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Um absurdo! Uma vergonha, mais uma vez, a arbitragem.

sex, 05/03/10
por Christian Munaier |

Texto: Aender Pereira

Arte: Reginaldo Andrade

Vanderlei Luxemburgo já havia mencionado que a arbitragem está prejudicando o futebol mineiro. Árbitro de péssima qualidade, totalmente caseiro e se esconde, como outros, atrás de cartão para tentar esconder sua incompetência.

Como pode um árbitro permitir que um jogo de futebol continue em um campo de futebol de péssima qualidade, que para falar a verdade não havia drenagem? Uma piscina terrível que poderia comprometer a integridade física dos jogadores. A bola simplesmente não corria e, sim, agarrava entre grama e água. Os jogadores estavam afundando até as canelas e o arbitro achando que havia condições de jogo.

Contudo, o Galo topou continuar a jogar após a paralisação, o que, em minha opinião, foi um erro. Mas foi preciso parar, visto posto que aquilo que estava nítido para qualquer pessoa de bom senso, foi muito difícil ser percebido pelo incompetente árbitro Sr. Emerson de Almeida Ferreira.

Agora a situação piorou muito, pois há suspeita de lesão na coxa de Diego Tardelli, que pediu para sair após fisgada sentida aos 19 do tempo regulamentar. Luxa desabafou: “E aí agora, quem é que paga pela perda duas ou três semanas de um jogador do gabarito do Tardelli? Eu avisei que não havia condições e ninguém faz nada. Pelo amor de Deus, porra!”

A Regra é clara e o Árbitro deve ser muito criticado:

DO ADIAMENTO, INTERRUPÇÃO E SUSPENSÃO DA PARTIDA

Art. 42 – O Árbitro é a única autoridade competente para decidir, no campo de jogo, em virtude de mau tempo ou por motivo de força maior, o adiamento, a interrupção ou a suspensão de uma partida, observado o disposto na legislação desportiva em vigor.(Por quê não tomou uma atitude e acabou com a partida que não tinha lógica alguma em continuar?)

Art. 43 – Se a suspensão prevista no artigo 42 deste REGULAMENTO, ocorrer nos últimos 15 (quinze) minutos, esta será mantida, prevalecendo o resultado do jogo existente no momento da suspensão da partida, se nenhuma das duas equipes não houver dado causa a suspensão da partida, conforme determinação do artigo 205 do CBJD.

Art. 44 – Só poderão participar da nova partida, os atletas que tinham condição de jogo na data da partida suspensa, adiada ou anulada e que não estejam cumprindo pena de suspensão, automática, na data da nova partida.

Agora o esquema do Galo está totalmente prejudicado, pois terá de vencer 3 partidas para entrar no G4, caso não converta em 3 pontos a continuidade da partida que ainda será marcada. E sem levar em consideração que perdemos o Diego Tardelli para, pelo menos, pelas próximas duas partidas. Os jogadores tentaram chegar aos 30’ para não ter de haver novo jogo, conforme o Art. 43 acima. Está implantada a polêmica e, pra variar, prejudicando o Galo. Agora caberá à FMF decidir quando ela será concluída.

Independente da chuva, quanto a Carini e Aranha, sinto um problema antigo voltando: Juninho e Edson. Aranha continua batendo cabeça e preocupa a todos.

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Arte: Fred Kong

Apoio: Loja do Galo

Educação e amor vêm mesmo do berço

ter, 02/02/10
por Christian Munaier |

Quando Guy Humberto Araújo e sua filha Paola, de 16 anos, voltaram para Viçosa/MG, vindos do Mineirão onde acompanharam o Galo, encontraram esta carta escrita pela pequena Yasmim, 10 anos. Educação e amor vêm mesmo do berço.

Quando Guy Humberto Araújo e sua filha Paola, de 16 anos, voltaram para Viçosa/MG, vindos do Mineirão onde acompanharam o Galo, encontraram esta carta escrita pela pequena Yasmim, 10 anos. "Seja longa a jornada; seja dura a caminhada;... Galo no peito e na alma". Poesia pura. Parabéns à família. Educação e amor vêm mesmo do berço.


Créditos do vídeo: Raphaela Nuith, nascida em 25 de março de 2007 e filha do colunista do Terreiro, Cabrito, cantando o hino do Galo.

O dia de um exilado

qui, 07/01/10
por Christian Munaier |

Texto: Jota Paraná

Arte: Reginaldo Andrade

Viver no exílio é:

- Acordar pela manhã, espantar o sono, tentar descobrir que dia é hoje. “É dia de jogo do Galo? Contra quem?”

- No banheiro, higiene pessoal, tentar adivinhar a escalação do treinador. Ao sair, dar-se conta então: “Não, não estou em BH!”.

