As Perdas e o Processo
O jogo contra o São Paulo deveria ser o confronto dos postulantes ao título na reta final do Brasileirão, o segundo melhor da América, contra o que se recuperou com mais eficiência da eliminação nas oitavas da Libertadores. Mas não será. O Grêmio passou o campeonato inteiro perdendo peças importantes e esperando pelo dinheiro delas para trazer reposições à altura. O dinheiro ainda não veio e está aí a diferença entre os times que se enfrentam no domingo. Alguém acredita que o São Paulo teria disparado desta forma se ainda tivéssemos Lucas, Carlos Eduardo e Lúcio no time?
Para completar fomos perdendo jogadores ocasionalmente, justa ou injustamente pelas mãos do STJD, que terá nesta semana a chance de colocar a cereja no bolo, pedir a saideira e considerar um sucesso a sua parte na operação anti-Grêmio. Pelas mãos do STJD, Eduardo Costa será a ausência mais importante, até porque o Grêmio teve que aprender na marra a não depender o Tcheco pelas suas lesões e suspensões. Ah! mas podem ser absolvidos. Podem, mas com uma auditora que tem um pré-conceito definido quanto ao Grêmio como presidente da comissão, será um julgamento tão isento quanto Bush julgando Hugo Chavez ou vice-versa.
Aliás, a declaração do Eduardo Costa de que vai ser julgado e não sabe até agora o motivo, me lembrou o livro O Processo, onde Kafka narra a história do Bancário Joseph K, que certa manhã, é retirado da cama, preso e julgado por motivos que ignora, perdido em um sistema judiciário alternativo, corrupto e enigmático. É a dica de leitura para o Eduardo Costa na viagem.

Mas a ausência mais sentida para o duelo de domingo está no gol. Sebastian Saja vinha escondendo uma lesão desde o começo do ano, agüentou no tendão ao invés do osso para ajudar o Grêmio, mas teve seu limite no último domingo. O tendão esperou Saja finalmente marcar seu primeiro gol com a camisa do Grêmio, mas disse chega no início do segundo tempo. Está aí também a explicação da falha no primeiro gol do Figueirense, que ninguém tinha entendido.
A história do Grêmio passa por goleiros identificados com a torcida e isto o gringo tem de sobra. Os pouquíssimos que desconfiam dele o fazem por um motivo compreensível: ele desbancou Galatto, que simplesmente pegou um pênalti com o Grêmio jogando com sete jogadores e assim como Neil Armstrong pisando na lua, não precisará fazer mais nada na vida para estar na história.
Esta desconfiança só se justifica neste motivo, mas não se confirma tecnicamente. Saja melhorou muito sua saída do gol desde que chegou ao Grêmio, algo que era um defeito transformou em uma de suas virtudes. Também sabe sair jogando, faz lançamentos ao invés de dar balão para frente. Além disto tem reflexo e calma, tanto para fazer milagres em chutes de cima quanto para dar o bote na hora certa em um atacante entrando sozinho. Sem falar que é batedor de pênalti, acostumado no San Lorenzo, com 12 gols na carreira e finalmente liberado para cobrar no Grêmio.
A ironia é que na sua ausência, não será Galatto seu substituto e sim, Marcelo Grohe, que terá uma chance de ouro nas mãos, para se firmar no time titular. No mínimo até o início da Libertadores.
Sim! Libertadores.
Fotomontagem com imagens de sebastiansaja.com.ar
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Só para lembrar: a regra de tolerância zero à corneta vale até o fim do Brasileiro. Ofensas ao time ou a qualquer jogador, não serão aprovadas nos comentários. Isto comprovadamente não ajuda, muito menos nesta hora.
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