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Futebol é coisa de Mulher

Sex, 10/10/08
por christian munaier |

Vanessa Lima é Relações Públicas, colunista do “Terreiro do Galo” e escreve às sextas-feiras  

O Espetáculo vai continuar…

Hoje tem marmelada? Tem sim senhor. Hoje tem goiabada? Tem sim senhor. Hoje tem bebedeira? Tem sim senhor. Hoje tem farra? Tem, sim senhor. Hoje tem espetáculo? Tem sim senhor. O Espetáculo dos horrores. E os palhaços, quem são?

Semana conturbada, a começar pela noitada dos “três elementos”. Que palhaçada! Concordo plenamente que jogador também tem vida social e o que importa é o futebol apresentado. O que não concordo é colocar o rendimento no trabalho em risco por causa de uma noitada em São Paulo, quando era para estarem concentrados. A falta de compromisso com “o time”, principalmente na situação atual, e de respeito com a Massa fizeram com que esses pseudo-jogadores fossem tratados da forma que mereciam. Saíram da sede escoltados e de cabeça baixa, tratados como marginais.

Claro que uma notícia dessas, e com o resultado do jogo de sábado, não há humor que resista. É impressionante como tudo pode piorar quando você pensa que não tem mais jeito. Que situação. Bem, concordo plenamente com a Dona Irene quando disse que apesar do Marcelo Oliveira ser Atleticano de corpo e alma, não serve para ser técnico do Galo. E não serve mesmo. Mas, temos que admitir que cumpriu sua função perante este fato. Após entrevista coletiva, disse: “O meu sentimento é de traição. Ou eles ou eu”. Muito bem. Total apoio. Mas, por mim, sairiam os quatro!

Ao saber da demissão dos três saltimbancos trapalhões, dei GRAÇAS A DEUS. São amadores. Apenas serviram para manchar ainda mais o nosso centenário. Não mereciam nunca vestirem o manto. Adeus! Foram tarde. E, sinceramente, ficaria mais feliz se outros “jogadores” estivessem no meio dessa palhaçada. Seriam menos “perebas” para nos preocuparmos no próximo ano.

E, assim, continuamos no campeonato, com uma etapa de jogos difícil, com uma posição nada agradável na tabela e rezando por resultados negativos dos times piores que o nosso. A que ponto chegamos? E não pára por aí. Não temos diretoria e os salários estão atrasados. Mas, se querem saber, eu estou confiante para o confronto contra a urubuzada, afinal é um clássico e disso entendemos bem. O primeiro tempo do confronto contra o time alviverde mostrou que, com um pouco mais de dedicação, podemos jogar de igual para igual. Claro, se jogarmos 11X11 e não 10X12.

É isso pessoal, esqueçamos Wright e seus discípulos e vamos nos concentrar no que realmente importa: os três pontinhos. E para nos empolgarmos e incentivarmos o time, nada melhor do que relembrar a goleada em cima da urubuzada em 2004. Viva Zé Antônio, Mexerica, Renato, Wagner e Alex Mineiro. Ganhar de goleada dos carniceiros, não tem preço. Vamos Galo, vamos pra cima deles.

Ah, como sempre, agradeço o carinho e votos de sucesso e saúde para o meu lindo sobrinho, Dudu. Ele já está em casa e está ótimo! Em pouco tempo, estará gritando Galoooooo! pela casa…

Abraços a todos. Tenham um ótimo fim-de-semana.

Nem sempre a grama do vizinho é mais verde

Qua, 08/10/08
por christian munaier |

Salve, salve Massa!

Que semana, heim? Todos os elementos para que a verdadeira paixão pelo futebol se manifeste estão presentes. Não existe melhor circo do que o futebol! Faltam 10 rodadas para o término do campeonato e nada está definido. Nem o provável campeão, nem mesmo os prováveis rebaixados. Em 2008, o campeonato por pontos corridos ganha contornos de mata-mata e cada rodada é como se fosse uma final. Ainda é cedo para fazermos uma avaliação final da participação do Galo nesta edição do Brasileirão, até porque é cedo para dizer o que esperar de concreto. O rebaixamento é uma ameaça distante, mas não tão distante quanto a vaga no G4.

Se você acabou de chegar de uma viagem intergaláctica, talvez não saiba que problemas extra-campo fizeram com que o ano do Galo fosse o ano do pinto leso. Da saída do presidente falastrão à troca de treinadores a cada três meses, passando por “atletas profissionais” baladeiros que não entendem conceitos simples de recuperação e performance, tivemos de um tudo em 2008. Navegue pelas páginas do Terreirão e veja como esse humilde blogueiro, a equipe do blog e a incomparável Massa Atleticana registraram os momentos de dor e emoção vividos até aqui.

Para alguns desprovidos de memória ou conhecimento histórico, Flamengo X Atlético será apenas mais um jogo no campeonato. Na minha opinião, o nosso próximo jogo assume contornos épicos. Desde que eu me entendo por gente (não faz muito tempo), Atlético e Flamengo realizam um clássico digno de concorrer ao Oscar. Não tem a mesma paixão regional do clássico com nossos co-irmãos azuis. A vibe é outra. Tenho um “carinho” diferente por esse derby, pois sinto um certo gosto de sangue na boca (sentido figurado, claro!). Algum urubu poderá dizer que somos rancorosos pelos títulos perdidos na década de 80 e eu serei obrigado a concordar. Mas seremos obrigados a concordar também que, mesmo com equipes espetaculares montadas pelos rubro-negros, os principais reforços eram os que vestiam apenas negro.