- No café da manhã, a certeza: Não estou em Minas. O café não parece café. O queijo parece ricota prensada, o pão de queijo é massudo. Aquele doce de leite só tem açúcar. Broa de fubá, então, esse povo daqui nem sabe o que é isso. Vai pão com margarina mesmo, que jeito?

- Sair de casa para o trabalho. Pegar a chave do carro, chaveiro com o escudo do Galo, painel com adesivo da Galoucura, e no vidro de trás também.

- Nas ruas não ver ninguém com a camisa mais linda do mundo. Esse povo daqui não sabe se vestir, nem sabe o que é torcer. A saudade vai aumentando.

- Ligar o rádio, e os programas de esporte não falam do Galo. Então resta colocar o CD para ouvir o hino pela enésima vez, hoje versão Rock…

- Chegar ao trabalho e perceber: o povo tem um sotaque estranho. Mais saudade.

- Ligar o PC: na tela o calendário do FredKONG, o mouse pad é o escudo do Galo.

1º. Acesso: Terreirão, post novo, ler os comentários, deixar o meu.

2º. Acesso: Lances e Nuances: “Nossa! esse Roberto escreve bem demais da conta!”.

3º. Acesso: Twitter: A saudade parece que vai me matar: velhos amigos, novos amigos… Hoje não vou conseguir escrever nada, só vou ler.

Últimos acessos, antes que o chefe chegue: Superesportes, Globoesporte.

- Hora de trabalhar, já estou atrasado.

- Continuar trabalhando, o bicho está pegando.

Vou dar um tempo, não sou de ferro. Voltar ao Twitter. Mais notícias, e mais saudade.

- Almoçar, amigo quer companhia. Saudade de um tropeiro, de um quiabo bem feito. Papo vai, papo vem: futebol. Não tem acordo. Não tem ninguém para falar do Galo! Saudade dos amigos, e até dos “inimigos”…

-Voltar ao trabalho. Mais uma olhadinha no Terreirão, no Lances e Nuances, em outros blogs.

- Descobrir que já tem programa novo do Galocast! Gravar no MP3 para ouvir depois.

- Chefe saiu. Voltar ao Twitter: ora concordo, ora discordo, agora consigo twittar. Esperar novas notícias. Kalil está mudo.

-Trabalhar. Voltar ao Twitter: – “Kalil! Fala alguma coisa, sô!”. Mais trabalho.

- Quando dá a hora. Voltar para casa. Ouvir, no som do carro, o Galocast que gravei no MP3. Dar risada: “esses caras são hilários!”. Ficar com mais saudade. De Minas, de BH, e principalmente do Galo.

- Imaginar: “Ainda faltam… dias para o Galo vir jogar aqui… Nem vou trabalhar nesse dia. Final de ano vou para BH, ver o Galo jogar… depois vou ‘ficar doente’ uma semana… Galo vai ser campeão… Vou morrer de tanto festejar… Ah! depois dou um jeito de avisar o chefe…”

- Pegar o caminho mais longo para casa, para dar tempo de ouvir o Galocast até o final. Terminar de ouvir na garagem, dentro do carro: “Que se dane o que o vizinho vai pensar”.

- Chegar em casa. Hoje tem jogo. Gelar cerveja. Ir ao PC. Mais notícias, mais blog, mais Twitter. Mais saudade. Vestir o manto para o jogo. Bandeira na parede da sala. Assar umas linguiças para durante o jogo. Começa. Tenso. Pulo, grito, sofro… Gol do Galo, mais um. Termina o jogo. Hoje feliz… Galo venceu… Rá!

- Ir ao PC, escrever no blog do Christian, do Roberto, do Fael e outros: “Escrevi em todos?” Rever os textos da Elen. “Que será que ela vai escrever sobre o jogo de hoje?”. Ir ao Twitter, twittar até de madrugada. “Está todo mundo feliz, lá longe. Lá em Minas… Estou tão longe… mas estou perto.”

- Ir dormir, hoje com o Manto. Amanhã acordarei com o Manto… Não estarei onde gostaria de estar… Deixar então, o sonho me levar… Sonho: “Leva eu!”…

_Gaaaallloooo… ZZZZZZZZZZZZZ

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VagasLembrancasO amigo e leitor Paulo Marreco lança a segunda edição do seu livro, Vagas Lembranças de Um Quase Atleta. “Trata-se da narração de fatos mais ou menos verídicos (sabe como é, o sujeito vai ficando velho, começa a misturar fantasia e realidade dentro da cachola) acontecidos comigo enquanto praticava os mais variados esportes: futebol, jiu-jítsu, triatlo, surfe”, disse-me o autor. Conheçam um pouco mais da obra desse atleticano clicando aqui.

