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Hey Ho Mengo XXV split Seja Na Terra, Seja no Mar

Ter, 06/01/09
por Arthur Muhlenberg |

sejanaterrasejanomar0057.gifAí, Nação. Quem virou o ano vestindo o Manto? Até eu que não acredito em nada vesti o meu (para garantir, não é mesmo?). Isso se chama dialética do mallandro. Ha ha. E antes de entrar no assunto da semana, vou logo dizendo que o novo acordo ortográfico que espere até 2012. Não vou perder meu tempo corrigindo microondas por micro-ondas – até porque não sei quando usaria este tipo de palavra aqui no Urublog. Talvez numa metáfora ultra clichê jornalística do tipo “com a insatisfação do elenco, que se recusa a treinar em dois períodos, Cuca está sendo cozido nomicroondas”.

Bom, depois desse nariz-de-cera, mais bem conhecida como “enrolação para começar o texto”, não há nada a não ser manifestar minha tristeza com o seguinte fato: o assunto desta semana é quase o mesmo da semana passada. E a culpa é de quem? Do calendário, que nos prega esta peça, nos aplica esta tortura, de combinar as nossas férias (para quem tem férias) com as férias do futebol. Pelo menos do futebol profissional, tenho certeza que nas várzeas e praias a bola corre solta.

Eis, portanto, o Grande Tema, debatido em cada círculo rubro-negro que se amontoa por aí: cadê os reforços? Diretoria acha que tá tudo tranqüilo, pode mandar o Kleber Leite para férias? A coisa tá tão boa que podemos nos dar ao luxo de liberar o Vandinho, pelo qual pagamos R$ 2 milhõezinhos de leve; o luxo de renovar o contrato do Sambueza para entregarmos para equipes de segunda divisão? Não temos problemas na zaga? Vale lembrar que não deixamos de ser campões por falta de gols – índice que lideramos no certame – mas pela quantidade de gols sofridos.

Revolta, revolta e mais revolta. Acima de tudo, um puta dilema: apostar no entrosamento ou na contratação de sujeitos que sabemos que jogam bem de forma isolada, mas que não há como ter certeza sobre seu desempenho num coletivo diferente?

Camaradas rubro-negros, camaradas de fé: eu posso estar enganado, mas quais foram os exemplos de soluções externas que vingaram no Mengo? OK, Fábio Luciano. Este, sim, cabe dentro do quesito “exceção que comprova a regra”. Fora isso, meus companheiros…

Sabe-se lá porquê, mas no Mengo é assim. O sujeito, pra dar certo, precisa virar rubro-negro. Nada que não seja rubro-negro dá certo de verdade. E foi sempre assim. Nestor de Barros, um dos fundadores do clube, teve essa sacada extraordinária. Em 1896, um ano após a fundação, sugeriu a retirada das cores azul-anil, parte externa do pavilhão do clube (formada por listras azuis e douradas, com exceção do quadro negro e seus dois remos vermelhos cruzados). Motivo? O tecido importado para a confecção do colorido pavilhão e uniformes desbotava e era caros demais. Desbotava! Sobrou o quê? O resistente e local vermelho e o negro.

No Mengo, o que é importado desbota. Precisa, no mínimo, um tempo de adaptação para que se transforme em rubro-negro. Rubro-Negro de verdade. Vamos dar a chance pra rapaziada que tá aí, Nação. Boto mais fé num Everton já ambientado, jovem, cheio de energia para dar e no nosso prata-da-casa Erick, do que num Zé Roberto ex-chororô. Na moral.

Agora, é o seguinte: se liguem nestes sons dos jamaicanos do Toots and the Maytals. Não é punk, mas é quase isso. Estou vidradão nisso, a semana toda.

P.S. maneiro: criei um e-mail pra vocês me espinafrarem, elogiarem, trocarem discografias de punk rock e literatura sobre o Mengão! rondiramone@gmail.com

P.S. 2: Que moral o patrão me deu, liberando uma tirinha fuderosa do André Dahmer e do Arnaldo Branco. Curtiram? Comentem aí!

P.S. 3: Começarei a campanha “Construam logo esse CT!” Esta nota estará presente em todas as colunas, até que seja “construído logo esse CT!”

