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Preços atraentes e projetos inteligentes

Qui, 20/11/08
por Christian Munaier |


Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.   

Caros, passado o fantasma do rebaixamento, gostaria de propor algumas reflexões a respeito de um desafio que Alexandre Kalil terá ano que vem e que está sendo pouco discutido: a relação, na maior parte das vezes tão delicada, entre preço de ingresso e presença da Massa nos jogos. Para que o Mineirão continue sendo um “inferno”, como profetizou o próprio Kalil, ele terá que encontrar uma fórmula que equilibre valores acessíveis ao torcedor e custos de uma partida de futebol realizada em um estádio que não é do clube. Talvez um meio-termo entre os atuais 5 reais, de cunho promocional, e os 15, 20 reais que já foram cobrados.

É óbvio que há situações distintas no calendário dos clubes. E no primeiro semestre, do Campeonato Mineiro, o patamar dos ingressos fica bem abaixo, em termos de valores, dos cobrados nos certames nacionais, como o Brasileirão e a Copa do Brasil, e até internacionais como a Sul-Americana (já contando, claro, com a nossa participação). Um dos caminhos pode estar na renovação, com pequenos ajustes, do pacote de medidas adotado pelo governo de Minas Gerais, que vence em fevereiro - pelo menos até que um novo modelo, mais sustentável, seja desenhado. As medidas isentam o Galo e o Cruzeiro do pagamento de taxas sobre as rendas brutas de jogos no Mineirão e autorizam os times a explorar o estacionamento externo do estádio. Por outro lado, os dois clubes pagam 5 mil reais por jogo, a título de “aluguel” do estádio e arcam com as despesas com o pagamento de pessoal, do chamado quadro móvel durante as partidas. Uma das contrapartidas previstas, no entanto, na minha concepção, torna-se incompatível dentro de uma realidade de Campeonato Mineiro e acaba engessando o clube. A de que os times se comprometem a realizar 85 por cento dos seus jogos no Mineirão. No torneio regional, uma flexibilidade seria bem-vinda, até mesmo para utilizar o Independência, fechado a maior parte do tempo. Vale ressaltar que na época em que este pacote foi anunciado, em março deste ano, o então presidente alvinegro, Ziza Valadares, projetou uma economia de dois milhões de reais ao clube.

Economias à parte, a discussão também engloba teses sobre uma elitização do futebol. Além da qualidade (qualidade???) cada vez mais difícil de se ver nos campos, há uma tendência global de construir estádios menores, com mais conforto e segurança, reservando boa parte das cadeiras para sócios-contribuintes e deixando o restante a preços longe de serem populares. Grupos internacionais interessados em construir novas e modernas arenas de futebol e consumo visam, claro, o lucro e miram freqüentadores que tenham poder de compra. Um cenário que se não deve ser desprezado, convenhamos, não combina muito com um time cuja história se confunde com a história da Massa. É, portanto, também, uma decisão que caberá à administração Kalil: alimentar o sonho do próprio estádio, com fatores limitadores já destacados, apostar na completa reformulação do Mineirão para a Copa de 2014, pressionando os administradores pela redução dos custos por partida, ou ainda, porque não, apostar nestes dois caminhos? Nunca se esquecendo, claro, que a força do Clube Atlético Mineiro está na torcida. Sem ela nas cadeiras ou arquibancadas, a magia do futebol acaba sucumbindo à ditadura fria e racional dos números.

Agora, cá entre nós, arroz com feijão, goiabada cascão com queijo, e Mineirão com Galo são praticamente inseparáveis. E você, internauta, quais as suas idéias para garantir preços atraentes de ingressos nos jogos do ano que vem?

Santo de casa não faz milagre

Qui, 13/11/08
por Christian Munaier |


Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.     

Eu não quero o Marcelo Oliveira como treinador do Galo no ano que vem. Ano para o qual projeto a recuperação do clube nos campos técnico, financeiro e moral. Posso até ser acusado de preconceito ao confessar que detesto soluções caseiras. Elas me remetem ao improviso, às limitações, à acomodação, ao conformismo. E após um Centenário vergonhoso, quero sonhar mais alto, com um treinador que tenha bagagem, nome e maturidade suficientes para agüentar o “tranco”, literalmente (ou vocês pensam que a Massa vai aliviar nas cobranças do primeiro ano da nova administração Kalil? Será que vamos nos contentar de novo com o “prêmio-consolação” Sul-Americana?) Vocês podem até me perguntar: “Está louco, cara? Falar é fácil. Quem está dando sopa no mercado e com que dinheiro vamos trazer um treinador-estrela?” Respondo que estes são desafios hercúleos, sim. Mas a administração 2009 é obrigada a enfrentá-los, e mais pra frente, vou relembrar alguns dos caminhos para isso.

Agora, gostaria de justificar as minhas desconfianças em relação ao Marcelo. Afinal, em qual Marcelo apostar? No das partidas contra o Flamengo, no Maraca, e contra o Vasco, no Mineirão, onde ele se agarrou ao óbvio ululante, representado pelo futebol corajoso e veloz da garotada e na movimentação constante do Renan Oliveira, do Pedro Paulo e do Castillo, ou no Marcelo comandante de um time medroso, que se contentava com empates e cujos três pontos, quando vieram, foram conseqüência muito mais da sorte do que da competência (incluo aí o jogo com o Vitória no Barradão)? Embora ele tenha como grande mérito a renovação do time, ter dado oportunidade e confiança para os mais jovens, o estilo “paizão” ainda impera, o que mina o profissionalismo e gera acomodações no elenco. Foram inúmeras as derrotas nas quais o nosso técnico preferiu mascarar a realidade com explicações esdrúxulas e banais, do tipo ” faltou sorte”, “o grupo está de parabéns pelo empenho” e etc. Na minha opinião, Marcelo Oliveira ainda está verde para incorporar o estilo treinador-treinador, que precisamos. Ele não conseguiu se afastar do rótulo treinador-tampão. Mesmo com um elenco limitado e com algumas contusões, Marcelo ainda patina no quesito padrão de jogo do time (constantemente, somos surpreendidos, do ponto de vista negativo).

