Este Grêmio multifacetado que vemos em campo – e fora dele – é desconcertante. Um primeiro tempo intocável e uma etapa complementar atrapalhada nos mostram um time sem identidade. Ou, quero acreditar, sem sorte. O Tricolor, que tem cicatrizes de sua força aparentes desde a face até as vísceras, não pode submergir nos momentos em que deveria apresentar esses estigmas ao adversário. Não se deve dispensar a garra e a raça – tão intrínsecas em nós, Grêmio – em ocasiões de extrema importância como era a última quarta-feira, em Belo Horizonte.
A primeira etapa pode me contrariar, mas, infelizmente, tem sido assim desde o início do ano, quando surge Alex Mineiro para fazer parte do clube mais bélico deste país. Critico o Goleador Cobrador de Penalidades porque é visível que temos alguém para seu lugar, se não mais qualificado, mais participativo e mais Grêmio: Herrera. Sempre esquentando banco nos 45 minutos iniciais, Herrera grita mais da casamata do que Paulo Autuori. Herrera, em poucos instantes, vai mais vezes à linha de fundo do que qualquer ala que acreditamos ter. Eu confio em Herrera.
E diante desses desacordos entre torcida-técnico e torcida-direção, vamos nós novamente, encontrar nossas soluções na esperança. Depositamos todo o otimismo naquilo que temos. Ir ao Olímpico no próximo dia 2 de julho significa deixar em casa os ódios, abdicar das preferências e esquecer as teses. Sim, porque sempre tem quem prefira comprovar suas teses, apontar para os erros e cerrar os dentes com um “Eu disse! Eu sabia! Eu avisei!”. Os gremistas que querem estar na final da 50ª Copa Libertadores da América devem se mostrar dignos e propensos a ser Grêmio.
Maxi López, assunto delicado por perder gols e por falar ou não falar em campo, deve jogar com a boca fechada e com a pontaria afiada. Juntar os resquícios do bom futebol é tarefa para Autuori. Será necessário contar com uma muralha sob as traves (Victor), a segurança da zaga (Léo e Réver), a malandragem dos volantes (Túlio e Adílson), a fibra e dualidade de dois laterais (Thiego e Jadílson – por que Fábio?), os lapsos de criatividade do meio-campo (Tcheco e Souza – Douglas está pronto), e a inspiração e pontaria dos avantes (Herrera e Maxi López).
Sem dúvidas é difícil unir todos essas condições. Mas o Olímpico estará lotado de crédulos, de torcedores lapidados pela paixão, de conhecedores íntimos da garra. Nada será surpreendente para quem constantemente têm a experiência preciosa – e destinada a poucos – de experimentar o gosto da imortalidade.
Juliana de Brito, estudante universitária, gaúcha de Parobé. E acima de tudo, gremista.
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