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Atlético vs Ipatinga

sáb, 06/02/10
por Christian Munaier |

Arte: FredKONG

Arte: FredKONG

Antes do Apito

Projeto: Galo Campeão
Experiência nº 3

Tal qual uma pesquisa donde se experimenta diversas combinações dentre as alternativas possíveis – e algumas nem imagináveis pela Massa Atleticana –, o cientista Vanderlei Luxemburgo segue desbravando o desconhecido em busca da fórmula perfeita. Assim como um geneticista do futebol, LuxaGalo altera esquemas táticos e posicionamento de atletas para, enfim, chegar à estrutura molecular de um time campeão.

Do 4-4-2 ao 4-3-3, passando por todas as variações permitidas em lei, nosso técnico já lançou mão. Desde o primeiro confronto, no clássico com o América, já vimos o Atlético jogar com 2 volantes e dois meia-armadores, 1 volante, dois meia-armadores e 1 meia-atacante, e até mesmo vimos o Galo jogar com 10. Se nós, leigos semi-profissionais do futebol (mas experts na arte de cornetar) não ficamos satisfeitos, por que o nosso alquimista ficaria? É por isso que veremos, na peleja contra o Ipatinga, novos elementos em campo.

Zé Luís (1,81m de altura) no lugar de Jonílson (1,75m). Fabiano (1,81m) no lugar de Correa (1,76m). Em matéria de altura, nosso time “aumentará” substancialmente o potencial defensivo. Importante, até porque nossa zaga também não é muito alta: CAMpos (1,80m) e Werley (1,84m). Mesmo o Galo não sendo um time de basquete, a altura conta. Lembrem-se de que temos, constantemente, levado gols em jogadas aéreas. (Atentem para o fato de que a altura só não adianta, mas ajuda.)

Teremos em campo uma variação do 4-3-3. Pelo que se noticia, Obi-Gol Kenobi (mestre Jedi) ficará mais plantado à frente, enquanto DieGOL e Murisoccer voltarão para recompor a defesa e avançar com a bola dominada (4-3-2-1). Neste formato, poderemos ver nosso artilheiro Tardelli jogar mais como garçom do que, propriamente, como “o cliente a ser servido”. Mas será importante para o time e ele dará a sua contribuição. Com seus 1,83m, Obina será a referência dentro da área e, ainda, poderá auxiliar a defesa nas cobranças adversárias de escanteio.

Carini; Coelho, CAMpos, Werley e Leandro; Zé Luís, Fabiano e Ricardinho; Murisoccer, DieGOL e Obi-Gol Kenobi. O caldeirão do Luxa tá em ebulição. O Ipatinga será a cobaia. E, dessa vez, o Tigre terá adversário de verdade pela frente, e não as babas que enfrentou nos últimos jogos.

Depois do Apito

Colaboração: Athos Gabriel

Colaboração: Athos Gabriel

O Carini tem o meu total apoio. Quem nunca falhou na sua profissão, por favor, peço que me mande seu currículo, pois a minha empresa está contratando. Mas se você é tão humano quanto o ótimo goleiro uruguaio, saberá entender que, vez ou outra, o erro fará parte da nossa vida. E entenderá que, quando a desgraça do desacerto acontece, a última coisa que uma pessoa necessita é de pateia, do desestímulo, do empurrão precipício abaixo. Por isso, de antemão e ainda nos inicialmentes, posiciono o Terreiro do Galo ao lado do goleiro atleticano. Já bastarão os serelepes a rebaixá-lo (e também ao nosso time). Se um blog atleticano não estiver ao lado dele, quem estará? Por isso, o visitante que quiser cornetá-lo, clique aqui ou aqui.

Na estreia do atacante Obina e do volante Zé Luís, o Atlético mostrou que ainda falta entrosamento de algumas peças do time, justamente por estar em fase de experiências. Mas não se postou, hora nenhuma, no esquema covarde da retranca. Essa postura redobra minha confiança de que estamos no caminho certo. Não quer dizer que o time já esteja pronto! Por esse motivo, Luxemburgo está correto em buscar fórmulas diferentes e explorar o máximo do potencial de seu elenco. Esta fase é a mais adequada para os testes!

Por acaso já é a decisão do campeonato?

O meio-campo do Atlético ainda é uma grande incógnita! (À bem da verdade, apenas as laterais já conhecem seus donos – Coelho e Leandro). No empate de hoje, Luxemburgo começou com três jogadores fixos neste setor, sempre reforçado com um ou dois jogadores vindos do ataque. Ricardinho, que tem buscado encontrar o timing para cadenciar o jogo e assumir seu papel de distribuidor de bolas, fez lançamentos precisos e, ainda, ajudou na marcação pela esquerda. Já Fabiano continua meio perdido dentro de campo. Teve boa participação no quase-gol de cabeça. E só. Zé Luís, sobrecarregado na função de 1º volante, fez boa partida e deu conta do recado.

