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A soma de todos os medos

Dom, 05/10/08
por christian munaier |

Salve, salve Massa!

Jogadores baladeiros, veterano inconseqüente, líder jogando em casa e juiz tendencioso. O que mais poderia ter dado errado para o Galo, no jogo contra o Palmeiras em São Paulo pela 28ª rodada do Brasileirão?


Num verdadeiro roteiro de pastelão chinês, o sábado começou com a notícia de que três jogadores do Galo, dentre eles um titular, estavam desligados da delegação por problema disciplinar. Não passaram a noite em seus quartos, só retornando ao hotel no iniciozinho da manhã. Mais conseqüências da funesta administração do futebol Atleticano. Processo de seleção, avaliação do currículo, contato com ex-empregadores e um psicólogo acompanhando os atletas, coisa profissa que acontece em equipes profissas, neste Galo do centenário são ações inexistentes. O “professor” indica e o “professor” faz o papel do psicólogo. Gostaria de ouvir a conversa do professor com os “atletas”.

- E esses olhos vermelhos?
- Pinga!
- Onde é que vocês estavam?
- Eu tava bebeno nu inferno, e foi o cão quem butô pra nóis bebê.
- Vocês saíram como?
- Não sei… Foi uma espaçonave que me pegou…

Abaixo você verá a entrevista completa dos três meliantes.

Episódio superado e convocação de Sheslon para a lateral direita. Vamos para o jogo. Juninho; Sheslon, Marcos, Leandro Almeida e César Prates; Serginho, Márcio Araújo, Elton; Renan Oliveira; Marques e Jael. Por mais que não concordemos com a manutenção do Marcelo Oliveira no comando do Galo, algumas coisas precisamos concordar com ele. O 4-3-1-2 no elenco do Galo é o esquema que melhor se encaixa. Se o Pet estivesse no seu melhor condicionamento, ele poderia fazer o papel do “1”. Mas não está (se estivesse, seria um crime mantê-lo no banco).

Juninho mostrou, nos primeiros minutos de jogo, o porquê da confiança da Massa em seu futebol. Aos dez minutos do primeiro tempo, em outros tempos, já estaríamos perdendo o jogo. Um Palmeiras muito bem postado em campo ocupava todos os setores e jogava aberto. A pressão natural do time da casa nos primeiros minutos de jogo deu um frio na espinha. Mas dessa vez até o Leandro Almeida jogou concentrado e salvou o Atlético de levar o primeiro gol.

Defesa aberta e inexperiência de zagueiro não é uma exclusividade Atleticana. Assim, o zagueiro Maurício (que não devia estar nascido quando Marques começou a jogar) tentou driblar o nosso ídolo veterano para o lado errado e entregou de bandeja a bola ao Marques, que rolou para Renan Oliveira. Renan, que gosta e sabe fazer gol, chutou firme e rasteiro no canto direito do grande Marcos, que nada pôde fazer. Galo 1, Palmeiras 0.

Ah, se o Galo jogasse sempre assim… Mas não joga, e a bonança sempre dura o tempo suficiente para suspirar. Mal o suspiro havia terminado, o mesmo ídolo veterano fez uma lambança típica dos jogadores amaldiçoados pela Massa. Foi expulso ao colocar a mão na bola, desnecessariamente, imprudentemente, Mazzaropimente. Com 10, contra o Palmeiras em São Paulo, ainda no primeiro tempo? Fucking shit! Empate aos 43 minutos e quase a virada aos 49.

Segundo tempo e um novo jogo. O que não estava cheirando nada bem, fedeu de vez. Sem condições de jogar de igual pra igual com o verdão, o Galo só se preocupou em não levar. Recuado, tentava o contragolpe sempre através dos chutões à frente. Mas nem o recuo, e tampouco as minhas rezas deram jeito e levamos a virada aos 16 do segundo tempo, gol de Alex Mineiro (que já foi ídolo no Galo). Mesmo com a entrada de Raphael Aguiar, Denílson e Castillo não mudaram a situação Atleticana. Depois de levar o terceiro, numa falha grotesca do Juninho aos 33, o Galo só se preocupou em não levar de muito. Final, Palmeiras 3, Galo 1 e manutenção dos 34 pontos que nos coloca na 12ª posição.


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Mantivemos o mesmo pífio desempenho neste campeonato, com o mesmo desempenho em jogos fora de casa. Gastamos a pouca gordura que tínhamos e agora estamos na capa da costela. Os times de baixo já encostaram, os de cima se distanciaram e a nossa equipe… A cada semana, uma novidade.

Vamos ver agora o que nos reserva esta semana, tanto no aspecto técnico (o que farão com os baladeiros?) quanto no aspecto político. A seguir, as entrevistas do “trio balada dura”.

Raça e espora afiada. Sempre!

Pérolas de um Presidenciável

Sáb, 04/10/08
por christian munaier |

Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” aos sábados.  

Caro internauta, na coluna de hoje o convido a fazer comigo uma reflexão, tendo como base algumas declarações dadas pelo candidato à presidência do nosso Galo, o Alexandre Kalil, em entrevista ao site do Estado de Minas. E neste contexto, a mais emblemática foi, na minha visão, a mais óbvia: “Por uma questão de filosofia, todo saneamento do Atlético passa por time de futebol. Nada vai ser feito no Atlético, se o futebol não brilhar”, disse ele. Viva! Até que enfim! Urra! A tábua de salvação, ou o início de um complexo processo de saneamento financeiro e moral de um clube de FUTEBOL deve privilegiar a principal matéria-prima dele, o FUTEBOL!

