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Até quando vamos queimar nossas promessas?

ter, 09/03/10
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Hoje quero aproveitar um pedido de parte da Massa para tratar de um tema importante e que insiste em ser repetido no Galo nos últimos anos: o lançamento de jovens revelações no time principal. Perdi a conta de quantas vezes, no time do Galo, vi juniores sendo exaltados nos campeonatos de divisão de base e saindo pela porta dos fundos depois de serem colocados em fogueiras por treinadores inexperientes e queimados por não corresponderem imediatamente aos anseios da torcida.

Toco neste ponto devido à insistência de alguns para que Renan Ribeiro assuma a meta atleticana no lugar de Carini e Aranha. Primeiro, vamos ser realistas na avaliação do que temos hoje. O Aranha veio para o Galo para tapar um buraco, às pressas, deixado por Edson e Juninho. Seria dispensado com a contratação do goleiro Renê, que acabou melando por conta do pré-contrato assinado com a Portuguesa-SP. Mais uma vez, ficou para tapar buraco. Carini veio com status de goleiro da seleção uruguaia, começou bem, joga realmente adiantado, mas é bom embaixo das traves, bom na saída de bola, e bom como poucos com os pés nas saídas mais arrojadas. Está realmente em uma má fase, começou o ano mal, mas pode render muito mais do que rendeu até agora. Para mim é o titular.

A impressão que tenho é de que a torcida espera um novo Diego Alves e pune todos que assumem a camisa 1 por isso. Tirem o cavalinho da chuva. Não é nem em todo time, nem em todo lugar, que aparece um Diego Alves na hora que a torcida quer. Com os boatos de Lauro no Galo, vi vários comentários de que era preferível ficar com o Carini, que Lauro não presta para o Galo. Quem presta para a meta alvinegra? Renan Ribeiro? Por quê?

Vi argumentos de que o menino foi muito bem nas categorias de base e na seleção. Desconstruir este argumento não é difícil. Tanto Tchô, como Renan Oliveira, foram jogadores de muito destaque na seleção de base. Não corresponderam no profissional. Por quê?

Vou mais longe: Campeonato Brasileiro de 1997. No dia 12 de novembro, o Galo foi ao Maracanã pegar o Botafogo. Fora escalado para aquele jogo o jovem goleiro Adilson. Um menino de 21 anos, lançado para enfrentar Túlio e Donizetti, o melhor ataque do Brasileirão. O menino não resistiu à pressão. Adilson foi queimado e escorraçado pela torcida do Galo mesmo tendo feito ótimos campeonatos de juniores. Depois do Galo, o goleiro conseguiu jogar apenas no Palmeiras do Mato Grosso, no Sertãozinho de São Paulo e no Ceará. O maior erro não foi de Adilson; foi de quem o lançou na hora errada.

Com o Tchô, foi assim. Promessa, Seleção Brasileira, torcida depositando nele toda sua confiança. Pegou times horrorosos, teve que assumir, novo ainda, a responsabilidade de carregar o Galo nas costas. Não deu conta. Sofreu um desgaste enorme. Se não tivesse se desgastado tanto, teria tido mais chance de brilhar em um elenco decente. Saiu pela porta dos fundos.

A paixão do torcedor não o deixa pensar no que queimar um jogador representa para a instituição. Tchô, por exemplo, chegou jovem ao Galo, gerou investimento, expectativa. Não deu retorno algum para o clube. Cada jogador queimado é um prejuízo enorme para a instituição. Há muitos anos, o Galo tem sido rotulado como um fracasso na formação de novos atletas. Discordo desse rótulo. Não ter uma boa equipe principal impossibilita a revelação de novos talentos. Sejamos realistas: depois de 2001, o ano de 2010 é o primeiro em que podemos dizer que temos um time decente.

Alem disso, a torcida tem sido preconceituosa em relação à prata da casa. Durante anos de mediocridade, vimos vários meninos carregando piano, no sacrifício de jogar em times medíocres montados por dirigentes incompetentes e o estigma de “o Galo tem uma base ridícula” sempre esteve presente.

No time que a torcida aplaudiu em 27/11/2005, dia do rebaixamento para a Série B, estavam Tchô, Quirino, Renato, Lima e Rafael Miranda. Todos das divisões de base, colocados para resolver uma situação perdida que, nem de longe, tinha qualquer um deles como responsável. Todos eles saíram pela porta dos fundos.

Chegamos, então, à situação do jovem Renan Ribeiro. Mais uma vez, insatisfeita com nossos goleiros, a Massa pede um jovem para resolver. Renan, que dia 23 de março completa 20 anos, foi recentemente promovido ao time profissional. Jovem promissor, com destaque na Seleção Brasileira de base (repito: a mesma que Tchô e Renan Oliveira foram destaques), começou a ser apontado como solução para a meta atleticana após as falhas do titular Carini e do reserva Aranha.

Em relação a sua escalação, eu faço apenas uma pergunta: caso o Luxa opte pelo Renan para o Gol do Galo, e o menino comece nervoso e precise de um tempo de adaptação como profissional, tome frangos, seja inseguro no começo, vocês realmente acreditam que a torcida vai ter a paciência necessária? Ou acham que vão logo queimar o garoto? Vamos queimar mais uma promessa?

Espanta-me a falta de paciência da Massa atleticana que insiste em queimar um goleiro que se destacou na Seleção Uruguaia, foi titular da Inter de Milão e do Cagliari (onde foi considerado um dos melhores goleiros que atuavam na Itália), por falhas em jogos do campeonato mineiro, em começo de temporada. Um jogador caro, trazido após meses de negociação do Kalil, será colocado no banco com o risco de se queimar um diamante em lapidação chamado Renan Ribeiro?

Deve-se ponderar a grande diferença entre o que é ser um jogador de base e um jogador profissional. Apenas saberemos se Renan Ribeiro é um grande goleiro quando ele jogar como profissional e der conta de se sobressair contra os principais jogadores do futebol brasileiro, como Alecssandro, Adriano, Robinho, Kléber, Borges, Dagoberto, Washington e Diego Souza, por exemplo. Alguém se arrisca a dizer que Renan Ribeiro está pronto para o desafio? Eu não. Ainda mais com um goleiro com o status do Carini no elenco. Esta é a hora do Carini mostrar a que veio, não de sacrificar uma de nossas maiores promessas.

Pitaco do Baú: Queria falar sobre a “Federação” Mineira de Futebol. Mas não vou. O Kalil já disse tudo.

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Arte: Fred Kong

Apoio: Loja do Galo

Torcida do Galo: Resgatar a nossa magia é a nossa obrigação

qua, 03/02/10
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

A torcida tem que permitir, a si mesma, uma chance de ser feliz. O comportamento apresentando pela torcida em jogos do Galo nos últimos anos tem sido muito diferente do comportamento anterior à queda para a segundona, em 2005. Neste texto, vamos nos lembrar da torcida que éramos e que precisamos voltar a ser. Em um momento muito feliz, Vanderlei Luxemburgo mexeu em uma ferida que há muito precisa ser discutida por nós atleticanos.