O gol do Ipatinga, no chute descompromissado de Jajá aos 4 minutos do segundo tempo, não retratava a realidade do jogo. O Galo foi superior durante todo o jogo, mas não conseguia furar a retranca do Ipatinga. Luxemburgo, então, resolveu apostar num esquema de ataque audacioso. Marques, Tardelli, Muriqui e Renan Oliveira foram para o abafa e sufocaram o time do interior. O empate veio aos 41 minutos da etapa complementar, num lançamento de Marques que Carlos Alberto (como um ponta-direita) ajeitou para Muriqui fazer de cabeça (!). Infelizmente o Atlético não conseguiu virar o jogo e sair vitorioso, frustrando os quase 30.000 atleticanos presentes no Mineirão.

Mais duas partidas permitirão, ao Atlético, as chances de testar os jogadores e as alternativas. Antes disso, será precipitado fazer qualquer avaliação pretensamente realista. Mas é claro que tenho os meus pitacos! Prefiro ver o Tardelli sendo mais servido do que fazendo o papel de garçom. Prefiro o Correa no lugar do Fabiano e entendo que ainda falta uma quilometragem maior para que o Obina se acerte com os companheiros. Ficarei feliz ao ver Cáceres entrar na zaga titular… Mas entendo a necessidade de se fazer todos estes experimentos e, se o técnico quiser, estou bem (mal) treinado e pronto para entrar no time!

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A ansiedade que pode atrapalhar

qui, 04/02/10
por Christian Munaier |

Henrique André é repórter esportivo e atleticano desde sempre. Informações dos bastidores e muito atleticanismo no Terreiro do Galo.

Henrique André é repórter esportivo e atleticano desde sempre. Informações dos bastidores e muito atleticanismo no Terreiro do Galo.

O atleticano é diferente, é fiel, é fanático e não abandona o Carijó em nenhum momento. Foi assim na década de 70 e 80, quando a melhor equipe do Brasil foi prejudicada pela arbitragem e por todos aqueles que não aceitavam que um time mineiro fosse hegemônico no país. Foi assim também durante as péssimas administrações que afundaram o clube em dívidas, e naquela que permitiu a queda para a Série B em 2005.

A torcida do Galo aprendeu a transformar sofrimento em fé, e é por isso que se tornou incomparável e indiscutível. No ano do centenário do clube não teve a festa que merecia, e ainda guarda como principal triunfo o primeiro título nacional, conquistado no ano de 1971. Já se passaram 38 anos e, depois de várias vezes ficar no quase, parece que a ansiedade se torna cada vez maior.

Ser vice campeão invicto em 1977; ter sido notoriamente prejudicado pela arbitragem em 1980, em 1982 e em quase todos os anos até aqui; ter perdido aquela partida no ABC Paulista em 2001 para o São Caetano, numa verdadeira piscina, quando se tinha uma equipe infinitamente mais técnica e qualificada; ter deixado escapar o título em 2009 por falta de ousadia do antigo treinador. Enfim, estas são algumas das cicatrizes que se tornaram visíveis no corpo do Galo Forte Vingador, mas que nunca o derrubaram, pois, como está escrito em seu hino, este nascera para “honrar o nome de Minas no cenário esportivo mundial”.

Atualmente, a esperança está toda depositada no técnico Vanderlei Luxemburgo, penta campeão brasileiro e de um currículo invejável. Realmente, Luxemburgo é um grande treinador, mas não pode ter tanta responsabilidade jogada sobre seus ombros. Se não vencer pelo menos uma das quatro competições que disputará este ano – Campeonato Mineiro, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana –, com certeza terá sua capacidade colocada em xeque por muitos torcedores e críticos.

Acredito que a maior conquista que o Atlético pode alcançar com esse novo projeto é a retomada do respeito que sempre teve em todos os quatro cantos do país. Com estrutura física e com um planejamento de primeira linha, os títulos serão consequência.

A princípio, trata-se de um projeto de dois anos, mas que pode ser pouco tempo para colocar em ordem tudo aquilo que foi tirado do lugar por pessoas que não tinham capacidade de dirigir o Clube Atlético Mineiro. Pode ser um pedido difícil para quem aguarda há tempos por um título de expressão, mas resta ao torcedor um pouco mais de paciência.

A ansiedade pode ser uma pedra no caminho, mas pode e deve ser controlada. Afinal, as cicatrizes não devem se tornar feridas abertas.

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Henrique André é o mais novo integrante do time de colunistas do Terreiro do Galo. Repórter esportivo da Rádio Inconfidência e estudante de jornalismo, Henrique é atleticano desde o seu nascimento. Seja bem vindo, meu amigo, às páginas do Terreirão. Ficamos todos muito felizes em tê-lo a bordo.

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Torcida do Galo: Resgatar a nossa magia é a nossa obrigação

qua, 03/02/10
por Christian Munaier |
categoria Baú do Galo

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

Daniel Lansky é atleticano sempre e jornalista nas horas vagas. Herdou do pai a paixão pelo Galo e, mesmo em Brasília, continua torcendo contra o vento.

A torcida tem que permitir, a si mesma, uma chance de ser feliz. O comportamento apresentando pela torcida em jogos do Galo nos últimos anos tem sido muito diferente do comportamento anterior à queda para a segundona, em 2005. Neste texto, vamos nos lembrar da torcida que éramos e que precisamos voltar a ser. Em um momento muito feliz, Vanderlei Luxemburgo mexeu em uma ferida que há muito precisa ser discutida por nós atleticanos.