Vivemos um momento e eles vivem outro. Enquanto nos preocupamos em melhorar nossa classificação dentro do certame, o lado de lá já se declara campeão. Eu acho graça… Lendo o que andam escrevendo sobre nosso próximo adversário, deparei-me com o desabafo de um senhor chamado Cotrim, membro da torcida urubulina, a respeito da repulsa de parte da torcida pelo seu presidente falastrão (pois é, eles também têm um). Ao que parece, o urubu-rei andou cantando de galo e declarou já estar preparando a festa do hexa (a Copa da África não acontecerá em 2010?). Achei interessante o comentário e posto aqui para que possamos refletir: nem sempre a grama do vizinho é mais verde. Reclamamos quando as coisas estão ruins e reclamamos quando as coisas estão boas… É claro que dei um tapa geral no português bigodudo pois tava osso, mas mantive a essência do texto (até mesmo no coloquialismo).

Puta merda, o Flamengo vivia fodido e devendo salários aos empregados, jogadores, comissão técnica, penhora de bens, briga na Justiça do Trabalho, dívida de INSS, não recebia o patrocínio por causa de dívidas públicas, devia a Deus e todo mundo, não parava de freqüentar e namorar a zona de rebaixamento para a segundona, ordem de despejo do CT de Treinamento, onde hoje treina o Vasco (me parece que se chamava “Fla Barra”), dívidas com Romário, Ed imundo, Vampeta que fingia que jogava enquanto o Mengão fingia que pagava, não tinha um time descente fazia tempo.

Quanto mais um presidente… Os antigos presidentes foram até presos por furto. E.S.S., lembram, porra??? I.S.L. lembram, cambadas de viados que só vêem aqui sacanear com os outros? Respeitem o senhor Marcio Braga, pois até esta merda de loteria que salvou uma pancada de time de futebol de ir à falência, foi o senhor Marcio Braga que fez lobby e a maior pressão para que saísse e fosse votado, cuja lei deu o direito do Flamengo receber seus patrocínios que eram retidos na fonte. Então não venham falar mal do cara, pois se não fosse ele, poderíamos estar até pior, e não teria tanta gente neste blog descendo o sarrafo nos outros. Só está acontecendo isto por que o Mengão tá no alto da tabela. Se estivesse lá embaixo como de costume, não teria ninguém prá reclamar. Me fala, na historia contemporânea do Flamengo, quem mais fez pelo Flamengo do que o senhor Marcio Braga?

Não tem, cambada de corneteiros, o cara ganhou tudo que o Mengão tem hoje. Marcio Braga é o cara, vamos respeitar então, porque antigamente sofríamos pra caralho… Era decepção, e hoje estamos brigando por excesso de otimismo.

Interessante, né? Enquanto isso, vivemos a Era do Pessimismo, com tudo e mais um pouco dando errado para o nosso lado, e nos preparamos para o próximo combate com o urubu. Apesar das deficiências do Galo, creio que será um grande espetáculo. Todo o Brasil estará de olho nesse jogo, como em épocas não tão remotas assim.

Raça e espora afiada. Sempre!

Saída Indigna

Ter, 07/10/08
por christian munaier |

Salve, salve Massa!

No banco de trás da viatura policial, com o giroscópio e sirene ligados, seguiram três elementos retirados de dentro da sede de Lourdes. Seriam eles bandidos? Qual foi o crime que cometeram? O que eles fizeram de tão grave, assaltaram uma loja ou espancaram uma senhora indefesa? Talvez tenham roubado um carro, ou um seqüestro relâmpago a algum usuário de caixa eletrônico?!

Não roubaram um automóvel e nem uma loja, assim como não seqüestraram ou espancaram. Mas o tratamento recebido foi extremamente adequado! Eram todos ex-jogadores do Galo. Três pessoas que já tiveram os nomes aclamados pela Massa, honraria vivida por Reinaldo, Éder e Cerezo. Vestiram o Manto Sagrado, assim como Nelinho e Paulo Roberto Prestes. Em algum breve momento em campo, deram motivos de alegria para milhões.

Instaurem inquérito policial, nossos sonhos foram assaltados, a nossa dignidade foi seqüestrada e a nossa instituição centenária foi sojigada por esses elementos e seus líderes, responsáveis por suas contratações. Não foi só o meu bolso que foi esvaziado, ao me induzirem a gastar o que tinha e o que não tinha para comprar camisas, viajar para o sul, norte, leste e oeste, acompanhando-os. O que se esvaziou foi a alma, antes repleta de orgulho necessário para o enfrentamento. Quanto custa uma alma nova? A postura, antes altaneira, agora cifótica como os corcundas do cinema, ombros caídos e olhar baixo.

Giroscópio, anuncie a saída indigna de quem não viveu a dignidade de ser ídolo do Clube Atlético Mineiro. Alardeie mais essa expulsão de tumores malignos do meu Galo. Que o nosso temido berro ecoe metamorfoseado em sirene policial, e que marque este ano de 2008 como o ano do renascimento Atleticano. Expulsamos quem deveria administrar e planejar; expulsamos quem deveria se cuidar fisicamente e vencer… Será assim até quando? Queremos novas posturas, queremos novos mandantes, queremos novos representantes da Massa, pois estamos sedentos de raça, comprometimento e vontade de superação. O amor não mudará jamais, mas a consciência sim!