Rondi Ramone é flamengo, punk, e acha que desse time que disputa a Copinha, o Camacho precisava subir para o quadro principal.

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo XXIV

Qua, 31/12/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Hey Ho Mengo

Haverá futuro?

O palestino é meu amigo: mexeu com ele, mexeu comigo!O ano acabou. Na boa, ainda bem. Puta ano mala, responsável por esquecermos que até taça levantamos. Infelizmente a meia dúzia de pisadas na bola conseguiu a façanha de esquecermos que 2008 foi ano de título. Eu fui lá, não esquecerei. Foi o meu dia mais feliz. É isso aí, Mengão levantou título? Portanto é o meu dia mais feliz. Foda-se.

Mas de retrospectiva todo mundo já tá ligado. O que importa pra torcida, agora, é o futuro. Mais ou menos na linha dos punks paulistanos do Olho Seco: haverá futuro? Nego tá por aí, pelos cantos, reclamando:

- “Caraca, todo mundo contratando bem, menos nós!”

- “Estamos sem time, sem pai e sem mãe!”

- “Fodeu, o Adriano não vem!”

Pera lá, pera lá, afoitos irrecuperáveis! Ponham os melhores do mundo para jogar sem treino e deles não sairá nada. Ponham jogadores humildes para jogar por um ano e sairá alguma coisa. E nós? Não temos os melhores, mas estamos longe de sermos o Vasco, por exemplo (RISOS). Entraremos em 2009 com um time que todos nós sabemos do potencial.

- “Mas só nos encheu de decepção em 2008″.

É verdade. Mas, ao contrário dos mancheteiros de jornais, tenho a clareza de que é tudo uma questão de treino. O ex-treinador, Nerd Jr., não conseguiu armar um time que se faça forte em casa. Nos demos mal justo aí. E essa é a primeira lição que Cuca deve aprender. E o novo-velho Cuca já deu algumas boas mostras de como irá trabalhar: duro, sem frescura.

Confesso a vocês que estou bastante aliviado. Sem estrelas e com as atenções midiáticas em outros domínios seremos mais perigosos. Não acredito nessas paradas de renovar tudo por conta da mudança de calendário. Até porque esquecer o passado não ajuda a construir o futuro. Não podemos esquecer nunca as presepadas que fizemos. Achei muito foda os DVDs que a Fla Filmes lançou sobre os títulos de 2006, 2007 e 2008. Mas eu quero para sempre recordar dos nossos fracassos: aprender com eles.

E vamos adiante, agora que não há neste mundo quem não fale e clame pela revolução flamenga, pela limpeza administrativa, pelo futuro que será escrito por nós. 2009 tá aí.

Porra, que saudade que eu tô de ver nosso Mengão em campo.

Até a vitória e se amarrem neste som ao vivo dos Ramones, tocando no reveillon de 77/78 em Londres!

Rondi Ramone é flamengo, flamengo, acima de tudo flamengo e é amigo dos palestinos: mexeu com eles, mexeu comigo.

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo XXIII

Ter, 16/12/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Hey Ho Mengo

Independência ou morte!

smells like mengão spiritEu estava lendo o post acima e me bateu aquela perguntinha outrora estampada na capa dos ingleses hardcore do Discharge: Por quê?! Por que não mantivemos a toada, camaradas rubro-negros e camaradas rubro-negras?

Não vou esconder que estou pessoalmente engajado na batalha pela independência do futebol flamengo. Sério mesmo, azar o de vocês que terão de ler essa parada toda semana. Ou melhor, bora levantar essa bandeira, Nação! Não adianta nada pro Mengão ficar nessa onda de sonhar com jogadores de fama (e apenas fama). Não dá certo. Não dá certo! Não dá certo!!! Porra, escapamos do Ronaldo e agora vamos entrar numas de Adriano? Tá certo, ok, se ele assinar, é Flamengo, tamo junto. Mas isso não pode se tornar o eixo estratégico do Mengo.

