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Carta ao Junior

Qua, 24/12/08
por Arthur Muhlenberg |

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muito tem se falado sobre a profissionalização do futebol do Flamengo, a sua separação da parte social do clube, a criação de uma empresa em moldes modernos, pereré-pão-duro. É ponto pacífico que sem a profissionalização do futebol o Mengão corre perigo esportivo, isto é, pode ficar pra trás em relação aos outros clubes. Mas será que temos mesmo que virar uma empresa? É uma boa conhecer o outro lado da moeda, uma outra visão sobre a questão. Marcio Braga disse em entrevista recente que o Flamengo correu risco sério de fechar as portas em 2004. Ele não estava exagerando, por falta  de dinheiro o Mengão quase foi pro ovo. Salvou o Mengão um acordo de renegociação de dívida trabalhista urdido no TRT por dois juízes rubro-negros, José Saba e Marcelo Antero de Carvalho. Um deles escreveu uma carta pro grande Maestro Junior. A carta está aí pra você ler também.

Caro Junior,

Primeiramente desejo a você e a todos os seus um Feliz Natal.

Segundamente, li, com interesse, o que você falou a jornalistas sobre a possível candidatura do Leonardo à Presidência do CRF.

Realmente, é para ontem a instauração de um regime efetivamente profissional no CRF, no que tange à administração, seja em relação ao futebol, seja em relação aos demais departamentos, inclusive o social.

É impensável que quem almeje ser Presidente do CRF pense exclusivamente em como deve ser gerido o futebol, ainda que esse (futebol) seja o nosso carro chefe.

Administrações falhas têm contribuído sobremaneira para que ocorra uma dicotomia esdrúxula, qual seja, que o Flamengo (futebol) é uma coisa e o Clube de Regatas do Flamengo seja outra.

A própria mídia trata o Flamengo como sendo da torcida, olvidando que este Flamengo é o Clube de Regatas do Flamengo, com toda a sua centenária história, escrita por seus associados!

O Clube de Regatas do Flamengo (e o Flamengo, portanto) pertence aos seus associados, que o construíram.

Nossa torcida, a Nação Rubro Negra (à qual pertenço), é de suma importância, mas nasceu a partir do Clube de Regatas do Flamengo! É importante isso ser ressaltado sempre!

O regime no CRF é presidencialista e, portanto, a implantação de todo tipo de profissionalismo depende exclusivamente da vontade política de quem detenha o poder.

Ser profissional não depende, necessariamente, de ser empresa. Estão aí os exemplos do São Paulo e do Barcelona, ambos geridos com profissionalismo, a despeito de não serem empresas. E quem manda nestes clubes? Presidentes amadores, auxiliados por Vices também amadores!

O Zico (como sempre) foi muito feliz quando disse que a Gávea está uma tristeza e que era maravilhoso, nos sábados, ver os associados, com suas famílias, desfrutando daquele espaço, o que, atualmente, é impensável.

Concordo quando você diz que mudanças radicais fazem-se necessárias, mas, observo, sempre respeitando a história do Maior do Mundo, o Clube de Regatas do Flamengo.

A dívida atual do CRF é tão grande que, se se transformar em empresa, abrirá falência no dia seguinte. Não é possível constituir uma empresa que agregue a parte boa (o futebol), deixando com os associados a parte ruim. Legalmente isto é impensável.

Ao depois, como empresa, perderá uma série de benefícios fiscais que detém como associação sem fins lucrativos.

Sendo presidencialista o regime, repito, é possível dirigir o futebol com autonomia, desde que haja profissionais em postos chaves, profissionais remunerados e capazes, sob as ordens dos Presidente e Vices amadores, mas que pensem e ajam como profissionais. E existem, no CRF, associados amadores capazes de pensar e agir como profissionais.

