Rondi Ramone em: Scene Report de Barueri
Uma das paradas mais interessantes no punk são as revistas, os chamados zines. São os veículos de comunicação da cena, feitos por pessoas da própria cena, coisa não profissional, mas menos amadora do que a gestão do Flamengo. Dois dos zines mais interessantes do mundo se chamam Maximum RockNRoll e o Profane Existence, muito por conta de uma parada chamada “scene reports”. Uma coisa tipo assim: tu é um guri do interior do Rio de Janeiro e tem uma cena punk na tua cidade. Tu faz um artigo descrevendo a cena e manda pros caras e o mundo passa a saber da tua parada. Achou emocionante? Ficou com uma súbita esperança na humanidade? Pois é.
Fiquei na vontade de fazer um scene report sobre a galera flamenga em Barueri, já que a coisa toda tava indo para um caminho inevitável de alegria. Maioria rubro-negra, negócio de dia do flamenguista, São Judas Tadeu, G4. Muitos ônibus de vários lugares diferentes, do interior de SP, do sul, de Espírito Santo. Prum scene report eu diria que a cena local flamenga que se deslocou para Barueri é forte, bastante motivada e capaz de feitos formidáveis. No entanto, a banda que se apresentou na gig (termo punk para show) estava extremamente desleixada até para os baixos níveis de exigência do punk rock. Não havia um integrante capaz de reorganizar a sinfonia tosca, resultado da desorientação dos outros membros. Cada um tocando sozinho. E tocando mal. Até o Maldonado desafinou. Podia ser até free jazz. Mas um free jazz de merda. Para fechar, um carinha da banda foi aloprado do palco e saiu dodói, quase como um Sid Vicious, usando seu baixo para bater no público. Mas errou o alvo e acertou o cara mais antigo da cena, responsável pelos grandes momentos da comunidade.
E a comunidade estava cheia de esperança. Uma esperança acumulada e que nunca teve tão perto de se concretizar desde o adorado ano de 1992. É por isso que o Juan precisa entender que um passe errado não é só um passe errado. É uma chance a menos de conquistar um título que nego já está louco de ódio para conquistar. E digo outra parada: se vier esse título, o que vai ser desse país? As ruas ficarão loucas, manicômio nacional. Mas aí é outro papo.
Flamengo é foda. É céu e inferno, lado a lado, um rindo pro outro. Senti um clima de que “acabou” entre muita gente. E o stress entre irmãos rubro-negros só fez confirmar essa sensação. Se eu estivesse escrevendo pra valer o scene report de Barueri, gostaria de ter duas grandes bandas entre a escalação local. Uma se chama Operation Ivy e curtia muito a idéia de camaradagem e companheirismo entre os pares da cena. Diziam em uma letra que “há um clima ruim entre meus irmãos hoje. Somos diferentes? Eu digo que somos iguais e não podemos nos entregar à divisão”. Isso vale pra torcida toda, em todo o Brasil e em todo o mundo. Corneteiros, se liguem! Paz entre nós e força na luta pelo título. Na boa. Hoje é quinta-feira. Amanhã é sexta. E depois é dia de recuperação.
A outra banda é formada por uns malucos comunistas europeus chamados DeadStoolPigeon e diziam o seguinte: “Não há muro alto o suficiente que não possamos escalar… juntos! Há esperança. Esperança pra caralho”.
Tu tá de saco cheio de apoiar o Juan? Pode crer. Mas eu prefiro fazer uma concessão e dar confiança pro cara. Pelo menos até o final da parada. Tão lembrados do gol de placa do Pet no parmera? Vão pro YouTube e vejam quem foi que deu o passe certo e bonitão pro sérvio. Não quero perder outro campeonato só pra dizer, no fim, que eu tinha a razão em não apoiar os caras. Isso é coisa de arco-íris. E não se esqueçam: perdemos um jogo depois de dez e estes jogadores que foram lixo ontem, arregaçaram e arregaçarão uma porção de outros jogos. Bora construir uma nova sequência. Lotar o Maraca, que logo não estará entre nós. O melhor para o Flamengo, sempre.
Unidade nos faz mais fortes. Unidade trará a evolução.
Rondi Ramone é flamengo, punk e tá cagando e andando pra negocinho de mala branca.
Mengão Sempre
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