Digo e repito: o que de melhor podemos fazer em 2009 é iniciar a limpeza do clube, a começar pela tal autonomia. O que entra pro futebol, que pague o futebol. Os outros setores do clube precisam correr atrás de financiamento, não podem estagnar, acomodar. Independência ou morte! O futebol, afinal, é o que move a massa infindável que segue o Manto Sagrado mundo afora.

Vejam bem: fui dar uma espiada no Almanaque do Flamengo, pesquisado e escrito por Roberto Assaf e Clóvis Martins. Totalmente despretensioso, caí justo na página que versa sobre o eterno ano de 1981. Saca só o que eles destacaram entre tantos feitos sinistros e invejados ocorridos naquele período (Estadual, Libertadores e Mundial, tudo num mêszinho só). Abre aspas:

Em entrevista ao Jornal do Brasil, uma semana após a conquista no Japão, o “mago das finanças” rubro-negro, professor Eduardo Mota, explicava a política que permitiu que o Flamengo arrecadasse 400 milhões de cruzeiros e obtivesse um lucro líquido de 40 milhões em toda a temporada, dos quais 13 milhões na vitória de 3 a 0 sobre o Liverpool, em Tóquio, já descontado o pagamento de prêmios e despesas. “Tivemos autonomia no Departamento de Futebol. Todo o dinheiro obtido nos jogos do time fica no próprio departamento. Desde que tal medida foi tomada o clube só fez crescer. Sabendo o que se vai arrecadar e gastar, torna-se fácil administrar”, ressaltou. Em 1981, os jogadores recebiam os prêmios 48 horas após a disputa de cada partida, e os salários eram pagos entre os dias 5 e 10 de cada mês. Só depois é que o futebol extrapolou.

Fecha aspas.

É brincadeira? Tão vendo, galera? O caminho do ouro tá aí. Com o Mengo no seu trilho de normalidade vencedora e organizado, não tem pra ninguém. Ou como diriam os punks paulistanos do Olho Seco: o que poderia segurar O Mais Querido? Nada, nada, nada!

Mas não vamos fingir que as absurdas quantias que giram em torno do futebol não atrapalharam também. “O futebol extrapolou”, escreveram os jornalistas. Mas isso é assunto para outra toada.

E já que o boss falou em “nirvana futebolístico”, dá uma sacada na arte do irmão rubro-negro Rapha Baggas. É todo mundo do Mengão, não tem jeito!

Rondi Ramone é punk, flamengo e acha que o Cuca anda sorridente porque sacou que agora tá num clube vencedor

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo XXII

Ter, 09/12/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Hey Ho Mengo

O futuro está para ser escrito

libere sua fúria (mas muita calma na hora de projetar o futuro do Mengão!)Escrever aqui no Urublog é legal pra cacete. Me faz escutar discos antigos e pensar em que coisas eu posso escrever para alimentar nosso rubronegrismo passeando pela história do punk rock. (Dá até para fingir que sei escrever uma ou outra coisa sobre futebol). O lado ruim é que essa tal de internet e esse tal de jornalismo meio que nos obrigam a escrever sobre a atualidade, as coisas do momento. Mesmo que sejam menos importantes.

Por exemplo, hoje. Eu viria aqui todo feliz da vida para analisar o frustrante (mas importante numa escala progressiva) ano do Mengão, ou para comentar uma ou outra coisa que andei descobrindo. Uma delas, a mais importante de todas desde que comecei a escrever aqui, foi saber que a primeira banda do incrível Joe Strummer (1952-2002, o camisa 10 do punk rock) chamava-se The Vultures. Ou melhor, Os Urubus!

O quê? Não conhece o Joe Strummer? Beleza, é o seguinte: ele era o vocalista do perfeito The Clash. Lembram-se daquele som Should I Stay or Should I Go? Pois bem, é da turma dele. Mas aviso desde já que não é nem de longe a melhor fase da banda. Ouça o primeiro, o segundo e o terceiro discos. São muito melhores, mais ou menos nessa pegada:

Mas o assunto que caiu no nosso colo hoje não é esse. Eu acordei, li os sites, vi que o Ronaldo irá para o Corinthians, li os comentários da galera por aí e tive a impressão de que foi o Zico quem nos deixou. Quer dizer, nem precisa profanar o santo nome em vão. Tive a impressão de que foi o Peu que nos deixou.