A administração Kalil deve buscar, na minha concepção, treinadores de ponta, por intermédio de parcerias - seja com empresas, seja com a própria torcida, através de projetos inteligentes para criar e consolidar um “timaço” de sócios, nos moldes do que acontece hoje com o Inter de Porto Alegre. É preciso saber ouvir as sugestões e propostas que vem sendo elaboradas por grupos de torcedores, preocupados com o futuro do clube, como a ATCAM e o C.I.A. GALO, o Conselho Independente Atleticano. São grupos que não se mobilizam por questões políticas ou financeiras. O único combustível destas turmas é a paixão pelo clube. É claro que só paixão não basta. O presidente Alexandre Kalil terá que resgatar a credibilidade perdida e abrir as contas. A transparência na gestão, associada à formulação de propostas viáveis e inovadoras podem atrair, sim, grupos empresariais sérios, que mesmo com a crise financeira mundial, vislumbram no futebol um investimento atraente.

Enfim, sou daqueles que acreditam que um grande time não começa por um grande goleiro, mas por um grande treinador. Aquele cara que do lado de fora, observa o que ninguém vê e faz uma pequena mudança de posicionamento que mata o adversário; um cara que estuda vídeos, artimanhas e técnicas do concorrente; um cara que tem voz ativa e é respeitado pelo grupo, por se fazer respeitar; um cara que sabe tirar todo o potencial de um jogador, mesmo daqueles que para nós, torcedores, não entrariam nem nas peladas de fim de semana; enfim, um COMANDANTE! Concordo que faltam opções com este perfil. Mas alguns nomes devem ser destacados: Levir Culpi, Nelsinho Batista, Mano Menezes e, depois de um banho de humildade, Wanderley Luxemburgo. O Muricy Ramalho, nem se fala. O problema, além da altíssima valorização dele nos últimos anos, passa pelo projeto Seleção Brasileira. Ou seja, concorrência pra lá de desleal. E antes que me atirem a primeira pedra por ter a ousadia de sonhar com tantas estrelas, lembro que sou torcedor do Clube Atlético Mineiro, cuja Massa não aceita projeções rasas e limitadas.

Otimismo (ou realismo) juvenil

Qui, 06/11/08
por Christian Munaier |


Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.    

Caros, já critiquei neste espaço o treinador Marcelo Oliveira (entre outras razões, pelo estilo “amigão”, por ter escalado errado o time contra as raposinhas ou pelas inúmeras reações conformistas diante dos fracassos). Mas não posso deixar de reconhecer nele um cara que privilegia a base, o que há muito não acontecia no Galo. E ao ter ressaltado nesta semana o que chamou de “força jovem do Atlético”, Marcelo apontou o caminho para que afastemos de vez o fantasma do rebaixamento e possamos conquistar, como consolação neste Centenário, uma vaga na Sul Americana do ano que vem. É estratégico contar nesta reta final de Brasileirão com o espírito juvenil de Leandro Almeida, Raphael Aguiar, Renan Oliveira, Pedro Paulo, Welton Felipe; é importante dar à esta garotada a responsabilidade de colocar o time nos trilhos e mantê-lo na elite em 2009; é vital que eles amadureçam o suficiente para conviver com as pressões de um grande clube.

Na minha concepção, uma das chaves para a recuperação alvinegra em 2009 passa também pela manutenção destes garotos no elenco. O presidente Alexandre Kalil tem como grande desafio quebrar o ciclo de descontinuidade que reina no clube nos últimos anos, onde em dezembro a maioria dos jogadores que partem em férias nunca volta e depois do Carnaval, nós, torcedores, somos brindados com um bando de caras novas e manés. Manter a “jovem espinha dorsal” do time, com contratos de gente grande e com a valorização, acompanhada da respectiva cobrança, pode facilitar demais a vida do próximo treinador. Claro, não podemos dispensar craques e mais experientes - o que vai demandar muita organização, criatividade e empenho da nova diretoria.

Mas voltando ao presente, gostaria de analisar os nossos cinco últimos compromissos deste ano, onde a identidade dos atletas formados na base do clube pode ser um diferencial e tanto. Vamos lá: teremos duas partidas que considero dificílimas em casa. Vasco e Santos, ambos lutando também contra o rebaixamento. O que me preocupa nestas partidas é o histórico do Galo no Mineirão neste campeonato. Claro que a maioria das vitórias foi conquistada no Gigante da Pampulha, mas às duras penas, com falhas clamorosas e futebol limitado, o que, na maior parte das vezes, exigiu o empenho e a raça da molecada. Estes mesmos atributos têm que entrar em campo contra um Vasco desesperado, mas com o retorno do perigoso Leandro Amaral, e de um Santos que adora jogar nos contra-ataques, explorando a velocidades dos seus meias e o oportunismo infernal do seu centroavante Kleber Pereira. Está certo que será esta a penúltima partida, as coisas já podem estar resolvidas, mas nunca é bom deixar a decisão para uma partida na qual do outro lado, estará um adversário direto (seja contra o rebaixamento, seja pela Sul-Americana).

