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O Manto Sagrado Na Pista

Qua, 01/10/08
por Arthur Muhlenberg |

Manto Sagrado - O OriginalA notícia do divórcio já era esperada há algum tempo, mas dado o tamanho dos cônjuges, o maior clube e a maior empresa do país, o impacto do acontecimento ainda será sentido durante muito tempo. Depois de 25 anos de parceria, talvez num dos mais longevos contratos na história dos patrocínios esportivos em todo o mundo, Flamengo e Petrobrás vão abrir. Demorou.

Ninguém discute que 25 anos é muito tempo pra qualquer relação. E essa do Mengão e da petroleira em particular já estava se esgarçando há muito tempo. Não houve mesmo clima pra comemorar bodas de prata. E vamos logo cortando a palhaçadinha e falando francamente: a Petrobrás pediu pra sair. Mas não se lamentem, rubro-negros, ela nunca pagou um preço justo pela brutal exposição que obtinha ao se associar ao Manto Sagrado, que como todos sabem é o mais categorizado e valioso espaço publicitário do país. Isto é um fato. Reitero: - demorô!

Me permitam abandonar a fanfarronice habitual e alinhar alguns poucos argumentos que corroborem minha irredutível opinião: - para o Flamengo, o fim desse patrocínio é uma notícia tão boa quanto o telefonema de Celso Garcia pra Modesto Bria avisando que ia levar um menino chamado Artur pra treinar na Gávea.

O Flamengo finalmente terá a oportunidade de buscar justa remuneração pela cessão de sua valiosíssima imagem e de sua extraordinária e incomparável capacidade de gerar mídia e exposição para as marcas a ele associadas. A Petrobrás pagava apenas 20 milhões de reais por ano para ter suas marcas estampadas no Manto Sagrado em todas as modalidades esportivas. Uma quantia muito próxima a de alguns outros clubes que disputam a Primeira e a Segunda divisão do Brasileiro.

Ora, não é necessário sequer discutir imponderabilidades tais como prestígio nacional e internacional, beleza plástica ou tradição. O simples cotejo entre o número de torcedores do Flamengo e consumidores efetivos de produtos de qualquer outro clube nacional coloca o Flamengo em uma outra categoria muito superior em termos absolutos e relativos. Logo, um contrato que remunera ao Flamengo com quantias muito próximas às pagas aos co-irmãos é essencialmente injusto e leonino.

Para a Petrobrás, que lucra bilhões de dólares por ano e paga 15 salários por ano aos seus diretores 20 milhões é uma quantia ínfima, uma pechincha. Do ponto de vista moral é como se a cada mês a gigante petroleira capitalista e arrogante enquadrasse o modesto e assalariado Flamengo na subida do morro, lhe tomasse o que tem de mais valioso e o deixasse apenas com o da condução para que pudesse continuar trabalhando para ser assaltado no mês seguinte.

Já faz tempo que a Petrobrás não vem tratando o Flamengo com o devido respeito que merecemos. A repetida e abjeta retenção de nossas verbas em função de impedimentos burocráticos facilmente contornáveis quando há boa vontade das partes é imperdoável e indicativa de uma inexplicável predisposição ao dolo. Fala sério. Onde já se viu travar a grana de alguém porque esse alguém tem dívidas? Vou glosar o Nelsão:

Sou um admirador enternecido de todos os que devem, seja gente, seja clube. De resto, olhemos o território nacional, em toda a sua extensão. Difícil encontrar um brasileiro sem dívidas. Insisto: - um brasileiro sem dívidas é o que há mais de mais utópico, inexeqüível e, mesmo, indesejável. Que clube ou pessoa poderia atirar no Flamengo a primeira pedra? Ninguém. Nós vivemos e sobrevivemos à base das dívidas que contraímos, com uma espontaneidade tão amorável e tão brasileira.

E ao mesmo tempo em que nos fazia essa indesculpável cachorrada, a Petrobrás pagava religiosamente o patrocínio do Foguinho, mesmo com o antimpático clube do chororô sendo acusado de ter dois CNPJs  e tendo até que vender o bilau do Manequinho pra consertar as cadeiras destruídas pelas tricoletes enfurecidas no Vazião. Qual a explicação para esse tratamento diferenciado?

A verdade é que o Flamengo tem sua parcela de culpa nesse processo. Depois que o contrato foi fechado em 1983, o que fizeram os homens de marketing do Flamengo? Se acomodaram e foram abrindo as pernas aos poucos, com reajustes pontuais e cessão de áreas maiores da camisa. O resultado mais visível foi a inclusão de cores estranhas ao clube no Manto.

Essa conspurcação, além de ser um sacrilégio, é prova de pusilanimidade e tibieza na hora de negociar com a impiedosa produtora de hidrocarbonetos. Com o fim do contrato o marketing do Flamengo terá a oportunidade de se redimir. Seja qual for o novo patrocinador, que ele seja informado de antemão que verde, amarelo e azul não devem jamais voltar a macular nosso Manto, salvo na forma de escudetos.

É também uma ótima oportunidade para que os patrocínios de cada esporte sejam negociados separadamente, potencializando os ganhos para o clube e seus parceiros. Em outras palavras, tá na hora do marketing do Flamengo aproveitar a oportunidade e boa fase do time para negociar um contrato condizente com o tamanho do Mengão e da sua torcida. De preferência com alguma empresa que não esteja contibuindo de maneira tão decisiva para a destruição do planeta. É hora de mostrar serviço e sensibilidade.

