O Sonho da Casa Própria
As glórias de um time de futebol estão intimamente ligadas ao seu palco, ou seja, o estádio. Cada time desenhou sua trajetória de sucesso e ganhou novos torcedores geração após geração com a ligação entre seu palco e seus espetáculos em campo. Falaremos hoje desta relação de paixão e identificação que torcidas do mundo inteiro vivem com seus estádios. O Camp Nou para o Barcelona, Old Trafford para o Manchester United, Morumbi para o São Paulo, La Bombonera para o Boca e muitos outros casamentos perfeitos entre a torcida e seus estádios. Contudo, nenhum destes tem a história de identificação e amor que o flamenguista tem pelo Maracanã, palco sagrado rubro-negro onde o time conquistou quase tudo, e onde é ainda hoje temido e respeitado por seus adversários. Qual a diferença da paixão das outras torcidas por seus estádios e a paixão do flamenguista pelo Maraca? Bem, até pouco tempo atrás o Maracanã era o maior estádio do mundo em termos de capacidade e costumava lotar sobretudo nos clássicos rubro-negros, a massa de 32 milhões de torcedores rubro-negros era conhecida também por ser a maior torcida do mundo. Sendo assim, o maior do mundo parecia o lugar perfeito para acomodar a maior torcida do mundo, entretanto, a diferença principal (e o mote deste artigo) é o fato de diferentemente de todos os casamentos citados acima, a união matrimonial Flamengo e Maracanã não existe no papel.
Passaremos então a fazer uma análise de alguns casos importantes do futebol internacional no que diz respeito aos estádios. Analisaremos a história, os dados e os fatos. Não pretendo aqui estabelecer a única saída viável para os problemas rubro-negros, mas sim acender uma discussão sobre como podemos contornar os problemas relacionados à falta de um estádio próprio.
Arsenal: do Highbury ao Emirates
O Arsenal é um clube do norte de Londres, centenário, de muitas glórias e tradições no futebol inglês. Desde 1913 mandava seus jogos no estádio de Highbury, antigo, pequeno e histórico. Cada uma das quatro arquibancadas do estádio respirava história e tinha a influência de fundadores e aficionados pelo time que de uma maneira ou outra contribuíram para sua construção. Os mesmos torcedores apaixonados ajudaram a reconstruir uma das arquibancadas que fora destruída por um bombardeio alemão na segunda Guerra Mundial, onde alguns jogadores do time inclusive combateram e pereceram.
Na década de 1990 o Arsenal investiu mais de £22milhões (70 milhões de reais atualmente) pra remodelar e modernizar o já velho e limitado estádio. Sua capacidade era estimada em algo em torno de 35 mil torcedores, mas a carga de ingressos não passava dos 30 mil por questões de segurança.
Modernizar era preciso, a construção antiga e ultrapassada do Highbury impedia que este fosse expandido, a localização em um bairro residencial, cercado por ruas, sem espaço para estacionamento ou qualquer expansão estavam limitando o e sufocando o crescimento de caixa do clube. Os custos de contratação e manutenção de jogadores tem inflacionado nos últimos anos, para manter um mesmo padrão no plantel, mais dinheiro é gasto ano após ano.
Os empecilhos à construção eram os mesmos de qualquer outro time que queira mudar de estádio em uma cidade grande e abarrotada. Falta de terreno disponível e viável para a construção, passado e história ligados a um estádio. A situação do Arsenal era pior, pois o time estava sediado no norte de Londres, cidade com mais de 20 times de futebol nas três primeiras divisões do campeonato inglês. Mudar o estádio para outro local muito distante poderia fazer o time perder sua identificação com a torcida local que estava delimitada sobretudo por uma questão geográfica dentro da própria cidade.
O projeto do novo estádio era ousado. Construir um estádio desapropriando casas vizinhas ao estádio velho que estavam perdendo valor justamente pela presença do estádio que tumultuava o pacato bairro. O valor da obra era estimado em £ 450 milhões (algo em torno de 2 bilhões de reais).
Como chegar lá? O clube fez um planejamento de longo-prazo. Estipularam metas de conclusão e de utilização do novo estádio. O novo estádio foi construído com verba do patrocinador do time (Emirates), empréstimos feitos junto a bancos e um plano diretor seguido à risca. Usar o estádio em todos os seus aspectos para gerar lucros que ajudaram a pagar a construção do mesmo, mesmo em face dos juros decorrentes do empréstimo, a matemática era apertada porém superavitária.