Não há nada que nós possamos fazer dentro das quatro linhas e na sede do Galo. Na sede, vemos um trabalho honesto, esforçado, e muito além das expectativas que tínhamos com os dois presidentes anteriores. No campo, depositamos toda nossa confiança no Luxa, sonho antigo da Massa, bancado pelo Kalil, e que merece nossa inteira confiança.

Ver a torcida do Galo vaiando o time contra o América, na primeira rodada do mineiro, me fez ter uma certa desconfiança da vantagem de se ter as arquibancadas cheias hoje em dia. Até aonde aquela torcida fundamental para o time, que fazia os inimigos tremerem, como disse o próprio Luxemburgo, está fazendo sua parte na hora de entrar em campo e desestabilizar o adversário?

Tenho medo de nos tornarmos o que sempre criticamos. Torcer nas horas boas é muito fácil, vemos isso em vários momentos do futebol brasileiro, vemos isso com o nosso rival, com o atual campeão brasileiro, torcidas que, em momentos de dificuldade, fogem do estádio. O Atleticano, não. Ele acredita sempre, faz questão de mostrar para todos que, mesmo na dor, mesmo nas derrotas mais humilhantes, nosso amor é infinito e nossa paixão incontestável. E somos, sim, especiais e únicos.

Sempre escuto histórias interessantes da paixão atleticana. A última delas me chamou bastante atenção. Um amigo da minha esposa, que tem um filho de apenas um ano e meio, tem o cuidado de, todos os dias, quando seu filho acorda, o levar para abraçar e beijar um galinho que mantém sempre no quarto da criança. Além disso, já ensinou o menino a gritar “Gol!”, quando é perguntado “O que o Galo faz?”.

O que é esse sentimento deste pai senão um amor imenso pelo time que escolheu? O que pode ser tão forte a ponto de um pai sentir um desejo instintivo de ensinar e transferir para o seu filho a paixão pelo Galo? O que nos faz ser como somos? Estamos levando este sentimento para as arquibancadas?

Quantas vezes já fizemos a diferença? Invadimos o Rio de Janeiro em 1971, para buscar o título de primeiro campeão brasileiro. Já tivemos nada menos do que nove maiores médias de público em 39 edições do Brasileirão. Dos seis maiores públicos pagantes do Mineirão, cinco são nossos, todos com mais de 100 mil pagantes, de uma só torcida, e olha que nunca precisamos pagar ninguém para ficar rodando as roletinhas até chegar nos fantasiosos 132 mil. Já chegamos a 115 mil com uma só camisa: a alvinegra. Já pararam para pensar que, mesmo com a capacidade do Maracanã, Vasco, Fluminense e Botafogo têm médias de público infinitamente inferiores à nossa?

Com a Massa, já batemos times melhores que o nosso, já derrubamos a Seleção Brasileira, já ganhamos clássicos, finais, já fizemos jogadores suarem e darem sangue, pelo fato de contarem, na arquibancada, com um espetáculo único e que os fazia ser parte da camisa que vestiam. Já fizemos jogadores trocarem de lado, de time, até de Estado, tudo por causa do barulho, do fanatismo, do espetáculo que fazíamos nas arquibancadas.

Não interessa se há anos não ganhamos nada, se fizeram com o Galo o que fizeram nestes últimos anos. Estamos, sim, cansados, desconfiados e calejados. Mas o time que hoje está aí e o técnico não têm culpa da falta de títulos e das humilhações a que fomos submetidos nos últimos anos. Mesmo com deficiência técnica de alguns jogadores, mesmo com a dificuldade inicial de entrosamento do time, não vemos em campo, em momento algum, a falta de vontade. Se Correa reclama da torcida, ou se qualquer jogador faz isso, é porque tem dado o máximo dentro de campo para suprir necessidades e deficiências do time, e isso precisa ser valorizado.

Vaiar um goleiro por um gol tomado, um lateral, por uma bola perdida, um zagueiro, por um erro infantil, no primeiro e no segundo jogos do campeonato, fere totalmente o nosso atleticanismo, a nossa história nas arquibancadas.

A arquibancada do Mineirão não é nossa. Ela é de todos os atleticanos que, nestes 101 anos de história, construíram a reputação da Massa. A instituição “Torcida do Galo” não é minha, nem sua, ela é de nossos bisavós, avós e pais, que ali já se emocionaram, passaram raiva, gritaram, empurraram a camisa que tanto amamos. Ali, nasceram histórias, paixões e até casamentos. O local precisa ser, sim, respeitado.

Provavelmente, o Atleticano, quando morre, elege como seu paraíso as arquibancadas do Mineirão. Ele faz questão de estar sempre lá, ao lado de seus filhos, netos, bisnetos, torcendo por uma história que ele construiu praticamente junto com sua história de vida. Toda vez que vou ao Mineirão, penso nisso. Lembro do meu avô, do meu tio, de todos os atleticanos que já se foram e que deixaram para nós a melhor das heranças: o Galo.

Olho para o gramado e imagino o Kafunga, ao lado da trave, protegendo nosso gol, o Trio Maldito, torcendo por aqueles que atacam, o Gérson e o Telê dando dicas no ouvido do treinador, o Elias Kalil dando seus pitacos… Tento lembrar de todos aqueles que, dentro ou fora de campo, fizeram o Galo ser o que é.

Nosso papel de torcedor é o de estar lá, pelo time. De empurrar, de torcer os 105 minutos. Se o jogador tem a responsabilidade de respeitar a camisa do Galo, dando o máximo de si, nós, torcedores, temos a responsabilidade de preservar a tradição da torcida atleticana pensando em apenas empurrar o time para a vitória a partir do momento que, com o manto sagrado, cruzamos as roletas do Mineirão. Nossa obrigação é a de fazer o resto do Brasil ter medo de jogar frente à nossa torcida.

Não é justo de nossa parte entregar toda a responsabilidade de um processo vitorioso ao presidente, treinador e jogadores. Precisamos assumir nossa responsabilidade. Temos uma tradição de média de público e de grandeza a qual devemos sempre estar comprometidos. Vamos fechar com este bom grupo que está se formando. Vamos ao Mineirão para fazer festa e empurrar o Galo pra frente! Não vaie o time ou jogadores durante o jogo.

Pitaco do Baú

Não há do que reclamar de Alexandre Kalil. Realizou nosso sonho antigo. Vanderlei Luxemburgo buscou bons jogadores no mercado, não trouxe barcas e barcas, e quando vai atrás de jogadores como Robinho para fazer propostas, mostra para o Brasil que ainda somos grandes. Um começo de trabalho que visivelmente pode dar frutos. O Terreiro do Galo apóia o trabalho de Luxemburgo e de Kalil. Assim começa o ano de 2010. Um bom ano a todos os atleticanos e que, em 2010, possamos ter um desfecho vitorioso que a tanto sonhamos. No dia 31 de janeiro o saudoso Elias Kalil estaria completando 80 anos de vida. Que ele nos ajude a alcançar nosso objetivo e que possa receber, no ano em que faria 80 anos, o título que tanto perseguiu e merece.