Com relação aos jogos fora do Mineirão, serão três pedreiras, na minha opinião: Vitória, do ressentido Ramon, Sport, bem montado pelo competente Nelsinho Batista e sem mais nada a perder por já estar no lucro da Libertadores, e o ainda postulante ao título Grêmio, cujas raça e conjunto superaram até aqui as visíveis limitações do elenco. Faço, inclusive, um apelo ao Marcelo, para que ele não desenhe o time com uma postura covarde. Que tente resgatar a fórmula que ficou perdida lá no Maracanã, diante da Urubuzada: promover uma verdadeira blitz no campo adversário; marcar em cima, explorar a velocidade e o rodízio de jovens atacantes; acionar os laterais; enfim, surpreender. Jogar lá fora como deveríamos ter jogado em todas as partidas no Mineirão, como se a casa fosse nossa!

Bem-Vindo, Presidente!

Qui, 30/10/08
por Christian Munaier |

Seja Bem-Vindo, Presidente! Uma nação inteira dependerá das suas ações. Durma bem, alimente-se adequadamente, e saiba que torcemos por você!

  

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Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.
   

Carta de um exilado

Caro Alexandre Kalil (permita-me dispensar o senhor ou vossa excelência, pois já estou de saco cheio deste tipo de tratamento aqui em Brasília),

Não quero um Messias, um salvador da pátria. Confesso, estou carente, com a auto-estima lá embaixo neste ano do Centenário. Mas esta fragilidade aparente do espírito alvinegro não me cega, em termos do que desejo daqui pra frente.

Quero um presidente, cujas fraquezas inerentes a qualquer ser humano, sejam pífias, se comparadas às virtudes. E não o contrário, como aconteceu em anos anteriores.

Quero, como escrevi em colunas passadas, um presidente-gestor, que privilegie, como você mesmo já destacou o futebol – lembra-se da promessa “todo saneamento do clube vai passar pelo futebol!”

Quero um presidente que faça o tal conselho de ética funcionar e não representar um mero instrumento de fantasia. Que este conselho recém-criado, possa, de forma independente ser o seu próprio fiscal, Kalil. Que aponte os seus erros e barre os seus eventuais devaneios (quem não os tem?). E que coloque um ponto final nas transferências e negociações esdrúxulas envolvendo nossos jovens valores.

Quero um presidente humilde, para ouvir o brado da Massa e não se apegar a antipatias, que afastem os verdadeiros treinadores do nosso caminho. Um presidente que coloque em primeiro lugar os interesses do clube, em detrimento de vaidades ou sonhos vãos.

Quero um presidente que tenha ética e responsabilidade administrativa. E que busque o que, num primeiro momento o sr. Ziza Valadares mirou: manter a dignidade dos salários em dia de jogadores e funcionários, nem que para isso, seja preciso enxugar a “máquina”.

Quero um presidente que saiba negociar bons contratos de parcerias com a iniciativa privada, sem os absurdos de aceitar cláusulas que atrelem valores mais altos à títulos. Qualquer empresa deve ter orgulho de estampar a sua marca no “manto”.

Quero um presidente que resgate o espírito da velha e saudosa Vila de Cerezo, Paulo Isidoro, Reinaldo, os meninos endiabrados de Barbatana.

Quero um presidente que retome o orgulho e o respeito que o Clube Atlético Mineiro merece e que relembre aos imparciais locutores do eixo Rio-São Paulo que quem precisa de nome composto é o Atlético Paranaense!

Enfim, quero um presidente que levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima, o que coincide com o estilo aguerrido que sempre o caracterizou (embora, em muitos momentos, a capa de falastrão também esteve presente).

Alexandre Kalil, te desejo tudo de bom. Boa sorte. É o que todos precisamos.

Só um adendo: aos olhos críticos e desconfiados de um jornalista, o seu primeiro “decreto”, baixando os ingressos do Mineirão para 5 reais pode parecer demagogia, assim como a frase “o reforço de fim de ano será a torcida”. Mas, calma, Kalil. Aqui não estou exercendo o jornalismo. Estou exercitando minha paixão de torcedor. Neste momento, escrevo, por exemplo, devidamente uniformizado. Galooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Jogo dos 7 erros

Qui, 23/10/08
por Christian Munaier |


Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.  

Proponho algumas reflexões sobre o massacre do último domingo (massacre, sim - técnico, tático e moral). Para isso, como naquela brincadeira infantil, destaco sete erros, que considero relevantes, cometidos antes, durante e depois do embate. Vale ressaltar que eles não estão listados por ordem de relevância. Afinal, o conjunto da “obra” justifica mais um fracasso. Vamos lá:

Sai que a cadeira é minha… É inadmissível o estilo truculento do Sr. Afonso Paulino, que assumiu a diretoria de futebol pelas portas dos fundos e até aqui não demonstra o equilíbrio e o tato necessários em um momento de crise. Como, antes de um clássico, ele lava a roupa suja dentro de um vestiário, na presença de atletas, representantes da diretoria e outros? Ele não podia esperar a segunda-feira para “demitir” o Sr. Alexandre Faria? Tinha que ser no momento de concentração, para abalar ainda mais o conturbado clima? (friso que não defendo a impunidade. denúncias graves devem ser apuradas) Mas imaginem na preleção o seguinte diálogo entre os jogadores: - Gente, lá fora, o bicho está pegando! O Paulino quase sai no tapa com o Faria, anuncia o goleiro Juninho. -Tem nada não! O bicho vai pegar é no gramado. Nada vai nos atrapalhar, professa o “experiente” Renan Oliveira.

