Preços atraentes e projetos inteligentes

Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.
Caros, passado o fantasma do rebaixamento, gostaria de propor algumas reflexões a respeito de um desafio que Alexandre Kalil terá ano que vem e que está sendo pouco discutido: a relação, na maior parte das vezes tão delicada, entre preço de ingresso e presença da Massa nos jogos. Para que o Mineirão continue sendo um “inferno”, como profetizou o próprio Kalil, ele terá que encontrar uma fórmula que equilibre valores acessíveis ao torcedor e custos de uma partida de futebol realizada em um estádio que não é do clube. Talvez um meio-termo entre os atuais 5 reais, de cunho promocional, e os 15, 20 reais que já foram cobrados.
É óbvio que há situações distintas no calendário dos clubes. E no primeiro semestre, do Campeonato Mineiro, o patamar dos ingressos fica bem abaixo, em termos de valores, dos cobrados nos certames nacionais, como o Brasileirão e a Copa do Brasil, e até internacionais como a Sul-Americana (já contando, claro, com a nossa participação). Um dos caminhos pode estar na renovação, com pequenos ajustes, do pacote de medidas adotado pelo governo de Minas Gerais, que vence em fevereiro - pelo menos até que um novo modelo, mais sustentável, seja desenhado. As medidas isentam o Galo e o Cruzeiro do pagamento de taxas sobre as rendas brutas de jogos no Mineirão e autorizam os times a explorar o estacionamento externo do estádio. Por outro lado, os dois clubes pagam 5 mil reais por jogo, a título de “aluguel” do estádio e arcam com as despesas com o pagamento de pessoal, do chamado quadro móvel durante as partidas. Uma das contrapartidas previstas, no entanto, na minha concepção, torna-se incompatível dentro de uma realidade de Campeonato Mineiro e acaba engessando o clube. A de que os times se comprometem a realizar 85 por cento dos seus jogos no Mineirão. No torneio regional, uma flexibilidade seria bem-vinda, até mesmo para utilizar o Independência, fechado a maior parte do tempo. Vale ressaltar que na época em que este pacote foi anunciado, em março deste ano, o então presidente alvinegro, Ziza Valadares, projetou uma economia de dois milhões de reais ao clube.
Economias à parte, a discussão também engloba teses sobre uma elitização do futebol. Além da qualidade (qualidade???) cada vez mais difícil de se ver nos campos, há uma tendência global de construir estádios menores, com mais conforto e segurança, reservando boa parte das cadeiras para sócios-contribuintes e deixando o restante a preços longe de serem populares. Grupos internacionais interessados em construir novas e modernas arenas de futebol e consumo visam, claro, o lucro e miram freqüentadores que tenham poder de compra. Um cenário que se não deve ser desprezado, convenhamos, não combina muito com um time cuja história se confunde com a história da Massa. É, portanto, também, uma decisão que caberá à administração Kalil: alimentar o sonho do próprio estádio, com fatores limitadores já destacados, apostar na completa reformulação do Mineirão para a Copa de 2014, pressionando os administradores pela redução dos custos por partida, ou ainda, porque não, apostar nestes dois caminhos? Nunca se esquecendo, claro, que a força do Clube Atlético Mineiro está na torcida. Sem ela nas cadeiras ou arquibancadas, a magia do futebol acaba sucumbindo à ditadura fria e racional dos números.
Agora, cá entre nós, arroz com feijão, goiabada cascão com queijo, e Mineirão com Galo são praticamente inseparáveis. E você, internauta, quais as suas idéias para garantir preços atraentes de ingressos nos jogos do ano que vem?
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Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” às quintas-feiras.