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2009: Vamos deixar o vento derrubar a camisa preta e branca?

qui, 26/11/09
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Mesmo que o desfecho do ano de 2009 seja diferente do que minimamente o atleticano esperava, é, de fato, muito importante que a reconstrução do Atlético continue. Claro que, para nós torcedores, é bastante complicado ter a paciência necessária para esperar que as coisas melhorem como nos vem sendo prometido ao longo das décadas. Entretanto, é importante e prudente lembrar que a eleição de Alexandre Kalil, que foi apoiada por, no mínimo, nove de cada 10 atleticanos, representou para nós o resgate da esperança de dias melhores.

O “problema” da campanha do Brasileiro de 2009 não é tão simples como parte da torcida acredita. E nisto, faço eu um mea culpa, quando, como torcedor comum que sou, perco a paciência e descarrego toda a minha frustração no técnico Celso Roth. Claro que o comandante alvinegro tem suas deficiências; entretanto, é preciso lembrar que grande parte da esperança voltou com o próprio treinador a partir da vitória sobre o Vitória-BA na Copa do Brasil.

A arrancada no Brasileiro, a contratação de reforços de peso, mesclados ao fraco material humano remanescente do elenco de 2008, nos fez acreditar que poderíamos quebrar um jejum complicado e doloroso. Afinal, o Galo é o único time dos grandes que não conquista um Brasileiro há mais de 30 anos. O sonho de médio prazo terminou; o de longo, está apenas no começo.

Vale lembrar que os últimos tempos foram de fracasso contínuo e previsível. Os anos de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 começaram com objetivos modestos, assombrados pelo freqüente fantasma do rebaixamento. Desaprendemos a ganhar, a brigar por títulos. Isto é inegável.

“Há muitos anos não ganhávamos tantos pontos fora de casa. O problema em casa, pra mim, ainda é a falta de maturidade. Estamos acostumados a lotar o Mineirão pra tirar o time do rebaixamento, não pra levar o time ao titulo”.

A frase me foi enviada por meu primo, Vitor Lansky, por e-mail, e me fez pensar muito. De fato, perdemos a fórmula e a auto-estima que foi abandonada por sucessivos fracassos. Os medos que estamos acusando o time de ter em casa temos levado para as arquibancadas. A ansiedade durante os jogos nos faz cobrar precocemente do time que está em campo. Isto está afetando o elenco e, em parte, prejudicando a campanha.

O problema das vaias não está no fator mais ou menos atleticano, ou no fator “modinha”, como muitos gostam de falar. O problema está no medo que nos rondou por tanto tempo e que precisamos abandonar com urgência para voltar a vencer e empurrar o Galo para frente sem precisar olhar para trás.

O fato é que em 2009 estamos lidando com uma situação diferente dos últimos anos. Na Presidência, temos uma pessoa que tem nos tratado com respeito. Foram feitas boas contratações, as contas estão em dia e sobrevivemos bravamente há um ano sem patrocínio master. Nenhum de nós imaginava isto. Brigaremos até a última rodada pela permanência no G4 e por uma vaga na Libertadores, experiência inédita para o Galo na fórmula de pontos corridos.

O técnico que hoje é contestado foi vetor de nossa esperança e colocou um elenco limitado, construído ao longo do campeonato, na posição que está. Errou muito, errou demais, mas nos fez reviver uma luta pelo título, o sonho da Libertadores. Será que estamos pecando com Celso Roth pela nossa ansiedade? Precisamos pensar muito nisto.

Não quero que os leitores do Terreirão achem que minhas opiniões têm a intenção de proteger alguém ou de influenciar nas manifestações da torcida no momento difícil. O texto do Baú do Galo de hoje é para reflexão, para discussão e para que possamos tentar garantir a nossa parcela de racionalidade.

O crédito ao Kalil, no final do ano passado, foi dado pela torcida, por muito menos. Hoje, temos um motivo maior para ampliar este crédito e esperar o resultado. Claro que a renovação com o Roth e o contrato com o banco de Ricardo Guimarães nos deixou com a pulga atrás da orelha. E Kalil, esta pulga não tem nada a ver com falta de credibilidade em sua administração; a pulga tem relação com tudo que esta massa passou e sofreu nos últimos anos e você precisa saber lidar com isso.

Demos ao Kalil o tempo e a oportunidade de fazer história. As cobranças, se necessárias, deverão ser feitas ao final do trabalho.

Mais importante do que apoiar ou não a permanência de nosso técnico, ou até mesmo de alguns jogadores, é o apoio incondicional à reestruturação que o presidente Kalil se propõe a fazer. A nossa participação nela é fundamental. Nosso papel é o de tentar superar nossas frustrações, controlar nosso imediatismo e termos a capacidade de apostar em um trabalho de longo prazo que traz a expectativa de resultados ambiciosos.

Lembrando o eterno Roberto Drummond, peço licença para trazer para os dias de hoje a sua mais famosa frase:

“Enquanto nos últimos anos estivemos sentados, ao relento, sem perspectiva, apenas olhando para a camisa alvinegra e torcendo para que ela suportasse o vento e as tempestades, porque agora, que estamos amparados, com a esperança de um futuro promissor, a deixaremos cair no chão? Continuemos, unidos, a lutar contra o vento”.

Pitaco do Baú

O Pitaco de hoje pede desculpa pelo abandono do padrão tradicional da coluna. No próximo texto vamos relembrar e homenagear os nossos campeões de 1971.

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Galo X Mineirão: Precisamos superar nossos traumas e seguir em frente

seg, 16/11/09
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

O Baú do Galo trata hoje de um tema que vai gerar polêmica: por que o Galo, historicamente, não consegue se afirmar no Mineirão? Em quantos jogos fomos surpreendidos? Quantas vezes estivemos perto de nossos objetivos e caímos em casa? Os 3X1 aplicados pela urubuzada apenas nos trouxeram de volta o pesadelo das decepções no Mineirão.

É preciso tentar descobrir o porquê disto. No Campeonato Brasileiro, nosso único titulo fora conquistado no Maracanã; e as duas Conmebol foram decididas fora dos nossos domínios (a de 97 foi decidida no primeiro jogo, em Lanus. 4X1). Mesmo como alguns erros de arbitragem, ou até mesmo uma forcinha do homem de preto aos adversários, é inadmissível pensar que times como Coritiba e Portuguesa tenham nos superado dentro de casa. Podemos dizer que apenas somos fortes no Mineirão, disputando as finais do Campeonato Mineiro. E um giro na história nos mostra isso.

1977: Após um belíssimo Campeonato Brasileiro, com 15 pontos na frente do segundo colocado, com público de 102.974 pagantes, mesmo com a ausência de Reinaldo na final, por motivos escusos, o Galo tinha totais condições de se impor em seus domínios. Perdemos nos pênaltis um título que todo o país já considerava como alvinegro.

1985: Mesmo com um gol não validado para o Atlético e com 65 mil pagantes no Mineirão, o Galo não conseguiu superar um time que era inferior ao nosso e de menor tradição. Se tivesse se classificado, o Galo faria a final contra o Bangu. Em uma semifinal que contava com Brasil de Pelotas, Bangu, Coritiba e Atlético, o Galo não conseguiu, mais uma vez, se impor em casa.

