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Otimismo (ou realismo) juvenil

Qui, 06/11/08
por Christian Munaier |


Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.    

Caros, já critiquei neste espaço o treinador Marcelo Oliveira (entre outras razões, pelo estilo “amigão”, por ter escalado errado o time contra as raposinhas ou pelas inúmeras reações conformistas diante dos fracassos). Mas não posso deixar de reconhecer nele um cara que privilegia a base, o que há muito não acontecia no Galo. E ao ter ressaltado nesta semana o que chamou de “força jovem do Atlético”, Marcelo apontou o caminho para que afastemos de vez o fantasma do rebaixamento e possamos conquistar, como consolação neste Centenário, uma vaga na Sul Americana do ano que vem. É estratégico contar nesta reta final de Brasileirão com o espírito juvenil de Leandro Almeida, Raphael Aguiar, Renan Oliveira, Pedro Paulo, Welton Felipe; é importante dar à esta garotada a responsabilidade de colocar o time nos trilhos e mantê-lo na elite em 2009; é vital que eles amadureçam o suficiente para conviver com as pressões de um grande clube.

Na minha concepção, uma das chaves para a recuperação alvinegra em 2009 passa também pela manutenção destes garotos no elenco. O presidente Alexandre Kalil tem como grande desafio quebrar o ciclo de descontinuidade que reina no clube nos últimos anos, onde em dezembro a maioria dos jogadores que partem em férias nunca volta e depois do Carnaval, nós, torcedores, somos brindados com um bando de caras novas e manés. Manter a “jovem espinha dorsal” do time, com contratos de gente grande e com a valorização, acompanhada da respectiva cobrança, pode facilitar demais a vida do próximo treinador. Claro, não podemos dispensar craques e mais experientes - o que vai demandar muita organização, criatividade e empenho da nova diretoria.

Mas voltando ao presente, gostaria de analisar os nossos cinco últimos compromissos deste ano, onde a identidade dos atletas formados na base do clube pode ser um diferencial e tanto. Vamos lá: teremos duas partidas que considero dificílimas em casa. Vasco e Santos, ambos lutando também contra o rebaixamento. O que me preocupa nestas partidas é o histórico do Galo no Mineirão neste campeonato. Claro que a maioria das vitórias foi conquistada no Gigante da Pampulha, mas às duras penas, com falhas clamorosas e futebol limitado, o que, na maior parte das vezes, exigiu o empenho e a raça da molecada. Estes mesmos atributos têm que entrar em campo contra um Vasco desesperado, mas com o retorno do perigoso Leandro Amaral, e de um Santos que adora jogar nos contra-ataques, explorando a velocidades dos seus meias e o oportunismo infernal do seu centroavante Kleber Pereira. Está certo que será esta a penúltima partida, as coisas já podem estar resolvidas, mas nunca é bom deixar a decisão para uma partida na qual do outro lado, estará um adversário direto (seja contra o rebaixamento, seja pela Sul-Americana).

Com relação aos jogos fora do Mineirão, serão três pedreiras, na minha opinião: Vitória, do ressentido Ramon, Sport, bem montado pelo competente Nelsinho Batista e sem mais nada a perder por já estar no lucro da Libertadores, e o ainda postulante ao título Grêmio, cujas raça e conjunto superaram até aqui as visíveis limitações do elenco. Faço, inclusive, um apelo ao Marcelo, para que ele não desenhe o time com uma postura covarde. Que tente resgatar a fórmula que ficou perdida lá no Maracanã, diante da Urubuzada: promover uma verdadeira blitz no campo adversário; marcar em cima, explorar a velocidade e o rodízio de jovens atacantes; acionar os laterais; enfim, surpreender. Jogar lá fora como deveríamos ter jogado em todas as partidas no Mineirão, como se a casa fosse nossa!

Semana da Paz

Qua, 05/11/08
por Christian Munaier |
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O que outros já disseram com mais poesia, mais encanto e graça, o que mais eu poderia dizer?

Salvador, Cidade BaixaSão Salvador, Bahia de São Salvador
A terra de Nosso Senhor
Pedaço de terra que é meu
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do branco mulato
A terra do preto doutor
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do Nosso Senhor
Do Nosso Senhor do Bonfim
Oh Bahia, Bahia cidade de São Salvador
Bahia oh, Bahia, Bahia cidade de São Salvador

(Dorival Caymmi)

Dizer mais nada, mas pedir eu posso! Paz, a paz de nosso Salvador em nossa Salvador. Terra do povo baiano, terra do povo brasileiro. Terra que acolheu Cabrito, Luiz Omar, terra da cultura a céu aberto, terra do pelourinho, terra da culinária saborosa, mulheres encantadoras e pessoas de bem. Terra do Vitória, do Bahia e dos torcedores de outros times que lá vão apreciar o bom futebol e, depois, visitar seus monumentos de concreto e de carne e osso. O nosso Galo irá visitar a boa terra e, tenho certeza, de que os Atleticanos cordatos serão recebidos na santa paz de São Salvador.

Atlético Versus Botafogo

Sáb, 01/11/08
por Christian Munaier |

Antes do Apito 

Salve, salve Massa!

Se há um time para ser respeitado pela tradição em confrontos diretos com o nosso Galo, esse time é o Botafogo. Foram, pelo Brasileirão, 34 jogos disputados entre os alvinegros, e nós ficamos com apenas 9 vitórias (o mesmo nº de empates). Ainda, nos jogos em nosso terreiro, foram 6 vitórias para cada lado. Portanto, tenhamos consciência histórica e saibamos tratar o time da estrela solitária. Temos, acima de tudo, gratidão. Foi em cima deles que vencemos o Brasileirão! Mas temos sido clientes preferenciais do time da Regininha. Quem é Regininha? A representante do Bota, que acaba de ser eliminada do concurso Musa do Brasileirão. Ainda bem que o Bebeto de Freitas não administra o clube da mesma forma que a torcida escolhe musa. Aí sim teriam motivo para chorar…


Da nossa parte, temos o bom gosto na escolha do Time amado e temos uma das mais belas representantes do concurso. Dany, independentemente do resultado final, você mostrou a beleza da Atleticana de forma digna. Parabéns! Já o Time…

Acreditem: Serginho só para 2009. Lesões múltiplas no joelho afastam nossas esperanças de um meio-campo mais seguro. Além dele, Rafael Miranda, Vinícius, Francis, Paulo Rodrigues, Jael e Marcos continuam no estaleiro. Sheslon e Juninho cumprirão suspensão pelo 3º cartão amarelo. Voltarão Marques e César Prates. Com o elenco disponível, o que poderemos esperar?