Raça e espora afiada. Sempre!

A soma de todos os medos

Dom, 05/10/08
por christian munaier |

Salve, salve Massa!

Jogadores baladeiros, veterano inconseqüente, líder jogando em casa e juiz tendencioso. O que mais poderia ter dado errado para o Galo, no jogo contra o Palmeiras em São Paulo pela 28ª rodada do Brasileirão?


Num verdadeiro roteiro de pastelão chinês, o sábado começou com a notícia de que três jogadores do Galo, dentre eles um titular, estavam desligados da delegação por problema disciplinar. Não passaram a noite em seus quartos, só retornando ao hotel no iniciozinho da manhã. Mais conseqüências da funesta administração do futebol Atleticano. Processo de seleção, avaliação do currículo, contato com ex-empregadores e um psicólogo acompanhando os atletas, coisa profissa que acontece em equipes profissas, neste Galo do centenário são ações inexistentes. O “professor” indica e o “professor” faz o papel do psicólogo. Gostaria de ouvir a conversa do professor com os “atletas”.

- E esses olhos vermelhos?
- Pinga!
- Onde é que vocês estavam?
- Eu tava bebeno nu inferno, e foi o cão quem butô pra nóis bebê.
- Vocês saíram como?
- Não sei… Foi uma espaçonave que me pegou…

Abaixo você verá a entrevista completa dos três meliantes.

Episódio superado e convocação de Sheslon para a lateral direita. Vamos para o jogo. Juninho; Sheslon, Marcos, Leandro Almeida e César Prates; Serginho, Márcio Araújo, Elton; Renan Oliveira; Marques e Jael. Por mais que não concordemos com a manutenção do Marcelo Oliveira no comando do Galo, algumas coisas precisamos concordar com ele. O 4-3-1-2 no elenco do Galo é o esquema que melhor se encaixa. Se o Pet estivesse no seu melhor condicionamento, ele poderia fazer o papel do “1”. Mas não está (se estivesse, seria um crime mantê-lo no banco).

Juninho mostrou, nos primeiros minutos de jogo, o porquê da confiança da Massa em seu futebol. Aos dez minutos do primeiro tempo, em outros tempos, já estaríamos perdendo o jogo. Um Palmeiras muito bem postado em campo ocupava todos os setores e jogava aberto. A pressão natural do time da casa nos primeiros minutos de jogo deu um frio na espinha. Mas dessa vez até o Leandro Almeida jogou concentrado e salvou o Atlético de levar o primeiro gol.

Defesa aberta e inexperiência de zagueiro não é uma exclusividade Atleticana. Assim, o zagueiro Maurício (que não devia estar nascido quando Marques começou a jogar) tentou driblar o nosso ídolo veterano para o lado errado e entregou de bandeja a bola ao Marques, que rolou para Renan Oliveira. Renan, que gosta e sabe fazer gol, chutou firme e rasteiro no canto direito do grande Marcos, que nada pôde fazer. Galo 1, Palmeiras 0.

Ah, se o Galo jogasse sempre assim… Mas não joga, e a bonança sempre dura o tempo suficiente para suspirar. Mal o suspiro havia terminado, o mesmo ídolo veterano fez uma lambança típica dos jogadores amaldiçoados pela Massa. Foi expulso ao colocar a mão na bola, desnecessariamente, imprudentemente, Mazzaropimente. Com 10, contra o Palmeiras em São Paulo, ainda no primeiro tempo? Fucking shit! Empate aos 43 minutos e quase a virada aos 49.

Segundo tempo e um novo jogo. O que não estava cheirando nada bem, fedeu de vez. Sem condições de jogar de igual pra igual com o verdão, o Galo só se preocupou em não levar. Recuado, tentava o contragolpe sempre através dos chutões à frente. Mas nem o recuo, e tampouco as minhas rezas deram jeito e levamos a virada aos 16 do segundo tempo, gol de Alex Mineiro (que já foi ídolo no Galo). Mesmo com a entrada de Raphael Aguiar, Denílson e Castillo não mudaram a situação Atleticana. Depois de levar o terceiro, numa falha grotesca do Juninho aos 33, o Galo só se preocupou em não levar de muito. Final, Palmeiras 3, Galo 1 e manutenção dos 34 pontos que nos coloca na 12ª posição.


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Mantivemos o mesmo pífio desempenho neste campeonato, com o mesmo desempenho em jogos fora de casa. Gastamos a pouca gordura que tínhamos e agora estamos na capa da costela. Os times de baixo já encostaram, os de cima se distanciaram e a nossa equipe… A cada semana, uma novidade.

Vamos ver agora o que nos reserva esta semana, tanto no aspecto técnico (o que farão com os baladeiros?) quanto no aspecto político. A seguir, as entrevistas do “trio balada dura”.

Raça e espora afiada. Sempre!

Pérolas de um Presidenciável

Sáb, 04/10/08
por christian munaier |

Estevão Damázio é Atleticano e exilado. Em Brasília, dedica-se à CBN e escreve para o “Terreiro do Galo” aos sábados.  

Caro internauta, na coluna de hoje o convido a fazer comigo uma reflexão, tendo como base algumas declarações dadas pelo candidato à presidência do nosso Galo, o Alexandre Kalil, em entrevista ao site do Estado de Minas. E neste contexto, a mais emblemática foi, na minha visão, a mais óbvia: “Por uma questão de filosofia, todo saneamento do Atlético passa por time de futebol. Nada vai ser feito no Atlético, se o futebol não brilhar”, disse ele. Viva! Até que enfim! Urra! A tábua de salvação, ou o início de um complexo processo de saneamento financeiro e moral de um clube de FUTEBOL deve privilegiar a principal matéria-prima dele, o FUTEBOL!