Clube Atlético do Mundo

dom, 27/12/09
por Christian Munaier |

Vários são os motivos pelos quais um garoto escolhe seu time de futebol. Naturalmente, a influência dos pais é marcante, pois os bebês já recebem roupinhas do clube do coração de seus parentes assim que chegam ao mundo. Contrariar o gosto dos familiares pode causar tristeza profunda aos pais mais fanáticos. Outros fatores são importantes, como a conquista de títulos, a presença de jogador famoso, a festa da torcida ou, até, um mascote que gere simpatia a criança.

Eu já conhecia a paixão deste torcedor pelo Galo, Dr. Fabrício Monteiro. Com um sotaque mineirês, sempre achei que este conhecido Pediatra, Imunologista e Alergista de Brasília fosse um mineiro do interior ou mesmo que fosse um goiano, filho de atleticanos que migraram para a região centro-oeste. Durante uma reunião sobre pediatria há cerca de 1 semana, fiz a pergunta que sempre faço a torcedores atleticanos que moram fora de Minas Gerais: o que o fez torcer para o Galo? A resposta, um tanto que inusitada, me inspirou a escrever esse texto.

Nascido em 1976, Fabrício me disse que começou a se interessar por futebol no início da década de 80. Nesta época, o futebol goiano tinha apenas tradição regional e, apesar de ter um pai torcedor do Vila Nova, ter familiares da região da “campininha”, reduto do Atlético Clube Goianiense, e ter um tio torcedor do Fluminense, o “TiDito”, acabou não escolhendo nenhum desses clubes para seu coração.

Um dia, ganhou uns trocados para comprar um time de futebol de botão. Foi a uma banca de revistas e havia dezenas de times para escolher: para o irmão, comprou o Palmeiras e, para si, escolheu um time com escudo negro, que ele ainda não conhecia. Ao chegar em casa, entregou o time do Parque Antártica ao irmão e mostrou o time que havia comprado ao tio: “Tio, comprei pra mim o Santos Preto”. O tio, então, apresentou ao pequeno o clube que, a partir dali, seria seu time de coração: “este é o Atlético Mineiro”.

Na década de 80, Goiânia era um reduto de torcedores de times cariocas e paulistas. Dessa forma, era pouco usual, inexplicável e de certa forma uma grande desobediência ser “Galo”. Não foram poucas as vezes que foi perguntado: “por quê você é Galo? Nasceu em Minas? Seus pais são mineiros?”. Ele apenas respondia: “Não, foi meu primeiro time de futebol de botão”. Ainda assim, apesar de sincero, era desaprovado tantas mil vezes por amigos e familiares (exceto pelo irmão, que adotou o Palmeiras como time de coração). Em cada dificuldade apresentada em torcer para o seu time, fortalecia ainda mais o amor pelo clube, enraizando-o nas vísceras e na alma. Estudou, graduou-se em Medicina, especializando-se em Pediatria, Alergia e Imunologia, e, finalmente, pode exercer sua paixão como atleticano. Com seu dinheiro, encheu seu armário com camisas do Galo, indo a Belo Horizonte para ver seu time jogar e cumprir a promessa feita ao irmão, de sempre passar o ano novo em Belo Horizonte, capital mundial do Galo.

Casou-se com Rosana, também pediatra. A paixão atleticana se frutificou, gerando uma pequena torcedora do Galo: Ana Clara, a Cacau, que de tão fanática, canta o hino do Galo e pede para ir ao estádio pra ver o time.

Hoje, quando perguntam se ele é de BH, Fabrício logo responde: sou BRASILEIRO, ATLETICANO e torço pro Galo aonde quer que eu esteja.

Aproveitei a conversa pra saber suas impressões sobre a gestão do Galo.

O que ele você acha da atual situação do Atlético, da diretoria e do relacionamento com torcedores?

R: A diretoria do Galo parou na década de 80. Ela tem de ser modernizada, pois senão seremos engolidos pelos outros rivais e praças, que tem projetos mais ambiciosos de marketing, de futebol, desde o amador ao profissional, e querem expor seu time na mídia, não somente ao nível regional e sim nacional e até mundial. Hoje observamos meninos e meninas torcendo por times de outros estados e europeus, como se fossem locais. Afinal, como isso pode ocorrer? Minha resposta é simples: apostam alto em seu potencial, coisa que o Galo ainda pode fazer de forma mais intensa.

Fala isso devido a declaração do Kalil que disse importar-se somente com o torcedor que vai ao estádio?