Goleiros: Édson e Bruno
Zagueiros: Leandro Almeida, Welton Felipe, Nen e Samuel
Lateral: César Prates
Volantes: Márcio Araújo, Elton e Denílson
Meias: Renan Oliveira, Petkovic, Yuri, Tchô e Danilo Rios
Atacantes: Raphael Aguiar, Castillo, Marques, Pedro Paulo e Beto

Queremos muita entrega! Queremos que cada jogador que entre leve para campo a vontade de superar os limites desse grupo, que ainda não aprendeu a jogar como um verdadeiro Time. Que a união que amalgama interesses, sonhos e vontades individuais, possa trazer a vitória que não vem desde 2001, quando nosso atual presidente estava à frente do futebol Atleticano. Esperamos que o nosso treinador seja capaz de olhar nos olhos de cada comandado e enxergar a raça vingadora do Clube Atlético Mineiro. Assim, poderá escalar o Time da superação, aquele que mudará a escrita dos últimos jogos. Vamos colocar, de uma vez por todas, uma pá de cal nesse tabu que tanto nos enche o saco.

Qual é a sua escalação?

Parece que o Marcelo repetirá a mesma improvisação do último jogo, no meio-campo e na lateral esquerda. Improvisar por improvisar, eu colocaria um 3-5-2 com Edson; Welton Felipe, Leandro Almeida e Nem; Márcio Araújo, Elton, César Prates, Renan Oliveira e Pet; Marques e Castillo. Duas linhas defensivas formadas por zagueiros e volantes de ofício; Pet e Renan Oliveira armando as jogadas, Marques fazendo o que sempre faz e Castillo tentando marcar mais um gol daqueles que são registrados em cápsulas lançadas no espaço levando as músicas dos Beatles e os gols mais bonitos do mundo.

Faz sentido? Ao menos contaremos com o desinteresse do Bota pelo Brasileirão, com a presença da maior torcida de Minas, a Massa Atleticana, com o espírito renovado pela presença do Kalil e com a inspiração da nossa musa. Precisamos dessa vitória, e qualquer outro resultado não deverá ser comemorado!

Depois do Apito


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Dizem que vitória é igual a sexo. Até quando é feia é boa! Eitcha! Chupa que é de uva, faísca! Vitória com dois gols de zagueiro, com pênalti cavada por outro, com um time todo mexido e desfalcado. Para você ter uma idéia, visitante que não conhece muito de Atlético, o nosso lateral-esquerdo é atacante, o nosso meia é zagueiro e um dos principais goleadores do Galo é um defensor, time montado pelo técnico que, até bem pouco tempo, era o comandante dos juniores.

Mas o que importa mesmo é a vitória e o término do jejum de sucessos sobre o Botafogo que durava sete anos. Sete é conta de mentiroso, falso como era essa pseudo-supremacia do colega fluminense. Com uma vitória feia e anoréxica, chegamos aos 41 pontos necessários para respirar sem balão de oxigênio. Demos a descarga no rebaixamento, assim como os nossos amigos azuis deram à possibilidade de levantar o caneco neste ano. Felicidade de uns, tristeza de outros.

Convenhamos, o Galo não viu a meta adversária até os 20 minutos do primeiro tempo. Apesar do mistão botafoguense, o time da estrela solitária estava com bom domínio de jogo. Tomamos posse da lateral direita deles com maior volume de jogo Atleticano pelo lado esquerdo, mas esse domínio feudal não era traduzido em jogadas ofensivas. Do lado de lá, o time do Ney Franco se postava como se dono da casa fosse. A Massa Atleticana infelizmente não compareceu em grande número, mas os quase dez mil presentes cantavam e incentivavam como se ali estivessem 50 mil. E foram esses dez mil que viram o Welton Felipe avançar como um líbero e ser derrubado na área. Pênalti para o Galo, convertido pelo zagueiro com faro de gol, Leandro Almeida. Com rara categoria, cobrou a penalidade de forma indefensável e tirou o primeiro zero do marcador. Depois do primeiro gol, o Galo passou a jogar com mais volúpia, mas uma volúpia meia-bomba incapaz de chegar aos finalmentes. Terminamos o primeiros tempo com a vitória parcial, e uma sensação de já termos visto esse filme antes.

O segundo tempo nos trouxe, de cara, o benefício da expulsão do Rodrigo Sá. Apesar da folga numérica, o Galo não fazia por merecer um placar mais dilatado. Acomodado em sua zona de conforto, o Galo bobeou e cedeu o empate. Golaço de Carzalberto, sempre ele… E poderia ter cedido a virada. Completamente perdido em campo, vimos mais uma vez o Botafogo dominar a partida, mesmo com um jogador a menos. Marcelo Oliveira percebeu que estávamos sem criação no meio-campo e fez o que deveria ter feito no intervalo: São Pet. Além do gringo, colocou Pedro Paulo e Beto, indo para o tudo ou nada.

Era mesmo a tarde do zagueiro-artilheiro! Leandro Almeida aproveitou o lançamento de Petkovic e acertou primeiro a trave, e depois o fundo do barbante botafoguense. Delírio da galera, fim do jejum e pontos preciosos. Um brilho diferente nos olhos de todos que assistiam ao fim desse tabu degradante. Alegria suficiente para esquecer, momentaneamente, que o time jogou mal e que vencemos na base da raça e da entrega. Se não temos elenco, neste jogo tivemos o verdadeiro espírito Atleticano.

CHUUUUUUUUUUUUUPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, TABU!!!

Raça e espora afiada. Sempre!

Foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press

Futebol é coisa de Mulher

Sáb, 01/11/08
por Christian Munaier |

Vanessa Lima é Relações Públicas, colunista do “Terreiro do Galo” e escreve aos sábados 

Contrato Assinado!

Olá Massa,

Enfim um presidente! Carregado nos braços da Massa, Kalil assume a responsabilidade de administrar nosso glorioso e ressuscitar a nossa esperança. Em seu primeiro discurso, anunciou sua primeira contratação: a torcida. Sim, Kalil, assinamos o contrato com esperança renovada por dias melhores.

Fazemos parte da história centenária do clube. Somos seu maior patrimônio. Merecemos respeito e resultados. Além da paixão que esbanjamos todos os dias por esse clube e a essa nação, cobraremos resultados. Queremos um time capacitado, comprometido e digno de vestir o manto sagrado. Queremos RENOVAÇÃO.

Estamos com você, presidente, apoiamos sua candidatura e acreditamos em suas lágrimas. Muitos de nós já derramamos lágrimas neste maldito ano centenário, marcado por vexames, tristezas, angústias, medo, insatisfação, desilusão e, principalmente, porque fomos traídos. Acreditamos em sua paixão pelo clube e em sua honestidade. Voltaremos a nossa casa, com sua ajuda, e cantaremos aos quatro cantos de BH o hino mais lindo do mundo. Alcançaremos nosso ideal. Queremos vencer, vencer e vencer sempre. Vibrar nas vitórias. Abraçar os amigos que fizemos nas arquibancadas e fazer tremer o lado de lá de Belo Horizonte. É assim que tem que ser.

Espelhe-se no memorável e apaixonado Elias Kalil e em sua administração. Mostre para o Brasil que o Clube Atlético Mineiro está de volta, ressurgirá das chamas mais forte do que nunca. Seu pai atravessou fronteiras, ganhou títulos, fez história. Infelizmente, não vivi nessa época. Nasci no último ano de sua administração e, mesmo assim, me orgulho em ouvir as histórias de Elias Kalil, contadas pelo meu amado pai.

Elias Kalil brigou por títulos e não contra o rebaixamento. “(…) montou o time de estrelas que brilhou nos campos do Brasil e da Europa no início da década de 1980, época em que o atlético excursionava com sucesso pelo velho continente. Trouxe Éder e Nelinho para o clube, levantou cinco títulos mineiros em seis anos, fomentou o esporte especializado e, de quebra, começou a erguer as fundações do que hoje é um dos mais modernos centros de treinamento do mundo, a Cidade do Galo”. (trecho do livro: Uma Paixão Centenária)

Claro que os tempos são outros, mas a paixão é a mesma. Se tiver realmente 1/3 da capacidade do seu pai, voltaremos, com toda certeza, a sorrir. Estamos com você. Torcemos por você! Não nos prometa nada. Apenas cumpra sua função.

Força, Kalil. Juntos lutaremos por dias melhores.

Atlético x Botafogo

Com um estoque extra de lágrimas na bagagem, o time preto e branco do RJ vem para BH de salto alto devido aos resultados dos últimos confrontos com o verdadeiro Glorioso. Esta semana mais chororô e reclamações dos nossos adversários. Choram porque se dizem o time mais prejudicado do Brasil e se vangloriam por vitórias em cima do Galo que de nada fizeram diferença nos campeonatos. Não são capazes de ganhar títulos nem quando são ajudados pelo apito maldito.

A fase do verdadeiro alvinegro do Brasil não é das melhores. Mas, nem por isso, abandonaremos o barco. Vamos para mais uma guerra dentro de casa. Seria um bom começo de fase “Kalil” quebrar o tabu de vencer o time do chororô. Os ânimos, ao menos nas arquibancadas, estarão renovados. É hora de matar de vez o fantasma do rebaixamento.

Vamos Massa, nos encontraremos por lá.

Por nossos pais.

Bem, aproveitando este espaço, gostaria de parabenizar o homem mais honesto e trabalhador que já conheci. Alvinegro de coração, me fez ser o que sou. Está sempre comigo. É o homem da minha vida que, por meio de muita luta, criou e educou cinco filhos.

Ele nos ensinou a dar valor para a maior riqueza que nós temos: a família. Esse homem é o meu pai que completou, esta semana, mais um ano de vida. Parabéns meu amado. Felicidades, saúde e mais 100 anos de vida ao meu lado.

Grande abraço a todos.

Bem-Vindo, Presidente!

Qui, 30/10/08
por Christian Munaier |

Seja Bem-Vindo, Presidente! Uma nação inteira dependerá das suas ações. Durma bem, alimente-se adequadamente, e saiba que torcemos por você!

  

***** 


Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.
   

Carta de um exilado

Caro Alexandre Kalil (permita-me dispensar o senhor ou vossa excelência, pois já estou de saco cheio deste tipo de tratamento aqui em Brasília),

Não quero um Messias, um salvador da pátria. Confesso, estou carente, com a auto-estima lá embaixo neste ano do Centenário. Mas esta fragilidade aparente do espírito alvinegro não me cega, em termos do que desejo daqui pra frente.

Quero um presidente, cujas fraquezas inerentes a qualquer ser humano, sejam pífias, se comparadas às virtudes. E não o contrário, como aconteceu em anos anteriores.

Quero, como escrevi em colunas passadas, um presidente-gestor, que privilegie, como você mesmo já destacou o futebol – lembra-se da promessa “todo saneamento do clube vai passar pelo futebol!”

Quero um presidente que faça o tal conselho de ética funcionar e não representar um mero instrumento de fantasia. Que este conselho recém-criado, possa, de forma independente ser o seu próprio fiscal, Kalil. Que aponte os seus erros e barre os seus eventuais devaneios (quem não os tem?). E que coloque um ponto final nas transferências e negociações esdrúxulas envolvendo nossos jovens valores.