Aliás, você aí, internauta, sabe escalar, de cor e salteado, o nosso time? E o nosso camisa 9? (deixa o Rei saber disso!) Alguma empresa hoje vai investir em um clube que não tem time?A Massa vai voltar a quebrar recordes de renda e público para ver pernas-de-pau ou limitados atuarem? A mola propulsora da virada, ou o trampolim, como queiram, para uma nova era, passa por um grupo vitorioso, por títulos, ou pelo menos, por disputas de títulos (estou com saudades dos tempos em que éramos os reis das semifinais, morríamos na praia. Hoje nem tirar o chinelinho para pisar na areia, conseguimos) Mas e a pergunta que não quer calar? Tá bom, seu Estevão, como montar um time sem dinheiro e atolado em dívidas?

Dilemas que nos remetem a uma segunda frase importante do senhor Kalil: “O Atlético precisa reduzir folha de funcionário e aumentar a folha do futebol, dentro de uma realidade que não é possível que só o Atlético não consegue. Estou acreditando nisso. Não podemos ter uma folha de futebol dividida com funcionário, um milhão de funcionários e um milhão de futebol. Temos que ter um milhão e meio de futebol e quinhentos mil de funcionário”, ressaltou o candidato declarado. Bem, entendo que este reordenamento de despesas deva ir ao encontro de uma mudança gerencial que vise, não uma demissão em massa do atual corpo funcional, mas uma racionalização de custos, aliada a uma priorização de metas. Talvez este seja um dos - obviamente não o único - caminhos para começar a equacionar a situação.

Mas vamos para outra frase de Kalil: “Temos de botar um esquema profissional, com um homem do meio tomando conta full time, como o Ziza fez na época do Ricardo”. Já destaquei neste espaço, e reafirmo: o departamento de futebol do Atlético, há muito, deixou de representar o centro nervoso e estratégico do clube e se transformou no laboratório central de trapalhadas. Não acho que o sr. Ziza seja referência nesta área, como sugeriu Alexandre Kalil, muito pelo contrário. Mas, evidentemente, o profissional que vier a ocupar tal cargo (me recuso a acreditar que Afonso Paulino e Alexandre Faria continuem) deve se dedicar em tempo integral às funções e, principalmente, demonstrar competência e conhecimento do mercado. Saber negociar com jogadores ou representantes deles, se blindar das investidas de empresários e comprovar boas aquisições, não ficar comemorando inúmeras “rescisões amigáveis”, símbolo-mor do fracasso.

Para fechar, a frase mais polêmica da entrevista concedida pelo senhor Kalil, já que mexe com o imaginário de muitos atleticanos: “O Atlético teve o Luxemburgo batendo na porta se a torcida não sabe, e o presidente do Atlético não quis. Eu quero o Luxemburgo. Não tenho essa vaidade. Eu quero ele mandando na grama, em todo mundo”. Calma, candidato! Assim como o senhor, admiro os resultados da carreira do Luxemburgo e até confesso: quero vê-lo no comando do time, mas não do Galo. Que história é esta dele mandar até na grama? No senhor também, caso seja eleito? Então, passe o bastão para ele, de uma vez. Na minha visão, esta frase do Alexandre Kalil revela um complexo de inferioridade e até um certo comodismo dos últimos presidentes alvinegros. Se na última coluna pedi um presidente-gestor, dispenso um treinador-presidente. Quero um TREINADOR-TREINADOR! Porque não? Já não inventaram o tal do zagueiro-zagueiro?

Obs: aguardo o lançamento dos nomes de outros candidatos, se por acaso acontecer, para analisar também as ideías e/ou “pérolas” deles.

Libertas Quae Sera Tamem

Sex, 03/10/08
por christian munaier |

Salve, salve Massa!

A distância é quase a mesma, e se eu tivesse que escolher um caminho, escolheria o caminho que me levaria para cima. Claro que a escolha para baixo é a mais fácil, pois para baixo todo santo ajuda. Subir demanda esforço maior, e no nosso caso, chega quase ao esforço hercúleo de escalar um Everest.

É claro que me refiro à distância entre a zona da vergonha e ao G4. Estamos mais ou menos no meio do caminho. 12 pontos até a Libertas, 7 pontos até a degola. Libertas me agrada mais… Mas transpor os obstáculos que se apresentam para conquistar a honrosa vaga na competição latino-americana poderiam fazer sir Edmund Hillary, o homem que colocou a bandeira neozelandesa pela primeira vez no cume do Himalaia, desacreditar no sucesso da missão. Ou talvez não. Em uma época em que as condições eram muito precárias e os recursos nada disponíveis, esse homem superou todas as barreiras e conseguiu aquilo que muitos consideravam impossível.

“Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”.

Nunca escondi meu nível de (des)confiança neste grupo e em seus comandantes. Quando boa parte da imprensa ainda insistia no discurso otimista com relação às pretensões da administração passada e o elenco formado, fui um dos que mais criticou tudo como estava (não) planejado. Formamos no Terreirão uma consciência crítica quanto a tudo e todos que tentavam nos vender gato por Galo.