Resultado: Em 7 de maio de 2006 o Arsenal estava em festa, despedia-se do Highbury enquanto agradecia ao seu velho palco todas as alegrias que este lhe deu, e dirigia-se ao novo e moderno Emirates Stadium, 60.355 lugares, todos com visão perfeita do campo, banheiros limpos e confortáveis, 3 lojas temáticas para o clube (sendo uma mega-store), espaço para eventos, exposições, sala de projeções, centro de imprensa, bares, restaurantes executivo, restaurante VIP, praça de alimentação, acomodação, museu…ouvi dizer que tem até um campo de futebol oficial lá dentro…
O estádio propicia ao clube ganhos diários provenientes da utilização das instalações do clube para fins diversos. O que chama atenção na administração do estádio é o profissionalismo por trás de todo o processo. Cada restaurante do estádio tem um chef e um menu diferente, voltado para diferentes tipos de torcedores com diferentes paladares e diferentes classes sociais. O Emirates possui uma infinidade de espaço para diferentes tipos de eventos a serem realizados em dias de jogos ou em dias sem jogos. A idéia é sempre maximizar o espaço e diversificar a marca Arsenal. O resultado: foi eleito como o melhor local para a realização de eventos em Londres em 2007 (o que não é pouca coisa na segunda maior cidade empresarial do mundo).
Para ajudar a pagar a conta do Emirates, o Highbury entrou na complicada e competente matemática feita para pagar as contas. Funcionou assim: o novo estádio iria melhorar os acessos, receber eventos de negócios e receber turistas. Com isso tudo o bairro se valoriza e o Arsenal construiu no velho Highbury 700 aparamentos studio com 1, 2 ou 3 dormitórios. Antes da conclusão do projeto, mais de 90% das unidades foram vendidas. Cada bloco de apartamentos foi construído mantendo por fora a aparência do estádio, onde era o campo, um jardim iluminado e uma praça lembram que ali o Arsenal se fez grande.
Fatos e curiosidades:
• Por dia, cerca de 100 pessoas fazem o tour pelo estádio com um guia, esses passeios acontecem duas vezes por dia. O preço é em média de £20 libras por pessoa. O passeio termina na mega-store. Dificilmente alguém sai da loja de mãos vazias.
• Todo dia de jogo, o restaurantes dos torcedores oferece um jantar especial que começa a ser servido duas horas e meia antes do jogo. O preço é de £39.90 por pessoa é dá direito à variedade de pratos do buffet (todo jogo uma variedade de pratos diferentes preparados pelo chef do clube). Sempre um ídolo do passado do clube é convidado para interagir com os torcedores enquanto jantam e aguardam o inicio do jogo tendo uma das melhores vistas do estádio. O restaurante fecha meia-hora depois do jogo.
• O Emirates oferece nove espaços executivos. Salas em diferentes formatos com mesa de reuniões, mesas com banquetas, sofás e todo aconchego para que você alugue e realize sua reunião de negócios com vista para o gramado. Se for da sua vontade, o Arsenal providencia hospedagem, traslado e ainda oferece um cardápio variado de pratos a serem servidos de acordo com sua vontade, no horário pretendido após ou antes da reunião. Tudo de acordo com sua vontade e necessidade. O preço do aluguel apenas do espaço para 15 pessoas (sem serviço de buffet) era de £15 mil para o jogo contra o Liverpool do último domingo.
• Cada apartamento construído no novo Highbury custa cerca de £450 mil (2 milhões de reais) multiplicados pelas 700 unidades é igual a £315 milhões (matemática boa essa, lembrando que eles gastaram £450 milhões pra fazer o estádio novo e £100 milhões foram dados pelo patrocinador que comprou o nome do estádio).
A casa do Flamengo
Muita gente acha que a casa do Flamengo é o Maracanã, enganam-se, o Maracanã é da SUDERJ e nós flamenguistas pagamos caro, e muito caro, cada vez que usamos. O Maracanã é um projeto arquitetônico da década de 1950. O projeto do estádio foi concebido como de qualquer outro estádio do seu tempo: receber, acomodar e dispersar grandes públicos com a maior segurança e conforto possível. Os anseios e os projetos do futebol naquela época eram diferentes do que temos hoje em dia. Em 1950, os clubes conseguiam se manter somente com receita de bilheteria e com a mensalidade de alguns poucos sócios. O futebol hoje em dia requer outras fontes de renda. Receitas de bilheteria são ínfimas para a manutenção de um clube de futebol por mais apaixonada que seja a torcida, devido ao aumento dos custos para a manutenção de jogadores, cujos contratos e renovações estão cada vez mais caros, existe a necessidade contínua da prospecção de novos recursos para o futebol mundial. A resposta básica para esta questão toda é estrutura, que passa por Centro de Treinamento confortável, planejamento administrativo e…estádio.