1987: Renato Gaúcho calou o Mineirão. Mais uma vez, ficamos na semifinal. Eram 85 mil pagantes no Estádio da Pampulha. O Galo tinha um bom time; o Flamengo também. No banco, éramos infinitamente superiores, Carlinhos, no Flamengo, Telê, no Galo. Não conseguimos nos impor, mais uma vez.

1991: Semifinal do Brasileiro, novamente: Atlético e São Paulo empataram no Mineirão por 1×1. Havia 55 mil pagantes. O São Paulo, com um jogador a menos, conseguiu segurar o empate e levar a decisão da vaga para SP. Faríamos, se classificados, a final contra o Bragantino.

1996: Atlético 2X2 Portuguesa. Uma vitória por um gol de diferença credenciaria o Galo para fazer a final contra o Grêmio. Mesmo saindo na frente, o Galo não conseguiu segurar o resultado e ainda precisou sair atrás do empate no segundo tempo. A Portuguesa tinha um jogador a menos durante parte do jogo. Eram 82 mil torcedores vendo o Galo cair para um time de pouca tradição, em pleno Mineirão.

2000: Libertadores da América. O Galo não conseguiu se impor sobre o Corinthians e deu adeus à competição continental empatando o primeiro e perdendo o segundo jogo por 1×0, em São Paulo.

2002: 6X2 para o Corinthians em pleno Mineirão. Vexame total. Mesmo sabendo da superioridade do time paulista, o Galo colocou 78 mil pagantes. O mando de campo não foi suficiente para evitar o vexame.

2009: Quase 65 mil pessoas acreditaram que o Galo poderia arrancar rumo ao título Brasileiro. Não demorou para o Atlético se entregar em campo e, mais uma vez, frustrar sua torcida.

Os dados são dignos de reflexão. Por que o Galo conquistou seus principais títulos fora de seus domínios e não conseguiu se impor em casa, mesmo quando era franco favorito?

Por Marcelo VargasAlguns dizem que nosso problema é com o Flamengo. A história nos mostra que nosso problema é com o Mineirão. O Atlético Mineiro não consegue se impor em casa quando precisa.

Talvez nossa relação com o Mineirão seja traumática, talvez os problemas enfrentados nos anos 80 tiraram nossa garra em casa nas decisões. Talvez seja boa a reforma que será feita no estádio. Talvez devamos começar, ali, uma nova história. Perdoem-me os que me acharem muito pessimista, mas a realidade está a nossa frente e precisamos entendê-la para, enfim, superá-la.

De fato, não tenho muito o que dizer sobre o que escrevi. Se fosse fácil entender, teríamos evitado várias destas decepções. Talvez consigamos entender isto juntos; esta é a finalidade do Baú do Galo de hoje.

Esta reflexão precisa ser feita por Diretoria, Comissão Técnica, torcida e jogadores antes de mais uma decisão. Jogaremos contra o Inter nossa chance de Libertadores. Uma derrota ainda nos coloca com chances de classificação. Entretanto, caso esta derrota aconteça, o Galo dificilmente vai se reerguer.

Caro torcedor, ninguém tem obrigação de ir ao Mineirão. Mas se você for contra o Internacional, apóie o time e só cobre ou vaie no final.

Pitaco do Baú:

Não quero falar muito no pitaco de hoje. Mas gostaria de pedir explicação ao nosso treinador sobre os dois últimos jogos. Não as explicações de sempre. Corte o papo furado, Roth! Qual a justificativa para a entrada de Jonílson e Renan contra o Flamengo e da convocação de Tchô e Pedro Paulo para o jogo contra o Coritiba?

Mais duas derrotas a serem colocadas na conta do Celso Roth.

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* Este é o técnico que o Galo está tentando contratar. Este vídeo mostra a conversa após uma partida, quando o time do treinador venceu por 3X0. “Inadmissível! Era para termos feito pelo menos mais 4… Mais 4, entenderam? Acham graça de vencer o campeonato faltando 8 rodadas? Era para terminar essa brincadeira ainda no primeiro turno…”; E toma pedalada. (É claro que se trata de uma brincadeira! O vídeo foi enviado por Valdirene Moreira)

Atlético 6X1 Flamengo: Ipatinga presenciou um baile atleticano (ganhar do Galo não é tão fácil assim)

qui, 05/11/09
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

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Sem dúvida, aquele 14 de novembro de 2004 foi o dia do Galo. Tudo deu certo, e assim como em 2008, com um time limitadíssimo, o Galo se impôs conquistando a vitória. Aquele dia, o Galo aplicou sua maior goleada no confronto com o time carioca.

Naquele domingo, fui parar, por acaso, em Ipatinga. Como trabalhava aos finais de semana, já estava conformado de que teria que ouvir o jogo pelo rádio, se contasse com um tempo pra isso. Entretanto, meu então chefe, atleticano, fez a proposta: – Vamos para Ipatinga? Assim, no meio da manhã, pegamos a estrada para, mais uma vez, ver o Galo jogar.

Como toda a torcida, estávamos apreensivos. Era mais um jogo decisivo. Precisávamos muito da vitória. O Galo começou melhor, bem melhor. Para a nossa felicidade, a “categoria” de Júnior Baiano, que aplicou uma entrada criminosa em Márcio Araújo, nos possibilitou jogar com um jogador a mais desde os dois minutos do primeiro tempo. A falta do zagueiro teve como conseqüência o primeiro gol alvinegro: dos pés de Zé Antônio (Zé do Galo), aos quatro minutos, de falta, o Galo saía na frente com um golaço!

Depois disso, o que se viu foi um baile. Aos 13 minutos, Márcio Mexerica, de cabeça. No segundo tempo, aos três minutos, Renato, após ótima jogada de Alex Mineiro, marca mais um. A torcida estava em festa. A goleada era eminente. O Flamengo já havia entregado o jogo. Daí pra frente, era ampliar o máximo possível o placar. Mesmo o gol flamenguista, aos oito do segundo tempo, não tirou o ímpeto atleticano.

Aos 13 do segundo tempo, após linda jogada de Alex Mineiro, Wagner completa, de cabeça, para o gol; era o quarto. Para coroar a atuação fantástica de Alex Mineiro naquela tarde, dois gols. O primeiro, aos 25; e o segundo, aos 35, com direito a um belo drible no goleiro Júlio César. 6×1. Estava feito o estrago. O maior deles, até hoje. Aquela foi uma tarde especial pra mim.

No próximo domingo, o Galo entra em campo para, mais uma vez, enfrentar o Flamengo. Diferentemente de 2004, os dois times lutam por objetivos mais nobres. Uma vaga na Libertadores e até mesmo o título passam a ficar mais perto de quem sair vencedor desse confronto.

O que tem sido mais difícil nessa reta final é a ansiedade. O dia 6 de novembro passa a ser marco para nós, uma data a ser alcançada. Entretanto, a realidade nos mostra que o caminho é difícil e árduo. Apenas um pode ganhar o campeonato.

