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Sáb, 05/07/08 por cristian bonatto | categoria Campeonato BrasileiroDeclarações de amor com prazo de validade, promessas anteriores de que o dinheiro não era o mais importante, busca de culpados ou inocentes, real qualificação do grupo de jogadores. Tudo isso à parte, o mais importante no momento é que tem jogo neste domingo e será mais uma daquelas provações que volta e meia insistem em cruzar o caminho tricolor. As coisas não serão fáceis no Engenhão, mesmo com um adversário em crise e com um técnico balançando mais que dentadura de véia comendo bolacha.
Talvez este seja o jogo que mais testará a criatividade do Roth desde que chegou ao Grêmio. Se muitas vezes inventou quando a necessidade era contestada, agora sim é a hora de encarnar o Professor Pardal. Se até ontem os desfalques eram no setor defensivo, onde nosso técnico tem mestrado, agora o problema também se expande a todo o setor criativo em apenas um desfalque. Mais que um pepino para este jogo, organizar o meio de campo é novamente um início de trabalho que recomeça agora e vai até meados de agosto. E saber que Julio dos Santos era um salário muito alto para uma função que vinha sendo muito bem cumprida.
Thiego e Jean para os lugares de Léo e Pereirão. Rudnei no lugar de Willian que volta para a função de Eduardo Costa. Se essa idéia será mantida, apenas entrando Rodrigo Mendes na vaga de Roger, não se sabe. O desejo maior é que este grupo assuma parte da indignação da torcida e transforme em motivação para essa peleia. Ter vontade de mostrar não eram apenas mais dez em campo é uma boa razão para isso.
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Roger Machado Marques também é o cara, só que diferente do cara abaixo, não admite. Também é um gremista personagem da semana. Entrou apenas nos últimos minutos da final da Libertadores buscando um título que já tinha, assim como Renato. É o que acontece quando se honra a camisa do Grêmio. Os deuses do Olímpico recompensam com faixas e seguem acompanhando quando saem pela porta da frente do Olímpico. Além da Libertadores, Roger levantou Campeonato Brasileiro, Recopa Sul-americana, uma meia dúzia de campeonatos gaúchos, além de se tornar o maior vencedor de Copas do Brasil com três conquistas pelo Grêmio e uma pelo Fluminense. Imortal na memória tricolor.
De padeiro em Guaporé à campeão de tudo no futebol, Renato ralou o que podia e não podia. Não comeu literalmente o pão que o diabo amassou porque apareceu alguém para lhe pagar um pastel com refri quando chorava de fome no juvenil do Grêmio. Não é uma história muito diferente da maioria dos boleiros que ganham fortunas às custas do nosso fanatismo. O que destoa a carreira de Renato dos demais é justamente aquilo que mais irrita seus desafetos: Renato não se tornou mais um joãozinho-do-passo-certo com chuteiras de ouro Sete Léguas (as únicas que trabalham muito e não abrem o bico).
É um evento que de tão inútil tentar definir, acostumou-se dizer simplesmente que GRE-nal é GRE-nal. Tão inútil quanto a definição, é tentar analisar taticamente um resultado por retóricas táticas, números, esquemas. Tudo blá blá blá. Em 90% dos casos, o que definiu o resultado foi sempre o detalhe, o acaso, o sobrenatural e o psicológico. Em meio á fumaceira natural que é o GRE-nal, mais aquela proporcionada pela festa nas arquibancadas, vamos á algumas despretensiosas considerações.
Assim como o apoio e cânticos incessantes nos 90 minutos das peleias boas ou ruins, o Alentaço de véspera de clássico também é nossa marca. Nossa voz no treino de sábado pela manhã é tão importante quanto a do domingo á tarde. Então, o melhor é nem parar. Para nós que não estaremos lá somente para assistir, o GRE-nal começa às 9h da manhã de sábado e vai até as 20h da noite de domingo.
A
Mesmo contrariando a lógica discursiva de um blog de opinião evito escrever na primeira pessoa. Mas neste post será impossível evitar por se tratar de uma ocasião especial. No final de junho do ano passado tive que enviar às pressas uma foto, descritivo, nome e frase para o Blog do Torcedor do Grêmio. Tinha sido o escolhido na seleção editorial. A foto da época nem dei muita importância, afinal não há o que fazer, mas acreditem, tem gente que se preocupou mais com ela do que com o que é escrito. O nome Gremismo, o primeiro que veio à mente. A frase que o segue foi adaptada de uma música do Luis Marenco.
Ás vésperas de completar um ano de existência é assustador a audiência e participação cada vez maior de gremistas dos mais distantes rincões. Não chega a surpreender, afinal todos os levantamentos comprovam que somos a maior torcida do Brasil fora do eixo Rio/SP. Gaúchos colonizadores, descendentes destes ou quem tem outras raízes, mas algum dia se identificou com o imortal ao presenciar qualquer uma das tantas batalhas gloriosas que contam nossa história. Não há estado brasileiro sem consulado. Não há cidade onde não se vê a camisa do Grêmio sendo vestida com orgulho. Não há estádio onde o Grêmio está sozinho.
Seguindo a linha de cortesia adotada pela direção do Grêmio, que mostrou ao pessoal do Atlético o real significado da palavra grandeza, dando um tratamento até exagerado a base de camarote, salgadinhos e tapa de luva e por respeito ao Galatto, vamos dizer que o placar foi no mínimo justo. O Grêmio nem precisou apresentar das suas melhores atuações no Campeonato para golear o Atlético Paranaense nos pênaltis. Bastou Roger - que nos seus piores dias já é útil - estar em uma tarde inspirada, para o placar sair ao natural. E o que podia ser natural ficou por aí, de resto um festival de fatos pitorescos na tarde fria de domingo no Olímpico.