A paciência recompensa
Paciência é uma virtude que costuma ser bem recompensada. Quem teve a chance de estar no Olímpico já pode ver uma cara de time que agrada. Um grupo de jogadores com características diferentes, se entrosando e encontrando aos poucos a melhor configuração entre si. Tudo alicerçado em uma estrutura de time muito bem pensada pelo técnico Wagner Mancini, que mostra ainda sabedoria para sempre apresentar algo novo. Tenho a impressão que ouviremos muito a expressão nó tático nos grandes confrontos tricolores.
Claro que a verdadeira atração não era exatamente, para a maioria, conferir o andamento dessa alquimia como um todo, e sim, a estréia dos dois ingredientes mais esperados até o momento. Roger e Perea mostraram não só que combinam com o time, mas também combinam entre si. Talvez por solidariedade entre estreantes, se procuraram em campo e parecia que já jogavam juntos há mais tempo. Essa é a diferença dos que tem a manha.
Não era para o Roger ter jogado os noventa minutos, poderia ter saído uns cinco minutos antes para ser saudado pela torcida, mas não precisou. Foi um bom teste de Gauchão promovido pelos zagueiros do Novo Hamburgo. Para o bem do Grêmio, Roger tinha mesmo que passar por uma caça daquelas no primeiro jogo. Saiu-se bem, levou umas pancadas, uns cotovelaços e encaradas logo no início. Nem se abalou e acabaram o largando de mão. A atuação só não foi perfeita para uma estréia porque o juiz, não marcou aquele pênalti claro, que até ele viu e não quis marcar por beicinho. Seria o gol na estréia, que o Roger acabou tentando de falta e passou perto. No mais passes e lançamentos inteligentes que chegaram a surpreender até quem ia recebê-los, por não estarem acostumados. Uma questão de tempo e entrosamento para sair muito coelho desse mato.
Aos quinze minutos do segundo tempo, a galera começou a se agitar quando percebeu o auxiliar técnico correndo da casa-mata em direção aos reservas que se aqueciam atrás do gol. Perea entretido com um alongamento na placa de publicidade ainda mostrou modéstia respondendo o chamado com um Yo??. Nos 30 minutos que jogou (quase sem ter participado de coletivos entre os titulares), mostrou vontade, velocidade e bom posicionamento. Tudo que o Wagner precisa.
No gol, já está ficando repetitivo elogiar o Vitor. Como um goleiro desses ainda estava no Paulista é a grande dúvida. Sorte nossa. Anderson, por sua vez será problema com a volta do Hidalgo. Tem que haver lugar no meio para ele no time e não é só pelos lançamentos com a mão. Willian Magrão é outro que não quer largar o osso no time, um golaço do artilheiro da equipe e um desafio para a cabeça do Mancini. A estréia de Perea e o anúncio do Soares mexeram com Jonas e Tadeu. O segundo teve mais sorte e guardou o seu para manter a esperança.
A eleita camisa mais bonita do mundo completou a Débora Secco. Apesar do boné. Foi sacanagem aquilo, o pessoal das cadeiras não viu o jogo.
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