O estádio do Mengão em partes:
Local: Não existe regra para isso, o que define o local é a viabilidade, veremos isso a seguir. O estádio necessita de um espaço considerável além do espaço para a construção em si, necessita de espaço para estacionamento, escoamento da multidão (sem que seja necessário criar enormes bolhas no tráfego da cidade). O local deve ser provido de fácil acesso que, caso não exista, deve ser incluído no orçamento da obra para que quando pronto, possua linhas de ônibus, trem ou metrô atendendo o estádio e suas imediações. Outro mito, o terreno não precisa estar vazio, não se encontra terrenos baldios gigantescos no centro da cidade. Dependendo do local escolhido, as construções são desapropriadas pelo clube para que seja dado espaço para a obra. A população local também não precisa concordar, o acerto é entre a prefeitura (questões relativas a zoneamento urbano e alvará), governo do estado e o clube (ou construtora), associações de bairro tem voz e vez mas por via de regra nenhuma delas vai querer um estádio por perto. O Emirates era odiado pelos moradores da vizinhança, hoje é adorado pois dobrou o preço de propriedades em um bairro quase que inteiro.
Verba: Por via de regra, verbas podem vir de várias partes. Patrocínios, empréstimos, parcerias, enfim, cabe a quem dirige o clube estabelecer um planejamento de longo prazo (20 anos) no qual os custos e os retornos sejam colocados na ponta do lápis. O clube precisa de um plano a ser seguido à risca, que compreenda os benefícios que podem ser extraídos do estádio, bem como os custos que este vai acarretar nas primeiras décadas até que esteja integralmente pago.
Eu não posso deixar de dizer que o Flamengo perdeu o melhor oportunidade para ter seu estádio. Com a Copa de 2014, vários estádios estavam pleiteando candidatura em várias cidades brasileiras. O Rio de Janeiro, por sua vez, estava confirmado como sede desde o primeiro momento, seria a oportunidade ideal para o Flamengo apresentar a proposta de estádio próprio com 60 mil lugares e procurar parceiros para executar a obra. O Maracanã foi duramente criticado pelos especialista inspetores da FIFA, logo essa era a deixa para aposentar o velho Maraca e partirmos pra nossa própria casa. Ao contrário de cidades como São Paulo e Porto Alegre, cujos times tem estádios concorrendo entre si, o Rio de Janeiro não possuía estádios concorrentes e sim o consenso que em benefício do projeto olímpico para 2016, a cidade deveria ser escolhida como sede da Copa 2014. Decidiram reformar o Maracanã pela terceira vez em 10 anos para receber a competição…
Projeto: Muito se fala do novo estádio do Flamengo, mas além do projeto de um mini-estádio na Gávea, não conheço outro projeto completo de viabilização de um estádio. Acho que esse seria o começo, definir o conceito e o que pretendemos com um estádio, capacidade, custos iniciais, área necessária, desenho arquitetônico, enfim, todo o conceito por trás do que queremos no estádio. Depois, o processo continua com definição da área e definição de custos totais, neste instante o clube deve tomar a decisão de seguir e arcar com o ônus do investimento junto com seus possíveis parceiros patrocinadores.
Um estádio do Flamengo não é opção, é necessidade, mais até do que ganhar títulos, voltar a ser o maior vencedor nacional, voltar a acumular glórias internacionais. O estádio do Flamengo é a garantia de que o time continuará a existir como um time de primeiro escalão, o que está seriamente ameaçado pelo rumo atual dos acontecimentos e das decisões tomadas não só no nosso clube, mas também decisões tomadas nos outros clubes que nos deixam um passo atrás em termos de organização, gestão e estrutura.
Finalizo, usando o slogan da FlaTV: faça o Flamengo do tamanho que você quiser. Ao meu ver, se as decisões tomadas até o fim do processo de preparação para a Copa do Mundo de 2014 não forem as corretas, veremos um Flamengo pequenino e acuado frente aos rivais nos anos subseqüentes.
Ighor Melo
Ighor Melo é flamenguista, leitor assíduo do blog, corneteiro e mestrando em Negócios Internacionais e Administração pela Universidade Metropolitana de Londres, pesquisa o poder das torcidas na prospecção de recursos para times de futebol por meio de estratégias de marketing e de administração.