Não há nada que nós possamos fazer dentro das quatro linhas e na sede do Galo. Na sede, vemos um trabalho honesto, esforçado, e muito além das expectativas que tínhamos com os dois presidentes anteriores. No campo, depositamos toda nossa confiança no Luxa, sonho antigo da Massa, bancado pelo Kalil, e que merece nossa inteira confiança.

Ver a torcida do Galo vaiando o time contra o América, na primeira rodada do mineiro, me fez ter uma certa desconfiança da vantagem de se ter as arquibancadas cheias hoje em dia. Até aonde aquela torcida fundamental para o time, que fazia os inimigos tremerem, como disse o próprio Luxemburgo, está fazendo sua parte na hora de entrar em campo e desestabilizar o adversário?

Tenho medo de nos tornarmos o que sempre criticamos. Torcer nas horas boas é muito fácil, vemos isso em vários momentos do futebol brasileiro, vemos isso com o nosso rival, com o atual campeão brasileiro, torcidas que, em momentos de dificuldade, fogem do estádio. O Atleticano, não. Ele acredita sempre, faz questão de mostrar para todos que, mesmo na dor, mesmo nas derrotas mais humilhantes, nosso amor é infinito e nossa paixão incontestável. E somos, sim, especiais e únicos.

Sempre escuto histórias interessantes da paixão atleticana. A última delas me chamou bastante atenção. Um amigo da minha esposa, que tem um filho de apenas um ano e meio, tem o cuidado de, todos os dias, quando seu filho acorda, o levar para abraçar e beijar um galinho que mantém sempre no quarto da criança. Além disso, já ensinou o menino a gritar “Gol!”, quando é perguntado “O que o Galo faz?”.

O que é esse sentimento deste pai senão um amor imenso pelo time que escolheu? O que pode ser tão forte a ponto de um pai sentir um desejo instintivo de ensinar e transferir para o seu filho a paixão pelo Galo? O que nos faz ser como somos? Estamos levando este sentimento para as arquibancadas?

Quantas vezes já fizemos a diferença? Invadimos o Rio de Janeiro em 1971, para buscar o título de primeiro campeão brasileiro. Já tivemos nada menos do que nove maiores médias de público em 39 edições do Brasileirão. Dos seis maiores públicos pagantes do Mineirão, cinco são nossos, todos com mais de 100 mil pagantes, de uma só torcida, e olha que nunca precisamos pagar ninguém para ficar rodando as roletinhas até chegar nos fantasiosos 132 mil. Já chegamos a 115 mil com uma só camisa: a alvinegra. Já pararam para pensar que, mesmo com a capacidade do Maracanã, Vasco, Fluminense e Botafogo têm médias de público infinitamente inferiores à nossa?

Com a Massa, já batemos times melhores que o nosso, já derrubamos a Seleção Brasileira, já ganhamos clássicos, finais, já fizemos jogadores suarem e darem sangue, pelo fato de contarem, na arquibancada, com um espetáculo único e que os fazia ser parte da camisa que vestiam. Já fizemos jogadores trocarem de lado, de time, até de Estado, tudo por causa do barulho, do fanatismo, do espetáculo que fazíamos nas arquibancadas.

Não interessa se há anos não ganhamos nada, se fizeram com o Galo o que fizeram nestes últimos anos. Estamos, sim, cansados, desconfiados e calejados. Mas o time que hoje está aí e o técnico não têm culpa da falta de títulos e das humilhações a que fomos submetidos nos últimos anos. Mesmo com deficiência técnica de alguns jogadores, mesmo com a dificuldade inicial de entrosamento do time, não vemos em campo, em momento algum, a falta de vontade. Se Correa reclama da torcida, ou se qualquer jogador faz isso, é porque tem dado o máximo dentro de campo para suprir necessidades e deficiências do time, e isso precisa ser valorizado.

Vaiar um goleiro por um gol tomado, um lateral, por uma bola perdida, um zagueiro, por um erro infantil, no primeiro e no segundo jogos do campeonato, fere totalmente o nosso atleticanismo, a nossa história nas arquibancadas.

A arquibancada do Mineirão não é nossa. Ela é de todos os atleticanos que, nestes 101 anos de história, construíram a reputação da Massa. A instituição “Torcida do Galo” não é minha, nem sua, ela é de nossos bisavós, avós e pais, que ali já se emocionaram, passaram raiva, gritaram, empurraram a camisa que tanto amamos. Ali, nasceram histórias, paixões e até casamentos. O local precisa ser, sim, respeitado.

Provavelmente, o Atleticano, quando morre, elege como seu paraíso as arquibancadas do Mineirão. Ele faz questão de estar sempre lá, ao lado de seus filhos, netos, bisnetos, torcendo por uma história que ele construiu praticamente junto com sua história de vida. Toda vez que vou ao Mineirão, penso nisso. Lembro do meu avô, do meu tio, de todos os atleticanos que já se foram e que deixaram para nós a melhor das heranças: o Galo.

Olho para o gramado e imagino o Kafunga, ao lado da trave, protegendo nosso gol, o Trio Maldito, torcendo por aqueles que atacam, o Gérson e o Telê dando dicas no ouvido do treinador, o Elias Kalil dando seus pitacos… Tento lembrar de todos aqueles que, dentro ou fora de campo, fizeram o Galo ser o que é.