Aliás, você aí, internauta, sabe escalar, de cor e salteado, o nosso time? E o nosso camisa 9? (deixa o Rei saber disso!) Alguma empresa hoje vai investir em um clube que não tem time?A Massa vai voltar a quebrar recordes de renda e público para ver pernas-de-pau ou limitados atuarem? A mola propulsora da virada, ou o trampolim, como queiram, para uma nova era, passa por um grupo vitorioso, por títulos, ou pelo menos, por disputas de títulos (estou com saudades dos tempos em que éramos os reis das semifinais, morríamos na praia. Hoje nem tirar o chinelinho para pisar na areia, conseguimos) Mas e a pergunta que não quer calar? Tá bom, seu Estevão, como montar um time sem dinheiro e atolado em dívidas?

Dilemas que nos remetem a uma segunda frase importante do senhor Kalil: “O Atlético precisa reduzir folha de funcionário e aumentar a folha do futebol, dentro de uma realidade que não é possível que só o Atlético não consegue. Estou acreditando nisso. Não podemos ter uma folha de futebol dividida com funcionário, um milhão de funcionários e um milhão de futebol. Temos que ter um milhão e meio de futebol e quinhentos mil de funcionário”, ressaltou o candidato declarado. Bem, entendo que este reordenamento de despesas deva ir ao encontro de uma mudança gerencial que vise, não uma demissão em massa do atual corpo funcional, mas uma racionalização de custos, aliada a uma priorização de metas. Talvez este seja um dos - obviamente não o único - caminhos para começar a equacionar a situação.

Mas vamos para outra frase de Kalil: “Temos de botar um esquema profissional, com um homem do meio tomando conta full time, como o Ziza fez na época do Ricardo”. Já destaquei neste espaço, e reafirmo: o departamento de futebol do Atlético, há muito, deixou de representar o centro nervoso e estratégico do clube e se transformou no laboratório central de trapalhadas. Não acho que o sr. Ziza seja referência nesta área, como sugeriu Alexandre Kalil, muito pelo contrário. Mas, evidentemente, o profissional que vier a ocupar tal cargo (me recuso a acreditar que Afonso Paulino e Alexandre Faria continuem) deve se dedicar em tempo integral às funções e, principalmente, demonstrar competência e conhecimento do mercado. Saber negociar com jogadores ou representantes deles, se blindar das investidas de empresários e comprovar boas aquisições, não ficar comemorando inúmeras “rescisões amigáveis”, símbolo-mor do fracasso.

Para fechar, a frase mais polêmica da entrevista concedida pelo senhor Kalil, já que mexe com o imaginário de muitos atleticanos: “O Atlético teve o Luxemburgo batendo na porta se a torcida não sabe, e o presidente do Atlético não quis. Eu quero o Luxemburgo. Não tenho essa vaidade. Eu quero ele mandando na grama, em todo mundo”. Calma, candidato! Assim como o senhor, admiro os resultados da carreira do Luxemburgo e até confesso: quero vê-lo no comando do time, mas não do Galo. Que história é esta dele mandar até na grama? No senhor também, caso seja eleito? Então, passe o bastão para ele, de uma vez. Na minha visão, esta frase do Alexandre Kalil revela um complexo de inferioridade e até um certo comodismo dos últimos presidentes alvinegros. Se na última coluna pedi um presidente-gestor, dispenso um treinador-presidente. Quero um TREINADOR-TREINADOR! Porque não? Já não inventaram o tal do zagueiro-zagueiro?

Obs: aguardo o lançamento dos nomes de outros candidatos, se por acaso acontecer, para analisar também as ideías e/ou “pérolas” deles.

Libertas Quae Sera Tamem

Sex, 03/10/08
por christian munaier |

Salve, salve Massa!

A distância é quase a mesma, e se eu tivesse que escolher um caminho, escolheria o caminho que me levaria para cima. Claro que a escolha para baixo é a mais fácil, pois para baixo todo santo ajuda. Subir demanda esforço maior, e no nosso caso, chega quase ao esforço hercúleo de escalar um Everest.

É claro que me refiro à distância entre a zona da vergonha e ao G4. Estamos mais ou menos no meio do caminho. 12 pontos até a Libertas, 7 pontos até a degola. Libertas me agrada mais… Mas transpor os obstáculos que se apresentam para conquistar a honrosa vaga na competição latino-americana poderiam fazer sir Edmund Hillary, o homem que colocou a bandeira neozelandesa pela primeira vez no cume do Himalaia, desacreditar no sucesso da missão. Ou talvez não. Em uma época em que as condições eram muito precárias e os recursos nada disponíveis, esse homem superou todas as barreiras e conseguiu aquilo que muitos consideravam impossível.

“Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”.

Nunca escondi meu nível de (des)confiança neste grupo e em seus comandantes. Quando boa parte da imprensa ainda insistia no discurso otimista com relação às pretensões da administração passada e o elenco formado, fui um dos que mais criticou tudo como estava (não) planejado. Formamos no Terreirão uma consciência crítica quanto a tudo e todos que tentavam nos vender gato por Galo.

Assim, acredito que a Libertadores tornou-se um sonho distante para nós. Os matemáticos dizem que nossas chances não chegam ao 1%. A seqüência de jogos que teremos pela frente é de arrepiar, e os resultados alcançados darão a dimensão da altura que chegaremos. Palmeiras, Flamengo, Serelepes et caterva. Haja vontade de superação!