Mengão Sempre
Pra Matar os Cornetas de Raiva
A chapa pode ser quente, mas os números são frios. Roubei esse texto lá do Blog da Flamengonet. Escrito pelo João Simões, que mesmo sob o coro das cornetas mantém o foco na realidade. Porque dizer que o Flamengo não está em evolução é uma tremenda imbecilidade. Quem é João Simões? Nasceu no Rio de Janeiro, em 1970. Formou-se em Engenharia Química em 1993. É autor do livro Olympus: os deuses da Grécia (Litteris, 1999) e do RPG Rebelião: Ascensão e Queda (Daemon e Universo Germinante, 2007). Desde 2000 dedica-se à pesquisa genealógica profissional, com artigos publicados em revistas da área. Com cinco anos de idade já se dizia Flamengo, mesmo sem acompanhar os jogos, o que só passou a fazer em 1978. Estava em casa grudado a um radinho de pilha quando Rondinelli cabeceou para fazer história, e pôde gritar seu primeiro “É Campeão!”. Continua gritando até hoje. Colabora para o Blog da FlamengoNET desde 2004.
O BALANÇO DO BRASILEIRO
Estando sem muito tempo para postar artigos, volto a este espaço desejando um Feliz Natal a todos os amigos do Blog. Deixando a emoção de lado, e a frustração de passar mais um ano sem ganhar o Brasileiro (num campeonato em que estivemos tão perto de conseguir isso; não fossem os tropeços perfeitamente evitáveis, mesmo com todos os problemas, erros, incompetências e burrices, poderíamos ter levantado o caneco do Hexa), faço aqui um rápido balanço numérico do campeonato. Como a matemática é fria, a decepção dos vexames e Maracanazos não cabe na análise.
Jogos: 38
Pontos ganhos: 64
Vitórias: 18 (47%)
Empates: 10 (26%)
Derrotas: 10 (26%)
Gols pró : 67 Média: 1,76
Gols contra: 48 Média: 1,26
Artilheiros: Íbson (11 gols), Léo Moura e Marcelinho Paraíba (8), Obina e Marcinho (7).
- Foi a nossa melhor campanha no período dos pontos corridos com 20 clubes; fizemos 64 pontos, contra 61 no ano passado. Em 2003 chegamos a 66 pontos, mas num torneio com mais participantes (24) e mais jogos. Em colocação não superamos a marca de 2007, quando fomos terceiros colocados, apesar de termos feito mais pontos.
- Igualamos nosso recorde em número de vitórias (18, em 2003), em números absolutos. O percentual de vitórias de 47% é o maior desde 1987, quando tivemos a mesma proporção de jogos vencidos.
- O percentual de derrotas, 26%, é o menor desde 1992, quando tivemos a mesma porcentagem.
- Em números absolutos, foi o melhor ataque de todos os Brasileiros, 67, graças ao número elevado de partidas. A média foi muito boa, simplesmente a mais alta dos últimos 25 anos, e uma das melhores da história. Médias mais altas somente em 1980 e 1982 (2,09, ambas), 1979 (2,1), 1983 (2,19) e 1976 (2,29). Um resultado bizarro, considerando que foi um time com atacantes que marcaram poucas vezes, e com uma infinidade de problemas na armação ofensiva.
- A defesa esteve dentro da média dos últimos três anos, nem muito boa, nem muito ruim.
- A artilharia, como sempre, foi pífia e ridícula. Numa campeonato de quase 40 partidas, o artilheiro teve apenas 11 gols, mesmo assim graças a uma série de pênaltis convertidos. Se considerarmos apenas os atacantes, a marca é ainda mais ridícula, Obina e Marcelinho Paraíba somados não chegam aos gols de Washington ou Keirrisson. Nossos atacantes fizeram menos gols do que veteranos semi-aposentados, como Edmundo e Paulo Baier, do que jogadores que ficaram parados por contusão, como o Borges, e jogadores que foram poupados por campeonatos paralelos, como Washington e Nilmar.
- Concluindo: estamos num patamar mais elevado do que nos últimos anos, quando sofríamos com ameaças de rebaixamento. Temos uma base que já joga junto há bastante tempo, e alguns jogadores poderiam ser melhor aproveitados. Há dois anos seguidos, estivemos entre os cinco melhores times do Brasil. Tivemos alguns jogadores incluídos na Seleção do Campeonato, o que para mim só vai servir para valorizá-los para futuras vendas (aliás, eu acho que esta seleção do campeonato só tem este objetivo mesmo, sinalizar para os empresários: “levem estes!”). É preciso que haja cabeça fria, inteligência e competência para manter o que está funcionando e mudar o que está errado. Se isso vai acontecer, não sei…
João Simões
Mengão Sempre
A Fera do Marketing - Parte 1
Já faz o maior tempão que o assunto marketing esportivo ta sempre presente nos comentários dos torcedores aqui no Urublog. Mas é como se fosse um Cohiba na boca de um não fumante. Com todo o respeito, a maioria absoluta dos que enchem a boca pra falar em marketing não tem a menor idéia do que está dizendo. Há quem confunda marketing com publicidade, promoção ou sei lá o quê. Pra acabar com isso recomendo uma olhadinha na definição de marketing da Wikipédia, que está bem razoável. E pra nos explicar legal o marketing do Mengão convidei uma fera no assunto, talvez a maior de todas elas, pra um bate-papo aqui no Urublog. Presta atenção, galera. Com vocês, João Henrique Areias, o cara quando o assunto é marketing esportivo. Sente só o currículo da fera.