Nosso papel de torcedor é o de estar lá, pelo time. De empurrar, de torcer os 105 minutos. Se o jogador tem a responsabilidade de respeitar a camisa do Galo, dando o máximo de si, nós, torcedores, temos a responsabilidade de preservar a tradição da torcida atleticana pensando em apenas empurrar o time para a vitória a partir do momento que, com o manto sagrado, cruzamos as roletas do Mineirão. Nossa obrigação é a de fazer o resto do Brasil ter medo de jogar frente à nossa torcida.

Não é justo de nossa parte entregar toda a responsabilidade de um processo vitorioso ao presidente, treinador e jogadores. Precisamos assumir nossa responsabilidade. Temos uma tradição de média de público e de grandeza a qual devemos sempre estar comprometidos. Vamos fechar com este bom grupo que está se formando. Vamos ao Mineirão para fazer festa e empurrar o Galo pra frente! Não vaie o time ou jogadores durante o jogo.

Pitaco do Baú

Não há do que reclamar de Alexandre Kalil. Realizou nosso sonho antigo. Vanderlei Luxemburgo buscou bons jogadores no mercado, não trouxe barcas e barcas, e quando vai atrás de jogadores como Robinho para fazer propostas, mostra para o Brasil que ainda somos grandes. Um começo de trabalho que visivelmente pode dar frutos. O Terreiro do Galo apóia o trabalho de Luxemburgo e de Kalil. Assim começa o ano de 2010. Um bom ano a todos os atleticanos e que, em 2010, possamos ter um desfecho vitorioso que a tanto sonhamos. No dia 31 de janeiro o saudoso Elias Kalil estaria completando 80 anos de vida. Que ele nos ajude a alcançar nosso objetivo e que possa receber, no ano em que faria 80 anos, o título que tanto perseguiu e merece.

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Educação e amor vêm mesmo do berço

ter, 02/02/10
por Christian Munaier |

Quando Guy Humberto Araújo e sua filha Paola, de 16 anos, voltaram para Viçosa/MG, vindos do Mineirão onde acompanharam o Galo, encontraram esta carta escrita pela pequena Yasmim, 10 anos. Educação e amor vêm mesmo do berço.

Quando Guy Humberto Araújo e sua filha Paola, de 16 anos, voltaram para Viçosa/MG, vindos do Mineirão onde acompanharam o Galo, encontraram esta carta escrita pela pequena Yasmim, 10 anos. "Seja longa a jornada; seja dura a caminhada;... Galo no peito e na alma". Poesia pura. Parabéns à família. Educação e amor vêm mesmo do berço.


Créditos do vídeo: Raphaela Nuith, nascida em 25 de março de 2007 e filha do colunista do Terreiro, Cabrito, cantando o hino do Galo.

Atlético vs Tupi

sáb, 30/01/10
por Christian Munaier |

galoXtupi

Arte: FredKONG

Antes do Apito

Um belo time está em formação. Um conjunto com 30 atletas de características distintas e complementares toma forma na Cidade do Galo. Com interferências precisas e pensadas, assistimos a um clube de futebol ter suas fibras musculares hipertrofiadas. A apresentação de um atacante carismático, a chegada de um volante, o anúncio da contratação de mais um zagueiro (não um zagueiro qualquer), movimenta o noticiário esportivo e alimenta as expectativas de uma nação de espartanos.

A contratação do zagueiro Cáceres, junto ao Boca Juniors, encerra uma novela e várias novenas. Ao divulgar o acerto com o paraguaio, Alexandre Kalil pôs fim à busca desmedida por um defensor que realmente viesse resguardar a cozinha atleticana e às noites insones de queridos amigos alvinegros, que viviam num zumbizar danado de perguntas sem respostas… “E o Cáceres, já chegou?”

Contudo, nem Obina, nem Zé Luís e tampouco Cáceres. Nenhum dos três estará no jogo deste domingo, no Mineirão, contra o co-irmão alvinegro de Juiz de Fora. Neste Atlético e Tupi, pela segunda rodada do Campeonato Mineiro de 2010, estarão os mesmos jogadores que estrearam diante do Coelho, exceção feita ao goleiro Aranha, que cederá sua vaga ao uruguaio Carini, em decorrência do rodízio de goleiros estabelecido pelo técnico Vanderlei Luxemburgo; e Jonílson, que cumprirá a suspensão automática pela expulsão no jogo anterior. Em seu lugar cogita-se o reposicionamento de Correa, que jogaria como 1º volante. Na composição do meio-campo, Fabiano (autor do gol do empate com o América) entraria para fazer as vezes do 2º volante. Ricardinho e Evandro fechariam o losango na meia-cancha.

Carini; Coelho, Werley, CAMpos e Leandro; Correa, Fabiano, Ricardinho e Evandro; Murisoccer e DieGOL Tardelli. Esta segunda etapa do Mineiro’10 permitirá ao Atlético mais uma oportunidade de buscar o melhor entrosamento dos atletas, mesmo que, daqui a algumas semanas, peças sejam mexidas. A Massa Atleticana, devidamente assepsiada da pequenina parcela que vaia nos primeiros tropeços do elenco, estará lá firme e forte, a saudar o surgimento deste novo Galo.