R: Em parte sim. É uma visão míope, de quem apenas enxerga de perto a situação. O torcedor que não vai ao estádio também pode render muito para o clube. Infelizmente os torcedores de fora de Belo Horizonte ainda são pouco lembrados, apesar de consumidores vorazes dos produtos do Galo e muitas vezes tendo que se deslocar por longas distâncias para ver o time de coração. O atleticano quer muito ajudar o clube e participar mais e muitas vezes não encontra meios para isso, além de torcer.

O que pensa sobre o Kalil?

R: É mais um galo doido, como todos nós, sem mais ou menos, todos iguais e apaixonados pelo glorioso. É o presidente do meu clube de coração e desejo-lhe discernimento e sucesso frente à reestruturação do CLUBE ATLÉTICO MINEIRO.

Texto: Getúlio Bernardo Morato Filho é Pediatra, Médico do Esporte e Atleticano. Nascido em Brasília, traz em seu sangue o mais puro amor ao Clube Atlético Mineiro

SER ATLETICANO…

sex, 11/12/09
por Christian Munaier |

Texto: Adriano Quadros

Arte: Reginaldo Andrade

Ser atleticano é muito mais que torcer pra um time, ou sair de casa com uma camisa alvinegra com listras verticais, SER ATLETICANO é sair da maternidade no dia em que nasce literalmente vestindo o manto sagrado. É isso mesmo! SER ATLETICANO é herança, genética, está no sangue, não é simplesmente torcer pro time que pai torce, é muito mais profundo; é espiritual. Como se um guia sobrenatural nos acompanhasse dia e noite, reafirmando nossa fé, não em um time, ou em uma camisa, mas numa religião, que leva milhares de adeptos ou templo sagrado do futebol. Com mais do que torcida, porque acredito que fé descreveria melhor esta saga atleticana, deste ano. Fé pra acreditar que mesmo nos últimos anos com campanhas medíocres, e propósitos pífios, sairíamos desta agonia de situação e reagiríamos saindo de uma UTI administrativa e conseguiríamos reverter a situação.

Daí, começa o ano de 2009. Tudo parece estar tomando um novo rumo, mas a fé que temos não é compartilhada com os demais torcedores, de outros times, por que eles simplesmente torcem, não acreditam no que não vêem, e alguns não acreditam nem no que vêem. Segundo o Livro Sagrado do Cristianismo, a Bíblia, “Fé, é o firme fundamento, das coisas que não vejo, mas que ESPERO,” (Hebreus 11:01), nos mantemos firmes no propósito central: ACREDITAR. E olha que acreditamos, acreditamos até no sobrenatural, por que SER ATLETICANO, a acreditar no impossível, e o impossível esteve bem perto de nós. Moro no estado do Paraná, na Cidade de Maringá e como SER ATLETICANO é divulgar o orgulho de ostentar esta camisa, fiz a minha parte. Alegrei-me, chorei, acreditei, zombei dos adversários (e aqui tem de todos), aguentei zombarias, e vi meu sonho de título, meu sonho de Libertadores, indo embora.

E agora? O que fazer, quando vejo um time apático, e descubro que nem o técnico nem os jogadores compartilham da mesma fé? Mas SER ATLETICANO é remar contra a maré, é torcer contra o vento, é falar para os zombadores “espera o ano que vem”. SER ATLETICANO é acreditar que tempos melhores já chegaram e que nos próximos anos ainda levantaremos este caneco, e muitos outros. SER ATLETICANO é saber que agora voltaram a nos respeitar e em breve passaram a nos invejar. SER ATLETICANO é crer que dias melhores não virão, por que dias melhores já chegaram.

SOU ATLETICANO E TORÇO CONTRA O VENTO.

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2009 – Análise de um torcedor

seg, 23/11/09
por Christian Munaier |

Texto: Matheus Lacerda

Arte: Reginaldo Andrade

2008 foi um ano difícil. Repleto de desencontros administrativos e no futebol, vivemos um centenário sofrível, brigamos contra o descenso, aturamos jogadores medíocres e uma diretoria extremamente ineficiente. Atrasos nos salários, desconfiança, público zero. Começamos 2009 com pouquíssimas perspectivas. A única esperança vinha de um novo presidente, que não é Deus, que assumiu o controle de um avião caindo e segurou a bomba com as mãos prometendo, inicialmente, apenas muito empenho e seriedade. Depois de uma campanha razoável chegamos à final do mineiro e vimos um filme de terror se repetir. Ele, o presidente, não se eximiu da culpa e tomou providências. Às vésperas do início do maior campeonato do país trocou o treinador, assumindo o risco, e trouxe o contestado Celso Roth. O time começou desacreditado, mas engrenou. Logo liderava e dava sinais de que poderia ter uma sorte melhor no campeonato. Durante várias rodadas foi líder e por quase todo o campeonato esteve no G4. Terminou com uma invencibilidade de 13 jogos (eu acho) contra o nosso maior rival, nos deu esperanças. Isso, ESPERANÇAS! Há quanto tempo não tínhamos isso? Por quanto tempo tivemos que aturar Mexerica, Eduardo, Galvão, e outras amebas no ataque do Galo?