Amanhã teremos um jogo crucial. Palmeiras e Atlético. Um dos melhores goleiros do mundo defenderá a meta alviverde e um dos mais tarimbados técnicos comandará a equipe adversária. Argumentos que, por si só, já nos deixariam ressabiados quanto ao resultado a se esperar. E se lembrarmos que essa equipe surrou nossos adversários locais, que este ano já nos aplicou corretivo rancoroso e vingativo, aí que o caldo entorna de vez. O Palmeiras é candidato sério ao título e deverá vir com a corda toda. Nós iremos de Juninho e Marcelo Oliveira, e nossa posição é modesta no momento.

Mas quero deixar aqui registrado, horas antes do embate, que acreditar não custa nada. Prefiro sonhar com as posições de cima do que temer as posições de baixo. O fato de só termos vencido uma partida fora de casa neste Brasileirão só traz mais expectativas quanto à segunda. Uma vitória nos encherá o peito de orgulho. E ela só virá se a “barrinha de energia” da raça Atleticana estiver completa. Essa história de “responsabilidade da vitória é toda deles” é papinho de quem não entende que todo Atleticano espera sempre a vitória. Pode não vir, mas a queremos! Vencer é o nosso ideal.

A distância é praticamente a mesma, pra cima ou pra baixo. Mesmo que a Libertas só venha na última rodada, para matar muito Atleticano do coração, vou desejá-la. Afinal, o Atlético é Mineiro!

Raça e espora afiada. Sempre!

Futebol é coisa de Mulher

Sex, 03/10/08
por christian munaier |

Vanessa Lima é Relações Públicas, colunista do “Terreiro do Galo” e escreve às sextas-feiras 

Doutor, eu não me engano: o Dudu é Atleticano!

Dias como estes foram feitos para guardar. Esta semana, apesar de tumultuada, foi extremamente feliz e prazerosa. Tive a imensa alegria de ver meu sétimo sobrinho nascer. Eduardo Lima veio ao mundo no dia 27 de setembro, às 18 horas, minutos antes do jogo no Mineirão, não permitindo que sua “tia Vanessas” (é assim que sou chamada por meus outros seis amados sobrinhos) presenciasse tamanha incompetência de Atlético e Figueirense.

Claro que a tia coruja não queria perder nenhum momento de sua chegada e, sentindo-se forte, entrou na sala de parto segurando a câmera para filmar o momento exato de sua chegada. Mas, infelizmente, não conseguiu segurar a emoção. Confesso que amarelei e amarelei mesmo… Minhas vistas escureceram, minhas pernas ficaram bambas e senti apenas os enfermeiros segurando os meus braços e me levando para fora da sala. Coisas da vida… Minutos depois, consegui me recuperar, voltei e lá estava ele, lindo, cabeludo… Um neném perfeito. O meu sétimo sobrinho. Viva o Dudu!

É certo que o Dudu não teve lá tantas alegrias nesse dia como deveria. De longe, olhando para ele do espelho do berçário, mostrei o primeiro presente que ele ganhou de sua titia coruja: um boné do Glorioso. Ele ainda estava meio confuso, não sabia se chorava, se revirava no berço ou se tentava dormir.

Ao chegar mais perto, tentei explicar a ele que o Galo não está em uma situação boa, mas que temos esperança que venham dias melhores. E ele chorou! Parece que não acreditou nessa história, me olhou com uma cara de “nem presidente nós temos, como quer que eu acredite nessa futura boa fase?” Tentei acalmá-lo dizendo que isso é passageiro. Ele chorou! Será que o Dudu queria me dizer alguma coisa? Hum, deixa pra lá…

O Dudu é um pouco apressado, veio ao mundo quase dois meses antes do previsto e, por isso, precisou de maiores cuidados. Lutou, desde o segundo mês na barriga da minha querida irmã, Carla Lima e, agora, luta para deixar o hospital e ser feliz do jeito que ele merece. Com seis dias de vida, o Dudu já é um vencedor. É um guerreiro, lutou pela vida e, agora, luta por dias melhores.

O meu único desejo, nesse momento, é pegá-lo nos braços e dizer o quanto torcemos por ele, o quanto esperamos por ele e o quanto eu o amo. Sem dúvida, o meu maior presente deste ano.

O Dudu é Atleticano e já faz parte da nossa imensa família Alvinegra!

Enquanto isso, no Galo…

Atacante Castillo, contratado em Março/2008, busca seu PRIMEIRO gol com a camisa Alvinegra. Meu Deus! Não preciso dizer mais nada! Às vezes, uma frase sintetiza toda a história. Beto, por sua vez, está recuperado da cirurgia e já iniciou trabalho de preparação física. Espero que renda alguma coisa, pois confesso ter saudades do Danilinho. Quem sabe, com seu retorno, o Beto consiga assumir de vez a posição.

Kalil é o primeiro a anunciar sua candidatura à presidência do time. Bem, com um discurso até muito bem montado e com a falta de pessoas competentes para assumir o clube, que monte uma chapa ao menos qualificada e comece a trabalhar. Queremos um time pelo menos digno de vestir a camisa alvinegra no próximo ano. Não queremos promessas, queremos ação. Precisamos de um técnico com pulso firme e que saiba cobrar resultados positivos e, principalmente, que não se conforme com a mediocridade existente. Como bem disse o Sr. Kalil, não somos diferentes de outros times com dívidas semelhantes ou até maiores e, por isso, conseguiremos caminhar com as próprias pernas. Mas temos que trabalhar para isso. É hora de arregaçar as mangas e lutar por dias melhores, assim como o Dudu. E que não demorem a assumir o comando! Precisamos de um líder que saiba liderar.