Quero um presidente humilde, para ouvir o brado da Massa e não se apegar a antipatias, que afastem os verdadeiros treinadores do nosso caminho. Um presidente que coloque em primeiro lugar os interesses do clube, em detrimento de vaidades ou sonhos vãos.

Quero um presidente que tenha ética e responsabilidade administrativa. E que busque o que, num primeiro momento o sr. Ziza Valadares mirou: manter a dignidade dos salários em dia de jogadores e funcionários, nem que para isso, seja preciso enxugar a “máquina”.

Quero um presidente que saiba negociar bons contratos de parcerias com a iniciativa privada, sem os absurdos de aceitar cláusulas que atrelem valores mais altos à títulos. Qualquer empresa deve ter orgulho de estampar a sua marca no “manto”.

Quero um presidente que resgate o espírito da velha e saudosa Vila de Cerezo, Paulo Isidoro, Reinaldo, os meninos endiabrados de Barbatana.

Quero um presidente que retome o orgulho e o respeito que o Clube Atlético Mineiro merece e que relembre aos imparciais locutores do eixo Rio-São Paulo que quem precisa de nome composto é o Atlético Paranaense!

Enfim, quero um presidente que levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima, o que coincide com o estilo aguerrido que sempre o caracterizou (embora, em muitos momentos, a capa de falastrão também esteve presente).

Alexandre Kalil, te desejo tudo de bom. Boa sorte. É o que todos precisamos.

Só um adendo: aos olhos críticos e desconfiados de um jornalista, o seu primeiro “decreto”, baixando os ingressos do Mineirão para 5 reais pode parecer demagogia, assim como a frase “o reforço de fim de ano será a torcida”. Mas, calma, Kalil. Aqui não estou exercendo o jornalismo. Estou exercitando minha paixão de torcedor. Neste momento, escrevo, por exemplo, devidamente uniformizado. Galooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Coritiba Versus Atlético

Ter, 28/10/08
por Christian Munaier |

Antes do Apito 

Salve, salve Massa!

Depois de BH, minha segunda terra é Curitiba. Lá minha mãe nasceu (não, ela não conheceu o seu pai, mas conheceu o meu) e lá tenho grandes amigos. Assim como o Galo, que é sempre muito bem recebido em terras paranaenses. Vamos visitar os irmãos Coxas e lembrar aos demais clubes qual é o verdadeiro Atlético. Jogo de torcidas irmãs, jogo de paz e luta apenas no campo. Melhor seria se todas as torcidas se comportassem assim, como se comportou também a torcida azul e a torcida do nosso xará. Se Deus quiser, um dia as pessoas voltarão a entender que futebol é sinônimo de congraçamento, e não de enfrentamento.

Desde 1946, o Atlético Original e Coritiba se enfrentam. Em 1985 ocorreu o principal duelo, pelas semifinais do Brasileirão. Uma vitória simples no jogo de ida e um empate sem gols no jogo de volta carimbaram o passaporte do Coritiba para a final, vencendo-a contra o Bangu. No total pelo campeonato brasileiro, foram 23 partidas até hoje, com 12 vitórias Atleticanas, 6 empates e 5 derrotas para nossos anfitriões. Imagino que, pelas pretensões de retornarem ao G4, eles irão tentar colocar a sexta vitória no scout. Da nossa parte, almejamos os três pontos que nos colocarão em posição mais confortável na busca da classificação para a Copa Nissan e honraremos nosso hino e tradição. Além do mais, nossos irmãos curitibanos não esperam menos do que um adversário honrado e aguerrido.

O Galo irá bem desfalcado para a terra da Santa Felicidade (do bairro e das moças bonitas, da comida deliciosa e do vinho divino). Rafael Miranda, Marcos, Vinícius, Marques e César Prates não jogarão. Além desses, Elton se recupera do cansaço muscular e o Jael apresentou sintomas de cólica renal. Eu sei bem o que é isso, pois é exatamente isso que estou sentindo agora ao ver os selecionados e tentando imaginar a escalação. Os relacionados são:

Goleiros: Juninho e Édson
Zagueiros: Leandro Almeida, Welton Felipe e Nen
Lateral: Sheslon
Volantes: Márcio Araújo, Serginho e Elton
Meias: Renan Oliveira, Petkovic, Tchô, Yuri, Gedeon e Danilo Rios
Atacantes: Castillo, Pedro Paulo, Beto e Raphael Aguiar

Enfim o Danilo Rios estará à disposição. Mas cadê o Paulo Rodrigues, que fora contratado em setembro para disputar posição com o suspenso César Prates?

Esta seria uma excelente oportunidade de confundir a cabeça do nosso Dorival Júnior, entrando com um 3-4-3. Juninho; Leandro Almeida, Welton Felipe e Nen; Sheslon, Serginho, Petkovic e Elton; Renan Oliveira, Pedro Paulo e Castillo.

Justifico: Não teremos um lateral-esquerdo de ofício e temos perdido sistematicamente a bola na meia cancha, justamente por não conseguirmos o rebote ou pelas arrancadas desvairadas dos nossos volantes que correm, correm e correm para, depois, entregarem a bola ao bandido… Por isso proponho duas linhas de 3 defensores (três zagueiros, mais Sheslon, Serginho e Elton na segunda linha), Pet no meio, armando, e um tridente avançando do meio-campo, alternando as posições para confundir a marcação. Sem a bola, Renan Oliveira e Pedro Paulo voltariam para dar o primeiro combate. Mas como estratégias diversas não são treinadas na Cidade do Galo, dificilmente isso daria certo… E pra você, qual seria a melhor escalação?

Depois do Apito

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Então você está puto porque perdemos do Coritiba no Couto Pereira? Aposto que na tabela dinâmica você havia computado os três pontos para o Galo e dava como certo os 41 pontos após a 32ª rodada?! Te dou toda razão e você tem mais que por a boca no mundo e xingar a 15ª geração de todos que frustraram suas expectativas.