Assim, acredito que a Libertadores tornou-se um sonho distante para nós. Os matemáticos dizem que nossas chances não chegam ao 1%. A seqüência de jogos que teremos pela frente é de arrepiar, e os resultados alcançados darão a dimensão da altura que chegaremos. Palmeiras, Flamengo, Serelepes et caterva. Haja vontade de superação!

Amanhã teremos um jogo crucial. Palmeiras e Atlético. Um dos melhores goleiros do mundo defenderá a meta alviverde e um dos mais tarimbados técnicos comandará a equipe adversária. Argumentos que, por si só, já nos deixariam ressabiados quanto ao resultado a se esperar. E se lembrarmos que essa equipe surrou nossos adversários locais, que este ano já nos aplicou corretivo rancoroso e vingativo, aí que o caldo entorna de vez. O Palmeiras é candidato sério ao título e deverá vir com a corda toda. Nós iremos de Juninho e Marcelo Oliveira, e nossa posição é modesta no momento.

Mas quero deixar aqui registrado, horas antes do embate, que acreditar não custa nada. Prefiro sonhar com as posições de cima do que temer as posições de baixo. O fato de só termos vencido uma partida fora de casa neste Brasileirão só traz mais expectativas quanto à segunda. Uma vitória nos encherá o peito de orgulho. E ela só virá se a “barrinha de energia” da raça Atleticana estiver completa. Essa história de “responsabilidade da vitória é toda deles” é papinho de quem não entende que todo Atleticano espera sempre a vitória. Pode não vir, mas a queremos! Vencer é o nosso ideal.

A distância é praticamente a mesma, pra cima ou pra baixo. Mesmo que a Libertas só venha na última rodada, para matar muito Atleticano do coração, vou desejá-la. Afinal, o Atlético é Mineiro!

Raça e espora afiada. Sempre!

Futebol é coisa de Mulher

Sex, 03/10/08
por christian munaier |

Vanessa Lima é Relações Públicas, colunista do “Terreiro do Galo” e escreve às sextas-feiras 

Doutor, eu não me engano: o Dudu é Atleticano!

Dias como estes foram feitos para guardar. Esta semana, apesar de tumultuada, foi extremamente feliz e prazerosa. Tive a imensa alegria de ver meu sétimo sobrinho nascer. Eduardo Lima veio ao mundo no dia 27 de setembro, às 18 horas, minutos antes do jogo no Mineirão, não permitindo que sua “tia Vanessas” (é assim que sou chamada por meus outros seis amados sobrinhos) presenciasse tamanha incompetência de Atlético e Figueirense.

Claro que a tia coruja não queria perder nenhum momento de sua chegada e, sentindo-se forte, entrou na sala de parto segurando a câmera para filmar o momento exato de sua chegada. Mas, infelizmente, não conseguiu segurar a emoção. Confesso que amarelei e amarelei mesmo… Minhas vistas escureceram, minhas pernas ficaram bambas e senti apenas os enfermeiros segurando os meus braços e me levando para fora da sala. Coisas da vida… Minutos depois, consegui me recuperar, voltei e lá estava ele, lindo, cabeludo… Um neném perfeito. O meu sétimo sobrinho. Viva o Dudu!

É certo que o Dudu não teve lá tantas alegrias nesse dia como deveria. De longe, olhando para ele do espelho do berçário, mostrei o primeiro presente que ele ganhou de sua titia coruja: um boné do Glorioso. Ele ainda estava meio confuso, não sabia se chorava, se revirava no berço ou se tentava dormir.

Ao chegar mais perto, tentei explicar a ele que o Galo não está em uma situação boa, mas que temos esperança que venham dias melhores. E ele chorou! Parece que não acreditou nessa história, me olhou com uma cara de “nem presidente nós temos, como quer que eu acredite nessa futura boa fase?” Tentei acalmá-lo dizendo que isso é passageiro. Ele chorou! Será que o Dudu queria me dizer alguma coisa? Hum, deixa pra lá…

O Dudu é um pouco apressado, veio ao mundo quase dois meses antes do previsto e, por isso, precisou de maiores cuidados. Lutou, desde o segundo mês na barriga da minha querida irmã, Carla Lima e, agora, luta para deixar o hospital e ser feliz do jeito que ele merece. Com seis dias de vida, o Dudu já é um vencedor. É um guerreiro, lutou pela vida e, agora, luta por dias melhores.

O meu único desejo, nesse momento, é pegá-lo nos braços e dizer o quanto torcemos por ele, o quanto esperamos por ele e o quanto eu o amo. Sem dúvida, o meu maior presente deste ano.

O Dudu é Atleticano e já faz parte da nossa imensa família Alvinegra!

Enquanto isso, no Galo…

Atacante Castillo, contratado em Março/2008, busca seu PRIMEIRO gol com a camisa Alvinegra. Meu Deus! Não preciso dizer mais nada! Às vezes, uma frase sintetiza toda a história. Beto, por sua vez, está recuperado da cirurgia e já iniciou trabalho de preparação física. Espero que renda alguma coisa, pois confesso ter saudades do Danilinho. Quem sabe, com seu retorno, o Beto consiga assumir de vez a posição.