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Arte: FredKONG

Depois do Apito

Eita, Luxemburgo… Você terá trabalho em 2010, viu? Sabe o que é? Foram muitos técnicos medíocres ou, no máximo, esforçados que recentemente passaram pelo Atlético, incutindo nos jogadores conceitos táticos medrosos ou ultrapassados. E tirar esse ranço, meu amigo, demora. Não acontece de uma hora pra outra. Não há como querer emagrecer 30 quilos em seis meses, depois de tê-los conquistado em dez anos. Mas você irá conseguir, meu nobre!

A vitória sobre o alvinegro da Zona da Mata parecia líquida e certa nos primeiros minutos de jogo. Belas jogadas de Ricardinho, chutes de fora dos atacantes e meias, passes e tentativas de Tardelli, uma delas carimbando a trave… O esquema com dois meias e dois volantes fragilizava a defesa atleticana. Por isso, a ordem era manter o jogo o máximo possível na metade do campo do adversário. Apesar da pouca velocidade do time, o Atlético dominava a partida cadenciando as jogadas e mantendo a posse de bola. O gol atleticano amadurecia no pé. Contudo, o primeiro zero do placar quem tirou foi o time de Juiz de Fora. O gol do Tupi surgiu numa jogada ensaiada na cobrança de escanteio, com bola aérea alçada na área, tão manjada e, assim mesmo, fatal para a nossa meta.

O Atlético precisou levar o gol para sair do fogo brando (banho-maria é coisa que não nos pertence) para o modo incinerador. Com o apoio da Tsunâmica, o Atlético foi em busca do empate ainda no primeiro tempo. Evandro, que já sofria certa pressão da torcida, foi derrubado na área. DieGOL saudou o ano de 2010 e iniciou seu caminho rumo à artilharia com uma cobrança perfeita de pênalti. Fim do primeiro tempo.

O intervalo do jogo serviu para o comandante sapecar a orelha dos comandados. Eis que surge um Atlético mais aguerrido no segundo tempo. Com avanços do zagueiro e roubadas de bola do atacante, o Galo parecia mesmo disposto a virar o jogo. Tardelli espertamente cavou uma falta. Cobrança magistral de Coelho, fazendo o vira-vira.

A mudança de esquema tático promovido por Luxemburgo, colocando mais um atacante (Marques, no lugar de Evandro) e mais um meia (Renan Oliveira, no lugar de Fabiano), deixou o time completamente ofensivo. Não me lembro, de bate-pronto, de ver o Galo jogar com apenas um volante. O vareio de bola na meta do Tupi foi intenso, mas nossa cozinha ficou desguarnecida. O contragolpe fatal do time do interior decretou o empate. (Notem que, na conclusão do Ademilson, só havia 3 jogadores atleticanos acompanhando o lance).

Mas um time que tem dentro de campo DieGOL, Marques e Murisoccer não merece sair sem a vitória. Renan Oliveira tocou para Werley que, aproveitando os fundamentos de lateral treinados na época do Leão, cruzou para Muriqui completar para o gol. 3X2. Estava selada a vitória do Senhor de Minas.

Primeira vitória na competição. Ânimo redobrado para a sequência deste campeonato e ótimas experiências para a formação ideal. Como alertei antes mesmo do início do Mineiro 2010, a defesa atleticana dificilmente sairá incólume, pois ainda carece de reforço e treinamento. Luxa está atento a isso. Enquanto estivermos fazendo mais gols do que levando, estaremos no lucro. Vamo que vamo, pois perder peso demanda esforço. E ganhar campeonato demanda mais esforço ainda.

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special_thanks

Arte: FredKONG

Apoiando 105 minutos

qua, 27/01/10
por Christian Munaier |

Há males que vêm para o bem! O empate em 1X1 com o América, pela primeira rodada do Campeonato Mineiro e estreia do Galo 2010, foi um belo banho de água fria nas expectativas dos atleticanos mais exaltados. Antes desse confronto, uma parte da Massa Atleticana projetava partidas impecáveis do Senhor das Alterosas, dignas de figurarem nos documentários enviados ao infinito através das cápsulas espaciais. Era tamanha a convicção de que o Atlético estaria no mesmo patamar do Barcelona, que, para este grupo, o empate com o valente Mequinha foi motivo de vaias e toda sorte de protestos na internet. Os apocalípticos analistas viram, neste empate (quase uma derrota, é verdade), motivos para determinar a má sorte do Atlético na temporada que se inicia, sem levar em consideração de que estamos apenas no começo de um novo trabalho, levado por profissionais gabaritados e vencedores. E, por conta de um cenário tão negativo, dizem aos quatro ventos que já desistiram de 2010. Que irão voltar suas energias para outras coisas, como acompanhar jogos do Real Madrid e do Chelsea, partidas da Copa do Mundo e jogos do All Blacks, eventos nos quais poderão ver os melhores do mundo fazendo chover e fazendo chorar. Bom pra eles!

A esmagadora maioria atleticana apóia o time sempre, pois essa é a essência atleticana. Ninguém, em sã consciência, gosta de empate, ainda mais quando o oponente é teoricamente mais fraco e ainda domina a partida. Todas as reclamações procedem. Mas, daí a jogar fora um trabalho recém iniciado, vaiar no 1º jogo os atletas que iniciaram a jornada, isso a Massa Atleticana não faz. Não caímos no conto serelepe de que, para ser vencedor, é preciso vaiar o time, virar-lhe as costas. Isso é papo de torcida que só vai a campo na boa. Comportamento diametralmente oposto à do Galo, que vai a campo em qualquer situação e apóia 105 minutos, além dos extras.