João Henrique Areias, 54, trabalhou na IBM Brasil de 1975 a 1987, nas áreas de vendas, marketing e comunicação. Em 1987, foi convidado pelo presidente do Flamengo Márcio Braga para assumir o marketing do clube, primeiro como diretor depois como vice-presidente. Desenvolveu a comercializou o projeto Copa União 87, que viabilizou o Clube dos 13, com investimentos inéditos no esporte brasileiro, da TV Globo, Coca-Cola, Varig, Editora Abril e Dover. É autor de dois livros Marketing no País do Futebol e Uma Bela Jogada - 20 anos de marketing esportivo, quem contém depoimentos de Zico, Junior, Sávio, Pelé, Ary Vidal, Márcio Braga, Carlos Augusto Montenegro entre outros. Atualmente ministra cursos de gestão e marketing esportivo. Mais detalhes no site www.jhareias.com .
Urublog: João, o marketing esportivo a cada dia ganha maior importância, não só na crônica esportiva que lhe dedica um espaço cada vez maior, mas também na conversa dos torcedores. Entretanto ainda existe uma grande desinformação sobre o que é o marketing esportivo. Você, que considero o inventor do marketing no Flamengo, poderia nos dizer, com exemplos, o que de positivo tem sido feito nessa área no Brasil?
João H. Areias: O Brasil avança a passos lentos nesta área. O marketing é um meio, um canal fundamental para geração de receitas dos clubes e de qualquer empresa. O Internacional e o Corinthians desenvolveram boas ações recentemente envolvendo estádio e torcedores. O São Paulo, clube mais organizado entre os 12 maiores do país, também explora bem. Mas ainda temos muito que desenvolver.
Urublog: Pode nos citar um exemplo negativo?
João H. Areias: O caso Flamengo - Nestlé no ano passado. Foi um festival de erros, com o clube querendo se eximir da culpa e a SUDERJ criticando publicamente a empresa. Ou seja, o cliente é meu (torcedor do Flamengo), mas eu te vendo uma quantidade de ingressos prá você fazer uma promoção com meu cliente e depois se algo dá errado eu não sou co-responsável? Se nos colocarmos do lado das empresas, a decisão de patrocinar o futebol é uma decisão delicada. Os executivos de outros potenciais patrocinadores, ao verem aquela enxurrada de criticas à Nestlé, podem ter redirecionado suas verbas para outros meios de comunicação mais tranqüilos.
Urublog: Pelo que eu pude entender você acha que faltou maior comprometimento do Flamengo nesse caso. O Flamengo não defendeu o seu cliente. O que você me diz então do modo absurdo que esse cliente do Flamengo é tratado pela Suderj, pela PM e pelo próprio Flamengo quando vai ao estádio? Você sabe que de uns anos pra cá a entrada do Maracanã nos jogos do Flamengo se tornou um verdadeiro inferno. Ao se manter essa postura não corremos o risco de matar a galinha dos ovos de ouro?
João H. Areias: Sem dúvida. A paixão do torcedor do Flamengo e grande, mas paciência tem limites. Na parede de cada sala de dirigente deveria ter a foto do torcedor. É para ele que todos os esforços precisam ser direcionados. Eles respondem não apoiando bons projetos, pela total falta de credibilidade gerada por este modelo de gestão.
Continua…
Mengão Sempre
A Fera do Marketing - Parte 2
Urublog: João, você falou em projetos, logicamente que a ética profissional não vai lhe permitir detonar o trabalho feito pelo Depto de Marketing do Flamengo, entretanto a torcida (e eu também) gostaria de saber o que está ao alcance do nosso marketing. Até onde podemos ir, levando em consideração nossas limitações (falta de estádio, ausência de um programa de sócio off rio efetivo, etc.)?
João H. Areias: Com este modelo de gestão do Flamengo, nem um ganhador do prêmio Nobel faria muito mais do que os rapazes estão fazendo. Eles não têm autonomia, são profissionais comandados por dirigentes voluntários e prá piorar tudo (ou quase tudo) precisa ser aprovado por um conselho deliberativo que leva 300/400 pessoas ao plenário (inclusive eu e você que somos conselheiros). Imagine qualquer empresa ter um processo decisório como este?