Kalil é o primeiro a anunciar sua candidatura à presidência do time. Bem, com um discurso até muito bem montado e com a falta de pessoas competentes para assumir o clube, que monte uma chapa ao menos qualificada e comece a trabalhar. Queremos um time pelo menos digno de vestir a camisa alvinegra no próximo ano. Não queremos promessas, queremos ação. Precisamos de um técnico com pulso firme e que saiba cobrar resultados positivos e, principalmente, que não se conforme com a mediocridade existente. Como bem disse o Sr. Kalil, não somos diferentes de outros times com dívidas semelhantes ou até maiores e, por isso, conseguiremos caminhar com as próprias pernas. Mas temos que trabalhar para isso. É hora de arregaçar as mangas e lutar por dias melhores, assim como o Dudu. E que não demorem a assumir o comando! Precisamos de um líder que saiba liderar.

Vem aí mais uma seqüência de morte… Espero que consigamos sair vivos dessa, e de forma digna, não com mais vexames. Já estamos cansados disso. Que Deus nos ajude. E não poderia deixar de agradecer pelo carinho nos comentários do texto de semana passada que contou um pouco a história da nossa querida Dona Irene. Obrigada, pessoal. Um forte abraço a todos. :)

Previsões e conclusões

Ter, 30/09/08
por christian munaier |
categoria Brasileirão 08

Veja e comente os novos textos clicando aqui! 

Salve, salve Massa!

Quem ainda não foi simular os resultados das rodadas que faltam para terminar o Brasileirão 2008, não imagina o que está perdendo. Clicando aqui, você poderá aprimorar sua capacidade mutante de prever o futuro. O resultado do meu exercício prático de futurologia você encontra logo abaixo.

Não foi difícil chegar à posição final do Galo, no final desse Brasileirão maldito! Mantendo-se nossas médias, teremos perto de 41% de aproveitamento, com 14 empates (a equipe que mais empatará nesta competição). Terminaremos com 47 pontos, o suficiente para manter a desonrosa 12ª colocação e uma vaga para a Sul-Americana, competição que adoramos entrar, mas que temos o estranho hábito de sair precocemente, como em 2008 (logo na primeira fase).

A parte cômica da minha previsão se refere ao nosso adversário do próximo sábado. No ano passado, o Palmeiras necessitava de uma vitória sobre o nosso Galo para garantir a vaga na Libertadores. Em casa, não suportou a pressão do Galo do Leão e perdeu por 3X1. Este ano não contamos com o Leão, e nem com a equipe que terminou o certame de 2007. Talvez por isso os nossos amigos paulistas estejam confiando ainda mais na vitória no Palestra Itália, necessária para continuarem na ponta da tabela e brigando pelo título. Contudo, na última rodada do Brasileirão, na 38ª, jogaremos contra o Grêmio no Olímpico. Pelos meus cálculos, uma vitória do Atlético dará o título aos palmeirenses. Mas desculpem-nos, alviverdes… ”Este ano não contamos com o Leão, e nem com a equipe que terminou o certame de 2007″…

classificação final

    P J V E D GP GC SG (%)
1 Grêmio 75 38 22 9 7 65 29 36 66
2 Palmeiras 72 38 22 6 10 67 46 21 63
3 São Paulo 69 38 19 12 7 66 37 29 61
4 Botafogo 66 38 19 9 10 61 41 20 58
5 Coritiba 64 38 18 10 10 58 38 20 56
6 Flamengo 64 38 18 10 10 63 48 15 56
7 Cruzeiro 63 38 19 6 13 56 42 14 55
8 Internacional 62 38 18 8 12 50 40 10 54
9 Vitória 58 38 17 7 14 48 41 7 51
10 Goiás 58 38 16 10 12 58 48 10 51
11 Sport 57 38 16 9 13 47 40 7 50
12 Atlético-MG 47 38 11 14 13 51 62 -11 41
13 Figueirense 42 38 11 9 18 46 73 -27 37
14 Vasco 38 11 6 21 52 72 -20 -20
15 Náutico 38 10 9 19 42 59 -17 -17
16 Santos 38 10 9 19 42 62 -20 -20
17 Fluminense 38 38 9 11 18 44 55 -11 33
18 Portuguesa 35 38 9 8 21 43 71 -28 31
19 Atlético-PR 35 38 8 11 19 37 54 -17 31
20 Ipatinga 28 38 7 7 24 34 72 -38 25

Observação: Não tenho nada contra os times que “rebaixei”, e tampouco a favor dos times que “classifiquei” para a Libertas. Mas confesso que um resultado ou outro fiz questão de “manipular”.

Raça e espora afiada. Sempre!

Boladas: Carta ao Presidente

Ter, 30/09/08
por christian munaier |
categoria Boladas

Luiz Fernando Ávila é jornalista. E Atleticano. Escreve às terças-feiras.  

Caro amigo que-não-sei-quem-é,

Sei que o senhor está pra assumir a Presidência do Galo. Não tem nome ainda. Não sei quem são os seus filhos, sua cor, sua altura. Não conheço sua mulher, mesmo porque não sei sequer se você tem esposa. Se mora em apartamento ou em casa. No centro ou num condomínio afastado. Quero lhe dizer que seja bem-vindo. Que os dias já passados lhe sirvam para o que vem à frente, no futuro. Que os aprendizados sejam sementes. E que os frutos nos sejam agradáveis e doces. Espero ainda que sua saúde esteja em boas condições, que você tenha um carro do ano, importado, de preferência. Quero que tenha casa própria, os dentes em perfeito estado, o guarda-roupa desinfetado, os sapatos engraxados e com brilho. Postos os meus desejos e minhas expectativas, vamos ao que interessa.