Eu não estou puto porque o Galo perdeu. Era jogo fora de casa, com um time que foi muito mais regular durante todo o campeonato. Eu estou extremamente puto porque o Galo nunca é regular, nem dentro de casa e nem fora! Apesar de sair na frente, com mais um gol na galeria dos mais bonitos do campeonato, o Galo não soube segurar o resultado, sofrendo o vira-vira coercitivo, do qual são vítimas as equipes que iniciam a partida vencendo sem querer, e acabam perdendo por querer perder. Não conseguir ao menos um ponto no jogo de comadre mais chato que eu já assisti, é para deixar qualquer Atleticano danado da vida.

O Galo não merecia ganhar. Primeiro porque tem o plantel mais desequilibrado do Brasileirão. Temos mais volantes do que a fábrica da FIAT, nossa patrocinadora, mas a maioria está na garagem ou abaixo do nível mínimo de competência. Nossos goleiros alternam defesas fantásticas e falhas obscenas. Temos dois laterais, sendo que um é adepto do carrinho dentro da área, e nenhum reserva para eles. Nossa zaga, uma das mais vazadas do campeonato, limita-se a chutar a bola para onde o nariz aponta, e às vezes aponta para a própria meta. No meio-campo há alguma esperança (mas eu ouvi dizer que a esperança está moribunda). E o nosso ataque está competindo pela artilharia do campeonato. Nosso artilheiro tem 5 gols, muito próximo dos demais, que beiram os 20 (ironic mode [on]).

O Galo não merecia ganhar também porque o nosso técnico resolveu reinventar o futebol e seus esquemas táticos. Essa insistência de escalar um atacante na lateral esquerda é coisa de maluco. Se ao menos tivesse colocado três na defesa para ter o Raphael como ala avançado, tendo o Serginho (depois o Nen?) ou o Elton para a cobertura, faria algum sentido. Mas não foi isso o que aconteceu. O Raphael ficou preso o tempo todo na marcação. Para isso, que colocasse outro defensor! O esquema tático foi uma verdadeira mistureba. Nosso técnico quis confundir a marcação adversária e acabou confundindo todo mundo. Ele misturou feijoada com strogonoff. Não influenciou nos dois gols levados, um belo chute do Ricardinho e outra falha bisonha do Juninho, numa cobrança em dois lances de uma infração que não existiu. Aquela escorregada fajuta para tocar a bola nos pés do adversário impedido foi digno do circo ao lado do Carretão… Mas influenciou na capacidade de reação da equipe e num melhor aproveitamento de quando tínhamos a posse de bola. Sem aplicação e obediência tática, é pelada e não futebol profissional. A entrada do Pet foi tardia, a entrada do Beto não fez a menor diferença, e o Renan Oliveira ficou apagado no segundo tempo. É um talento esse menino, mas ainda não está preparado para cenários negativos.

O Galo não merecia ganhar. Mas bem que gostaríamos e precisávamos. Em outras circunstâncias, o 2X1 seria encarado como uma derrota palatável. Mas da forma como perdemos é que dá raiva. E nem vamos falar da porcaria do juiz, porque não merecíamos mesmo a vitória. Mas que juizinho safado…


Musa do Coritiba e a nossa musa, Danielle.

Raça e espora afiada. Sempre!

Off Topic: A transmissão do debate entre os candidatos à presidência do Atlético, “transmitido” pela TV Galo, foi igual aos projetos apresentados até agora pelos postulantes: Nada! Nada de transmissão, nada de projetos, nada de conhecimento específico do que devem esperar pela frente… Ê, preguiça!

Aqui jaz um blogueiro!

Sáb, 25/10/08
por Christian Munaier |

Salve, salve Massa!

Neste teste para cardíaco tirei nota vermelha; perdi média. Fui reprovado! A angina tá comendo solta e acho que dessa eu não escapo. Não há izordil que dê conta! Não li, em cartaz algum, a recomendação de que esse brinquedo “Atlético X Inter” era proibido para os desprovidos de saúde coronária. Não encontrei nenhum “ministério da saúde adverte” e achei que não faria mal algum. Fez! Muito! Nossa Senhora Aparecida da Letra Benta, padroeira dos blogueiros, que me valha!

Enfrentar o melhor elenco do Brasileirão utilizando a mesma estratégia do jogo passado, quando perdemos para o 3º colocado do campeonato, é cruz pesada demais. O coração, esse sujeito independente que não escuta a voz da razão, bateu forte e desesperado. Eu imaginei que alguma mudança aconteceria, tanto na postura quanto na escalação, como acontecera no Maraca há algumas semanas atrás. Quando vi aparecer Juninho; Sheslon, Vinícius, Leandro Almeida e César Prates; Serginho, Márcio Araújo e Elton; Renan Oliveira e Marques; Castillo, quase infartei.

Surpreendentemente, de cara e mostrando autoridade, o Galo partiu pra cima e apresentou o cartão de visitas logo aos 30 segundos de jogo, com Renan Oliveira. Pouco depois o Marques – ê Marques, que capacidade você tem de me calar a boca – fez sua jogada típica pela lateral, aquela mesma arrancada em cima do marcador e que era surpresa na época em que o Mumm-Ra jogava na ala-direita, encontrando o pé esquerdo do detalhista Castillo, esse boliviano que só sabe fazer gol bonito. “Gol feio? Prefiro não fazer”. Golaço, de voleio! Meu coração, agradecido, dançava e cantava solto. Dia de festa, noite de comemoração…

Contudo, o que se viu depois foi um ataque do exército vermelho. Ao invés do Galo adiantar a sua marcação e jogar no contragolpe, ele se recuou todo, rifando a bola quando essa, casualmente, chegava aos seus jogadores. Era como se o time adulto (Inter) estivesse jogando um recreativo contra o juvenil (Galo). Ainda assim, o Galo teve algumas oportunidades de ampliar o marcador, mais uma vez com Renan. No entanto, o requinte do toque colorado contrastava com o chutão Atleticano, sendo essa a tônica dos 30 (trinta) minutos finais do primeiro tempo. Terminar a primeira etapa na frente nos deu alento e expectativa.