Se olharmos o núcleo do negócio futebol, como uma pirâmide teremos 3 níveis - no nível mais acima o TIME (visão de curto prazo) que está no campo de visão do torcedor e do dirigente voluntário. No nível abaixo está o ESTÁDIO (visão de médio prazo) com os fatores técnicos (vantagem de jogar em “casa”) e econômico (receitas de estádio) onde o Flamengo perde a oportunidade de faturar alto e na base da pirâmide o CT-Centro de Treinamento (visão de longo prazo) ou fábrica de jogadores.
Em 2006, nos 6 meses que estive no Fla-Futebol, enfatizamos o CT, criamos a primeira campanha EU AMO O FLA, com a camisa desenhada pelo Ziraldo e com o valor arrecadado o Flamengo conseguiu construir os 2 primeiros campos do Ninho do Urubu. Ao mesmo tempo, fomos jogar 16 partidas do Brasileiro em Volta Redonda, que nos permitiu sair de uma receita líquida de apenas 200 mil reais no Brasileiro de 2003, para mais de 3 milhões em 2004. Ali tivemos a oportunidade de gerenciar e criar as receitas de estádio, como se fosse nosso ao contrário do que acontece com o Maracanã.
Note que dou 3 visões para TIME - ESTÁDIO - CT. O dirigente voluntário com mandato de 3 anos (+3 se reeleito) sempre concentrou seus esforços no TIME esquecendo o ESTÁDIO e o CT, por motivos óbvios.
Urublog: João, isso é uma coisa que o torcedor nunca entendeu. Por que se descontinuaram esses projetos que foram bem sucedidos? E acrescento, por que o profissional João H. Areias não continuou esse trabalho que vinha fazendo no clube? A direção não mudou, não houve ruptura política, o que te afastou do Flamengo?
João H. Areias: Houve uma promessa de profissionalização através da criação do Fla-Futebol. O curioso é que o presidente Márcio Braga criou e apoiou a iniciativa, mas alguns dirigentes, como o vice Arthur Rocha, eram contra e faziam de tudo para acabar com o inicio da profissionalização. Conseguiu. Fui o primeiro a perceber e saí. Em seguida veio o caso Dimba e no final do ano o Júnior e o Sobrinho sucumbiram à cultura do dirigente voluntário.
Urublog: João, nota-se claramente que sua visão da administração do Flamengo é muito profissional, voltada para resultados, como deveria ser em qualquer empresa. Mas nós sabemos que o Flamengo não é uma empresa, muito pelo contrário, em certos aspectos é uma verdadeira casa da mãe joana. Considerando-se as limitações impostas pelo nosso estatuto, você vê alguma possibilidade do Flamengo aderir plenamente ao profissionalismo sem que o futebol se separe da parte social do clube ou essa separação preconizada pelo Marcio Braga é mesmo inevitável?
João H. Areias: É um passo inicial, mas acho que a profissionalização deve se estender a todas as áreas, incluindo os esportes olímpicos e o social. A mudança que preconizo, não implica no Flamengo se tornar uma empresa, mas num modelo transitório, com os dirigentes voluntários num conselho gestor e logo abaixo uma diretoria totalmente profissional.
Urublog: Mas a impressão que a maioria dos sócios do Flamengo tem é que essa separação vai colocar nessa empresa que será criada pra gerir o futebol todas as receitas e deixar para o quadro social apenas as dívidas que vem se acumulando nos últimos anos e que são virtualmente impagáveis. Esse risco é real ou tudo não passa de um problema de comunicação?
João H. Areias: É difícil prever. Vai depender de quem gerenciar o projeto. Insisto que um modelo transitório seria mais adequado, formado por uma diretoria profissional abaixo do Conselho Gestor (formado pelo presidente e vice-presidentes eleitos, mais uns 7 rubro-negros notoriamente vencedores em suas áreas de atuação), selecionariam um Diretor Executivo (que faria o papel do presidente no dia a dia) um Diretor Esportivo para atividade-fim (Futebol e Esportes Olímpicos) um Diretor de Negócios para as atividades-meio (marketing, comunicação e tecnologia-novas mídias) e um Econômico para as atividades de retaguarda (administração, finanças, RH, jurídico, patrimônio, etc.), cobriria as duas atividades esportivas. Acrescentaria um Diretor Social (atividade-fim) para cuidar do clube e seus sócios. Este modelo não implicaria em grandes mudanças estatutárias e prepararia o clube para no futuro, se for o caso se transformar empresa em parte ou em sua totalidade.