Tenham uma certeza, o fim desse casamento marca o fim de uma era para o futebol nacional. Da mesma maneira que o contrato entre o Flamengo e a Petrobrás foi sempre o grande balizador para todos os outros clubes e seus patrocinadores, a partir do próximo contrato o Flamengo estabelecerá novos paradigmas. Porque esse é o destino do Mengão, ser o grande abre-caminhos do futebol nacional. O Flamengo está na pista. Vamos ver quem é que se garante pra chegar junto.

Mengão Sempre

Olympikus e Adidas anos 80: Tudo a Ver

Sáb, 31/05/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Manto Sagrado


Pra tranqüilizar os rubro-negros menos informados que estão preocupados com uma aparente irrelevância da nossa nova fornecedora de material esportivo, agüentem aí um pouco de história corporativa pra que não se diga tanta besteira e a palhaçadinha se mantenha em níveis aceitáveis. A Olimpikus não é palha, não.  

A Olympikus nasceu como a marca esportiva do grupo calçadista Azaléia no fim dos anos 70. Tradicional fornecedora do vôlei, do atletismo e de várias modalidades olímpicas, tem vestido as delegações brasileiras em Olimpíadas e Pan Americanos desde os anos 90. Desde o ano passado a marca faz parte da maior empresa de calçados e material esportivo do Brasil, a Vulcabrás, que adquiriu o controle acionário da Azaléia. Além da Olympikus, a Vulcabrás é responsável pela distribuição e fabricação da marca Reebok no Brasil.Agora a parte legal desse blá Wall Street Journal: a Vulcabrás tem uma ligação histórica com o Mengão. Pois era a Vulcabrás a distribuidora e fabricante da Adidas no Brasil entre 1974 e 1992, período em que a marca das três listrinhas se popularizou em todo o país nas mangas dos nossos Mantos Sagrados. Ganhamos muito no tempo dessa parceria, aliás, nosso último Brasileiro foi de Adidas. De certa maneira, o coração e alma da Olympikus de 2007 é a Adidas dos nossos gloriosos e inesquecíveis 5 Campeonatos Brasileiros. 

Desde 2001 no Fla, a Nike não soube capitalizar a força do Manto e o potencial comercial da maior torcida do planeta e ainda deu mole atrás de mole na relação com o Mengão. Já vai tarde com suas camisas caras e inencontráveis. Além do contrato recorde com o Mengão, a Olympikus chega com uma estrutura fabril e comercial muito mais responsa do que a da Nike. Esperamos que o desabastecimento de itens de primeira necessidade como Mantos Sagrados, por exemplo, em breve sejam coisas do passado.

A notícia é excelente e chega num grande momento. Não devemos sequer perder tempo especulando como será o design do Manto Sagrado, sabemos que nada e nem ninguém é capaz de fazê-lo feio ou antiestético aos nossos olhos. O importante é que de roupa nova e com dinheiro no bolso o Flamengo começa a respirar novos ares, coisa que há muito a Gávea anda precisando. Tomara que esses novos ares invadam todo o clube e não fiquem apenas no guarda-roupa.

Mengão Sempre

Manto Adidas? Seria Sinistro!

Ter, 06/05/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Manto Sagrado


Não faço a menor idéia de qual será a empresa fornecedora de material pro Mengão. Já tem muita gente apostando na Adidas, mas lembrem-se que a Olimpikus ainda tá no páreo. A galerinha do WE já faz várias projeções. E o Emanno Frota, designer e urublogger, também mandou sua sugestão. Olha só como ia ficar o Manto se fosse da Adidas. Pra variar, achei que o Manto ficou lindão.

Mengão Sempre

É Preto, Vermelho! Balança o Coração da Gente!

Seg, 24/03/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Manto Sagrado

Muita gente já não estava gostando da camisa 3 do Mengão antes mesmo de ver como ela era. Ou porque era fabricada pela Nike (a mais nova vilã de Mengotown), ou porque o listradinho abaixo da gola é feio, ou porque o número dourado lembra vagamente o rubro-negro genérico do vergonhoso campeão da segunda divisão de 1987 (aí quebra geral).Eu mesmo era um que tava cheio de prevenções com a pobre camisetinha. Mas quando eu vi as fotos da peça envergada pelos nossos guerreiros na mítica garagem do remo, a côté du lac, acabei achando a camisa muito bonita.

E digo mais, se tivesse 150 pilas sobrantes certamente a compraria. Não pra usar, mas pra guardar na gaveta dos Mantos Sagrados exóticos, ao lado daquela esquisitíssima camisa azul de 98 (Umbro), da Cobra Coral de 2005 (Nike) ou daquela rara toda vermelhona que marcou nosso 104º aniversário.

A verdade é que seja da Nike, da Adidas, da Bilabong ou da Zorba, o designer precisa ser muito ruim de chinfra pra conseguir estragar uma camisa do Flamengo. A mágica e consagrada combinação do preto com o vermelho, cores da FLN de Daniel Ortega, da CNT de Dolores Ibárruri, das pombas giras, de Balenciaga, Valentino e dos anarcosindicalistas italianos, tem o poder de inflamar as massas. Além de ser bonita e elegante pra caramba.

Deixando a estética de lado e sendo bem objetivo chego à conclusão de que Manto Sagrado bom é Manto Sagrado vencedor. Sabadão contra o Madureirinha o Manto 3 passará pelo seu teste de fogo. Que tal esperar até lá pra decidir se a camisa é feia ou bonita?

Mengão Sempre


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