Hoje, é fato, estamos inesperadamente frustrados. Mas por quê? Rebaixamento? Ameaças? Diretoria enganadora? NÃO! Absolutamente. Estamos tristes, pois tivemos fé em um time, que se entregou dentro de campo, que tirou forças de onde não tinha, para chegar onde está. É injusto procurar culpados por um histórico de más administrações, por um time que todo ano troca toda sua base contratando 20, 30 jogadores… É injusto querer que Thiago Feltri, Éder Luís, Evandro sejam a solução para nossos problemas. Eu nunca chamei e nunca chamarei meu Galo de timinho. E tenho dó de quem o considera. Somos imortais, somos inesquecíveis. Somos Galo!

Hoje estou triste, pois acreditei que mesmo sem estrutura, mesmo com um planejamento recente e mesmo sem grandes jogadores conseguiríamos mais uma vez tirar água de pedra, mas o fato é que ainda estamos bem no início de um novo caminho. Acredito no trabalho do comando atleticano, acredito que estamos no caminho certo, mas acredito que se queremos almejar algo mais para o nosso Glorioso, temos que manter os pés no chão, a cabeça no lugar e seguir com o planejamento, pois este time está começando. E ao contrário do que muitos pensam, um time campeão não se forma em um ano. Demos o primeiro passo, agora é seguir com a caminhada.

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O Princípio do Fim

qua, 04/11/09
por Christian Munaier |

Texto: Vitor Nicoli

Arte: Reginaldo Andrade

A semana começou de maneira atípica hoje, terça feira, com uma mistura de sentimentos que há muito não se sentia. Felicidade, ansiedade, expectativa e confiança confundem a cabeça. Um turbilhão se inquieta no íntimo de cada um de nós, alvinegros.

Feliz por termos voltado a vencer fora de casa, em um jogo tipicamente atleticano. E como toda vitoria atleticana, tinha que ser suada, com aquela pressão adversária ate o ultimo minuto pra darmos mais valor aos três pontos. Nunca foi fácil, nunca será.

Ansioso pelo jogo de domingo! Senhor, o que reserva para nós? Será esta mais uma provação divina para corações alvinegros calejados? Que seja! Eu aceito! O desafio é o combustível do homem e a alma do atleticano se baseia em superar obstáculos. Contra tudo e contra todos!

Expectativa. Será que algum torcedor do Galo não está pensando no jogo de domingo como mais uma oportunidade de vingança, uma palavra que muitos repudiam e dizem ser indigna? Eles nunca devem ter ouvido falar em Wright, então vamos dizer revanche. Um jogo que será um deleite para apreciadores do bom futebol. Impossível prever quem sairá vencedor.

Confiança! Quem prevê alguma coisa é cigano, pai-de-santo, astrólogo e não sei mais o quê. Eu torço, vibro e rezo para o Atlético sair de campo vencedor. Com humildade e fé em Deus, estaremos comemorando a vitoria ao final do jogo.

Eu acredito no Galo. Eu sou mais o Galo.

Percebe-se em muitos, senão em todos, uma confiança boa de ver. Já se foi o tempo da desconfiança com o time, quando todos estavam parecendo esperar a hora em que ele voltaria a ser o Galo de anos recentes, com desgostos acumulados, derrotas humilhantes, Ziza (bate na madeira ai, vai?) e etc.

Antes de qualquer coisa, eu prego e acredito no respeito a todos os adversários. Futebol se ganha dentro de campo. E o Estudiantes nos deleitou com essa máxima do futebol há pouco tempo atrás. Humildade, sempre. Fraqueza, nunca.

Mas a nossa campanha já deixou de ser esperançosa para ser realidade. Não precisamos fazer nada a mais do que vínhamos fazendo o campeonato inteiro, para conseguirmos uma vaga na Libertadores. Claro que, para sermos campeões, precisamos do “algo a mais”, daquela vontade, gana e raça extra, e também daquela ajudinha da Providência Divina. Posso estar enganado, mas eu vejo essa vontade na diretoria, nos jogadores, na comissão técnica, na torcida. A tranquilidade interna do clube reflete em campo. Quantas vezes pudemos dizer isso nos últimos dez anos?