Urublog: João, pra encerrar essa nossa conversa queremos saber se você ainda tem vontade de trabalhar com o Mengão? Ou essa é uma página virada na sua vida profissional?
João H. Areias: Quero morrer fazendo algo pelo Flamengo. A ele devo minha carreira no esporte. Se não for possível na parte administrativa, gostaria de me dedicar ao Centro de Treinamento que formaria além de jogadores, os profissionais necessários para as diversas áreas
Mengão Sempre
Figurinha Repetida Completa Álbum?
Nunca escondi de ninguém que não era fã do Renato Abreu. Achava ele limitado na criação, e principalmente, que seu único recurso técnico era aquela bicuda que, estatisticamente falando, ia mais pro mato do que pro fundo das redes. Raça e identificação com o Manto ele tinha, inegável, mas a posição de intocável no meio-de-campo com que foi agraciado por Ney Franco não ajudou em nada no desenvolvimento do seu futebol. E muito menos no do Flamengo. Enfim, achei que sua saída foi extremamente benéfica pro Mengão. E os resultados obtidos desde então confirmam o que eu digo.
Entretanto, porém, contudo, Renato deixou umas viúvas na torcida que a cada falta mal cobrada por Ibson, Juan ou Léo Medeiros (sim, ele está de volta à Gávea) se concedem o direito de clamar pelo seu retorno. Depois de uma temporada obscura e regiamente bem remunerada na obscuridade do mundo árabe é o próprio Renato que manda recadinhos dizendo que quer voltar a formar com os guerreiros do Fuderosão.
Como não sou o dono da verdade e entendo menos de futebol que a maioria de vocês, pergunto ao distinto público urubloguiano o que vocês acham da volta de Renato Abreu. Vale à pena pagar seu salário astronômico só pra aumentar as chances de fazer uns gols de falta? Ou é melhor o Mengão mostrar que aprendeu com Sávio, Bebeto e Jonatas que figurinha repetida não completa álbum?
Aos comentários, senhoras e senhores.
Mengão Sempre
Um Flamenguista ao Dia
Galera, dá só uma olhada nesse trabalho do fotografo Masao Goto Filho. Só mesmo o Flamengo pra provocar essas manifestações artísticas de primeiríssima linha. Como vivo repetindo, o Mengão é cultura e a arco-íris não passa de barbárie. Você deve estar se perguntando porque esse post está com a tag Literatura. Ora, meus amigos, o significado da palavra fotografar é escrever (ou desenhar) com a luz, e o Masao Goto Filho simplesmente escreve muuuuito. A dica é do meu amigo de Cabo Frio, o colunista Vitor B. Caldas, que além de escrever nos blogs Ninho da Nação, Blogão do Flamengo e Colunistas do Flamengo ainda arruma tempo pra cuidar da comunidade do Nas Garras do Urubu no Orkut. Valeu, Vitor!
Mengão Sempre
Rubro-Negrismo À Flor da Pele
Era só mais um jogo do Fla-Master, enfrentando um time da cidade de Videira, em Santa Catarina. Uma festa de rubro-negros, reunidos para ver Nunes, Cláudio Adão, Andrade, Rondineli e outros tantos de grandes momentos de nossa história.
Mas para Rondinelli nunca é só mais um jogo.
No primeiro tempo, quando o placar acusava 1×1, o meia Renato Carioca – aquele que veio do América em 1988 e fez boa dupla com Bebeto no ano seguinte – entrou na área pela direita, driblou e sofreu um pênalti. O estádio inteiro viu. Menos o juiz.
Como se o jogo fosse uma final de campeonato, Rondineli avançou contra o juiz, aos brados, e aplicou-lhe um corretivo verbal em altíssimo volume. Precisou ser segurado pelo goleiro Zé Carlos e por outros companheiros. Depois a bola rolou e vencemos por 4×2, com um show particular de Cláudio Adão.
Mas naquele momento, quando Rondineli deixou claro ao juiz que não se brinca com o Flamengo, que quando essa camisa entra em campo tem que ser respeitada por bem ou por mal, cada de um nós desejou que aquela cena fosse vista pelo time atual.
Não é por nada, não. Mas alguém tem que explicar aos jogadores que Rondineli é o Deus da Raça, e que fomos feitos à Sua imagem e semelhança, e que nunca aceitaremos menos do que a Sua maior lição: vestiu rubro-negro, não tem pra ninguém.
A benção, Antônio José Rondineli Tobias.