De todo modo, é sempre bom sabermos que há possibilidade de o CRF (e não apenas o Flamengo-futebol) poder contar com um executivo capaz e com experiência, como o Leonardo, a despeito de a experiência dele ter sido adquirida em “mundo” outro, com cultura e economia diferentes das nossas, o que não invalida esta possibilidade, pois, sendo um cara inteligente, saberá adaptar-se a nosso “mundo”, à nossa cultura.

Outro dia, conversando com o Presidente Márcio Braga, disse-lhe que a idéia do FLA-FUTEBOL foi correta, apenas que foi mal implementada, pois que atropelou a nossa Lei Maior, qual seja, o Estatuto, além de não ter contado com pessoas efetivamente capazes, salvo raríssimas exceções, dentre as quais o incluo. Disse-me ele que errou no timing.

Faço parte de um grupo de associados que tem contribuído positivamente para o CRF, desapegados que somos de exercer necessariamente qualquer cargo, e sempre estaremos dispostos a conversar em prol do CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO.

Por fim, é com extremada alegria que posso sempre bradar aos quatro cantos que o Dida, o Zico, o Junior, o Leandro, o Adílio, o Andrade e tantos outros são e serão sempre nossos ídolos.

Um beijo grande no fundo de seu coração e SRN.

Zé (Saba)

Mengão Sempre

Ôba-ôba Vivo ou Morto. (A caçada ao verme de 100 milhões de patas)

Seg, 17/11/08
por Arthur Muhlenberg |

Robertinha Abala Geral!O alarme soou altão antes mesmo do Ibson ter entrado para a Academia Rubro-Negra de Letras. Dessa vez não era cornetagem, era medo legitimo e justificado. O monstro já tinha dado as caras antes e causado grande estrago. Dessa vez a mobilização das patrulhas oficiais e das milícias vermelho e pretas foi imediata. O bicho tentava entrar no vestiário do Flamengo quando de lá foi expulso aos pontapés pelo Pinheiro e pelo Babão. Sua pista se perdeu na rampa das arquibancadas, o local do seu último avistamento. Onde se meteu esse desgraçado?

Na Gávea ele não vai brotar, isso é certo. Muros, grades, portarias e até as tocas dos gambás passaram por um pente fino completo. Esqueçam a Robertinha por um minuto e botem fé no que eu estou dizendo: simplesmente não há espaço para o maldito ôba-ôba se criar lá onde pousa o Urubu Sinistro. Se ele botar a cara vai levar um pau inesquecível e nunca mais voltará (não antes do Penta-TRI) a perturbar a rotina de trabalho sério e compenetrado que se realiza diuturnamente na Gávea e no Ninho do Urubu. Quem diz isso não é o responsável pela segurança no Flamengo. Quem diz isso é a Maior Torcida do Mundo e seu olho que tudo vê. Vai encarar?

A vigilância será absoluta e todo mundo se responsabilizou em seguir as diretrizes de segurança. Geral vai se submeter aos novos tempos. Entrevistinhas marotas, fotos duvidosas para veículos de baixa credibilidade, bate-bocas estéreis com membros da arco-íris mal vestida e sem título, saidinhas na night em más companhias e todo e qualquer procedimento fora do livro que possa colocar nossa conquista em risco estão proibidas para elenco, comissão técnica, cartolada e até para alguns torcedores adeptos do fanfarronismo (me incluo humildemente nesse bonde). Todos se comprometeram em torno de uma idéia-força: o Mengão não perderá esse hexa pela boca.

Se entregue, Ôba-ôba maldito. Seus dias de malfeitorias na Gávea terminaram. Não encare o que vou dizer como um ameaça, mas sim como uma serena previsão de um breve futuro. Daqui até domingo você será capturado e depois de coberto com piche e penas, será lançado na vala do esquecimento, para que daqui a alguns anos pensem que você nunca sequer existiu. Adeus ôba-ôba nefasto, você agora faz parte do entulho da nossa história. A filosofia da Palhaçadinha Zero vai te derrotar mais uma vez.

Mengão Sempre


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