parte deles. O comportamento e o discurso são os mesmos de maio. Sem olhar a tabela, sem prospecções e sem olhar além do próximo adversário. Os fatores e méritos que levaram o Grêmio a liderança estão todos dentro do vestiário. Já os perigos e armadilhas que começaram a surgir, todos fora dele:
Dentro de campo, o Grêmio virou alvo e não está acostumado a isso, um X marcado nas costas nunca combinou com a camisa tricolor. Em pontos corridos ainda está em processo de aprendizagem enquanto é o objeto de estudo de 19 adversários que assistem, assistem de novo e dão mais uma olhada nos tapes dos jogos do Grêmio. Eureca! A fórmula foi descoberta, as características de cada jogador mapeadas e os dados repassados pelas agências de inteligência.
Fora de campo, os mesmos que profetizaram o rebaixamento viram o Grêmio golear fora de casa e já começaram a reservar lugares nos bares da Goethe. O “Fora Roth” foi substituído nas paradas de sucesso do Olímpico por “O Grêmio vai sair campeão”, quando o momento não era nenhum e nem outro, e sim, dos bons e velhos “Vamos Vamos”. Jogo perdido em casa é jogo perdido também pela torcida. A queda de rendimento também acontece à medida que a arquibancada se divide entre o apoio de alguns ao grupo e a histeria de outros contra individualidades.
As forças ocultas começaram a agir. Enquanto o Grêmio era visto como cavalo paraguaio, nenhum problema. Até que as manguinhas do sobrenatural precisaram ser colocadas de fora. As manchetes sobre o Grêmio parecem seguir um manual guardado para sempre que o Grêmio representar algum perigo. A escala de arbitragem também começa a ficar estranha. O que um árbitro com tanta inexperiência fazia apitando uma decisão como a de domingo, sob a alegação de “renovação do quadro”? Que renovem o Quadro em Ipatinga x Atlético Paranaense. “Desse jeito vão renovar é a liderança” bem comentou um repórter da Gaúcha.
Junte-se um pouco de cada um desses ingredientes e acrescente uma boa dose de azar e uma atuação eficiente de um adversário sempre complicado para o Grêmio e teremos a derrota de sábado. Em casa, de virada, consagrando Harlei, levando um gol olímpico e outro com uma cotovelada na origem do lance mais pênalti não marcado em Soares, além da afobação. Ao contrário da retórica, esse é um jogo para não ser esquecido. Tudo que podia ter dado errado, deu errado. Que sirva então para alguma coisa. Retomar o foco e a consciência da situação dentro de campo e nas arquibancadas, sem esquecer que há muito com o que se preocupar também fora deles.
Precisando de uma boa notícia? Pois bem, tudo isso leva a constatação de que só agora o campeonato fica com a cara do Grêmio. Ou alguém achou que seríamos campeões de algo com oito pontos de diferença, arbitragem apenas arbitrando e a torcida usando o gogó só para cantar pingos de amor? Nunca foi assim e nem nunca será.
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Se somos assim não é por acaso. Busque na história, justifique-se em retóricas, mas está nos astros a resposta para as características do Grêmio. Foi no mesmo setembro em que 68 anos depois o Grêmio seria fundado, que os rebeldes chegaram a Porto Alegre para correr o presidente da província. A tropa revolucionária chegou por onde? Nenhuma surpresa na coincidência: Ponte da Azenha.
“Acompanho sempre os comentários do blog e para ajudar um pouco estou lhe enviando duas fotos de um Jipe de um casal de tricolores da cidade de Toledo - PR.
Não foi dessa vez que o Grêmio quebrou a série de jogos sem vitória em terras cariocas. Mas, pelo menos, não perdemos. Como sempre, há alarmistas tentando jogar água fria na fervura do nosso mate, dizendo que o Grêmio não tem mais o mesmo rendimento do primeiro turno do Campeonato. Mas ao contrário do que alguns podem pensar, a sorte favorece sim a quem trabalha e os concorrentes diretos também têm passado por maus bocados. O próprio São Paulo, que leva alguns campeonatos de pontos corridos no bolso, já tropeçou e contou com a sorte diversas vezes; o que não entendo é porque isso é tão comentado quando a bola da vez é o Grêmio.
Pois o centroavante chegou. Apressado atravessando a 