Mauricio Neves
Mengão Sempre
Que Sacanagem
Mandar o Adílio embora é mais uma daquelas notícias que nos fazem pensar que há males que vem pro mal. O que o Flamengo ganha com isso? Mas pensando melhor, pode ter sido uma ótima. Pro Adílio, lógico, que nunca teve a valorização que merece por tudo que conquistou dentro de campo com o Manto (de Taça Guanabara a Mundial Interclubes, sem jamais ter sido expulso).
Se tivesse jogado e ganhado um décimo do que conquistou em um clube europeu minimamente decente Adílio hoje seria nome de escola, avenida e aeroporto. Como só jogou em Pindorama, nem o Prêmio Belfort Duarte a que fez jus lhe foi entregue. Com esse desprezo às nossas raízes eu nunca vou me acostumar.
A demissão de Adílio é um prego a mais no caixão da tradição. Mas isso não há de ser nada para esse guerreiro. Lembrem-se de que antes de treinar a molecada do Fla o Adílio era o terror treinando o CFZ e passava o rodo nas categorias de base. É evidente que a história do Brown no Flamengo ainda não acabou. Mais cedo ou mais tarde ele voltará, e como é do seu costume, triunfará mais uma vez. Vai na fé, Adílio, pode ter certeza que a Nação nunca vai lhe abandonar. Hasta la vista.
Mengão Sempre
Hey Ho Mengo XXIII
Independência ou morte!
Eu estava lendo o post acima e me bateu aquela perguntinha outrora estampada na capa dos ingleses hardcore do Discharge: Por quê?! Por que não mantivemos a toada, camaradas rubro-negros e camaradas rubro-negras?
Não vou esconder que estou pessoalmente engajado na batalha pela independência do futebol flamengo. Sério mesmo, azar o de vocês que terão de ler essa parada toda semana. Ou melhor, bora levantar essa bandeira, Nação! Não adianta nada pro Mengão ficar nessa onda de sonhar com jogadores de fama (e apenas fama). Não dá certo. Não dá certo! Não dá certo!!! Porra, escapamos do Ronaldo e agora vamos entrar numas de Adriano? Tá certo, ok, se ele assinar, é Flamengo, tamo junto. Mas isso não pode se tornar o eixo estratégico do Mengo.
Digo e repito: o que de melhor podemos fazer em 2009 é iniciar a limpeza do clube, a começar pela tal autonomia. O que entra pro futebol, que pague o futebol. Os outros setores do clube precisam correr atrás de financiamento, não podem estagnar, acomodar. Independência ou morte! O futebol, afinal, é o que move a massa infindável que segue o Manto Sagrado mundo afora.
Vejam bem: fui dar uma espiada no Almanaque do Flamengo, pesquisado e escrito por Roberto Assaf e Clóvis Martins. Totalmente despretensioso, caí justo na página que versa sobre o eterno ano de 1981. Saca só o que eles destacaram entre tantos feitos sinistros e invejados ocorridos naquele período (Estadual, Libertadores e Mundial, tudo num mêszinho só). Abre aspas:
Em entrevista ao Jornal do Brasil, uma semana após a conquista no Japão, o “mago das finanças” rubro-negro, professor Eduardo Mota, explicava a política que permitiu que o Flamengo arrecadasse 400 milhões de cruzeiros e obtivesse um lucro líquido de 40 milhões em toda a temporada, dos quais 13 milhões na vitória de 3 a 0 sobre o Liverpool, em Tóquio, já descontado o pagamento de prêmios e despesas. “Tivemos autonomia no Departamento de Futebol. Todo o dinheiro obtido nos jogos do time fica no próprio departamento. Desde que tal medida foi tomada o clube só fez crescer. Sabendo o que se vai arrecadar e gastar, torna-se fácil administrar”, ressaltou. Em 1981, os jogadores recebiam os prêmios 48 horas após a disputa de cada partida, e os salários eram pagos entre os dias 5 e 10 de cada mês. Só depois é que o futebol extrapolou.
Fecha aspas.
É brincadeira? Tão vendo, galera? O caminho do ouro tá aí. Com o Mengo no seu trilho de normalidade vencedora e organizado, não tem pra ninguém. Ou como diriam os punks paulistanos do Olho Seco: o que poderia segurar O Mais Querido? Nada, nada, nada!
Mas não vamos fingir que as absurdas quantias que giram em torno do futebol não atrapalharam também. “O futebol extrapolou”, escreveram os jornalistas. Mas isso é assunto para outra toada.
E já que o boss falou em “nirvana futebolístico”, dá uma sacada na arte do irmão rubro-negro Rapha Baggas. É todo mundo do Mengão, não tem jeito!
Rondi Ramone é punk, flamengo e acha que o Cuca anda sorridente porque sacou que agora tá num clube vencedor
Mengão Sempre
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