Portanto, o empate acontecido entre Galo e Coelho nos privará da companhia da meia dúzia que acha que futebol é espetáculo o tempo todo, e que o papel da torcida não é apoiar nos momentos ruins. Estes poderão continuar em casa, a assistir John Terry, Messi, Cristiano Ronaldo e Cia, astros que não precisam de torcida. Foram abençoados…

Os nossos jogadores são meros mortais. Esses precisam ser energizados pela Camisa 12. Seus corações batem no ritmo do GALO entoado nas arquibancadas. E serão esses os torcedores que estarão no Mineirão nos próximos jogos: os torcedores que esperam por espetáculo; mas, se esse não vier, saberão ser o espetáculo que sempre moveu o time e tornou o atleticano um ser único no universo do futebol.

Atlético vs América/MG

sáb, 23/01/10
por Christian Munaier |

Arte: FredKONG

Arte: FredKONG

Antes do Apito

O Atlético entrará em campo, neste domingo, para dar o pontapé inaugural da temporada 2010. Primeiro alvo: Campeonato Mineiro. Primeiro objetivo: manutenção da supremacia regional. Título que temos de sobra e supremacia histórica, diga-se de passagem.

Alvo e objetivos definidos, vamos à busca, já no confronto com o tradicional América, da primeira vitória. No jogo, colocaremos em teste o primeiro esquema armado por Vanderlei Luxemburgo para este ano. Não será um teste definitivo, pois estamos apenas começando. Mas será um teste de verdade, pois, até aqui, só jogos-treino e amistoso. E o que vimos nessas ocasiões? Um time leve na linha de frente, com toque refinado no meio-campo e comportamento ofensivo nas laterais. Um time com pendor para o ataque. Essas características permitirão aos jogadores atleticanos balançarem diversas vezes a rede adversária, mas tudo indica que dificilmente sairemos das partidas com a nossa meta imaculada.

Goleiros: Aranha e Carini
Laterais: Coelho, Júnior, Leandro e Wellington Saci
Zagueiros: Jairo Campos, Werley e Benítez
Volantes: Jonílson, Correa e Fabiano
Meias: Evandro, Renan Oliveira e Ricardinho
Atacantes: Diego Tardelli, Marques, Muriqui e Pedro Paulo

A maior indefinição neste início de ano está por conta do guarda-metas. Aranha ou Carini? Aranha parece ter a confiança do técnico, que algumas vezes o enfrentou nos Paulistões que disputaram. Naquela época, o então goleiro da Ponte Preta era tido como o melhor arqueiro do regional local e deve ter chamado a atenção do treinador. O uruguaio detém a maioria dos votos da torcida atleticana… Não há como prever quem ostentará a camisa nº 1 no jogo contra o Coelho.

Carini(?); Coelho, Campos, Werley e Leandro; Jonílson, Correa, Ricardinho e Evandro; Murisoccer e DieGOL Tardelli. Esquadrão que deverá iniciar a busca pelo importante título no Mineiro’10. Se o título de campeão mineiro não valesse nada para o time entocado, essa história de tríplice coroa não se justificaria, e aquela tiara que “orna” seu escudo, e que lhes enche de vaidade, não faria o menor sentido…

Está, oficialmente, iniciada a temporada de caça aos títulos.

Depois do Apito

A maldição dos dez minutos iniciais é implacável. Nem mandinga, banho de sal grosso e troca de goleiro elimina esse estigma alvinegro de levar um gol nos primeiros lances da partida. Assim, no jogo inaugural da temporada 2010, eis que surge o mardito gol adversário quando eram decorridos oito minutos. Fruto de um chute venenoso de fora da área do Rodrigo, num lance isolado, quando o domínio do jogo era inteiramente atleticano.

O Galo estava armado para o ataque. O Coelho, para o contragolpe. Apesar de ter maior posse de bola, os jogadores alvinegros pouco incomodavam o goleiro Flávio. O América, por sua vez, movimentava-se em bloco. Com apenas 1 atacante fixo, nosso adversário se postava bem mais compacto. E, como se a derrota parcial já fosse pouco, ainda tivemos o volante Jonílson expulso ainda no primeiro tempo. Bola no travessão, saída bisonha do goleiro-zagueiro e erros individuais fizeram sofrer a Massa na etapa inicial.

Já no retorno para o segundo tempo, entrou Fabiano no lugar de Evandro. Entrou para empatar o jogo, logo no começo, após a expulsão do lateral americano. Antes, já havia perdido um gol feito depois do passe de Tardelli. Enquanto isso, Aranha tratava de reconquistar a confiança da torcida, que já clamava por Carini.

Em igualdade de jogadores e com o jogo completamente aberto, Luxa resolveu colocar experiência em campo. Junior entrou no lugar de Leandro, e Marques no lugar de Muriqui. Chances perdidas de ambos os lados, com bola na trave de Muriqui e defesas importantes do atabalhoado Aranha, e o surgimento de um baita zagueiro: CAMpos (com sua licença, Elen).