Comissão pra que? As heranças malditas da administração Ziza continuam gerando estragos. A começar pelo contrato firmado com o então assessor de assuntos internacionais, Alexandre Faria. Porque um assessor deve ganhar comissão de 3 por cento sobre o lucro em negociações de atletas, como estava disposto no tal contrato? O percentual deveria se limitar à organização de competições e seminários, captação de grupos de intercâmbio e de parcerias, como previa também o documento. Essas, sim, são ações compatíveis com o cargo para o qual ele foi contratado e cuja missão principal era a de zelar e fortalecer a marca do clube no cenário externo.

A assessoria internacional, com a tremenda distorção, acabou desvirtuada para agenciadora de atletas. Depois, Alexandre foi alçado à diretoria de futebol - sem a tal comissão, mas com falhas e inexperiência de sobra para exercer tal cargo. Alguém aí aponta alguma transação de sucesso conduzida por ele? Ou a diretoria de futebol virou um “centro nervoso de trapalhadas”?

Casa da mãe Joana: Com a renúncia de Ziza, criou-se um vácuo de poder, que alimentou antigas disputas internas e se traduziu em um terreno fértil para oportunistas de plantão. O presidente de um clube tem que ser a principal referência para o grupo de atletas, que deve ver, nele, um porto seguro no gerenciamento e condução dos problemas. Pois bem, tivemos um presidente do Conselho Deliberativo que assumiu e sumiu! Tirou férias (convenhamos, que momento propício para tal descanso). E hoje estamos com um presidente interino, que não faço a mínima questão de lembrar o nome. Convivemos ainda com dois diretores de futebol, em uma autêntica Torre de Babel, onde todo mundo achava que mandava e ninguém conseguiu resultados concretos.

Ei, me dá um dinheiro aí… O fantasma dos salários atrasados voltou a assombrar. Não sejamos ingênuos: ninguém - ou muito poucos - trabalha com afinco, tesão e prazer sem receber a grana no final do mês. Claro, nós, como torcedores, exigimos amor à camisa e profissionalismo. Mas esta insegurança pode abalar, sim, um grupo, principalmente às vésperas de um jogo tão importante. Agora, a diretoria-tampão tenta passar o pires no Clube dos 13 para ver antecipadas as cotas de TV de 2010! (viram como eles tem visão de futuro?)

Unidos pela paixão? A campanha deflagrada antes do clássico foi recheada de boas intenções. Basta ver o apoio, como sempre, da Massa. O problema é que se esqueceram de combinar com os jogadores. Parece que tinham comido uma feijoada com dobradinha no vestiário - pesados, ineficientes, insossos. Foi triste e preocupante ver o goleiro Fábio (quatro bolas) puxar as raposas para o meio-campo e formar aquele círculo. Pode parecer idiotice, mas pela televisão aquele gesto foi emblemático e deixou claro quem estava UNIDO. E não era o bando alvinegro do outro lado, claro.

Deitados em berço esplêndido: Saí com a camisa do Galo aqui em Brasília após a chinelada na Urubuzada? Saí. Gritei e zoei com flamenguistas? Claro. Pensei que tínhamos um time? Não. Definitivamente não! Me policiei durante a semana do clássico para cair na real e me agarrar às inúmeras limitações da equipe. O que aconteceu no Maracanã não foi um “aborto da natureza”. Nem fruto de talento, que não temos. Foi resultado, sim, do suor e garra de alguns jogadores e da ordem do Marcelo Oliveira de marcar o Flamengo no campo dele, sufocar a saída de bola do adversário. Além, é claro, da movimentação dos três homens de frente. Mas nos dias seguintes à partida, tive a impressão de que os trabalhos da semana que antecedeu o clássico foram contaminados por uma aura de euforia e comodismo. E não encontramos líderes no grupo para contornar o clima do já ganhou e botar os pés no chão. Aliás, a imaturidade do grupo, recheado de alguns senhores, chama atenção. Como não lamentar “pérolas” como as do meia Serginho, para quem o Galo fez uma “grande” partida contra o Cruzeiro (por favor, não me façam assistir então à pior partida do time).

Olê Marques ou adeus Marques? Só nome não garante titularidade. O nosso velho amigo Marques não podia começar jogando. Com o lento e ciscador atacante, fomos mais do que previsíveis e facilitamos a vida dos limitados zagueiros cruzeirenses. Marcelo Oliveira fez justamente o contrário do apresentado no Maracanã. Se acovardou e passou todas as dicas para o rival. Domingo passado, nós fomos o assustado Flamengo e o eles vestiram o manto alvinegro. Os desfalques não servem como justificativa para não termos repetido a vontade do Maraca. O que aconteceu com o Castilho, que no Rio dava carrinhos no ataque e em BH bufava com um trotezinho? Aliás, a escalação foi um festival de equívocos. Não dá para colocar um inexperiente Denílson na cabeça de área, ao lado de um Márcio Araújo que só fez errar passes; não dá para improvisar um Elton na lateral e ressuscitar um Jonathas; e antes do primeiro gol, Marcelo tinha obrigação de corrigir as visíveis falhas e o banho de bola que estávamos levando. Mas o estilo paciente e equilibrado do treinador prevaleceu. Dê um esporro, de vez em quando, seu Marcelo!

