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A paciência recompensa

Seg, 11/02/08
por cristian bonatto |
categoria Gauchão

Paciência é uma virtude que costuma ser bem recompensada. Quem teve a chance de estar no Olímpico já pode ver uma cara de time que agrada. Um grupo de jogadores com características diferentes, se entrosando e encontrando aos poucos a melhor configuração entre si. Tudo alicerçado em uma estrutura de time muito bem pensada pelo técnico Wagner Mancini, que mostra ainda sabedoria para sempre apresentar algo novo. Tenho a impressão que ouviremos muito a expressão “nó tático” nos grandes confrontos tricolores.

Claro que a verdadeira atração não era exatamente, para a maioria, conferir o andamento dessa alquimia como um todo, e sim, a estréia dos dois ingredientes mais esperados até o momento. Roger e Perea mostraram não só que combinam com o time, mas também combinam entre si. Talvez por solidariedade entre estreantes, se procuraram em campo e parecia que já jogavam juntos há mais tempo. Essa é a diferença dos que tem a manha.

Não era para o Roger ter jogado os noventa minutos, poderia ter saído uns cinco minutos antes para ser saudado pela torcida, mas não precisou. Foi um bom teste de Gauchão promovido pelos zagueiros do Novo Hamburgo. Para o bem do Grêmio, Roger tinha mesmo que passar por uma caça daquelas no primeiro jogo. Saiu-se bem, levou umas pancadas, uns cotovelaços e encaradas logo no início. Nem se abalou e acabaram o largando de mão. A atuação só não foi perfeita para uma estréia porque o juiz, não marcou aquele pênalti claro, que até ele viu e não quis marcar por beicinho. Seria o gol na estréia, que o Roger acabou tentando de falta e passou perto. No mais passes e lançamentos inteligentes que chegaram a surpreender até quem ia recebê-los, por não estarem acostumados. Uma questão de tempo e entrosamento para sair muito coelho desse mato.

Aos quinze minutos do segundo tempo, a galera começou a se agitar quando percebeu o auxiliar técnico correndo da casa-mata em direção aos reservas que se aqueciam atrás do gol. Perea entretido com um alongamento na placa de publicidade ainda mostrou modéstia respondendo o chamado com um “Yo??”. Nos 30 minutos que jogou (quase sem ter participado de coletivos entre os titulares), mostrou vontade, velocidade e bom posicionamento. Tudo que o Wagner precisa.

No gol, já está ficando repetitivo elogiar o Vitor. Como um goleiro desses ainda estava no Paulista é a grande dúvida. Sorte nossa. Anderson, por sua vez será problema com a volta do Hidalgo. Tem que haver lugar no meio para ele no time e não é só pelos lançamentos com a mão. Willian Magrão é outro que não quer largar o osso no time, um golaço do artilheiro da equipe e um desafio para a cabeça do Mancini. A estréia de Perea e o anúncio do Soares mexeram com Jonas e Tadeu. O segundo teve mais sorte e guardou o seu para manter a esperança.

A eleita camisa mais bonita do mundo completou a Débora Secco. Apesar do boné. Foi sacanagem aquilo, o pessoal das cadeiras não viu o jogo.

A chance do Roger

Sex, 08/02/08
por cristian bonatto |
categoria Gremismo

Ele podia estar roubando, ele podia estar matando, ele podia estar em um camarote de cervejaria na Sapucaí, ele podia estar jogando futevôlei, ele podia estar de novo na Caras, ele podia estar sendo abordado pelo Vesgo e o Silvio ou poderia passar o dia num quarto com a Débora. Mas não, ele estará em campo amanhã vestindo a camisa do Grêmio contra o Novo Hamburgo no Gauchão. Tem mais, foi ele que pediu para entrar.