Mas não passou disso! Empate em 1X1 com o América, no primeiro clássico do ano. Início de temporada é assim… Falta ritmo de jogo, condicionamento para os 90 minutos. A perna pesa, assim como as expectativas em cima deste elenco. Por isso, peço serenidade para avaliar este começo insosso.

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Obina é Melhor que Eto’o

sex, 22/01/10
por Christian Munaier |

Arte de Daniel ZillerNão sei se será a principal contratação do ano. Mas, com certeza, a contratação do atacante Obina será uma das mais controversas de toda a temporada que se inicia. Por princípio, eu tenho todos os motivos para apoiar: Primeiro, porque já foi contratado; segundo, porque tem o aval do técnico Vanderlei Luxemburgo e vem com um histórico de momentos positivos na carreira. O elefante atrás da orelha se justifica, obviamente, pela não consolidação das expectativas que Flamengo e Palmeiras depositaram no atacante.

Para trazer ao Terreirão opiniões externas, recorri a alguém que não tem o menor motivo para dizer meias palavras sobre o Obina, o blogueiro do Flamengo, Arthur Muhlemberg.

Peço licença à torcida do Galo por estar penetrando em seu sagrado terreiro. Bem sei que minha popularidade entre os alvinegros está abaixo de zero e se venho até aqui me dirigir a vocês é apenas em função do espírito pluralista e democrático do Munaier. E, claro, em respeito a um jogador que faz o caminho inverso ao de Marcinho e Dada Maravilha e com o qual, como qualquer rubro-negro com juízo, tenho enorme dívida de gratidão.

Obina não é o bonde que certos uns e outros gostam de fazer parecer. É um jogador cujo currículo nada desprezível o coloca entre os melhores do país na posição. É humilde e não busca se beneficiar de seu tremendo e inegável carisma. E o mais importante, é um cabra dedicado pra caramba, que sempre honrou as camisas que defendeu em sua carreira.

Atleticanos, Obina pode até não ser um portento técnico, mas sempre sai de campo com a camisa encharcada do mais sincero suor e isso vale muito nesses tempos de futebol mercantilista e de playmobils superestimados com salários astronômicos. Não é exatamente esse tipo de jogador que faz sucesso nos times de grande apelo popular? Não desperdicem a chance de torná-lo um ídolo.

Confiem no seu treinador, que além da coleção de títulos já pediu a contratação de Obina por duas vezes consecutivas. Apóiem o bom baiano, cubram-lhe de carinhos, tenham fé em Obina. Quando ele tem o apoio da torcida pode se tornar um jogador extraordinário, capaz das maiores proezas. Obina é do povo, o Galo também não é?

Texto: Arthur Muhlenberg
Arte: Daniel Ziller

Obinando

qui, 21/01/10
por Christian Munaier |

Hoje, desde os primeiros minutos à frente do computador, entre um relatório/ atendimento aos clientes da empresa na qual trabalho e uma espiada no Terreirão, passei defendendo, no Twitter, o apoio maciço da Massa ao atacante Obina. Desde o anúncio feito pelo presidente Alexandre Kalil, Obina tornou-se o assunto de destaque nesta rede social e as opiniões estavam extremamente polarizadas. Assim como estão aqui no Terreiro. Puro reflexo dos sentimentos da Massa.

Em janeiro de 2009, Alexandre Kalil foi até o Flamengo e contratou a “eterna promessa” Tardelli. Convencido por Emerson Leão de que o encostado atacante não era mais aquele garoto-problema, e que, sob a sua batuta, Tardelli poderia render aquilo que sempre se esperou dele, o presidente atleticano atendeu à solicitação do seu técnico e concretizou a negociação. O Terreiro recebeu, na época, agradecimentos esfuziantes dos rubro-negros. Alguns Terreiristas questionaram a contratação. Eis que, com o apoio da Massa Atleticana, Tardelli se transformou no artilheiro do Brasil, no nosso DieGOL.

Obina não é igual ao Tardelli. São perfis diferentes, com idades diferentes e históricos diferentes. Seus posicionamentos em campo são diferentes. Até a negociação foi diferente. O Atlético não pagou um tostão pela aquisição de 50% dos direitos sobre o atleta. Investidores arcaram com o valor pedido pelo time carioca! Mas o caso se assemelha, e muito! Mais um jogador cujo potencial o nosso técnico – desta vez o Luxemburgo – acredita e que, com o carinho e apoio da Massa, poderá nos oferecer o melhor do seu futebol. Assim como no caso do Tardelli, recebemos dos flamenguistas os agradececimentos da remoção do entulho, e toda a sorte de gracejos típicos dos que não tem time pra torcer e preferem bisoiá o time dos outros. Mas, da mesma forma que aconteceu com o artilheiro do Brasileirão e jogador da Seleção Brasileira, Obina poderá deixar de ser uma aposta e virar uma realidade.

O centroavante está com 26 anos. Fará 27 nos próximos dias. Maduro, feridas abertas pelas recentes tropeçadas, sabe que essa poderá ser sua última chance de se consagrar em um grande time. Jogará ao lado de um antigo companheiro, se conquistar a vaga de titular. Não brigará com DieGOL por essa vaga. Nem mesmo com Muriqui. Muriqui poderá ser o terceiro atacante, ou aquele meia-atacante do esquema 4-3-1-2 (posição que o notabilizou no Brasileirão’09).