Mas, enfim, a situação vai melhorar: talvez o “grande” atacante Beto volte no sábado contra o Inter. Teremos então a garantia de um feliz fim de semana! Sem joguinhos dos sete erros, por favor.

Ética no Atlético - uma comissão ou uma atitude?

Qui, 16/10/08
por Christian Munaier |

Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.  

Caros internautas, atenção para as notícias da Capital Federal: “parecer da Advocacia Geral do Senado abre brecha para que o nepotismo (contratação de parentes no serviço público) continue na Casa. Segundo o documento, o parente de um parlamentar pode continuar trabalhando em algum gabinete, caso tenha sido nomeado para o cargo de confiança antes da eleição do senador”; “presidente do Conselho de Ética da Câmara, Sérgio Moraes, do PTB, afirma que não vê problemas de um parlamentar fazer lobby para prefeitos que vão a Brasília obter recursos para os municípios”; “deputados distritais, da Câmara Legislativa do Distrito Federal, podem ganhar, em termos de verbas de gabinete, o dobro do valor destinado a um deputado federal”. Enfim, com tantas informações e notícias que maculam ou vão de encontro às questões éticas, admito que comemorei o fato do novo estatuto do Galo, recém-aprovado, ter criado um Conselho de Ética (espero que seja com E maiúsculo mesmo) para examinar questões relevantes do clube, além de toda transação de atletas. Estas negociações, diz o texto aprovado, deverão ser avaliadas por uma comissão, que dará um parecer em 24 horas (será que estes pareceres, com os respectivos porquês, serão divulgados para todos?).

Há, realmente, ainda muitas dúvidas relacionadas ao funcionamento deste Conselho de Ética e, principalmente, quais serão os integrantes dele. Por isso mesmo, e pela minha própria vivência aqui em Brasília, mantenho os pés no chão e prefiro aguardar os primeiros trabalhos para fazer uma avaliação mais racional e embasada. Até porque, por estas bandas do Cerrado, dizem que quando não querem resolver um problema ou empurrá-lo com a barriga, basta criar uma comissão ou um grupo de trabalho. Por outro lado, não há como disfarçar um brilho nos olhos de nós atleticanos e uma ponta de esperança ao nos depararmos com uma palavra, que nos últimos anos, só esteve presente mesmo nos vocabulários, que presumo, ficaram encostados nos gabinetes da sede de Lourdes: Ética. A palavra pressupõe uma série de vocábulos, que se estivessem sido utilizados ao pé da letra pelas últimas administrações do Atlético, o clube, certamente, não estaria nas atuais condições em que se encontra. Vale a pena destacá-las: lisura, respeito, probidade, transparência, responsabilidade (tá bom, né?).

Se ainda não tenho elementos para crer no sucesso deste novo instituto na vida do clube, me agarro às palavras acima como passaportes para um trabalho eficiente e inovador. E para isto, na minha visão, é necessário que os integrantes do Conselho de Ética e da comissão que vai endossar as transferências de atletas não fiquem restritos à estrutura do Atlético. Se o grupo for composto apenas pelo futuro presidente, diretores e conselheiros, há o risco de abrirmos margem, de novo, para avaliações do tipo: “é deixar os lobos (me recuso a utilizar os nomes delas, claro) tomando conta do galinheiro”. Entendo que seja preponderante para a própria credibilidade do Conselho um controle externo - auditores independentes, por exemplo. Muitos podem argumentar que esse caminho pode ferir a própria autonomia do clube ou gerar interferências e até destacar que isso não é viável administrativamente. Não sou especialista, mas pondero: há quanto tempo a autonomia do Clube Atlético Mineiro está sendo ferida internamente por incompetentes e antiéticos? Quanto tempo mais vamos ficar assistindo transferências patéticas de atletas (muitos deles jovens promessas) para o exterior, nas quais o clube é o que menos lucra?

Mas além da criação do Conselho de Ética, destaco também no novo texto a abertura para que os sócio-torcedores, aqueles que contribuírem com o clube por um período de dois anos, segundo o presidente em exercício do Conselho Deliberativo, Antônio Passos, possam votar e eleger futuros presidentes. Nada mais justo, na minha visão, que dar àquele que ama o clube e contribui mensalmente com a instituição o direito de participar das decisões e opinar. E entendo que um período de dois anos seja também importante para criar a fidelização ao programa e construir a ponte para o direito ao voto. Ampliar o acesso aos sócio-torcedores, na minha concepção, é um dos pilares para democratizar o clube e criar elos fortes com a Massa.

Por falar em elos, não poderia deixar de destacar a campanha Unidos pela Paixão, com o objetivo de resgatar o casamento entre torcida e time, tão abalado neste Centenário. Claro que a culpa não foi nossa, torcida, mas sim do time (time?) e da diretoria (idem). Nós nunca deixamos de ser fiéis, de honrar a camisa 12. Portanto apóio a campanha, desde que estejamos unidos com a equipe que atuou no Maracanã na rodada passada, diante da Urubuzada Soberba. Desde que Castilho continue dando carrinhos para tomar a bola com raça no ataque; que Renan Oliveira e Pedro Paulo (eternas promessas) mantenham o espírito infantil e a alegria de jogar bola como moleques, desnorteando as defesas adversárias; que Rafael Miranda e Marcio Araújo sejam guerreiros no meio-campo; e que até César Prates (incrível) corra com objetividade e força e acerte cruzamentos. Aí, sim, podem contar com a minha paixão exacerbada. Afinal, quem nunca curtiu uma paixão juvenil?