Vem aí mais uma seqüência de morte… Espero que consigamos sair vivos dessa, e de forma digna, não com mais vexames. Já estamos cansados disso. Que Deus nos ajude. E não poderia deixar de agradecer pelo carinho nos comentários do texto de semana passada que contou um pouco a história da nossa querida Dona Irene. Obrigada, pessoal. Um forte abraço a todos. :)

Previsões e conclusões

Ter, 30/09/08
por christian munaier |
categoria Brasileirão 08

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Salve, salve Massa!

Quem ainda não foi simular os resultados das rodadas que faltam para terminar o Brasileirão 2008, não imagina o que está perdendo. Clicando aqui, você poderá aprimorar sua capacidade mutante de prever o futuro. O resultado do meu exercício prático de futurologia você encontra logo abaixo.

Não foi difícil chegar à posição final do Galo, no final desse Brasileirão maldito! Mantendo-se nossas médias, teremos perto de 41% de aproveitamento, com 14 empates (a equipe que mais empatará nesta competição). Terminaremos com 47 pontos, o suficiente para manter a desonrosa 12ª colocação e uma vaga para a Sul-Americana, competição que adoramos entrar, mas que temos o estranho hábito de sair precocemente, como em 2008 (logo na primeira fase).

A parte cômica da minha previsão se refere ao nosso adversário do próximo sábado. No ano passado, o Palmeiras necessitava de uma vitória sobre o nosso Galo para garantir a vaga na Libertadores. Em casa, não suportou a pressão do Galo do Leão e perdeu por 3X1. Este ano não contamos com o Leão, e nem com a equipe que terminou o certame de 2007. Talvez por isso os nossos amigos paulistas estejam confiando ainda mais na vitória no Palestra Itália, necessária para continuarem na ponta da tabela e brigando pelo título. Contudo, na última rodada do Brasileirão, na 38ª, jogaremos contra o Grêmio no Olímpico. Pelos meus cálculos, uma vitória do Atlético dará o título aos palmeirenses. Mas desculpem-nos, alviverdes… ”Este ano não contamos com o Leão, e nem com a equipe que terminou o certame de 2007″…

classificação final

    P J V E D GP GC SG (%)
1 Grêmio 75 38 22 9 7 65 29 36 66
2 Palmeiras 72 38 22 6 10 67 46 21 63
3 São Paulo 69 38 19 12 7 66 37 29 61
4 Botafogo 66 38 19 9 10 61 41 20 58
5 Coritiba 64 38 18 10 10 58 38 20 56
6 Flamengo 64 38 18 10 10 63 48 15 56
7 Cruzeiro 63 38 19 6 13 56 42 14 55
8 Internacional 62 38 18 8 12 50 40 10 54
9 Vitória 58 38 17 7 14 48 41 7 51
10 Goiás 58 38 16 10 12 58 48 10 51
11 Sport 57 38 16 9 13 47 40 7 50
12 Atlético-MG 47 38 11 14 13 51 62 -11 41
13 Figueirense 42 38 11 9 18 46 73 -27 37
14 Vasco 38 11 6 21 52 72 -20 -20
15 Náutico 38 10 9 19 42 59 -17 -17
16 Santos 38 10 9 19 42 62 -20 -20
17 Fluminense 38 38 9 11 18 44 55 -11 33
18 Portuguesa 35 38 9 8 21 43 71 -28 31
19 Atlético-PR 35 38 8 11 19 37 54 -17 31
20 Ipatinga 28 38 7 7 24 34 72 -38 25

Observação: Não tenho nada contra os times que “rebaixei”, e tampouco a favor dos times que “classifiquei” para a Libertas. Mas confesso que um resultado ou outro fiz questão de “manipular”.

Raça e espora afiada. Sempre!

Boladas: Carta ao Presidente

Ter, 30/09/08
por christian munaier |
categoria Boladas

Luiz Fernando Ávila é jornalista. E Atleticano. Escreve às terças-feiras.  

Caro amigo que-não-sei-quem-é,

Sei que o senhor está pra assumir a Presidência do Galo. Não tem nome ainda. Não sei quem são os seus filhos, sua cor, sua altura. Não conheço sua mulher, mesmo porque não sei sequer se você tem esposa. Se mora em apartamento ou em casa. No centro ou num condomínio afastado. Quero lhe dizer que seja bem-vindo. Que os dias já passados lhe sirvam para o que vem à frente, no futuro. Que os aprendizados sejam sementes. E que os frutos nos sejam agradáveis e doces. Espero ainda que sua saúde esteja em boas condições, que você tenha um carro do ano, importado, de preferência. Quero que tenha casa própria, os dentes em perfeito estado, o guarda-roupa desinfetado, os sapatos engraxados e com brilho. Postos os meus desejos e minhas expectativas, vamos ao que interessa.

Outro dia fui à festa de um amigo, em Ipanema. O cara fazia 40 e poucos anos. Preparou a sala do apartamento. Tirou os móveis. Chamou um DJ. O som era da pesada. Rolling Stones, Gênesis, Pink Floyd, Beatles. Tinha até Alice Cooper com sua voz maldita e esganiçada. Num canto da sala, fiquei imaginando como foram os anos 60 no Rio, os anos 70, os 80. Os amigos presentes eram quase todos grisalhos, usavam calças jeans, camiseta sem marca. Uns dançavam na pista improvisada, outros abraçavam as mulheres, outros batiam um papo com o DJ. Quase todos riam muito, como é de praxe nas festas. Fui pra um canto e passei a imaginar esses caras todos passeando pela praia de Copacabana na época da bossa nova, no período em que o Galeão era a principal porta de saída do país. Eu não os conhecia. Nem sabia que existiam. Fiquei imaginando alguns deles na Rua do Ouvidor discutindo política e ditadura, carnaval e futebol. Flamengo de Adílio, Fluminense de Assis e Washington, Vasco, Botafogo. O mundo e o Brasil fervilhavam. Nessa época, eu estava em Minas, torcia, desenvolvia paixão louca pelo Galo e nem pensava em ter um bebê.