Passou-se um mês que Roger chegou ao Olímpico derrubando os butiás do bolso de todo mundo. Chegou sob desconfiança, sabendo que todo mundo tinha motivos para isso. Baixou a cabeça e foi trabalhar. Mesmo que ainda com pé atrás a torcida reconheceu a dedicação e comprometimento do Roger nos treinos, como se fosse um júnior recebendo uma chance no profissional. Foi destaque do último treinamento antes do jogo de amanhã e saiu do campo suplementar aplaudido, sob o alento de um público de jogo.

Mancini também faz sua parte, discípulo do Felipão, aprendeu com o melhor como lidar com situações destas. Esperto chamou para o Roger a responsabilidade de comandar a gurizada dentro de campo, sem lhe dar a braçadeira, com isso injeta uma dose a mais de comprometimento nas costas do Roger. Um conhecido problema do jogador em outros clubes.

Perea tinha sua estréia condicionada a sua atuação no amistoso de sua seleção contra o Uruguai, esse era o discurso no início da semana. Pois o negão destruiu em campo. Se o Mancini promover também sua estréia no sábado, além de aumentar consideravelmente o público, vai ajudar tirando um pouco da carga de olhares de cima do Roger.

Grandes motivos para estar no Olímpico neste sábado de sol. Leve também seu apoio, quem demonstra dedicação para dar a volta por cima e respeito por essa camisa, merece paciência e tranqüilidade. Olímpico cheio, melhor situação impossível para o início de uma recuperação.

Perspectivas no carnaval

Seg, 04/02/08
por cristian bonatto |
categoria Gauchão

Levando-se em consideração que meio time ainda não estreou e estipulando-se com muito otimismo uns dois jogos para que cada uma destas novas peças demonstre algum ritmo de jogo e entrosamento, o prazo ainda é de mais ou menos um mês para que qualquer torcedor racional possa analisar o Grêmio como um time definitivo. Mas o jogo contra o Caxias deu mais nitidez para as características deste projeto de Grêmio. Mostrou o lado bom e o lado ruim de uma forma bem didática, um capítulo para cada um, no primeiro e segundo tempo.

Nos primeiros 45 minutos, time para cima do adversário com três atacantes fora de casa. Ofensivo não só na teoria, mas com os três realmente atacando. Dois a um, fora o show e as duas bolas na trave. O segundo tempo mostrou uma característica nova em relação ao Grêmio do Mano Menezes, uma evolução considerável, o Grêmio não recuou com o placar favorável. Claro, esta tendência ainda verde em um time experimental, somada a àquela mão do juiz para o time da casa, acabou resultando no empate do Caxias. Não levamos os três pontos, mas ganhamos algo muito mais importante nesse período do Grêmio. Boas perspectivas.

Vitor, Willian Magrão e André Luis já estão deixando ser destaques para se tornarem afirmações. Paulo Sérgio, uma das contratações mais reprovadas ainda não mostrou nada de espetacular no Grêmio e ninguém na verdade esperava isso. Mas uma coisa deve ser dita: em quatro jogos com a camisa do Grêmio, produziu em campo, no mínimo a mesma coisa que o dispensado Bustos produziu em seis meses, com a vantagem de ter um cruzamento melhor e apoiar bem mais. Ainda falta trabalho sanar o velho problema da lateral-direita mas parece estar no caminho certo. Wagner cederá o lugar naturalmente para o Jean, mas com contrato até 2010, tem que trabalhar esse nervosismo urgentemente.

Contra o Nóia, o time começa a receber em doses homeopáticas a outra metade do time de 2008, previsão de casa cheia para a estréia de Perea e Roger, além da possível volta de Hidalgo. Na seqüência o zagueiro Jean e o recém contratado ao Bayern, Julio dos Santos. Mais adiante, a última e misteriosa peça do tão especulado meio de campo tricolor. Sem falar dos liberados Rodrigo Mendes e Bruno Teles.

Muito trabalho, muita gente para estrear, muita água para rolar. Porém, invictos.

Alalaôs.


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