Lembranças de um saudosista

Sex, 10/10/08
por Christian Munaier |

Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” aos sábados. 

Estou (ou sou um) saudosista, confesso. E enquanto a novela mexicana que envolve a aprovação do novo estatuto e a convocação de eleições não se resolve, permitam-me relembrar um pouco daquela fase áurea (anos 80). Afinal, sou do tempo em que:

- Era batata ficarmos entre os oito, e morrer na praia (pelo menos, chegávamos a algum lugar);

- Não era preciso a Galoucura cantar, para a Massa se levantar;

- Não tínhamos uma grande torcida organizada, mas uma torcida grande organizada (se é que me entendem);

- Os cânticos de raça e amor ao Galo eram puxados na arquibancada central, debaixo daquele solão mesmo;

- As bandeiras da TGP, Galo Elite e Dragões da FAO chamavam a atenção no meio do público, e bem em cima na arquibancada;

- Esperávamos, ansiosos, pela entrada da grande charanga, que vinha tocando o hino e incendiava o estádio todo;

- Cantávamos “o que cair na rede é peixe, êêa, hoje nós vamos golear…” e “chora, não vou ligar…”;

- Provocávamos “ô Balu… (precisa completar???);

- Delirávamos “Rei, Rei, Rei… (idem);

- Chorávamos e amaldiçoávamos Josés Robertos “Ratos” e Josés de Assis “Aramengos”;

- Nos equilibrávamos com pratos laminados de tropeiros e cervas nas mãos entre milhares de alvinegros, implorando uma passagem por entre os degraus, não falsas cadeirinhas vermelhas!

- Perguntávamos: como cabe tanta gente neste estádio? Não dá nem para sair e dar uma mijadinha! E dá-lhe cerva gelada. (gelada???);

- Gritávamos: empurra as bichas ou solta as bichas! (dá no mesmo. o sujeito da frase não muda);

- Gritávamos: solta as feras!

- Corríamos feito loucos para pegar os buzus após os jogos, por aquela avenida que vai dar na Antônio Carlos (eles não paravam. você tinha que entrar no pulo);

- Exercíamos as virtudes da paciência oriental dentro dos carros, nos mega-engarrafamentos, após as derrotas, ouvindo tudo, menos os gols adversários pela Itatiaia;

- Desfrutávamos do nosso espírito quase invencível, nos mega-engarrafamentos, após as inúmeras alegrias, ouvindo todos os gols dos nossos craques, e comemorando como se fossem ao vivo;

- Saboreávamos o hexacampeonato mineiro e provocávamos o rival: “vamo heptá, gente…”;

- Sonhávamos ter em nossa companhia nas semifinais do Brasileirão, o Coritiba, o Bangu e (inacreditável) o Brasil de Pelotas!

- Éramos tão volúveis que Chicão (in memoriam), o açougueiro, virou o xerifão, três anos após o trauma de 77;

Enfim, sofríamos muitas vezes, sim. Mas, cá entre nós, êta sofrimento que dá saudade, sô! Mas deixando o retrovisor de lado, procuro referenciais no presente que me façam crer que uma década de ouro para o nosso alvinegro se aproxima.

Além das colocações já feitas por mim em colunas anteriores, versando sobre a profissionalização de todos os departamentos do clube e da própria visão do futuro presidente, percebo que a maior inspiração para meus sonhos está ao meu lado, na confiança do sorriso ingênuo e sincero da minha filha, a Maria Clara. Vestida, claro, com o manto sagrado, aprendeu desde cedo aquela frase mágica: GALO, papai!

É filha, obrigado por continuar me alimentando de esperança.

Pérolas de um Presidenciável

Sáb, 04/10/08
por Christian Munaier |

Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” aos sábados.  

Caro internauta, na coluna de hoje o convido a fazer comigo uma reflexão, tendo como base algumas declarações dadas pelo candidato à presidência do nosso Galo, o Alexandre Kalil, em entrevista ao site do Estado de Minas. E neste contexto, a mais emblemática foi, na minha visão, a mais óbvia: “Por uma questão de filosofia, todo saneamento do Atlético passa por time de futebol. Nada vai ser feito no Atlético, se o futebol não brilhar”, disse ele. Viva! Até que enfim! Urra! A tábua de salvação, ou o início de um complexo processo de saneamento financeiro e moral de um clube de FUTEBOL deve privilegiar a principal matéria-prima dele, o FUTEBOL!

Aliás, você aí, internauta, sabe escalar, de cor e salteado, o nosso time? E o nosso camisa 9? (deixa o Rei saber disso!) Alguma empresa hoje vai investir em um clube que não tem time?A Massa vai voltar a quebrar recordes de renda e público para ver pernas-de-pau ou limitados atuarem? A mola propulsora da virada, ou o trampolim, como queiram, para uma nova era, passa por um grupo vitorioso, por títulos, ou pelo menos, por disputas de títulos (estou com saudades dos tempos em que éramos os reis das semifinais, morríamos na praia. Hoje nem tirar o chinelinho para pisar na areia, conseguimos) Mas e a pergunta que não quer calar? Tá bom, seu Estevão, como montar um time sem dinheiro e atolado em dívidas?