Ora, galera. Menos! Eu digo desde já que estou ansioso para ler as avaliações que o patrão fará sobre o Mengo. E eu acho que essa parada do Fofômeno se encaixa perfeitamente. Em primeiro lugar, quero dizer que o clube não ter feito maluquices para tê-lo foi excelente. Ponto pra gente.

“Ponto por quê? Perdemos um grande atacante!”, pensam os mais imediatistas. Eu lhes digo o seguinte: o Flamengo viverá em 2009 um momento de transição. Ou deve viver. Ou TEM QUE VIVER. É o momento de escolhermos entre o salto para o futuro e fortalecer o clube ou vender a alma por um timezinho cheio de nomes. Lembram de 1995? Que benefícios posteriores (ou mesmo naquele momento) nos trouxe o Romário?

E para começar, já digo que se o Fla mandar ver “apenas” na independência do futebol será um enorme salto qualitativo. Aumento de receita e profissionalismo. É assim que a bandinha toca, por hora. Pelo menos até a hora da Revolução.

E prestem atenção nas entrelinhas. A Nike ficou bastante contente com essa parada. Lembram-se que ele só parar na Gávea porque a Nike não o queria na Bambination da Reebok? Ou seja, ou seja, ou seja, a bola está quicando para o tão esperado momento de rompimento com esta empresinha que explora geral e paga muito, mas muito pouco. Se isso se confirmar, mais uma notícia boa. O dia promete!

Só espero que o Parreira, caso seja confirmando, seja técnico de verdade e não um consultor da Traffic dentro do Flamengo. Aí é deixar a raposa cuidando do galinheiro. Vamos ficar atentos e de olhos abertos, Nação. O futuro não foi escrito.

Agora vão ouvir o Clash que vocês ganharão mais.

Rondi Ramone é flamengo, punk e odeia fim de ano com cavadinhas de imprensa sobre contratações.

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo XXI

Ter, 02/12/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Hey Ho Mengo

conway-nov-791.jpgSaudações Rubro-Negras, urubuzada de todos os lugares, idades e cores. Pelo visto tá dureza ver esta Nação dialogar sobre o que está acontecendo e o que irá acontecer com o nosso Mengão. Talvez ninguém perceba, mas isso é apenas um reflexo de erros em cascata. Erros de quem? Do clube? Do técnico? Do Jaílton? Da torcida? Que nada. Ou melhor, um pouco disso tudo.

Pelo que estou percebendo, e não apenas pelos comentários no Urublog, a Nação está em polvorosa (com razão), mas refletindo de forma quase irracional. Quando se está abatido e desorganizado, um sujeito tende a enxergar culpa em tudo o que se mexe. E sem perceber quais são os problemas objetivos do fracasso, não há solução.

O que significa isso? Em primeiro lugar, que precisamos manter a lucidez. Com raiva todos ficamos. Eu quebrei uma ou outra coisa aqui em casa no último domingo e levei esporro da minha namorada. Quem aí também não levou? A bola na trave aos 49 fodeu sinistramente com o meu espírito e nem Joe Strummer foi poupado dos xingamentos que proferi (o Zico eu não xingo nem a pau). “Time incompetente, desgraçado!” Óbvio. E vocês acham que o patrão escreveu seus posts pós-jogo com rancor por conta do quê? Dá para sentir a raiva que ele ficou nas entrelinhas do texto.

O problema, meus caros, é que por sermos a melhor torcida que se tem notícia, em geral não aceitamos críticas. Nem quando elas vêm de dentro. E é um fato: em 2008, a Nação Rubro-Negra não está apresentando suas armas. E aí? Isso quer dizer que a torcida precisa aturar vagabundagem e jogador sem comprometimento ou, simplesmente, perna-de-pau? Não. Mas se tem uma coisa que eu aprendi na minha vida é que a teoria do “quanto pior melhor” não se aplica na prática. Pelos menos não para quem tem boa fé. Esse é o tipo de pensamento político em que um adversário prefere ver sua coletividade na roubada apenas para tomar o lugar de quem ocupa os cargos administrativos. Que se dane a coletividade, pelo bem da minha visão política. Isso é muito asqueroso.