Uma coisa é certa: a possibilidade do título, definitivamente, tornou-se real. Senti isso em Goiânia. O time e a torcida mostram a sintonia perfeita. Lá estiveram o diferencial nas arquibancadas e a capacidade de reação no resultado adverso. Lá estiveram a união do elenco e a força da camisa alvinegra.

Quero muito este título. Quero por mim, pela minha esposa, pelo meu pai, pelos meus primos, pela minha família atleticana, e pela Massa.

O comportamento daqui para frente deve ser o de uma torcida pronta para reconquistar o Brasil. Não só o time, mas a torcida precisa também de maturidade. A ordem nos três jogos restantes é lotar o Mineirão! Entretanto, lotar, apenas, não basta. É preciso estar lá, apoiar, gritar, empurrar os 90 minutos! Precisamos fazer a diferença.

Que aquela tarde de 14 de novembro de 2004 sirva de inspiração para todos os jogadores do Galo que entrarão em campo no próximo domingo.

Pitaco do Baú

O pitaco de hoje é simples e direto! Três coisas devem ser mostradas aos jogadores na preparação do jogo com o Flamengo: A primeira e a segunda são mostrar a eles dois vídeos: o 6×1 de 2004 e os 3×0 do ano passado. A terceira é o vídeo do Marcio Braga declarando que ganhar do Galo no Mineirão é muito fácil para o Flamengo. Esse é essencial!

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Em 1999, a Bahia ficou preta e branca: Vitória 0 x 3 Atlético. A final era nossa

qui, 22/10/09
por Christian Munaier |
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Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

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A ansiedade é grande. Acho que, como eu, todos andam dormindo e acordando pensando na possibilidade de, após 38 anos, vermos novamente o Galo levantar um Brasileiro. Difícil não pensar nisso. Fico pensando na minha viagem de Brasília a BH, véspera do jogo contra o Corinthians, onde poderemos jogar o título, ou comemorá-lo. Claro que isso ainda é apenas um sonho, que tem muita possibilidade de se realizar. Para que isso aconteça, precisaremos, ainda, de muita luta, de uma entrega enorme de nossos jogadores e da participação sempre brilhante da fanática massa atleticana.

Pois é. A ansiedade é tão grande que eu deveria falar sobre a história do Galo e estou tentando adiantar o título. Para marcar o restante de nossa caminhada, relembramos o fantástico 3 x 0 que o Galo aplicou, na semifinal do Brasileirão, no mesmo Vitória que vamos enfrentar no sábado.

Aquele foi um ano especial. O título não veio, mas a campanha e a arrancada para final dificilmente serão esquecidas pela torcida. Depois de duas vitórias arrasadoras contra nosso maior freguês, o Galo pegaria, na semifinal, o Vitória da Bahia.

O que mais vale a pena lembrar daquele confronto é, sem dúvida, o terceiro e decisivo. A Bahia vivia um clima de festa: era a possibilidade de o Vitória fazer sua segunda final de Brasileiro (a primeira foi contra o Palmeiras, em 1993). No primeiro jogo, no Mineirão, o Galo ganhou de 3 x 0; no segundo, o Vitória levou a melhor, 2 x 1. O regulamento daquele ano previa que a disputa do mata-mata deveria ser realizada com o sistema de melhor de três (apesar de termos precisado apenas de dois jogos para despachar a freguesia).

No dia 8 de dezembro, o Galo jogava sua sorte e tentava se credenciar para a final do Brasileiro. Estávamos confiantes, mas apreensivos. Vínhamos de uma decepção recente de semifinais de Brasileiro, como a de 1996, contra a Portuguesa: foi doído e difícil de superar. O Galo, naquele dia, foi a campo com Velloso, Caçapa, Galvan, Ronildo e Mancini. Robert, Valdir Benedito, Gallo e Belleti. Marques e Guilherme.

O Galo entrou em campo inspirado naquela tarde. O Vitória pouco jogou e o esquadrão alvinegro silenciou o Barradão. Guilherme, duas vezes (só para variar), e Marques, uma vez, decretaram a esmagadora vitória do time que, até o início dos mata-matas, era visto como o azarão do campeonato.

As campanhas eram parecidas. Em 1999, tínhamos também um time que ninguém acreditava. O técnico, diferentemente de Celso Roth, era desconhecido ao resto do Brasil. Entretanto, tinha muita identidade com a massa. Humberto Ramos foi autor do cruzamento mais importante da história do Galo, o que nos deu, com um gol de cabeça de Dadá Maravilha, o Campeonato Brasileiro de 1971.

A torcida, como sempre, fez a diferença. Abraçou o time e o colocou, com a genialidade de Marques, Guilherme e companhia, na final do Brasileiro.

Podemos dizer que mesmo sem o título, 1999 foi um ano de muito orgulho para a nação alvinegra. Lutando contra tudo e contra todos, mostramos ao Brasil que não éramos o cavalo paraguaio que todos achavam. Aquele time soube ser grande e respeitou a grandeza do Atlético.

Sábado temos mais uma batalha. Mais uma vez, com a desconfiança e a indiferença de uma grande parte da imprensa, entramos em campo na difícil caminhada até o título de campeão brasileiro de 2009. Ganhar do Vitória tem que ser obrigação para que cheguemos aos nossos objetivos. Sugiro que todos os jogadores e comissão técnica do Galo assistam ao VT do jogo de 1999. Aquele 3×0 deve ser a inspiração de todos que entrarem em campo, no sábado, para calar, mais uma vez, a boca dos que duvidam de nós.

Pitaco do Baú

Chegamos na caminhada final! É agora ou nunca! Após alguns erros do Celso Roth e alguns pontos bobos perdidos, o Galo vai se reencontrando. O recado hoje vai para o Roth.

Celso,

O Brasil inteiro, menos a torcida do Galo, aguarda seu tropeço. Queremos propor a você a chance da redenção. Sabemos bem o que é ter o Brasil contra: tivemos em 1999 e estamos, novamente, tendo este ano. O Galo, Roth, é um lugar de superação, de garra. Assim foi com Marques e Guilherme, que aqui chegaram desacreditados; assim foi com o Tardelli, que chegou aqui sem nenhuma dificuldade imposta pelo Flamengo; assim, você entra na reta final do campeonato. A escolha é sua, Celso. Aprenda com seus erros, discuta exaustivamente as opções com seus auxiliares, trabalhe sério na reta final e não seja cabeça-dura. Além disso, ouse quando necessário. Não perca pela falta, e sim, pelo excesso de tentativas coerentes. Nosso pacto, Roth, calar o Brasil. Fazer do Galo um time campeão e de você, Celso, o grande técnico que nós sabemos que é. Acreditamos em você e com você queremos conquistar vários títulos.

Saudações Atleticanas a todos!!!

*****

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A era de ouro de Elias Kalil: Uma homenagem a Alexandre Kalil

sex, 04/09/09
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Nada melhor que reconhecer um trabalho quando ele passa por um momento de contestação. Na verdade, não de minha parte, mas de uma pequena parte da torcida atleticana. Para entender a paixão e a entrega de Alexandre Kalil pela instituição Clube Atlético Mineiro, é importante conhecer o responsável por plantar essa paixão no nosso atual dirigente.