E quando vejo todos pedindo atenção ao Galo, reclamando da imprensa barrista, eu peço que falem do eixo! Sim, deixem-nos pra cá, sossegados, comendo pelas beiradas, como todo bom mineiro. Assim, vamos ate o fim, e quando chegar na 38ª rodada, estaremos (se Deus quiser, e ele há de querer!) no topo da tabela, e ainda assim, nos chamarão de paraguaios. E o que importa o que dizem?

Deixem que falem, deixem que gritem. Eles nunca conseguirão nos atingir. No final, nós não seremos esquecidos.

Xiita? Fanático? Louco? Não, meu caro. Estes são sinônimos de atleticano.

Este é o nosso tempo.

Diretoria, time, comissão, equipe de apoio, todos os envolvidos com o Galo, continuem seguindo esse árduo caminho, juntos, contra tudo e contra todos, fechados com o Galo.

A nós, torcedores, resta ficarmos juntos com o time, apoiando, empurrando, sofrendo, chorando, gritando e vibrando… Com a promessa de lutar pelo nosso destino.

Para melhor ou para pior, nossa história nunca foi de abandonar. É real e presente demais para ser negligenciada. Pulsante. Impossível de ser contida. Um tsunami.

Eu acredito que esta guerra foi desenhada para nós vencermos.

Acredite. Nós seremos campeões.

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A Muralha Cisplatina está de volta!

seg, 26/10/09
por Christian Munaier |

Texto: André Braga

Arte: Reginaldo Andrade

Quem diria que, depois de tanto tempo, um uruguaio voltaria a defender a meta do gol atleticano. Com base na boa história alvinegra com um arqueiro do pequeno país ao sul, é que Fabián Carini chega como uma espécie de salvador. Ta certo que temos o goleiro aracnídeo para nos defender, mas um goleiro de seleção nos dá mais segurança e tranquilidade.

Eu, ao analisar a ficha do nosso novo goleiro, deixei a minha desconfiança de lado: jogou no Danúbio de Motevideo de 1996 até 2000, e nesse meio tempo, foi convocado duas vezes para a seleção de base do Uruguai. Depois se transferiu para a Velha Senhora, a Juventus, onde ficou de 2000 até 2002, indo pra Copa do Mundo da Coréia e Japão em 2002. Teve uma passagem breve pela Bélgica, mas que fez com que jogasse a Copa América de 2004 e abrisse os olhos dos dirigentes da Internazionale de Milão. Lá, nossa muralha cisplatina não teve muita oportunidade, sendo emprestando ao Cagliari. Voltou à Internazionale e acabou parando no Real Murcia da Espanha. Foi chamado pra Copa América de 2007. Foi reserva o tempo todo enquanto durou o seu contrato com o time espanhol, até que Kalil o trouxe para onde ele deveria ter vindo há mais tempo.

Carini resgata nas mentes dos mais antigos o grande mestre Mazurkievics, um dos mais seguros e ágeis embaixo da meta atleticana. A camisa 1 tem um novo dono e esperamos que esse dono fique nos seus 3 anos de contrato, e não seja vendido tão cedo. Bem… Pra quem tinha a disputa de titularidade entre Juninho e Édson, ter Fabián Carini e Aranha nessa luta é um lucro de 200%.

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Charge sensacional de Marcelo Vargas, do blog Copo Sujo

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Selo peixe Grande 2009O Terreiro do Galo está concorrendo ao Prêmio Peixe Grande 2009. Clique neste selo e vote no Terreirão.

Zé e Geralda

ter, 20/10/09
por Christian Munaier |

Texto: Jota Paraná

Arte: Reginaldo Andrade

Na penúltima rodada, o Galo foi a São Paulo enfrentar o Palmeiras. Com dois pontos à frente do Galo, bastaria ao Palmeiras vencê-lo e seria o campeão. A festa paulista já estava preparada. Num jogo difícil para ambos, o placar apontou um a zero para o Galo, no apito final do árbitro. Vantagem invertida. O Galo passaria um ponto à frente do Palmeiras. Próxima e última rodada: o Galo enfrentaria o Corinthians, no Mineirão.

Zé Mineiro e sua turma não se aguentavam de felicidade. A festa em casa entrou noite a dentro. Dia seguinte, no café da manhã, a filha mais velha quase implorando: “Pai, vamos para BH, quero ver o Galo campeão!” Zé, cabisbaixo, responde: “Dá não, filhinha, não posso gastar um centavo. Se eu não pagar o banco, perdemos a nossa casa”. Todos saem resignados para o trabalho e para a escola. À noite, reunidos para o jantar, a mulher do Zé, como sempre, tem a solução: “Vamos para BH! A Geralda nos leva.” Zé não entende: “Tem jeito não, ela não aguenta a viagem!” Mas a patroa já tinha resolvido tudo. À tarde levou Geralda para o amigo mecânico fazer uma revisão, e para pagar quando desse. Conseguiu com o vizinho quatro pneus “meia vida” emprestados. Penhorou na Caixa o anel de noivado e um par de brincos. Mandou o dinheiro para o Tonhão, primo que mora em Betim, comprar os ingressos. Os filhos abraçaram e beijaram a mãe. Zé deixou escapar umas lágrimas.