Dilemas que nos remetem a uma segunda frase importante do senhor Kalil: “O Atlético precisa reduzir folha de funcionário e aumentar a folha do futebol, dentro de uma realidade que não é possível que só o Atlético não consegue. Estou acreditando nisso. Não podemos ter uma folha de futebol dividida com funcionário, um milhão de funcionários e um milhão de futebol. Temos que ter um milhão e meio de futebol e quinhentos mil de funcionário”, ressaltou o candidato declarado. Bem, entendo que este reordenamento de despesas deva ir ao encontro de uma mudança gerencial que vise, não uma demissão em massa do atual corpo funcional, mas uma racionalização de custos, aliada a uma priorização de metas. Talvez este seja um dos - obviamente não o único - caminhos para começar a equacionar a situação.

Mas vamos para outra frase de Kalil: “Temos de botar um esquema profissional, com um homem do meio tomando conta full time, como o Ziza fez na época do Ricardo”. Já destaquei neste espaço, e reafirmo: o departamento de futebol do Atlético, há muito, deixou de representar o centro nervoso e estratégico do clube e se transformou no laboratório central de trapalhadas. Não acho que o sr. Ziza seja referência nesta área, como sugeriu Alexandre Kalil, muito pelo contrário. Mas, evidentemente, o profissional que vier a ocupar tal cargo (me recuso a acreditar que Afonso Paulino e Alexandre Faria continuem) deve se dedicar em tempo integral às funções e, principalmente, demonstrar competência e conhecimento do mercado. Saber negociar com jogadores ou representantes deles, se blindar das investidas de empresários e comprovar boas aquisições, não ficar comemorando inúmeras “rescisões amigáveis”, símbolo-mor do fracasso.

Para fechar, a frase mais polêmica da entrevista concedida pelo senhor Kalil, já que mexe com o imaginário de muitos atleticanos: “O Atlético teve o Luxemburgo batendo na porta se a torcida não sabe, e o presidente do Atlético não quis. Eu quero o Luxemburgo. Não tenho essa vaidade. Eu quero ele mandando na grama, em todo mundo”. Calma, candidato! Assim como o senhor, admiro os resultados da carreira do Luxemburgo e até confesso: quero vê-lo no comando do time, mas não do Galo. Que história é esta dele mandar até na grama? No senhor também, caso seja eleito? Então, passe o bastão para ele, de uma vez. Na minha visão, esta frase do Alexandre Kalil revela um complexo de inferioridade e até um certo comodismo dos últimos presidentes alvinegros. Se na última coluna pedi um presidente-gestor, dispenso um treinador-presidente. Quero um TREINADOR-TREINADOR! Porque não? Já não inventaram o tal do zagueiro-zagueiro?

Obs: aguardo o lançamento dos nomes de outros candidatos, se por acaso acontecer, para analisar também as ideías e/ou “pérolas” deles.

Quero um presidente-gestor!

Sáb, 27/09/08
por Christian Munaier |

Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” aos sábados. 

Em meio à balbúrdia que tomou conta do Galo nos últimos tempos e ao perigoso vácuo de poder criado no clube - tem ex-presidente que “assumiu” a diretoria de futebol, pode? -, olho para a emblemática estátua de Juscelino Kubitscheck, no Eixo Monumental, e mentalizo: quero um presidente, com P maiúsculo! E não precisa ser atleticano, não (cruzeirense, nem pensar, claro). Na minha visão, o próximo presidente alvinegro tem que ser profissional, uma espécie de CEO de grande grupo empresarial. Aliás, vamos privatizar o Galo, tratá-lo como empresa que gere resultados e que fomente a paixão da “massa” de acionistas. É necessário acabar com esta mineirice de tratar o clube como uma estatal, recheada de “aspones”, que colocam panos quentes nas crises, e varrem a sujeira para debaixo do tapete. Metas são urgentes e necessárias, para que haja cobranças e esforços por resultados.

Quando defendo um presidente não atleticano, posso até chocar alguns leitores, mas lembro que perdemos o bonde da história quando tivemos um Bebeto de Freitas no nosso staff e uma consultora como a economista Elena Landau, ex-diretora de Desestatização do BNDES. Não eram atleticanos, mas focavam projetos para alavancar o clube e poderiam ter sido importantes elos entre o nosso Galo e o mercado. O problema é que os “verdadeiros” atleticanos têm muito apego pelo poder, ficam agarrados à mentalidade tacanha do “a bicicleta é minha, eu vi primeiro e ninguém tasca!”. Têm pavor pelo novo, criativo e ousado. E encaram como intrusos os verdadeiros profissionais.

Por falar no mercado, peço licença a vocês, para fazer uma analogia - guardadas as proporções - entre a crise do mercado americano e a vivenciada pelo nosso time. Lá nos Estados Unidos o presidente do FED, o Banco Central deles, o Ben Bernanke, afirmou que a atual crise é a pior desde a Segunda Guerra Mundial. Pois bem, ouso dizer que esta é a pior crise já vivida nos 100 anos do nosso Galo. E continuemos com as comparações: lá em Washington, no Congresso, os democratas e até alguns republicanos torceram o nariz para o pacote de emergência do governo Bush, exigindo maior transparência, dados realistas quanto aos impactos futuros do SOS e, principalmente, a punição dos culpados pelos desmandos, desvios e má gestões de empresas e bancos que quebraram.