Outro dia fui à festa de um amigo, em Ipanema. O cara fazia 40 e poucos anos. Preparou a sala do apartamento. Tirou os móveis. Chamou um DJ. O som era da pesada. Rolling Stones, Gênesis, Pink Floyd, Beatles. Tinha até Alice Cooper com sua voz maldita e esganiçada. Num canto da sala, fiquei imaginando como foram os anos 60 no Rio, os anos 70, os 80. Os amigos presentes eram quase todos grisalhos, usavam calças jeans, camiseta sem marca. Uns dançavam na pista improvisada, outros abraçavam as mulheres, outros batiam um papo com o DJ. Quase todos riam muito, como é de praxe nas festas. Fui pra um canto e passei a imaginar esses caras todos passeando pela praia de Copacabana na época da bossa nova, no período em que o Galeão era a principal porta de saída do país. Eu não os conhecia. Nem sabia que existiam. Fiquei imaginando alguns deles na Rua do Ouvidor discutindo política e ditadura, carnaval e futebol. Flamengo de Adílio, Fluminense de Assis e Washington, Vasco, Botafogo. O mundo e o Brasil fervilhavam. Nessa época, eu estava em Minas, torcia, desenvolvia paixão louca pelo Galo e nem pensava em ter um bebê.

A chegada do novo século, abraçado aos anos 90, nos tem sido dolorosa. Desde a final de 99 não existimos mais. Os cariocas, no século passado, cruzavam o túnel Rebouças, andavam da Lagoa Rodrigo de Freitas até a Tijuca, e desembocavam na Candelária sem medo. E eles tinham o poderoso Flamengo, de Zico. Em BH, eu ouvia Milton Nascimento, Lô Borges e Caetano Veloso em lojas de discos de vinil. Cultuava Mazurka, Reinaldo e Éder Aleixo. Pegava o ônibus no Prado e ia até a cidade comprar tênis Bamba na Rua dos Caetés. Antes, passava na Mesbla pra ver as novidades eletrônicas. Certa vez, vi um sujeito ameaçando se jogar do alto do Acaiaca, prédio que na década de 60, serviu de abrigo para muitos que odiavam João Goulart e que ali mesmo, numa sala enorme de reuniões, chegaram a tramar a morte do presidente, a ser consumada com um tiro certeiro durante um comício na Praça da Estação. Naquela tarde do suicida, o porteiro, que já vira de tudo, estava sentado em um banquinho à porta, alheio ao mundo, pensando na sua vida desgraçada. Mas, em volta, uma multidão se formava.

O suicida olhava a turba lá embaixo e fazia malabarismos com seu corpo frágil. Também parei e estiquei o pescoço pra ver cena tão desesperada. Os bombeiros chegaram, conversaram, montaram a famosa escada Magirus que, no entanto, era curta, não tinha altura suficiente pra buscar o sujeito. Ele estacionou no parapeito e ali ficou, de pé, por alguns minutos. Braços abertos, estático, qual Jesus Cristo. A multidão, em silêncio, começava a se impacientar. “Pula logo”, ouvi, ao meu lado, um garoto gritar. “Não enseba”. O menino traduzia nossos mais primitivos desejos. Queríamos que o sujeito pulasse, que desse fim àquele teatro, que nos proporcionasse sensações não vividas. Pois assim somos nós, cruéis e secos na divindade profana. De repente, o homem sentou-se no parapeito. A multidão fez um sonoro “uh”. E, do nada, como se comandada por um maestro divino, soltou o grito de guerra que era ouvido com temor pelos mais aguerridos adversários: “Galo”. A multidão gritou Galo por vários minutos. Gritou tanto que o suicida desistiu. Que o porteiro se alegrou e dançou. Que os bombeiros deixaram o palco antes de a festa terminar. Àquela época, nem mesmo um suicida e sua história dramática eram páreo para o meu Galo. Nós vencíamos a todos. Mesmo que perdêssemos. Nunca soube o nome nem o destino do suicida. Mas ele ficou na minha memória. Apenas um vulto, mas forte o suficiente pra fazer-se colado à minha vida.

Portanto, senhor que-não-sei-quem-é, assim que você assumir a Presidência do meu Galo, não se esqueça que estará assumindo a presidência de uma nação. Que move mundos e desaloja suicidas. Que pulsa. Não espero Zico nem Reinaldo, porque mágicos e estrelas são únicos. Mas não me traga Mexerica. Nem nos iluda com ex-jogadores ou promessas de alegria. Não me venha com Procópio ou Vantuir. Assista aos jogos do Brasileirão e saiba do que estamos falando. Pegue o replay de Galo e Figueira e reflita se aquilo é um time de futebol digno do nome e da nação. Não me diga que há dívidas, que a situação é insustentável, que os salários vão atrasar. Pra dizer isso, é melhor nem vir pro nosso canto. Se não houver dinheiro, não pinte as paredes do CT. Não faça festas comemorativas, não gaste o que não tem com diretores disso e daquilo. Não forme grupos, nem dê ouvido a conselheiros. Nem deixe crescer o bigode. De preferência, não tenha banco nem ligações perigosas. Não venha à TV ou ao jornal falar de mazelas. Senhor que-não-sei-quem-é, o senhor terá à sua frente e em suas mãos um coração que bate forte. Não apenas um, mas milhões. E esses corações não querem saber de dívidas, de explicações. Eles só lhe pedem uma coisa: um time de futebol. Esqueça o resto. Ele não tem valor. Não tem brilho. Não importa à nação, o jogo político, a briga, o consenso. Não importa a camisa nova e bonita, de marca Lotto, Umbro, Nike. Não importam as invenções do pessoal do marketing. Não importa o Galo paramentado e horroroso à beira do gramado. O que importa são jogadores. O que importa é a raça. A garra e o grito.

