Conclusões esfumaçadas
É um evento que de tão inútil tentar definir, acostumou-se dizer simplesmente que GRE-nal é GRE-nal. Tão inútil quanto a definição, é tentar analisar taticamente um resultado por retóricas táticas, números, esquemas. Tudo blá blá blá. Em 90% dos casos, o que definiu o resultado foi sempre o detalhe, o acaso, o sobrenatural e o psicológico. Em meio á fumaceira natural que é o GRE-nal, mais aquela proporcionada pela festa nas arquibancadas, vamos á algumas despretensiosas considerações.
Clássico não é o momento para testes, ainda mais quando o experimento consiste em voltar a uma idéia que havia sido corrigida. A entrada de Rafael Carioca foi para corrigir necessidade de entendimento e apoio á Roger e vinha dando certo. Roth abriu mão deste acerto e acabou atraindo o inter para o seu campo. Entendeu que Willian Magrão tinha mais poder de marcação do que Rafael e isolou Roger para reforçar a defesa que é a menos vazada do campeonato por méritos dele mesmo. Mais incoerente que esta atitude, foi o pessoal que o chamou de burro justamente quando ele resolveu o problema.
Outra conclusão esfumaçada foi a de que faltou qualidade individual ao Grêmio ontem. Roth está certo em partes. A qualidade individual o Grêmio tem, mas ela está concentrada na regularidade de Roger, Pereira e Victor. A variação entre as boas e más atuações depende diretamente de quantos e quais dos outros estarão em um dia bom.
Para chegar ao título, não podemos depender de regularidades individuais e da torcida. Muito menos achar que a arbitragem vai continuar marcando para sempre pênaltis que costumavam marcar só contra nós (sempre tem um preço, como o gol deles em impedimento).
Resumindo a ópera, tudo igual depois de passado o tal “divisor de águas”. Continua tudo esfumaçado quanto ao futuro do Grêmio no campeonato. Que alguém lá dentro conclua que buscar soluções dentro do próprio grupo é o ideal, mas não se consegue isso eternamente. A deixa para estabelecer esse limite é justamente quando se vê os erros anteriores voltando a ser as soluções do próximo jogo.
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Assim como o apoio e cânticos incessantes nos 90 minutos das peleias boas ou ruins, o Alentaço de véspera de clássico também é nossa marca. Nossa voz no treino de sábado pela manhã é tão importante quanto a do domingo á tarde. Então, o melhor é nem parar. Para nós que não estaremos lá somente para assistir, o GRE-nal começa às 9h da manhã de sábado e vai até as 20h da noite de domingo.
A
Mesmo contrariando a lógica discursiva de um blog de opinião evito escrever na primeira pessoa. Mas neste post será impossível evitar por se tratar de uma ocasião especial. No final de junho do ano passado tive que enviar às pressas uma foto, descritivo, nome e frase para o Blog do Torcedor do Grêmio. Tinha sido o escolhido na seleção editorial. A foto da época nem dei muita importância, afinal não há o que fazer, mas acreditem, tem gente que se preocupou mais com ela do que com o que é escrito. O nome Gremismo, o primeiro que veio à mente. A frase que o segue foi adaptada de uma música do Luis Marenco.
Ás vésperas de completar um ano de existência é assustador a audiência e participação cada vez maior de gremistas dos mais distantes rincões. Não chega a surpreender, afinal todos os levantamentos comprovam que somos a maior torcida do Brasil fora do eixo Rio/SP. Gaúchos colonizadores, descendentes destes ou quem tem outras raízes, mas algum dia se identificou com o imortal ao presenciar qualquer uma das tantas batalhas gloriosas que contam nossa história. Não há estado brasileiro sem consulado. Não há cidade onde não se vê a camisa do Grêmio sendo vestida com orgulho. Não há estádio onde o Grêmio está sozinho.
Seguindo a linha de cortesia adotada pela direção do Grêmio, que mostrou ao pessoal do Atlético o real significado da palavra grandeza, dando um tratamento até exagerado a base de camarote, salgadinhos e tapa de luva e por respeito ao Galatto, vamos dizer que o placar foi no mínimo justo. O Grêmio nem precisou apresentar das suas melhores atuações no Campeonato para golear o Atlético Paranaense nos pênaltis. Bastou Roger - que nos seus piores dias já é útil - estar em uma tarde inspirada, para o placar sair ao natural. E o que podia ser natural ficou por aí, de resto um festival de fatos pitorescos na tarde fria de domingo no Olímpico.
Um está conhecendo o que é viver à sombra de Danrlei, o outro sabe bem o que é isso. A fisionomia também é parecida, além disso, passaram por lesões complicadas e deram a volta por cima para defender a sagrada camisa número 1 de Lara. Separados pelos 110 metros de campo do Olímpico, serão ambos aplaudidos neste domingo. Pois são gremistas, um de fato e outro de direito.
O trabalho de uma categoria de base não se mede por conquistas da Taça São Paulo e sim pelo retorno que um clube tem com seus aspiras nos departamentos de futebol e financeiro do clube. É evidente a supremacia gremista em formar craques. Este fato já foi tema da revista Placar de novembro do ano passado, quando um ranking de hipotéticos times formados apenas por jogadores formados nos clubes evidenciou o Grêmio em primeiro lugar. Pena que cada vez mais o Departamento Financeiro agradece e o clube vai saldando as dívidas. Enquanto o Departamento de Futebol fica chupando o dedo.