Quanto pior, pior, cambada. Ficar sem Libertadores é pior pro Flamengo. É pior pra gente. Sejamos inteligentes. Vamos passar qualquer tipo de força pros caras. A coleção de vexames que eles nos infligiram será cobrada na devida hora. Não vamos dar tiros no pé. Se nós somos a melhor torcida do mundo, vamos mostrar o porquê. Não há adjetivo que perdure sem um conteúdo que o valha. Tenho certeza que, independente de conseguir a vaga pra Libertadores, devemos cair de pau. Foram inúmeras inconseqüências neste ano. Diretoria que demorou a repor as vendas do nosso ataque titular; técnico inseguro; torcida que demonstrou algumas características que não nos pertencem em 113 de história. Ouvi até nego dizendo que prefere ver o Mengo perder para o Vasco cair. Ou que ficar de fora da Libertadores é melhor para o Flamengo se organizar. Mas o que é isso? Acima de tudo Rubro-Negro, cacete. Sempre. Vencer, vencer, vencer!

Achei uma passagem bastante relevante para o nosso momento, em uma crônica do Nelson Rodrigues. O texto versa sobre uma partida entre América e Flamengo, em 1956, em que o ameriquinha nos venceu por 3 x 2, tendo feito os três primeiros gols. Pertinente para os jogadores e para a torcida também: “(…) Vamos e venhamos: – num clássico como o de ontem, uma contagem de 3 x 0 é, sem dúvida, catastrófica. Vem o segundo tempo e o América parecia, em campo, um time saciado. Dava-se por satisfeito e a experiência ensina que um time saciado está à beira do abismo. Justiça se faça ao Flamengo: – cumpriu toda a etapa complementar com uma alma tremenda. Bonito também o comportamento da torcida rubro-negra. Apesar da derrota aplaudiu o seu time e com razão: – vencido ou vencedor, o Flamengo é sempre Flamengo e para sempre Flamengo“.

Eu quero um time com alma. E eu quero sentir a alma da torcida.

União entre flamengos do Brasil, é o que deve ter!

Rondi Ramone é Mengão, punk e passou a semana ouvindo os anarquistas do Crass.

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo XX

Ter, 25/11/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Hey Ho Mengo

A bola tá com a gente, Nação!Saudações galera rubro-negra. Se o domingo foi escroto em todos os sentidos futebolísticos possíveis, nada melhor do que passar uma segunda-feira ouvindo os clássicos da música rubro-negra (só nós temos esse tipo de privilégio) e ignorando totalmente os programas de rádio e tevê.

Quero dizer o seguinte: estou orgulhoso do meu clube. Só se fala dele. Quem é a favor de nóis lamenta, quem é contra nóis se alegra, como já dito no post abaixo. E digo mais: só perdemos esta partida por conta do espírito imaculado de querer vencer, vencer, vencer. Tivéssemos a alma corrompida e abjeta, teríamos tentado segurar um empatezinho escroto. Mas, não, jogamos para frente, o tempo todo. Mesmo que com dificuldades no primeiro tempo. Não importa. Empatamos a partida lá pela metade do segundo tempo e, independente das facilidades futuras que o resultado nos traria, o Mengão não furtou em ouvir “vai pra cima deles”.

Não vou entrar numas de crucificar o Juan pelo gol que perdeu. Vou dizer a verdade: o cara tava sem ângulo. O fato significativo, eu sei, de não haver entre ele e o gol a figura do goleiro não faz a coisa ficar mais fácil. Ainda mais pelo comprimento humilde da perna do sujeito.

Só me resta citar algumas das coisas que me chamaram mais atenção. A primeira é como o Obina funciona quando tá mais magro. E ele está mais magro. Eu confesso que enxerguei um ou dois ossos saltando para fora do rosto do Anjo Negro. Quase como se estivessem querendo fugir dali. Surpreendeu-me positivamente até o Tardelli. Ele sabe jogar. Mas ainda precisa de um semestre na Escola de Rubro-Negrismo Racional Alberto Borgerth. Digo até que, nesta partida, ele passou por um tipo de supletivo, um semestre inteiro em 20 minutos. Jogou pra frente, criou duas chances excelentes, além dos impedimentos mal marcados do bandeira-lango-lango (só sabia levantar o braço) e o pênalti hediondo.