Enquanto passeio pelas ruas do Jardim Botânico, gostaria de cumprimentá-lo por ter à sua disposição um exército de guerreiros famintos… Tenha consciência de que todos serão seus irmãos. Que todos o querem bem. A você a sua família. Queremos honrá-lo com nossa presença nos estádios. Queremos comprar o pay-per-view pra ajudá-lo nas despesas. Estamos dispostos a tudo. Conte conosco até nas horas suicidas. Nos faça pulsar de novo, nos dê razões para isso. Nos dê um time de futebol. Saudações alvinegras.

Eu quero raça… Do Time todo!

Dom, 28/09/08
por christian munaier |

Salve, salve Massa!

Em 1998 ministrei uma série de palestras para o Batalhão de Missões Especiais da PM/MG, falando sobre a importância da atividade física no combate ao estresse. Era comandante do BME o coronel Severo Augusto. Como faz parte do dia-dia desses oficiais o estresse, o objetivo deste trabalho era mostrar a diferença entre o “estresse produtivo” e o “estresse improdutivo”. Como o próprio cel. Severo disse na época, “para retomar um presídio ou desbaratar um seqüestro, o policial precisa ter uma dose certa de estresse, para que fique completamente ligado o tempo todo, e pronto para reagir.” Esse é o estresse produtivo! O estresse improdutivo, aquele que se dá pelo excesso de tensão e que impede reações adequadas, esse deveria ser tratado com atividade física regular.

No jogo de hoje entre o Atlético e o Figueirense pela 27ª rodada do Brasileirão 2008, o Galo entrou brochado geral! Entrou meia bomba, um completo coadjuvante do espetáculo. Com 33 pontos na tabela e distante dos adversários que brigam contra o rebaixamento, os jogadores do Atlético entraram como se o campeonato já tivesse terminando e não houvesse necessidade de colocar os três pontos na sacola para sair definitivamente do grupo candidato à degola. Com tudo em dia e sem sofrer diretamente as conseqüências do agitado bastidor político do Galo, vimos nosso Time empatar com o Figueirense, dono da pior defesa do campeonato e que leva dois gols, em média, por partida.

Nem estresse produtivo, nem improdutivo. Aliás, os números mostram o quanto o Galo “agrediu” o oponente. Seis finalizações contra o gol catarina. E só! Alguns desses lances, no início do jogo, davam a impressão de que a vitória seria nossa e o gol inaugural aconteceria a qualquer momento. Lenílson, Marques e Renan Oliveira, o trio de ataque, alternava as investidas contra o gol adversário e por pouco, de cabeça, o Lenílson e o Renan não marcaram. O entrosamento do Marques com o César Prates era o melhor possível, com boas passagens do nosso veterano pela ala esquerda. Foi do xodó uma das melhores oportunidades de gol, mas desperdiçada displicentemente. A zaga, sempre afoita, municiava o contra-ataque adversário ao tentar ligar a defesa ao ataque. O Mariano não esteve inspirado durante o jogo, e nas suas tentativas de avanço pela ala terminavam em desarme. Como tínhamos três volantes no meio-campo, Rafael Miranda, Serginho e Márcio Araújo, o único setor que realmente avançava com qualidade era o esquerdo. Do lado de lá, pouca produção e muita marcação. Foram poucas as vezes que nosso Juninho precisou ser acionado.

No segundo tempo, Marcelo Oliveira trocou o 4-3-1-2 pelo 4-4-2, tirando um dos volantes (Márcio Araújo) para a entrada de um armador (Petkovic) e recuando o Renan Oliveira para ajudar na marcação. Também deu fôlego novo, ao trocar o pesado Lenílson pelo Castillo, dono de ótimo passe e leitura de jogo, mas avesso a marcar gols. Contudo, nem a presença do santo sérvio serviu para mudar a sorte do jogo. Em noite nada inspirada, Pet era presa fácil da marcação “istepô”. Elton entrou no final do jogo, no lugar do contundido Serginho, e mostrou combatividade e bons passes. Mas nada que mudasse o zero a zero dos resignados. 34 pontos e a manutenção da 12ª colocação na tabela. É muito pouco!


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Alguém precisa dar um chacoalho nesta equipe, colocar algum estresse sobre esses jogadores. A ameaça existe e será que eles não percebem? Não estamos tão distantes das últimas colocações… E todo Atleticano almeja uma posição mais digna no campeonato. Teremos a seqüência de morte mais uma vez pela frente, tendo Palmeiras e Flamengo nas casas dos adversários, e deveríamos desperdiçar dois pontos assim?

Ponto positivo para a Massa Atleticana, que volta a cuidar da sua casa e colocar ordem no Terreirão da Pampulha. Mais de 20.000 presentes no Gigante, em pleno sábado. E deverá ser assim até o final do campeonato. A cada jogo, mais Atleticanos empurrando o Time e cobrando raça. O estresse produtivo precisa ser liberado, o sangue nos olhos deve estar presente. E isso, a Massa Atleticana sabe incentivar como nenhuma outra.

Raça e espora afiada. Sempre!


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