Elias Kalil foi um homem à frente do seu tempo. Enxergou, no início dos anos 80, o que os demais começaram a perceber no Brasil apenas nos anos 90. Se tivéssemos tido continuidade de seu trabalho, seríamos, hoje, um dos times mais vitoriosos do país, não tenho dúvida.

Com ele, o Galo foi eficiente dentro e fora das quatro linhas. Elias montou um time de estrelas, que contava com João Leite, Osmar Guarnelli, Luisinho, Jorge Valença, Chicão, Cerezo, Palhinha e Reinaldo, entre outros. Além disso, contratou Éder Aleixo e Nelinho para compor o esquadrão alvinegro que fez sucesso dentro e fora do Brasil.

Conquistou dentro das quatro linhas, como presidente, o pentacampeonato mineiro, (que viria a se transformar em um hexa, em 1986). Elias teria seu trabalho coroado com um Brasileiro e uma Libertadores se, assim, fosse permitido pelos cartolas e homens de preto da época.

Fora das linhas, Elias levou o Galo rumo à modernidade. Idealizou e começou a erguer o que hoje é a Cidade do Galo. Quando comprou o terreno de Vespasiano, foi ironizado pelo dirigente do outro lado, Felício Brandi: “O Atlético vai assumir a periferia!”. Kalil respondeu: “Quando o nosso CT estiver pronto, a Toca dele vai tornar-se um barracão”. Hoje, temos um CT de ponta, um dos mais modernos do Brasil.

Era enérgico, duro, e tomava as decisões na hora certa, sem se deixar influenciar. Ficou pouco tempo (80 a 85) e deixou saudade. Infelizmente, a incompetência dos seus sucessores impossibilitou que sua obra fosse para frente. A Cidade do Galo foi entregue na administração RG, depois de concluída com muita dificuldade por Alexandre Kalil.

Para quem conhece a história do pai, a imagem do filho eleito, chorando, com a foto de Elias, é emblemática e especial. Naquele momento, tive a certeza de um futuro melhor. O Galo deve ficar na mão de pessoas que o amam e não nas mãos dos que pretendem vendê-lo.

A gestão de Alexandre Kalil começou arrasadora. Enxugou diretorias, demitiu os que eram desnecessários e investiu na nossa maior paixão: o futebol. Trouxe jogadores conhecidos, coisa que não acontecia há anos. Mudou de técnico quando foi necessário, nos fez entender que Emerson Leão não era o técnico ideal para o Atlético e fez tudo isso com muito respeito. Mostrou que é possível mudar.

Coloca a cara quando necessário, não mente para nós, não nos engana, trabalha dentro da realidade e, não tenho dúvidas de que, nos próximos anos, nos dará o que almejamos há tanto tempo: um título de expressão.

Sempre que olho para o Alexandre, me lembro da figura do Elias. Mesmo sendo muito novo na época, me recordo de ver meu pai feliz com o Galo e elogiando aos quatro ventos nosso querido Elias Kalil. Queria que ele estivesse vivo para ver resgate da raça e da alma atleticana que seu filho promove hoje. Queria poder agradecer a ele pelos momentos de glória da década de 80 e pela herança que soube passar tão bem para Alexandre: a paixão pelo Galo.

Por fim, gostaria de agradecer ao Alexandre Kalil, independentemente de o título brasileiro de 2009 ficar ou não com o Galo, pelo respeito que tem tido com a Massa. Pelo amor que tem tido pela instituição. Pelo cuidado de não nos fazer ter decepções motivadas por mentiras e mutretas. Por nos dar um time competitivo e pela garantia de um projeto de qualidade dentro do nosso Galo. Enquanto tiver compromisso aliado à seriedade, terá meu apoio.

Continue honrando o nome de seu pai, pois ele olha lá de cima por nós e nos fará companhia no momento em que erguermos a tão sonhada taça.

Pitaco do Baú

O pitaco hoje é sobre goleiros. Mais um se foi: Edson. Esse teve várias chances, não soube aproveitar, será dispensado. Agora, devemos ter cuidado com os que ficaram. Bruno teve boa estréia, mas fez um jogo ruim contra o Grêmio. O menino precisa de nosso apoio. Não podemos sair queimando goleiros por aí por uma ou duas atuações ruins. Acho o futuro do Bruno promissor, assim como o de Renan Ribeiro. Mas temos que tomar cuidado nos julgamentos destes meninos nos momentos de derrotas. Devemos agir com a razão para garantir aos dois as mesmas chances que tiveram Juninho e Édson. Que eles saibam aproveitá-las melhor do que os dois.

Parabéns ao meu pai, Hilton Lansky, pelos 60 anos completados no dia 16 de agosto! Obrigado pai, por me fazer atleticano e por me ajudar a ser o que sou, e a chegar aonde cheguei! Te amo!

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Direto da mesa do Presidente, Alexandre Kalil agradece o texto do colunista Daniel Lansky publicado no Terreirão. Kalil, honrar seu pai e reconhecer o seu trabalho é respeitar a História Atleticana!

Direto da mesa do Presidente, Alexandre Kalil agradece o texto do colunista Daniel Lansky publicado no Terreirão. Kalil, honrar seu pai e reconhecer o seu trabalho é respeitar a História Atleticana!

Galo e Coxa: Histórias que se encontraram em 1985

sáb, 01/08/09
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Que me perdoe Nelson Rodrigues, mas seu Sobrenatural de Almeida sempre jogou contra o Galo das Alterosas. Sim! Sempre que pode, o tal Sobrenatural esteve lá, como executor impiedoso sempre contra a paixão atleticana. Entretanto, o nosso adversário sobrenatural sempre foi bem mais complexo do que o do Nelson, que se limitava a fazer gols inexplicáveis. O nosso age por meio de um conjunto de ações enigmáticas, sempre nos momentos mais cruciais, que sempre levam a nação atleticana às lágrimas.

Obviamente que, quando foram anunciados os quatro semi-finalistas do certame nacional de 1985, um favorito natural seria elegido pela mídia: o Atlético MG – primeiro campeão brasileiro, em 1971, e vítima dos históricos roubos nas finais de 1980, no campeonato brasileiro, e em 1981, na Libertadores, no Serra Dourada, em Goiânia, ambos contra o Flamengo – seria o provável campeão contra adversários que, no papel, possuíam times inferiores e menor tradição no futebol nacional. Coritiba x Atlético MG e Bangu x Brasil de Pelotas: estes eram os confrontos que precisavam ser disputados antes da final daquele ano.

Agora me arremeto a minha infância. Natural de Belo Horizonte, passei os melhores anos da história do Atlético tendo o Mineirão como o quintal da casa de minha avó, na Pampulha. Os almoços familiares de domingo sempre terminavam nas arquibancadas do Mineirão, com a família Lansky reunida naquilo que era praticamente a religião de meu avô Davi, passada para meu pai, meus tios e, finalmente, para minha geração.

A camisa do Galo sempre foi a segunda pele daquela família da Pampulha, mesmo após a morte de meu avô. Nem sei dizer ao certo qual foi a primeira vez que pisei no estádio. Sei que meu pai levava minha mãe, grávida, para as arquibancadas, provavelmente para que eu pudesse nascer mais atleticano.