A chegada do novo século, abraçado aos anos 90, nos tem sido dolorosa. Desde a final de 99 não existimos mais. Os cariocas, no século passado, cruzavam o túnel Rebouças, andavam da Lagoa Rodrigo de Freitas até a Tijuca, e desembocavam na Candelária sem medo. E eles tinham o poderoso Flamengo, de Zico. Em BH, eu ouvia Milton Nascimento, Lô Borges e Caetano Veloso em lojas de discos de vinil. Cultuava Mazurka, Reinaldo e Éder Aleixo. Pegava o ônibus no Prado e ia até a cidade comprar tênis Bamba na Rua dos Caetés. Antes, passava na Mesbla pra ver as novidades eletrônicas. Certa vez, vi um sujeito ameaçando se jogar do alto do Acaiaca, prédio que na década de 60, serviu de abrigo para muitos que odiavam João Goulart e que ali mesmo, numa sala enorme de reuniões, chegaram a tramar a morte do presidente, a ser consumada com um tiro certeiro durante um comício na Praça da Estação. Naquela tarde do suicida, o porteiro, que já vira de tudo, estava sentado em um banquinho à porta, alheio ao mundo, pensando na sua vida desgraçada. Mas, em volta, uma multidão se formava.

O suicida olhava a turba lá embaixo e fazia malabarismos com seu corpo frágil. Também parei e estiquei o pescoço pra ver cena tão desesperada. Os bombeiros chegaram, conversaram, montaram a famosa escada Magirus que, no entanto, era curta, não tinha altura suficiente pra buscar o sujeito. Ele estacionou no parapeito e ali ficou, de pé, por alguns minutos. Braços abertos, estático, qual Jesus Cristo. A multidão, em silêncio, começava a se impacientar. “Pula logo”, ouvi, ao meu lado, um garoto gritar. “Não enseba”. O menino traduzia nossos mais primitivos desejos. Queríamos que o sujeito pulasse, que desse fim àquele teatro, que nos proporcionasse sensações não vividas. Pois assim somos nós, cruéis e secos na divindade profana. De repente, o homem sentou-se no parapeito. A multidão fez um sonoro “uh”. E, do nada, como se comandada por um maestro divino, soltou o grito de guerra que era ouvido com temor pelos mais aguerridos adversários: “Galo”. A multidão gritou Galo por vários minutos. Gritou tanto que o suicida desistiu. Que o porteiro se alegrou e dançou. Que os bombeiros deixaram o palco antes de a festa terminar. Àquela época, nem mesmo um suicida e sua história dramática eram páreo para o meu Galo. Nós vencíamos a todos. Mesmo que perdêssemos. Nunca soube o nome nem o destino do suicida. Mas ele ficou na minha memória. Apenas um vulto, mas forte o suficiente pra fazer-se colado à minha vida.

Portanto, senhor que-não-sei-quem-é, assim que você assumir a Presidência do meu Galo, não se esqueça que estará assumindo a presidência de uma nação. Que move mundos e desaloja suicidas. Que pulsa. Não espero Zico nem Reinaldo, porque mágicos e estrelas são únicos. Mas não me traga Mexerica. Nem nos iluda com ex-jogadores ou promessas de alegria. Não me venha com Procópio ou Vantuir. Assista aos jogos do Brasileirão e saiba do que estamos falando. Pegue o replay de Galo e Figueira e reflita se aquilo é um time de futebol digno do nome e da nação. Não me diga que há dívidas, que a situação é insustentável, que os salários vão atrasar. Pra dizer isso, é melhor nem vir pro nosso canto. Se não houver dinheiro, não pinte as paredes do CT. Não faça festas comemorativas, não gaste o que não tem com diretores disso e daquilo. Não forme grupos, nem dê ouvido a conselheiros. Nem deixe crescer o bigode. De preferência, não tenha banco nem ligações perigosas. Não venha à TV ou ao jornal falar de mazelas. Senhor que-não-sei-quem-é, o senhor terá à sua frente e em suas mãos um coração que bate forte. Não apenas um, mas milhões. E esses corações não querem saber de dívidas, de explicações. Eles só lhe pedem uma coisa: um time de futebol. Esqueça o resto. Ele não tem valor. Não tem brilho. Não importa à nação, o jogo político, a briga, o consenso. Não importa a camisa nova e bonita, de marca Lotto, Umbro, Nike. Não importam as invenções do pessoal do marketing. Não importa o Galo paramentado e horroroso à beira do gramado. O que importa são jogadores. O que importa é a raça. A garra e o grito.

Enquanto passeio pelas ruas do Jardim Botânico, gostaria de cumprimentá-lo por ter à sua disposição um exército de guerreiros famintos… Tenha consciência de que todos serão seus irmãos. Que todos o querem bem. A você a sua família. Queremos honrá-lo com nossa presença nos estádios. Queremos comprar o pay-per-view pra ajudá-lo nas despesas. Estamos dispostos a tudo. Conte conosco até nas horas suicidas. Nos faça pulsar de novo, nos dê razões para isso. Nos dê um time de futebol. Saudações alvinegras.