Fora isso, sejamos sinceros: nossa reta é ascendente. Desde 2006, mais especificamente no gol do Obina, o primeiro da final da Copa do Brasil contra o time que está disputando a pré-Série B 2009. Dali em diante apenas crescemos. Fora do campo e, conseqüentemente, dentro dele.

Pelo que estamos sabendo, as notícias para o clube em 2009 são melhores do que as para 2008. Profissionalização do futebol flamengo, aumento nas receitas etc. E, para melhorar, o presidente Márcio Braga declarando que dará maior respaldo para o uso de jogadores da base no time principal. Não que todos eles sejam craques e, além do mais, para que encher o cofre de dinheiro se não o usaremos? Mas, entre nós: Erick Flores não dá um banho no Everton? Egídio não supera o Eltinho? E o que dizer do Airton… foi só o moleque sair de campo que nossa defesa passou a ser ameaçada constantemente.

Enfim, não citei nada punk até agora e nem vou citar. Já que geral me pede para lembrar de outras paradas além do estilo criado pelos Ramones, apropriado pelos ingleses e totalmente surrupiado mundo afora, vou mandar ver um Jorge Ben. O maior rubro-negra da música mundial. Lembram deste som aí?

Cadê o pênalti que não deram pra gente no primeiro tempo? Vencer era uma necessidade. Um privilégio fazer planos e classificar. Sonhar, jogar, decidir e ganhar. Depois de festejar, se banhar num mar de rosas. Mas como não foi possível isso tudo acontecer? A cidade, magoada e triste, grita e chora e pergunta pra você: Cadê o pênalti?

Bora geral, que essa vaga nós vamos trazer nos dentes!

Rondi Ramone é flamengo, punk e sugere que todo mundo aí ouça os holandeses do The Ex, tocando na Etiópia, em 2004.

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo XIX

Ter, 18/11/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Hey Ho Mengo

Vai pra cima deles, Mengo!Sem brincadeira mesmo, vou passar um pano pro boss e dizer publicamente que esta de Mengão Lobo Mauzão foi a p***a mais engraçada que li este mês. Hahaha. Muito bom e resumiu rigorosamente a aniquilação de porcos domingo passado. Para vegetariano nenhum botar defeito.

O Mengo provou que é dos Ramones, que é Fodalhão demais para Morrer. Obrigou os experts a falarem que “a briga pelo título vai até o Flamengo”. Na coluna da semana passada que escrevi e não publiquei por sérios problemas de capacidades cognitivas, eu dizia que estava de saco cheio de ganhar jogando como lixo. Óbvio que mais saco cheio ainda estaria se nem ganhando estivéssemos.

E eis que domingo passado fiz a minha preparação habitual para os jogos que não posso ir ao Maracanã (e todo estádio do Brasil onde há rubronegros passa a se tornar Maracanã), coloquei meus vídeos de hardcore e punk para entrar no clima de ver tudo em vermelho, do Minor Threat, fiz meu café preto para tomar na caneca de uso exclusivo de um flamengo. E fiquei ali na expectativa de que baixasse um espírito de Andrade, uma criatividade de Adílio, que o gol se feche como com Raul e Cantarele e que Zico sorria pro nosso lado. Eu quero ver gol, raça e quero ver bola boa rolando. Afinal, foi assim que me tornei flamengo. E é assim que a gurizadinha também se tornará. E o resto da história todo mundo já conhece: o melhor jogo do campeonato.

Neste final de semana a partida é complicada. Cruzeiro no Mineirão. O único lugar do mundo onde os caras jogam bem (é só sair de lá que a chinelada rola solta). Mas Minas Gerais é um Estado Flamengo também e o Maracanã será reproduzido em pleno Mineirão. Tenho certeza disso. De São Paulo eu garanto que sairá excursão. Aposto que do Rio também sairá. E do Espírito Santo. Às estradas, pelo Flamengo, gente moça!