Sábado de madrugada todos embarcaram na Geralda. A Kombi estava na família do Zé havia mais de 30 anos. Era branca, mas o Zé tinha mandado pintar umas faixas pretas. Lembrava o Manto Sagrado. Seguiu carregadíssima: Zé, a mulher, os seis filhos e a bagagem. A viagem até São Paulo foi difícil, mas Geralda aguentou bem, velocidade máxima 80 km/h. Almoçaram, lancharam e dormiram algumas horas, dentro da Geralda mesmo. Dia seguinte, domingo de madrugada, já estavam perto de BH!

Chegaram a Betim, pegaram os ingressos na casa do Tonhão e foram todos para o Mineirão. Numa das avenidas de acesso ao estádio, estacionaram a Geralda. “Pai, aqui está ótimo, o desfile dos campeões vai passar por aqui, beleza?”

Almoçaram o famoso tropeiro. No Mineirão tudo era festa! Os mais novos nunca haviam estado lá. Ficaram ao lado da Galoucura. Que loucura! Começou o jogo! O Corinthians querendo estragar a festa, endureceu o jogo. O Galo estava meio nervoso, errava muito. Terminou o primeiro tempo: zero a zero no Mineirão. O Palmeiras também empatava seu jogo. Segundo tempo, o jogo ficou mais difícil… o Palmeiras aos 37 faria um a zero no seu jogo. Com esses resultados seria o campeão, já que o Galo só empatava. “Meu Deus! De novo não, por favor”!… pedia o Zé, já em lágrimas. Quarenta e três do segundo tempo, falta na entrada da área. Ricardinho pediu para bater. Correa e Tardelli também. Celso Roth sentenciou: “Bate o Ricardinho”! NA GAVETA! Goleirão, tadinho, nem viu! O Mineirão explode! BH explode! Minas explode! O mundo todo (até o Céu) explode… Quarenta e nove. Acabou. Galo campeão… Zé chora mais que menino apartado da mãe.

O carro de bombeiros sai do estádio com os campeões: todo o time, comissão técnica, até o presidente. Quando passam na frente da Geralda, Zé, a família e os amigos aguardam os heróis em festa. Kalil, que não deixa passar nada, manda o carro parar e desce. A Massa quer carregá-lo nos ombros, mas os seguranças não deixam. “De quem é essa Kombi”? – pergunta o presidente. Todos apontam para o Zé. “É nossa”, diz o Zé, gaguejando emocionado, e totalmente rouco. Kalil retruca: “Quero comprá-la para o Atlético! Uma Kombi alvi-negra, placa CAM7109! Deixa ver os documentos”! Zé mostra, mas diz: “Posso vendê-la não, presidente. É um membro da família!” O presidente cochicha a proposta ao pé do ouvido e Zé arregala os olhos!

Com o dinheiro da venda, a família voltou, Zé liquidou a dívida no banco, resgatou o anel e os brincos da esposa, pagou outras contas e saiu do sufoco.

Geralda, a famosa Kombi placa CAM7109, toda reformada, original (exceto as faixas pretas), novinha, fica agora estacionada na sede de Lourdes, incumbida apenas de serviços leves. Todos podiam tirar fotos ao seu lado… Com alguma influência, dava até para dar uma voltinha. Uma bela aposentadoria para Geralda.

Zé e Geralda se reencontrariam no ano seguinte, na final da Libertadores. Mas essa já é uma outra história…

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Galo – de pai para filho

dom, 11/10/09
por Christian Munaier |

Texto: Thalmo Pimentel

Arte: Reginaldo Andrade

Paixão pelo Galo passa de pai para filho. Já contei aqui, neste espaço, a história da Duda, a Eduarda 100% Galoucura, agora a do Vinícius. Quando o Vinícius tinha seus cinco anos de idade começou a se interessar por futebol. Por jogar futebol e assistir aos jogos do Galo. Coloquei-o na escolinha de futebol do colégio onde ele estuda, São Miguel Arcanjo, e ele passou a ir aos jogos do Galo comigo. Um dia no Mineirão, encontrei com o, em minha opinião, maior de todos: Rei, Rei, Rei, Reinaldo é nosso Rei. Pedi para tirar uma foto com o Vinícius no que fui prontamente atendido pelo Reinaldo.