Eu quero raça… Do Time todo!

Dom, 28/09/08
por christian munaier |

Salve, salve Massa!

Em 1998 ministrei uma série de palestras para o Batalhão de Missões Especiais da PM/MG, falando sobre a importância da atividade física no combate ao estresse. Era comandante do BME o coronel Severo Augusto. Como faz parte do dia-dia desses oficiais o estresse, o objetivo deste trabalho era mostrar a diferença entre o “estresse produtivo” e o “estresse improdutivo”. Como o próprio cel. Severo disse na época, “para retomar um presídio ou desbaratar um seqüestro, o policial precisa ter uma dose certa de estresse, para que fique completamente ligado o tempo todo, e pronto para reagir.” Esse é o estresse produtivo! O estresse improdutivo, aquele que se dá pelo excesso de tensão e que impede reações adequadas, esse deveria ser tratado com atividade física regular.

No jogo de hoje entre o Atlético e o Figueirense pela 27ª rodada do Brasileirão 2008, o Galo entrou brochado geral! Entrou meia bomba, um completo coadjuvante do espetáculo. Com 33 pontos na tabela e distante dos adversários que brigam contra o rebaixamento, os jogadores do Atlético entraram como se o campeonato já tivesse terminando e não houvesse necessidade de colocar os três pontos na sacola para sair definitivamente do grupo candidato à degola. Com tudo em dia e sem sofrer diretamente as conseqüências do agitado bastidor político do Galo, vimos nosso Time empatar com o Figueirense, dono da pior defesa do campeonato e que leva dois gols, em média, por partida.

Nem estresse produtivo, nem improdutivo. Aliás, os números mostram o quanto o Galo “agrediu” o oponente. Seis finalizações contra o gol catarina. E só! Alguns desses lances, no início do jogo, davam a impressão de que a vitória seria nossa e o gol inaugural aconteceria a qualquer momento. Lenílson, Marques e Renan Oliveira, o trio de ataque, alternava as investidas contra o gol adversário e por pouco, de cabeça, o Lenílson e o Renan não marcaram. O entrosamento do Marques com o César Prates era o melhor possível, com boas passagens do nosso veterano pela ala esquerda. Foi do xodó uma das melhores oportunidades de gol, mas desperdiçada displicentemente. A zaga, sempre afoita, municiava o contra-ataque adversário ao tentar ligar a defesa ao ataque. O Mariano não esteve inspirado durante o jogo, e nas suas tentativas de avanço pela ala terminavam em desarme. Como tínhamos três volantes no meio-campo, Rafael Miranda, Serginho e Márcio Araújo, o único setor que realmente avançava com qualidade era o esquerdo. Do lado de lá, pouca produção e muita marcação. Foram poucas as vezes que nosso Juninho precisou ser acionado.

No segundo tempo, Marcelo Oliveira trocou o 4-3-1-2 pelo 4-4-2, tirando um dos volantes (Márcio Araújo) para a entrada de um armador (Petkovic) e recuando o Renan Oliveira para ajudar na marcação. Também deu fôlego novo, ao trocar o pesado Lenílson pelo Castillo, dono de ótimo passe e leitura de jogo, mas avesso a marcar gols. Contudo, nem a presença do santo sérvio serviu para mudar a sorte do jogo. Em noite nada inspirada, Pet era presa fácil da marcação “istepô”. Elton entrou no final do jogo, no lugar do contundido Serginho, e mostrou combatividade e bons passes. Mas nada que mudasse o zero a zero dos resignados. 34 pontos e a manutenção da 12ª colocação na tabela. É muito pouco!


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Alguém precisa dar um chacoalho nesta equipe, colocar algum estresse sobre esses jogadores. A ameaça existe e será que eles não percebem? Não estamos tão distantes das últimas colocações… E todo Atleticano almeja uma posição mais digna no campeonato. Teremos a seqüência de morte mais uma vez pela frente, tendo Palmeiras e Flamengo nas casas dos adversários, e deveríamos desperdiçar dois pontos assim?

Ponto positivo para a Massa Atleticana, que volta a cuidar da sua casa e colocar ordem no Terreirão da Pampulha. Mais de 20.000 presentes no Gigante, em pleno sábado. E deverá ser assim até o final do campeonato. A cada jogo, mais Atleticanos empurrando o Time e cobrando raça. O estresse produtivo precisa ser liberado, o sangue nos olhos deve estar presente. E isso, a Massa Atleticana sabe incentivar como nenhuma outra.

Raça e espora afiada. Sempre!

Quero um presidente-gestor!

Sáb, 27/09/08
por christian munaier |

Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” aos sábados. 

Em meio à balbúrdia que tomou conta do Galo nos últimos tempos e ao perigoso vácuo de poder criado no clube - tem ex-presidente que “assumiu” a diretoria de futebol, pode? -, olho para a emblemática estátua de Juscelino Kubitscheck, no Eixo Monumental, e mentalizo: quero um presidente, com P maiúsculo! E não precisa ser atleticano, não (cruzeirense, nem pensar, claro). Na minha visão, o próximo presidente alvinegro tem que ser profissional, uma espécie de CEO de grande grupo empresarial. Aliás, vamos privatizar o Galo, tratá-lo como empresa que gere resultados e que fomente a paixão da “massa” de acionistas. É necessário acabar com esta mineirice de tratar o clube como uma estatal, recheada de “aspones”, que colocam panos quentes nas crises, e varrem a sujeira para debaixo do tapete. Metas são urgentes e necessárias, para que haja cobranças e esforços por resultados.