Só me permitam escrever um P.S.zinho: o que tem vascaíno e tricolor (hein? Vitrola? Existe isso?) doidinho para entregar seus respectivos jogos para que o Mengo não seja hexa… Que vergonha, arco-íris, preferem ver seus times rebaixados? Mais um exemplo na lata de que eles torcem primeiro contra o Mengão, depois para seus clubes. Inveja é uma merda.

Rondi Ramone é mengão, punk e acha que os vices têm trauma do penta de 1992.

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo XVIII

Qua, 05/11/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Hey Ho Mengo

garraCês tão lembrados dum moleque que, dia desses, veio me dizer como era boa a sensação de ver o Mengo disputando o título pra valer? Não é o que ele andou me dando umas broncas? Tudo porque o guri me pegou meio que de cabeça quente, indignado com a atuação do Mengão, especialmente na última partida.

  

- Vai ficar putinho porque o time jogou mal?
Putinho? Eu estou demolido. Eu quero o caos. Aniquilação total daquela cambada de vagabundo. O Mengão não vestiu os coturnos da humildade. O Angelim é que tá certo…
- E daí? Puto eu também fiquei. Só que fim de semana tem jogo de novo. Vai desencanar? Não ficou o ano todo obcecado pelo Flamengo?
- Ano todo? A vida toda, cacete. Eu nasci obcecado. Eu vivo obcecado. Ser flamengo é ser obcecado.
- Então pára com esse pessimismo que isso tá parecendo coisa do botafoguense! Rondi, tu tem problema de memória?
- Sou meio disléxico, mas nada demais. 
- Esquece as próprias coisas que escreve?
- Como assim, seu folgado? Vai dar palpite no que eu escrevo?
- Palpite, não. Vou te recordar. Ou vai esquecer daquele papo citando os zapatistas mexicanos, de que a boa característica da Nação Rubro-Negra era inspirada na política de “caminhar perguntando” e o time “mandar obedecendo”? Pois é isso que nós temos que fazer. Ir pro Maraca, ou pros botecos de todo o mundo, apoiar, cantar e, ao mesmo tempo, cobrar por mudanças. Pedir banco pro Kleberson; perguntar onde está o futebol do Paraíba e por que ainda não temos jogadas bem executadas dentro de campo. Afinal, nós cantamos para ninguém além de nós mesmos. Nós somos o Flamengo, cacete. Somos nós que sacaneamos a arco-íris e somos nós que somos sacaneados. Portanto não me venha com frescuras, escreve lá que é pra cobrar e pra apoiar. São coisas complementares.
- Tu tem razão, guri. Folgadinho, mas tem razão.
- Claro que tenho. E digo mais: é a primeira vez que vejo o título tão perto. É a primeira vez que, na pior das hipóteses, no nosso pior momento, estávamos em 7º. Não vai tirar de mim essa alegria de ser rubro-negro. Lembra do Cólera? “Forte e grande é você”. Forte e grande é o Mengão, diabo.
- Beleza, vou entrar numas de Fogo Cruzado e clamar pela “união entre flamengos do Brasil”.

Estou convencido da tese que copiei dos índios mexicanos. Eu estou junto. Mas junto pra cobrar também. O que não tem nada a ver com entrar de sola para encher o saco dos jogadores. Em cada campo do Brasil a Nação tem que lotar e fazer sua parte. O time tem que fazer a parte dele. E a diretoria a sua. Um corpo saudável precisa de todos os órgãos. Nós somos o coração, cambada. Se o coração não bate, não tem corpo que se sustente. Não vamos cair na armadilha do campeonato paulista-brasileiro-de-produtividade-pontos-corridos-Fiesp. Mengão é vida e é muito maior do que tudo. Nosso lema é vencer, vencer, vencer, claro. Mas, sobretudo, vencer moralmente.

Dentre as bandas que eu mais curto, uma é canadense e se chama Submission Hold. Numa letra dos caras, eles falam que “nós caímos e caímos. Mas eu tenho esperança na construção de um novo equilíbrio. Vim aqui muitas vezes. Este é um espaço de repetição. E eu sou nada se não persistente”. Essa apatia toda, dentro do campo, dentro da diretoria, na comissão técnica e em setores da torcida, precisa ser substituída por algo positivo, precisa daquela coisinha louca que a gente chama de “orgulho de ser rubro-negro”.