Não sei o que é ser o Daniel sem ser atleticano. Esta é uma sensação que poucos torcedores experimentam na relação com seus times. Sei que a relação do torcedor com o Coxa é semelhante, diferente do lado dos “falsos” (Atlético-PR) que têm um comportamento um tanto cruzeirense ao participar apenas dos bons momentos.

Lembro-me da paixão pelo Reinaldo e da fanática massa alvinegra fazendo festa para os grandes craques dos anos 80 que, mesmo prejudicados pelo “destino” no início da década, nos faziam ter orgulho do time mais querido e aguerrido de Minas Gerais.

Em 1985, já sem o meu avô, que falecera em 1978, a expectativa do mais pessimista dos atleticanos era de que o título nacional seria levado para BH, por um time que merecia historicamente se vingar do que sofrera no início da década. No dia 24 de julho, o Galo foi a Curitiba disputar contra o Coxa o primeiro jogo da semifinal. O resultado, apesar de desfavorável – 1 x 0 -, fora considerado satisfatório para que, no Mineirão, a diferença fosse tirada por um time superior, que teria como aliado o fanático apoio da massa atleticana.

Foi aí que o Sobrenatural de Almeida optou, mais uma vez, pelo adversário. Lembro-me bem da sensação de subirmos as escadas do Mineirão, naquele dia 28 de julho de 1985, um domingo, meu pai, meus tios e alguns primos para assistirmos ao embate contra o time do Paraná. A certeza da vitória era uma unanimidade. Entretanto, a bola não entrou. O Coritiba foi um time valente, aguerrido, que soubera se aproveitar bem da vantagem construída na sua casa. Mesmo com um time superior, estávamos fora da final. A desolação foi total.

Em 1996, fato semelhante também ficou marcado na história alvinegra e pessoalmente, na minha história de atleticano, assim como a semifinal de 1985. Contra a Portuguesa de Desportos, precisando apenas de um gol de diferença para fazer a final com o Grêmio, o Galo empataria em 2 a 2 como a Lusa e ficaria, mais uma vez, de fora da final. Prova de que, no Mineirão, o Sobrenatural de Almeida sabe bem como trabalhar.

Nelson Rodrigues, sim, mais uma vez ele, dizia que o comportamento do torcedor em relação ao futebol é um tanto freudiano. Sim, somos passionais, irracionais, obtusos e condicionados a esperar sempre o melhor, sempre a vitória; mas às vezes, a derrota prevalece e o outro lado passa a ser o centro das atenções ou até mesmo o campeão, como foi o Coxa naquele domingo de 1985.

Ainda na relação freudiana, Nelson Rodrigues dizia que a derrota era um afogamento coletivo. Naufragam, ali, os jogadores, os torcedores, o chefe da delegação, a delegação, o técnico, o massagista, e todos precisam buscar forças para se reerguerem juntos.

A reação atleticana para a tal relação freudiana de Nelson Rodrigues foi muito bem ilustrada pelo escritor mineiro e ilustre atleticano, Roberto Drummond: “Se houver uma camisa branca e preta pendurada num varal, o atleticano torce contra o vento”.

A magia do futebol nos mostra que, apesar de momentos como 1985 e 1996, a paixão do torcedor é restaurada pelo simples orgulho de ter o coração atleticano, enraizado em tradições familiares e em momentos mágicos e únicos vividos nas arquibancadas do Brasil.

Atlético 9×2 Palestra Itália: Espetáculo embalado pelo sonho de um menino

ter, 21/07/09
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Alguns momentos são únicos na vida dos atleticanos. Logo após o jogo do Cruzeiro, eu vivi um desses momentos. Moro em Brasília e sempre, depois dos jogos do Galo, saio para dar uma respirada. Naquele domingo, fui comer um cachorro-quente em uma das quadras da Asa Sul.

Quando ia embora, me deparei com um guardador de carros, que, suponho, tinha mais de 90 anos. Ao ver o manto, começou a gritar: Galoooo, Galoooo! Para minha surpresa, o flanelinha veio ao meu encontro para discutir a surra que havíamos aplicado no Cruzeiro. “Você viu hoje? É bom para abaixar a arrogância do nosso rival! Minas é nossa; não deles”, disse ele.

O guardador começou então a me contar as histórias que ele viveu nos estádios quando morou em BH. Disse sobre alegrias, decepções e sua paixão pelo Galo que havia herdado do pai, que sempre o levava para ver o esquadrão alvinegro em ação. Uma história me chamou a atenção.

O pai do nosso personagem, no ano de 1927, decidira levar seu filho, que, na ocasião, deveria ter por volta de sete anos, para ver seu time do coração jogar. Aquele era o momento de fazer o filho compartilhar de sua paixão e seguir seus passos. Pai e filho saíram de casa rumo ao estádio do América, na Alameda, para ver o Galo jogar com um time de italianos, o Palestra Itália.

O jogo era válido pela penúltima rodada do Estadual daquele ano e o Galo garantiria o bicampeonato caso ganhasse do rival. Uma vitória do Palestra levaria a decisão para o último jogo.

Nosso personagem, que passo agora a chamar de Zé, lembra-se do pai, a caminho do estádio, contar sobre a genialidade de três jogadores do Atlético. “Meu filho, hoje você verá jogar o ‘Trio Maldito’ – Said, Jairo e Mário de Castro. Quero ver se, ao sair do estádio, você não será o maior de todos os atleticanos. Meu filho, isso que te proporciono é um privilégio de poucos”, disse o pai. Zé questionou: “O que é um privilégio de poucos, pai?”. “Ser atleticano, meu filho”, explicou o pai.

E assim foram para o jogo. Zé se lembra do estádio lotado, da festa, de ver o Atlético entrando em campo, com o “Trio Maldito” sendo exaltado pela torcida. Mas para ele, a maior lembrança foram os oito gols feitos pelo trio que seu pai tanto exaltava antes do jogo. Com três gols de Said, três de Jairo, dois de Mário de Castro e um de Getulinho, o Atlético sagrava-se o campeão mineiro de 1927.

Fora os gols, Zé se lembra do pai, que, após o jogo, o pegou no colo com os olhos cheios de lágrimas e lhe disse: – Não disse que era um privilégio, meu filho?

Depois daquele dia, Zé nunca mais esqueceu sua paixão pelo Alvinegro mineiro.

De volta ao ano de 2009, me senti privilegiado por poder ouvir, daquele senhor, um morador de rua, tal história. Com os olhos mareados e com a certeza de que passaria a mesma paixão para meu filho (quando tiver um), com a mesma intensidade que o pai do Zé passou para ele naquele dia de 1927.

Várias coisas passaram na minha cabeça naquele momento. A primeira delas, a frase de Roberto Drummond, que nos momentos difíceis que embala a torcida em um ideal que atravessa gerações até mesmo anteriores a do Zé.

Perguntei a ele há quanto tempo e por que estava na rua. Nem ele mesmo soube falar. Senti-me impotente, mas orgulhoso de ver que o atleticano sobrevive nas dificuldades, mesmo que extremas e alheias a um simples jogo de futebol.