Quando defendo um presidente não atleticano, posso até chocar alguns leitores, mas lembro que perdemos o bonde da história quando tivemos um Bebeto de Freitas no nosso staff e uma consultora como a economista Elena Landau, ex-diretora de Desestatização do BNDES. Não eram atleticanos, mas focavam projetos para alavancar o clube e poderiam ter sido importantes elos entre o nosso Galo e o mercado. O problema é que os “verdadeiros” atleticanos têm muito apego pelo poder, ficam agarrados à mentalidade tacanha do “a bicicleta é minha, eu vi primeiro e ninguém tasca!”. Têm pavor pelo novo, criativo e ousado. E encaram como intrusos os verdadeiros profissionais.

Por falar no mercado, peço licença a vocês, para fazer uma analogia - guardadas as proporções - entre a crise do mercado americano e a vivenciada pelo nosso time. Lá nos Estados Unidos o presidente do FED, o Banco Central deles, o Ben Bernanke, afirmou que a atual crise é a pior desde a Segunda Guerra Mundial. Pois bem, ouso dizer que esta é a pior crise já vivida nos 100 anos do nosso Galo. E continuemos com as comparações: lá em Washington, no Congresso, os democratas e até alguns republicanos torceram o nariz para o pacote de emergência do governo Bush, exigindo maior transparência, dados realistas quanto aos impactos futuros do SOS e, principalmente, a punição dos culpados pelos desmandos, desvios e má gestões de empresas e bancos que quebraram.

No Atlético, nenhuma empresa ou grupo sério vai investir ou se tornar parceiro do clube, se este não oferecer e garantir a credibilidade e transparência necessárias, além de investigações sérias sobre os desmandos e desvios que supostamente marcaram as últimas décadas da nossa história. Não se trata de propor parcerias mágicas, com resultados imediatistas, muito menos se associar a empresas “amigas da onça” que despejam dinheiro no clube (quem pediu? porque foi aprovada a operação?) a título de empréstimo, e anos depois vem cobrar com juros, correção monetária, taxa Selic, INPC e o escambau! E todos ficam surpresos com mais uma bomba anunciada pelo Sr. Ziza. Ora, contem outra! É uma questão de sobrevivência. Se o passivo do clube assusta, uma negociação racional é estratégica. E os interlocutores ou credores não vão se sentar à mesa diante de pessoas imaturas e despreparadas. Também não haverá ajuda a elas.

Já defendi aqui, e reafirmo, a profissionalização do Conselho Deliberativo e a mudança no estatuto do clube. Chega de “conselhinhos” para as reuniões do chá das cinco; chega de presidentes do Conselho, cujos nomes só se tornam notórios quando são “empurrados” para a presidência interina do clube. É preciso renovação e punição para presidentes, diretores e conselheiros que não cumprirem metas ou que forem coniventes ou omissos com o não cumprimento das mesmas. Afinal, anos de mandato não podem servir de escudo para incompetentes e chupadores de sangue.

Não quero um presidente com camisa, flâmula, que saiba de cor o nosso hino ou que fique provocando o presidente do rival, insisto. A paixão, na maior parte das vezes, cega. Não quero um presidente-torcedor. Quero um presidente-gestor. É pedir demais?????

Futebol é coisa de Mulher

Sex, 26/09/08
por christian munaier |

Vanessa Lima é Relações Públicas, colunista do “Terreiro do Galo” e escreve às sextas-feiras 

Amor por toda vida.

Salve, salve amigos,

Bem, em meio a tanta confusão, a crises políticas e financeiras, e diante do fato que parece existir uma conspiração contra nós, apresento a vocês um exemplo de otimismo e esperança por dias melhores, Dona Irene Penna, uma simpática e fanática Atleticana, a quem tive o prazer de conhecer.

Nascida em 1923, no interior de Minas Gerais, Dona Irene só conheceu o Galo ao vir morar em BH em 1938. Ao chegar, foi amor à primeira vista. Ela se encantou pelo time, sobretudo pela imensa e fiel torcida, e foi aí que assumiu que amaria o Galo por toda a vida.

Sua lista de recordações é extensa. Grande jogos, conquistas, ídolos e jogadores inesquecíveis (Zé do Monte, Kafunga, Oldair, Luizinho, Murilo, João Leite, entre outros). Guarda com todo carinho e cuidado revistas, recortes de jornais, pôsteres dos times passados e fotos. Sua maior relíquia foi presente de Telê Santana, um chaveiro em comemoração ao título de 1971.

Como e quando o Atlético entrou na sua vida?
O Atlético entrou na minha vida há 70 anos quando mudei para BH. Eu morava em Teixeiras, interior de Minas Gerais, entre Viçosa e Ponte Nova. Foi amor à primeira vista. Quando eu morava no interior, só ouvia falar em futebol do Rio e de São Paulo. Assim que cheguei aqui conheci o Atlético e me apaixonei. Desde então tornou-se a paixão da minha vida. Não perdia um só jogo, éramos uma turma: eu, minha irmã, minha sobrinha e meu cunhado. Íamos a todos os jogos. Mas, em 1977, o jogo triste entre o Galo e o São Paulo marcou minha vida e prometi, à alma da minha querida mãe, nunca mais voltar ao Mineirão. Assisto a todos os jogos, escuto os programas de esportes, mas nunca mais voltei ao campo. Fico triste por ter feito essa promessa e com medo de quebrá-la, mas a verdade é que sinto uma imensa vontade de voltar à grande casa do Galo.