Foi aí que o Vinícius perguntou: _Pai, quem é esse cara? Não é fácil explicar. Disse que foi o maior jogador que o Galo já teve, fazia muitos gols, era craque de bola, e por aí vai. Aí me lembrei de uma fita de vídeo que tenho do Reinaldo. Cheguei em casa e chamei o Vinícius para assistir comigo. Eu pela centésima vez, o Vinícius a primeira. Tem gol de tudo quanto é jeito, chapéu no Abel Braga do Vasco, três chapéus seguidos no Júnior do Flamengo, jogadas deixando a zagueirada celeste no chão e etc. Vinícius ficou louco. “Pai, ele era craque mesmo.”

No sábado seguinte teve jogo da escolinha do Vinícius contra a escolinha do Colégio Magnum. Como todo bom pai fui assistir o “primeiro jogo oficial” do Vinícius. O “futebol” transcorria como todo jogo de criança, aonde a bola ia a molecada toda estava atrás. Mas ainda assim, a gente torce como se fosse jogo do Galo. Eis que, no final da partida, jogo empatado, sobra uma bola na entrada da área para o Vinícius. Eu, na arquibancada do colégio, já me levanto como se estivesse no Mineirão, começo a gritar: Chuta, chuta. Parece que ele me escutou. Meteu o pé na bola, a redonda subiu e caiu de chuá na rede. Gol do Vinícius. O primeiro gol oficial do meu filho. Começo a pular na arquibancada e abraçar quem está ao meu lado. De repente, minha mulher, Daniela, me cutuca e fala: _Olha seu filho. Quando olho novamente para a quadra ele, Vinícius, está parado de frente para mim com o braço esquerdo erguido e o punho cerrado, como o Rei. Parece que eu tinha entrado num túnel do tempo. Tempo que não volta mais. Não precisa nem dizer que as lágrimas rolaram.

Acabado o jogo e controlado a minha emoção, fui me encontrar com o Vinícius. Perguntei: _Filho, por que você, quando fez o gol, vibrou daquele jeito? Resposta: _Pai, igual ao Rei. Vou ser craque como ele. Mais lágrimas.

Acho isso improvável, só espero que não seja impossível. E não serei eu que direi isso para ele. Saímos da escolinha e fomos comemorar. Tomei todas e o Vinícius se acabou no sorvete e refrigerante. Já era noite e minha mulher ligou: _Onde vocês estão? Respondi: _Estamos comemorando o primeiro gol do Vinícius.

Assim se forma um atleticano.

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Cria, perde e transforma

Texto: Helbert de Oliveira Silva

Quando eu era criança, lembro-me do ritual do pão nosso de cada dia aos domingos acompanhando o glorioso Atlético. Vestíamos a sagrada camisa do Galo e ficávamos frente à TV esperando o início da partida. Alguns traziam amuletos como camisa sem lavar, caneca da sorte, ingresso da última partida, entre outros. Lembro-me da casas cheia quando era dia de clássico. A maioria atleticana reinava; tinha alguns amigos cruzeirenses. Não tinha lugar no sofá para mim, mas eu me acomodava no chão mesmo. O jogo começava, a barulheira era geral. Todos defendendo seus clubes do coração.

O domingo sempre foi bom porque tinha uma variedade de comidas e bebidas. Eu só no suco, mas os adultos tomavam suas cervejas e muito mais. Ficávamos lá torcendo, gritando e pulando. Eu festejava como se fosse o último dia da minha pequena vida. Às vezes até chorava quando meu glorioso não obtinha sucesso. “Não torço mais pra esse time”, alguns diziam. Mas sempre aos domingos estávamos lá. Torcendo pelo glorioso. Aquilo mexia comigo e me colocava no centro do furacão. Na escola as gozações eram certas, mas minha casa sempre foi maioria atleticana e me sentia protegido.

Mas tem uma coisa que eu vi e me deixou surpreso. Só não me deixou mais por ser um atleticano apaixonado. Eu tenho um colega que torcia para o rival e virou atleticano. Ele é representante de vendas de uma marca de cerveja aqui em Curvelo. Uma vez ele foi ao Mineirão assistir o clássico quando se deparou com a Massa Atleticana, pulando e cantando músicas de incentivo ao Galo. Não deu outra! Quando o meu amigo Cal voltou pra casa tinha decidido mudar de time. Deixou tudo de lado e começou uma nova vida como se fosse um atleticano apaixonado desde pequeno. Diz ele: “eu era novo e não entendia muito bem de futebol. Então, quando fui a um clássico, percebi que era atleticano.” Isso prova que o Glorioso Galo se revela para as pessoas.

A natureza tem essa possibilidade de uma transformação que cria, perde e transforma.

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