Não sei se a história do Zé é ou não verdade. Se não for, não me importo. O ser humano precisa de seus sonhos para viver e, de certa forma, o do Zé talvez o aproxime de sua única paixão eterna, como ele mesmo fez questão de salientar.

Dei ao Zé um dinheiro e fui embora com um enorme sentimento de responsabilidade, de quem carrega nas costas uma história de 100 anos de tradição, uma história de lutas, superação, sucessos e fracassos de pessoas que, como o Zé e seu pai, ajudaram a construir a instituição que o Atlético Mineiro é hoje.

Pitaco do Baú

Mais do que nunca, o sonho está vivo! O Galo caminha para nos dar uma campanha que há muito tempo não víamos. O foco, agora, deve ser a busca pelo título. Para isso, torna-se cada vez mais importante a participação da torcida, a união e a raça dos jogadores e a continuidade do ótimo trabalho que nosso presidente, Alexandre Kalil, vem fazendo. E tinha gente que dizia que não havia dinheiro e viabilidade administrativa no Galo. Pobre Pinóquio, sua deficiência era pessoal, influenciada por péssimas amizades.

O Celso está bem (ainda mais entendendo que o lugar do Júnior é no meio campo), o time está muito bem e a torcida comparece. Unidos, somos fortes e, com certeza, chegaremos lá.

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Off-topic do Blogueiro: E por falar em Palestra Itália…

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1999: Atlético x Cruzeiro – Quem é mesmo o dono do Terreiro?

ter, 30/06/09
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Poucas vezes fui ao Mineirão preocupado com o que ia ver o Galo fazer contra o Cruzeiro – sempre fui pé quente nos jogos contra o lado de lá. Entretanto, naquela quarta-de-final do Brasileiro de 1999, fui bastante preocupado para o primeiro jogo. O Cruzeiro, que supostamente tinha um time melhor, já cantava vitória e se preocupava mais em saber quem iria enfrentar na semifinal. Mal sabia eu que naquelas duas tardes de domingo presenciaria dois dos momentos mais especiais da história do Galo.

Se eles, supostamente, tinham um time superior, nós tínhamos a raça alvinegra, a tradição e o manto sagrado que, nas horas decisivas, sempre fez o adversário tremer. Sempre. Além disso, o Galo contava com uma dupla infernal: Marques e Guilherme, que naqueles dois jogos, fizeram por merecer a imortalidade na história alvinegra.

14 de novembro de 1999: Galo 4×2 Cruzeiro – Começava a caminhada

Foi um jogo tenso, corrido e de muita raça dos jogadores do Galo. Quem abriu o placar foi Guilherme, aos 12 minutos, depois de um belíssimo cruzamento do capitão Gallo. O Cruzeiro empatou aos 21. Aos 33, pênalti para o Galo. Guilherme bate. 2×1. No começo do segundo tempo, Miller empata para o Cruzeiro. A torcida de lá começa a acreditar que tudo daria certo. Na nossa, a apreensão com a qualidade do adversário terminaria após o show de Marques. Duas vezes. O primeiro, caindo pela direita, com um belíssimo chute cruzado, aos 16 minutos da etapa final. Mais 10 minutos, foi o que Marques precisou para calar o lado oposto do Mineirão.

O Galo, em que poucos acreditavam, saiu na frente rumo a semifinal do Brasileiro de 1999. Mesmo com a incontestável vitória, o lado de lá fez questão de manter a arrogância e declarar que a vitória no segundo jogo era mais do que certa. O que foi visto no Mineirão naquele dia 14, para o Cruzeiro, se tratava de um “acidente de percurso”.

Para quem não se lembra, o mata-mata do Brasileiro de 1999 era disputado em três partidas. O Cruzeiro tinha a vantagem. Mesmo com o triunfo alvinegro, uma vitória simples do Cruzeiro levaria o confronto para o terceiro jogo. Fato que não se consumou.

21 de novembro de 1999: Galo 3×2 Cruzeiro – A vitória contra a arrogância

Quem abriu o placar naquela tarde de domingo foi o Cruzeiro, aos 34 do primeiro tempo. O que lhes deu, mais uma vez, a certeza da vitória. Certeza esta que seria apagada em apenas três minutos. Guilherme, com um drible seco e um chute forte da entrada da área, fez a massa comemorar pela primeira vez naquele domingo.

Lembro-me que durante o intervalo tive a sensação de que aquela vaga era nossa. Olhei para um amigo e disse: “Tá no papo, não vai haver terceiro jogo”. Ele me olhou meio desconfiado, mas fez questão de acreditar no que eu dizia. Aquilo me fez ter certeza que veria um show do Galo no segundo tempo. Quando o time entrou para a etapa final e se reuniu no meio do campo, minha certeza aumentou.

No início do 2º tempo, Miller coloca o Cruzeiro na frente de novo. Aos 29, Marques bate a falta e Adriano completa com um chute rasteiro. 2 a 2. Precisávamos de mais um. O gol veio aos 34, no melhor estilo da raça atleticana. Após cobrança de falta, Guilherme, de peito, sela a classificação do Galo. Nosso fantástico matador sai batendo no peito, rente a torcida do Cruzeiro, sem provocar, apenas desfilando o manto em território inimigo, mostrando, para todo o Brasil, quem é o dono do futebol em Minas Gerais.

Do outro lado, rostos incrédulos. O manto, de fato, havia feito a diferença. Guilherme, Marques e companhia garantiram uma vitória que, segundo Robert, havia sido construída com sangue e tradição. No desabafo na TV, Guilherme vocifera: “essa vitória é para muita gente calar a boca!”. De fato, muita gente calou a boca naquela tarde. Na segunda-feira, Belo Horizonte acordou da forma que mais lhe agrada ser, toda preto e branco, com milhares de apaixonados sustentando, com orgulho, seu manto, estampando, no rosto, o orgulho de serem atleticanos.

No dia 14/11, a escalação do Galo era composta por Velloso, Bruno (Vlamir), Galvan, Caçapa e Ronildo; Valdir Benedito, Gallo, Belleti (Adriano) e Robert; Guilherme e Marques (Edgar). O técnico era Humberto Ramos.

Em 21/11, o Galo foi a campo com Velloso, Bruno, Gelson Baresi, Caçapa e Ronildo (Marcão); Valdir Benedito, Gallo, Belleti (Adriano) e Robert (Lincon); Guilherme e Marques; comandados também nessa partida por Humberto Ramos.

A escalação do Cruzeiro… Não importa!

Pitaco do Baú:

Não conseguiria ficar sem dar meu pitaco. O Galo está matando a pau! Precisamos, sim, manter a humildade. Precisamos ter certeza que, para sermos campeões, vamos enfrentar um caminho árduo. Mesmo assim, não deixemos que torcidas de outros times, ou até mesmo a imprensa, nos façam acreditar que não temos elenco. Temos, sim! Pode não ser dos melhores, mas temos. Nosso papel é fazer o diferencial nas arquibancadas e mostrar para o Brasil a força do manto, assim como mostrou o time de 1999.

Saudações Alvinegras a todos!!!



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