Com a troca do lesionado Vinícius pelo Welton Felipe no final do primeiro tempo, sobrou ao Marcelo duas substituições. Discutia quais seriam as melhores alternativas para ampliar a nossa vantagem quando o Marcão cavou um pênalti tão bem encenado que até o próprio César Prates acreditou que era verdade. Tive esperança de que o Juninho se transformaria no herói da noite e rezei para a padroeira ajudá-lo. Que nada! 1X1, gol de Alex, o mesmo que teve outra oportunidade dois minutos depois e a desperdiçou, achando exagerado marcar dois gols na mesma noite. A segunda substituição, previsível, foi a entrada do Pedro Paulo no lugar do Marques. Era necessária! Naquele momento, rendi homenagem à coragem e à alma do Marcelo Oliveira. Corajoso!

Vamos combinar uma coisa: quando não é pra ser, não adianta: não será! E não foi… Não foi noite do Juninho. Ele, que tivera a chance de se consagrar na cobrança de pênalti adversário, falhou bisonhamente, borboletamente, no segundo gol do Inter. Teria tido ele morte cerebral? O que ele tentou fazer? Ele, eu não sei. Mas o Inter, esse tratou de virar o jogo. Temi pelo pior, imaginei o chocolate vindo tal qual um tsunami. Meu coração ficou pequenino, do tamanho do futebol que o Galo apresentava.

Com leitura adequada do jogo, o Marcelo tratou de consertar a falta de ligação que havia no meio campo. Estávamos com uma linha de quatro defensores, 3 meias de contenção e três atacantes. Tirou um volante, Elton, e colocou o Pet no meio, para orquestrar as jogadas afoitas do nosso Time. E foi de Pet o passe para Pedro Paulo que, numa jogada de personalidade e certa displicência, fez o gol que nos daria o empate. Embalado pelo gol, o Galo ainda teve chance com o Renan e Castillo, que desperdiçaram feio a chance do vira-vira. Assim também como teve a chance o Inter, nos segundos finais de partida, fazendo subir um gosto ruim de sangue na garganta.

Final de jogo, 2X2 e a queda para a 13ª posição, com 38 pontos. Foi, na minha opinião, um bom jogo e um bom teste para saber se poderei enfrentar o ano recessivo de 2009. Agora, se alguém esperava mais do que um empate perante o Inter de D’Alessandro e Nilmar, esse alguém deve estar na UTI da Santa Casa. Não com problemas cardíacos, mas psicológicos. Esse era o empate esperado nos jogos em casa. Não está bom, mas é o possível! E é importante saber que buscaremos ainda 2 vitórias e encontraremos, infelizmente, 1 derrota no Mineirão. Nossa meta é chegar aos 46 pontos e, para tanto, ainda buscaremos 2 empates fora de casa. No todo, a rodada até que não foi tão ruim assim, tendo até uns motivos para rir, não acham?

Raça e espora afiada. Sempre!

Foto da nossa Musa, Danielle… Precisa mais motivo para estar vivo?

Futebol é coisa de Mulher

Sáb, 25/10/08
por Christian Munaier |

Vanessa Lima é Relações Públicas, colunista do “Terreiro do Galo” e escreve aos sábados

Olhando para frente II

Olá, Massa. Bem, essa semana o nosso querido blogueiro, Christian, como sempre ressaltou muito bem as próximas etapas, nada animadoras, que nosso time enfrentará. No texto de hoje vou um pouco além desse olhar para o futuro. Refletiremos juntos sobre o próximo ano. É certo que o ano centenário acabou para nós, Atleticanos, lá no começo de 2008, com as várias atitudes negativas tomadas pela administração do clube. O primeiro erro, sem dúvida, foi a demissão do técnico e por aí vai. Promessas não cumpridas, a não existência de um planejamento em busca de títulos e de bons jogadores para vestir o manto. Péssimas vendas de poucos bons jogadores que ainda permaneciam no clube e festas e mais festas sem ter o que comemorar. A realidade é essa, mas esperávamos por outra. Quanta coisa poderia ter sido diferente. Merecíamos um time digno e capacitado para defender nossas cores nesse ano tão importante para história do clube. A torcida, por sua imensa paixão e eterna fidelidade, merecia ser recompensada com alegria. Merecíamos pessoas envolvidas e capacitadas e o que temos? Temos um time totalmente descomprometido e fraco, um técnico sem fibra, administradores amadores capazes de tirar a concentração do time a quem defendem poucos minutos antes de um clássico. Pessoas omissas e totalmente despreparadas no comando da instituição e, por fim, a falta de organização e controle que parece não terminar tão cedo: salários de jogadores e funcionários atrasados e uma dívida interminável. É com isso que me preocupo nesse momento. Até quando essa má organização e esse amadorismo continuarão rondando o clube? Até quando lutaremos para não sermos rebaixados no campeonato? Até quando seremos tratados como time pequeno? Até quando lutaremos por dias melhores? Pensar nisso tudo cansa e me entristece muito.

Não vejo soluções imediatas. Desesperamos, nessa fase final de campeonato, não vale a pena. É impressionante, mas existem times piores do que o nosso. A segundona, apesar de ainda nos assombrar, não me assusta mais, não este ano. O que me preocupa realmente é quando essa maldição terá fim. E é nisso que tenho pensado ultimamente. Grandes times do Brasil já estão contratando, estão renovando e desfazendo contratos, estão pensando no próximo ano. Grandes times do Brasil já possuem um planejamento, já possuem estratégias para o futuro. E o Galo? Se não tínhamos planejamento para o ano que era para ter sido o mais importante da nossa história, quem dirá para o próximo…

Essa semana as coisas devem começar a caminhar. Não conheço nenhum dos candidatos a assumir, não só o clube como a sua crise financeira, mas espero ansiosamente por seus projetos e por suas iniciativas imediatas, em busca do equilíbrio tanto no futebol, quanto na administração.