No Atlético, nenhuma empresa ou grupo sério vai investir ou se tornar parceiro do clube, se este não oferecer e garantir a credibilidade e transparência necessárias, além de investigações sérias sobre os desmandos e desvios que supostamente marcaram as últimas décadas da nossa história. Não se trata de propor parcerias mágicas, com resultados imediatistas, muito menos se associar a empresas “amigas da onça” que despejam dinheiro no clube (quem pediu? porque foi aprovada a operação?) a título de empréstimo, e anos depois vem cobrar com juros, correção monetária, taxa Selic, INPC e o escambau! E todos ficam surpresos com mais uma bomba anunciada pelo Sr. Ziza. Ora, contem outra! É uma questão de sobrevivência. Se o passivo do clube assusta, uma negociação racional é estratégica. E os interlocutores ou credores não vão se sentar à mesa diante de pessoas imaturas e despreparadas. Também não haverá ajuda a elas.

Já defendi aqui, e reafirmo, a profissionalização do Conselho Deliberativo e a mudança no estatuto do clube. Chega de “conselhinhos” para as reuniões do chá das cinco; chega de presidentes do Conselho, cujos nomes só se tornam notórios quando são “empurrados” para a presidência interina do clube. É preciso renovação e punição para presidentes, diretores e conselheiros que não cumprirem metas ou que forem coniventes ou omissos com o não cumprimento das mesmas. Afinal, anos de mandato não podem servir de escudo para incompetentes e chupadores de sangue.

Não quero um presidente com camisa, flâmula, que saiba de cor o nosso hino ou que fique provocando o presidente do rival, insisto. A paixão, na maior parte das vezes, cega. Não quero um presidente-torcedor. Quero um presidente-gestor. É pedir demais?????

Impressões de um Atleticano em Brasília

Sáb, 20/09/08
por Christian Munaier |

 Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” aos sábados.

Estou há 700 quilômetros de BH. Como em tudo na vida, há pontos positivos e negativos. Se por um lado, morro de saudade da minha família, dos amigos, do Mineirão e do tropeiro do bar 29, por outro, tenho a felicidade de não ser tão zoado por cruzeirenses nesta imensidão do Cerrado (aliás, só para provocar, é difícil achar uma raposa por estas bandas daqui!). Mas o que quero, neste texto de estréia, é alertar para os riscos da banalização do fracasso e da mediocridade que nos ronda neste Centenário.

As reações da recém destituída diretoria, do técnico, dos jogadores e dos conselheiros soariam cômicas, se não fossem trágicas. São de uma passividade e de um comodismo que revoltam qualquer um que saiba de cor o hino do Glorioso. Não agüento mais ouvir lamentações do tipo: “fomos punidos pela desatenção”, “tivemos azar”. E mais ainda: “empate satisfaz jogadores”. Satisfaz quem, cara-pálida? Claro, somente um bando, não um time, pode comemorar um pontinho com a “poderosa” Lusa, no Canindé. São reações típicas de times pequenos, medíocres, que se satisfazem com pouco. E neste ponto, faço um mea-culpa. Eu mesmo, que já rasguei camisas, chorei, fiquei p…, passei a esperar pelo pior e a incorporar as derrotas com naturalidade. Ah!, que saudade do TIME da série B (nunca pensei que fosse dizer isso!), com Roni, Marinho, Eder Luis, Marcinho e Danilinho. E ainda o Galvão (lembram-se dele?) fazendo até gol de letra.

O Sr. Ziza Valadares puxava a fila dos passivos com pérolas do tipo: este é o time que temos ou que podemos formar, se agarrando à frieza dos números e aos balanços de dívidas como se fossem bóias de salvação ou uma espécie de salvo-conduto para os erros da gestão dele. Erros, sim! E muitos. O maior, talvez, foi ter usado o Centenário como um ano-laboratório para experiências com uma massa de cobaias. Confesso: como um ratinho daqueles de universidades, tive náuseas com o projeto Geninho, dor de cabeça com os testes - Zetti e Gallo, alucinações com a aposta - Alexandre Faria e mortes súbitas com contratações-piada, como Ricardo Martinez, Augustin Viana (quem oferece estas caras para o Galo?), Sérvulo, Souza, Nêgo (é melhor parar por aqui.). Também recebi altas dosagens falsificadas de novos valores, que desde os tempos de Reinaldo, Paulo Isidoro e Cerezo sumiram da saudosa Vila. E ainda tento me recuperar de empréstimos como o de Eder Luis, reserva no Sao Paulo. No final, meras apostas de um departamento de futebol que há muito, de centro nervoso da instituição, passou a funcionar como laboratório central de trapalhadas.

Enfim, ninguém é obrigado a assumir nenhum cargo. Assim, Ziza e Cia Ltda. não agüentaram o tranco e pediram o boné; não tiveram criatividade e competência para lidar com as limitações orçamentárias e saíram! Afinal, colocar salários de jogadores e funcionários em dia, e construir novo CT, são aspectos importantes, mas esta racionalidade, muitas vezes contábil, não pode matar a paixão da Massa.

Está passando da hora da renovação de poder no clube. Isso inclui o próprio Conselho Deliberativo. O órgão não pode continuar passando a impressão de que é composto por figuras meramente decorativas. Conselho não é uma Academia Brasileira de Letras com as reuniões para o chá das cinco. Nem pode se transformar em uma mega sala de terapia e lamentações da terceira idade. E ser conselheiro não deve ser encarado como um título pomposo. Requer, ou deveria requerer, muito trabalho, senso crítico e isenção para julgar e definir o futuro do time. Profissionalização do Conselho já! Para fechar: Marcelo Oliveira não é mais uma destas experiências centenárias???

PS: Homenagem ao maior atleticano que já conheci: Manoel Coelho Linhares, meu avô, vice-presidente do Galo em 1958, e que me passou o DNA da paixão. Saudade!


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