Na pior das hipóteses, Obina será um reserva de luxo. Opção para o segundo tempo, junto com o Marques, sei lá. Só iremos saber quando a bola rolar. E, se neste sublime momento, Obina ouvir seu nome cantado pela Massa Atleticana… Posso lhes dizer uma coisa: um bom jogador, mesmo ferido de morte, quando ouve a Massa entoar o seu cântico, busca forças de onde só Deus não duvida!

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Capítulo 20: Alberto está a um passo da colheita

ter, 19/01/10
por Christian Munaier |

Elen CAMpos é jornalista, redatora publicitária e roteirista. Retrata, em sua coluna, a saga da Massa Atleticana.

Elen CAMpos é jornalista, redatora publicitária e roteirista. Retrata, em sua coluna, a saga da Massa Atleticana.

Era janeiro e Alberto estava deitado na rede, na casa de praia alugada para as férias. Enfim tinha encontrado tempo para ler sua enciclopédia do Galo, presente de Amigo Oculto da empresa. Em meio às primeiras páginas, deparou-se com a história de José Gomes Ribeiro. Um torcedor atleticano que, lá pelas primeiras décadas de vida do clube, não media esforços para acompanhar o Atlético. Fizesse chuva ou sol, fosse para torcer pelo time, ajudar a acertar o gramado ou pintar as portas do vestiário, apresentava-se altivo, fiel e apaixonado. Não por acaso, foi apelidado de Sempre. E então Alberto pensou no quanto aquele era um nome emblemático, que até hoje traduz a essência do ser atleticano.

Resolveu parar de ler por um instante e pensar mais no assunto. Lembrou que o Atlético sempre foi gigante. Nasceu assim. Não permitiu acesso só de gente endinheirada, tampouco se restringiu a ser equipe de colônia. Sempre foi time do povo, sabendo que o povo engloba mais do que classe social ou renda, envolve democracia, trata de não aceitar limite.

Ponderou que o animal escolhido para mascote não poderia ser outro, senão aquele que sempre acorda primeiro, o galo. Que o hino não poderia ser mais perfeito, é composto na primeira pessoa do plural, prova irrefutável de que, mais do que ser uma torcida que tem um time – como se gabam alguns – trata-se de uma torcida que se confunde com o próprio time. “Nós somos do Clube Atlético Mineiro”, cantarolou. Não importa qual fosse o plantel, a alma atleticana estaria em campo, pra sempre.

Concluiu que sempre foi assim, desde 1908. E que se nos últimos meses há algo de diferente no ar, não tem nada a ver com essência, mas com estrutura. O que anda fazendo a diferença é uma presidência arrojada e honrável, que trabalhou sério e de forma transparente, tomando decisões que agora reverberavam em equilíbrio de contas, salários em dia, negociações vantajosas, patrocínios à altura. Em um plantel invejável de jogadores que veem no Galo a chance de evoluir e vencer, que comemoram renovação de contrato, até por serem comandados por um técnico da primeira categoria, que escolheu estar aqui, por dinheiro, pelo desafio, pela própria vontade. Em um craque que prefere ficar a ser vendido por milhões. Em goleiro de seleção, meio campo de seleção, ataque de seleção. Sorriu ao sentir que os bons tempos voltaram. Não como sempre, porque nenhuma bela história é feita só de capítulos felizes.

Fez questão de deixar claro para si que tal mudança administrativa e estrutural se deu a partir de 2009, mas que a tradição, o respeito e a importância histórica do Clube Atlético Mineiro não mudaram uma vírgula ao longo de mais de um século: sempre estiveram presente. Inclusive o orgulho de carregar Minas Gerais como sobrenome, que continua o mesmo.

Teve certeza de que o Galo estava a meses de ter sua coleção de títulos aumentada. “Agora é uma questão de tempo”, pensou em voz alta. Então compreendeu o porquê de a torcida estar tão ansiosa, e terminou o raciocínio ratificando que dela não é preciso dizer mais nada. Sabe-se que irá comparecer, vibrar e apaixonar. Mais do que nunca. Como sempre.

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Participe da comunidade TERREIRISTAS, a inovação que o Terreirão trouxe para o projeto Blog dos Torcedores. Lá, você poderá colocar suas fotos com o Manto Sagrado, vídeos do Galo e conhecer todos os Terreiristas. Chats durante as partidas, antes e após. Já são quase 400 Terreiristas participando. Venha agora mesmo! Clique aqui!

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Exclusivo: Fotos do treinamento do Atlético nesta terça-feira, em Araxá

Exclusivo: Fotos do treinamento do Atlético nesta terça-feira, em Araxá

Fotos: Uanderson Leonardo*

A delegação atleticana já está em Araxá, onde terminará a pré-temporada a convite da prefeitura da cidade. Recepcionados por uma multidão alvinegra, os jogadores e comissão técnica fizeram o reconhecimento do gramado do estádio Fausto Alvim, onde o Galo enfrentará, nesta quarta-feira, o Araxá Esporte, amistoso que já tem todos os ingressos vendidos.

As fotos nos foram enviadas pelo são paulino Uanderson Leonardo, a quem agradecemos pela colaboração.



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