Sobre o jogo contra o time do lado de lá, mais uma vergonha para nosso centenário. Mas essa não foi a primeira, infelizmente já tivemos dias piores. Não devemos jogar as toalhas, não agora. Tenho certeza de que o sentimento alvinegro nesses momentos de crise é único, mas tenho certeza também de que sem a nossa torcida, o clube poderá fechar as portas. Nós somos da Massa, não é hora de desistirmos. Juntos, lutaremos por dias melhores. Meu ingresso contra o inter está na mão. Eles são favoritos em relação a qualidade do time, mas tenho esperança que conseguiremos os três pontinhos nesse jogo dentro de casa. Estarei no portão 7A nos encontraremos por lá.

Ótimo fim de semana para todos.

Grande abraço.

Jogo dos 7 erros

Qui, 23/10/08
por Christian Munaier |


Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.  

Proponho algumas reflexões sobre o massacre do último domingo (massacre, sim - técnico, tático e moral). Para isso, como naquela brincadeira infantil, destaco sete erros, que considero relevantes, cometidos antes, durante e depois do embate. Vale ressaltar que eles não estão listados por ordem de relevância. Afinal, o conjunto da “obra” justifica mais um fracasso. Vamos lá:

Sai que a cadeira é minha… É inadmissível o estilo truculento do Sr. Afonso Paulino, que assumiu a diretoria de futebol pelas portas dos fundos e até aqui não demonstra o equilíbrio e o tato necessários em um momento de crise. Como, antes de um clássico, ele lava a roupa suja dentro de um vestiário, na presença de atletas, representantes da diretoria e outros? Ele não podia esperar a segunda-feira para “demitir” o Sr. Alexandre Faria? Tinha que ser no momento de concentração, para abalar ainda mais o conturbado clima? (friso que não defendo a impunidade. denúncias graves devem ser apuradas) Mas imaginem na preleção o seguinte diálogo entre os jogadores: - Gente, lá fora, o bicho está pegando! O Paulino quase sai no tapa com o Faria, anuncia o goleiro Juninho. -Tem nada não! O bicho vai pegar é no gramado. Nada vai nos atrapalhar, professa o “experiente” Renan Oliveira.

Comissão pra que? As heranças malditas da administração Ziza continuam gerando estragos. A começar pelo contrato firmado com o então assessor de assuntos internacionais, Alexandre Faria. Porque um assessor deve ganhar comissão de 3 por cento sobre o lucro em negociações de atletas, como estava disposto no tal contrato? O percentual deveria se limitar à organização de competições e seminários, captação de grupos de intercâmbio e de parcerias, como previa também o documento. Essas, sim, são ações compatíveis com o cargo para o qual ele foi contratado e cuja missão principal era a de zelar e fortalecer a marca do clube no cenário externo.

A assessoria internacional, com a tremenda distorção, acabou desvirtuada para agenciadora de atletas. Depois, Alexandre foi alçado à diretoria de futebol - sem a tal comissão, mas com falhas e inexperiência de sobra para exercer tal cargo. Alguém aí aponta alguma transação de sucesso conduzida por ele? Ou a diretoria de futebol virou um “centro nervoso de trapalhadas”?

Casa da mãe Joana: Com a renúncia de Ziza, criou-se um vácuo de poder, que alimentou antigas disputas internas e se traduziu em um terreno fértil para oportunistas de plantão. O presidente de um clube tem que ser a principal referência para o grupo de atletas, que deve ver, nele, um porto seguro no gerenciamento e condução dos problemas. Pois bem, tivemos um presidente do Conselho Deliberativo que assumiu e sumiu! Tirou férias (convenhamos, que momento propício para tal descanso). E hoje estamos com um presidente interino, que não faço a mínima questão de lembrar o nome. Convivemos ainda com dois diretores de futebol, em uma autêntica Torre de Babel, onde todo mundo achava que mandava e ninguém conseguiu resultados concretos.

Ei, me dá um dinheiro aí… O fantasma dos salários atrasados voltou a assombrar. Não sejamos ingênuos: ninguém - ou muito poucos - trabalha com afinco, tesão e prazer sem receber a grana no final do mês. Claro, nós, como torcedores, exigimos amor à camisa e profissionalismo. Mas esta insegurança pode abalar, sim, um grupo, principalmente às vésperas de um jogo tão importante. Agora, a diretoria-tampão tenta passar o pires no Clube dos 13 para ver antecipadas as cotas de TV de 2010! (viram como eles tem visão de futuro?)

Unidos pela paixão? A campanha deflagrada antes do clássico foi recheada de boas intenções. Basta ver o apoio, como sempre, da Massa. O problema é que se esqueceram de combinar com os jogadores. Parece que tinham comido uma feijoada com dobradinha no vestiário - pesados, ineficientes, insossos. Foi triste e preocupante ver o goleiro Fábio (quatro bolas) puxar as raposas para o meio-campo e formar aquele círculo. Pode parecer idiotice, mas pela televisão aquele gesto foi emblemático e deixou claro quem estava UNIDO. E não era o bando alvinegro do outro lado, claro.

Deitados em berço esplêndido: Saí com a camisa do Galo aqui em Brasília após a chinelada na Urubuzada? Saí. Gritei e zoei com flamenguistas? Claro. Pensei que tínhamos um time? Não. Definitivamente não! Me policiei durante a semana do clássico para cair na real e me agarrar às inúmeras limitações da equipe. O que aconteceu no Maracanã não foi um “aborto da natureza”. Nem fruto de talento, que não temos. Foi resultado, sim, do suor e garra de alguns jogadores e da ordem do Marcelo Oliveira de marcar o Flamengo no campo dele, sufocar a saída de bola do adversário. Além, é claro, da movimentação dos três homens de frente. Mas nos dias seguintes à partida, tive a impressão de que os trabalhos da semana que antecedeu o clássico foram contaminados por uma aura de euforia e comodismo. E não encontramos líderes no grupo para contornar o clima do já ganhou e botar os pés no chão. Aliás, a imaturidade do grupo, recheado de alguns senhores, chama atenção. Como não lamentar “pérolas” como as do meia Serginho, para quem o Galo fez uma “grande” partida contra o Cruzeiro (por favor, não me façam assistir então à pior partida do time).