Qual foi o melhor time do Atlético que a senhora já viu jogar?
São os times da década de 40 e 50 formado por grandes jogadores, como Kafunga, Murilo e Ramos; Mexicano, Zé do Monte e Afonso; Lucas, Lauro, Carlyle, Lero e Nívio.

O que lhe vem à mente e ao coração quando o assunto é o Galo?
Paixão e fidelidade.

Qual é o seu ídolo?
Telê Santana. Nos conhecemos em Itabirito em um carnaval. Era uma pessoa do bem, um mestre no comando do time. Carregou o Galo nas costas por muito tempo. Fui ao enterro dele e levei, para mostrar a sua família, a maior relíquia que eu tenho: o chaveiro comemorativo ao título de 71 que ganhara dele após o título. Muitas pessoas de São Paulo vieram para o enterro e cantaram o hino do São Paulo e do Atlético. Zetti chorava muito, trouxe uma faixa imensa em sua memória. Ele merece todo tipo homenagens e merece nosso respeito. Foi, sem dúvida, meu maior ídolo.

O que lhe dá mais saudade daquela época?
Tenho saudades da época em que os jogadores jogavam pela camisa, jogavam por amor ao time. Sinto saudades da fidelidade que existia entre jogadores e o clube. Hoje, isso já não existe mais. Esses jogadores têm muita mordomia, coisa que naquela época não existia. Os jogadores viajavam em ônibus caindo os pedaços, comiam mal, dormiam mal, os hotéis eram péssimos, não existia o que existe hoje. Se não jogassem, até tapa na cara eles levavam. Hoje é regalia demais. Tudo é por dinheiro. O futebol é uma máfia pior do que a política.

E a torcida do Galo, o que significa para a senhora?
A torcida do atlético é paixão, é fiel. Me apaixonei por ela desde o primeiro momento. A única coisa que me entristece, atualmente, é a violência das torcidas organizadas, deviam proibir esses “baderneiros” de entrar no campo. Outra coisa que detesto é a tal da vaia. A torcida do Cruzeiro que é assim, todos os jogos, mesmo com a posição boa do time, eles vaiam os jogadores, o técnico, todo mundo. Agora, a nossa torcida não, ela não pode se deixar influenciar por essas torcidinhas que tem por aí. Nós temos que apoiar, nós é que vamos erguer o time. O Atlético precisa da torcida.

O que acha do atual momento vivido pelo Atlético?
Triste. É o pior momento que o Atlético já viveu. É pior do que o momento vivido quando caiu para a segunda divisão. Aquele “bigode de vassoura piaçava” era um boneco nas mãos do Ricardo Guimarães. Ele acabou com o clube. Outra coisa, eu gosto muito do Marcelo Oliveira, ele é Atleticano de coração. Ama o clube e ama o que faz. Mas devia ser mais enérgico, ele não é o técnico ideal para o momento do Atlético. Devia ao menos colocar esses jogadores para treinar mais, sei lá, duas vezes por dia, ter menos folga e cobrar mais. O maior erro do centenário foi a língua solta do bigode. Ele falou demais, prometeu e não cumpriu, acabou com o Galo e com a nossa esperança. E, claro, a demissão do Leão, ele sim era o técnico certo para o time, ou ele ou o Luxemburgo. Enfim, esse tal de Ziza foi o maior erro do centenário…

E o que acha dos jogadores atuais?
São péssimos e, acima de tudo, não tem amor à camisa. Não jogam pelo clube, só querem dinheiro. Já vi tantos goleiros fazerem história no atlético e, hoje, temos o pior goleiro de todos os tempos. Para mim, esse tal de Edson deveria ir para bem longe e deixar o meu Galo. Ele é horroroso. As boas defesas que ele fez até hoje não importam devido a tantos erros cometidos. Não parecem profissionais.

Quem, em sua opinião, deve assumir a presidência do clube?
O Kalil. O pai dele fez história, foi um dos melhores presidentes que já passou pelo clube. E a minha esperança é que o Kalil, com a referência que tem de seu pai, consiga acabar com essa crise. Ele é Atleticano.

Dona Irene, mande um recado para o torcedor Atleticano que, a partir de agora, conhece sua história de amor e fidelidade ao Galo.
Queridos amigos atleticanos, quero dizer que o torcedor Atleticano de verdade deve apoiar e incentivar o time nesse momento. Peço para vocês não vaiarem o time, pelo menos durante o jogo. E, por favor, voltem para a casa do Galo. O Mineirão é a nossa casa. O Galo precisa de nós. É triste demais ver o Mineirão vazio, não está indo ninguém. Isso é coisa de cruzeirense, nós não somos assim. Voltem a nossa casa.

Obrigada pelo carinho. Um beijo no coração de cada um de vocês. Fiquem com Deus.

Senhora Irene, é com muita alegria que publico sua história no blog da Massa Atleticana. Em tempos de crise e desânimo, é sempre bom nos apegarmos a exemplos como a senhora, de carinho, otimismo e paixão. Foi uma honra tê-la conhecido e nos tornarmos amigas. Agradeço sua atenção, seu carinho e simpatia ao me receber em sua casa. Ah, e os docinhos estavam ótimos! Um grande beijo, nos encontraremos em breve.

Um abraço a todos.

Um pouco de humor não faz mal!

Qua, 24/09/08
por christian munaier |



Arte: Marcelo Vargas


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