Olê Marques ou adeus Marques? Só nome não garante titularidade. O nosso velho amigo Marques não podia começar jogando. Com o lento e ciscador atacante, fomos mais do que previsíveis e facilitamos a vida dos limitados zagueiros cruzeirenses. Marcelo Oliveira fez justamente o contrário do apresentado no Maracanã. Se acovardou e passou todas as dicas para o rival. Domingo passado, nós fomos o assustado Flamengo e o eles vestiram o manto alvinegro. Os desfalques não servem como justificativa para não termos repetido a vontade do Maraca. O que aconteceu com o Castilho, que no Rio dava carrinhos no ataque e em BH bufava com um trotezinho? Aliás, a escalação foi um festival de equívocos. Não dá para colocar um inexperiente Denílson na cabeça de área, ao lado de um Márcio Araújo que só fez errar passes; não dá para improvisar um Elton na lateral e ressuscitar um Jonathas; e antes do primeiro gol, Marcelo tinha obrigação de corrigir as visíveis falhas e o banho de bola que estávamos levando. Mas o estilo paciente e equilibrado do treinador prevaleceu. Dê um esporro, de vez em quando, seu Marcelo!

Mas, enfim, a situação vai melhorar: talvez o “grande” atacante Beto volte no sábado contra o Inter. Teremos então a garantia de um feliz fim de semana! Sem joguinhos dos sete erros, por favor.

Olhando para frente

Qua, 22/10/08
por Christian Munaier |

Salve, salve Massa!

Olhando para frente, pois olhar para trás (e dar beijinho) não é coisa de Atleticano, vislumbramos um cenário nada animador. Além de jogos importantíssimos e que definirão a nossa via-crúcis ou a nossa redenção, teremos a definição política e o seu conseqüente planejamento, que poderá acelerar o nosso calvário ou ressurgimento.

Salários atrasados, inconstância técnica nas apresentações, mexidas incoerentes na armação tática do Time (o que, às vezes, produz uma surpresa tão grande ao adversário que acabamos vencendo), falta de peças para a substituição em níveis aceitáveis. Estes são alguns dos elementos que estarão presentes até o fim do calendário 2008. Ainda teremos: Inter (C), Coritiba (F), Botafogo (C), Vitória (F), Vasco (C), Sport (F), Santos (C), Grêmio (F). Entenda-se por (C) casa e (F) fora. Um montante de 24 pontos a serem disputados, 12 deles no Mineirão e os outros nas casas dos nossos adversários. Quantos desses pontos podemos assegurar? Pelas estatísticas, temos 60% de aproveitamento em casa. Assim, poderíamos pleitear algo em torno dos 7 pontos, o que daria 2V1E1D. Jogando fora dos nossos domínios, temos um pouco menos de 23% de aproveitamento. Desta forma, poderíamos acreditar em quase 3 pontos dados como certos. Pode ser 1V0E3D ou 0V2E2D. Analise e faça as suas conclusões, Para mim, acredito que terminaremos o campeonato com 46 pontos! Talvez consigamos manter a classificação para a Copa Nissan e tentar fazer bonito em 2009. Para isso, dependerá do próximo assunto que passaremos a conjecturar.

Eleições! Não conheço nenhum dos moços que buscam assumir um cargo que já foi considerado mais importante do que muito ministério federal. Naquela época, essa expressão soaria como um elogio! Hoje, nem uma pasta ministerial é tão glamorosa assim e nem o trono de Lourdes parece tão tentador. Deste cofre não sai nada. E, pior, há muito que não entra nada. O comandante que vier a assumir a presidência da Nação Atleticana deverá ter muita criatividade e conhecimento de mercado para contornar a falta de recursos financeiros, buscando novas e lícitas formas de receita e reestruturando o seu carro-chefe: o futebol. Observando os melhores exemplos de gestão no futebol, a tríade elenco-comissão técnica-torcida aliada ao marketing constitui a base do sucesso e dos resultados destes clubes. Portanto, gostaria de conhecer as propostas dos candidatos. Como o voto para presidente não passa pelo crivo popular, acho pouco provável que algum assessor entre em contato conosco, para usar o Terreirão para apresentar seu candidato. Mas se houver algum candidato verdadeiramente comprometido com o torcedor (importante elo na tríade do sucesso), coloco nosso espaço à disposição para se pronunciar e falar sobre propostas.

Não sei se seria hora de falar sobre mudança no comando técnico do Galo. Vejo o Marcelo com muita boa vontade e buscando superar as dificuldades operacionais do clube. Mas, se eu fosse seu agente ou consultor, diria que a experiência de treinador do Galo no Brasileirão 2008 permite a ele a busca de uma experiência internacional, e lhe faria a proposta de passar duas temporadas como coach e, depois, como manager de um clube japonês. Aprenderia novas técnicas de gestão e estratégia, abriria sua cabeça para novas tendências e voltaria mais capacitado para o futebol que precisamos implementar no Clube Atlético Mineiro.

Enquanto isso, poderíamos repatriar um profissional que já viveu todas essas experiências e seria contratado como gerente de futebol e técnico principal do Galo. Seria responsável pela contratação e demissão de atletas e teria parte de seus salários condicionados aos resultados. Hoje, seu time está em 5º lugar na segunda divisão do futebol japonês e, curiosamente, coleciona mais vitórias fora de casa do que dentro. Apesar da temporada nada espetacular, no Galo ele tem grande empatia com a torcida, sabe trabalhar o elenco e aportaria um conhecimento de gestão que precisamos para essa nova fase do nosso time. O campeonato japonês está para terminar e acredito (não sei ao certo), que seu contrato deva ter fim junto com a temporada. Seu nome: Levir Culpi.

Antes de terminar, um olhar para o lado. Milhões de famílias são alegradas ou entristecidas pelas partidas disputadas pelo Galo. Mas várias famílias são alimentadas pelo Galo. Algumas delas são humildes e necessitam dos salários, agora atrasados, para manter a comida sobre a mesa.

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