Hilário Franco Jr., professor de mestrado cabeção da USP, no livro A Dança dos Deuses, escreveu que “se a relação entre torcedor e clube é flutuante, oscila entre momentos de amor extremado e outros de indiferença ou mesmo de raiva, não é em função das fases vitoriosas ou não do clube. É porque a ambivalência do sagrado ao mesmo tempo fascina e assusta, atrai e repele”.

Só que no Fla o buraco é mais embaixo, professor. Aqui não tem torcida, tem Nação. Conte comigo, Mengão.

Rondi Ramone é flamengo, punk e pagou de intelectual.

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo XVII

Qua, 29/10/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Hey Ho Mengo

legado da brutalidadeAtitude! Você teve atitude! Foi assim que os Misfits, excelente punk rock de fins de anos 1970 e começo de 1980 de Nova Jérsei, definiram nosso último compromisso. Sobrou pra galera que não toma sol e que ficou muito frustrada pelo jogo ter sido à noite.

Agora o Mengão não pode entrar naquela onda muito bem definida por Nelson Rodrigues quando dizia que “a goleada é o prenúncio do desastre”. Continuo a mencionar a tática de calçar os coturnos da humildade. Aquela humildade pra consumo externo, enquanto dentro do gramado o Mengão deve marchar rumo à libertação de sua Nação. Ou pra continuar nessa pegada Misfits, tudo o que o Fla deve fazer é continuar seu legado de brutalidade.

Mas antes de dar meus pitacos futebolísticos, preciso dar uma zoadinha de leve em um dos clubes que mais nos regozijam com sua existência generosa para conosco: o atual VI-CE-DE-NO-VO, Chorafogo de Futebol e Regatas. Flamengos de todo mundo: como se nota o ridículo de um clube? Vocês sabem como sacar o quão rasteira é a visão de futuro e passado de um dirigente de clube semi-qualquer-coisa?

Pois vou lhes dar um exemplo prático, objetivo e inegável. O pseudo-bafafá que se estabeleceu por conta da evidente troca de endereço para o clássico (para eles). Pouco ouvi argumentos de cunho moral, do que é certo ou errado, dos direitos do mandante e tal e coisa. Prestem atenção no eixo central de argumentação do presidente do Time do Quase: “Há toda a questão financeira por trás. Os nossos camarotes são comercializados no início do campeonato e incluí em seu preço o clássico contra o Flamengo. Sem esse jogo, o consumidor será prejudicado em seu direito”. E a auto-humilhação não pára por aí. Saca só: “O Botafogo ainda sai lesado na exposição de sua marca, já que o seu estádio é um patrimônio que pode ser explorado e, para isso, precisa de visibilidade. Sem a partida contra o Flamengo, esta diminuirá”.

Sai pra lá encosto! Botafogo, eu não quero andar com você, cara, pára de insistir (clica ali, malandro, é Ramones)! Quando no Manifesto Comunista Marx e Engels clamaram pela união do proletariado contra a exploração patronal, eles não podiam prever que um dia, com tamanho sucesso, o proletariado de vermelho e preto teria força o suficiente para avacalhar legal com a agremiação burguesa. Porra, deu vontade de rir alto.

Os caras tão tristes porque aguardavam esse como O DIA de salvação financeira. Já era, Chorafogo. As relações de trabalho mudaram. Vão explorar outro otário. Vamos lá: risada, risada, risada, risada.

Nesse clima festivo, pergunto: qual é o espírito de vocês, rubro-negros? Já vimos que a galera da área baiana tá fervendo. Vai lotar o estádio, dar uma contribuída inevitável para as finanças do Vitória (morra de inveja Chorafogo) e levar o Mengão a mais uma etapa protocolar para conclusão vencedora deste campeonato sem graça. O corneteiro morreu e seu enterro foi decretado oficial pela crônica do chefe dias atrás.

Agora a massa enlouquecerá coletivamente. O ano terminará em vermelho e preto. Se jogar mal não tem problema. Flamengo vem antes do futebol.

Rondi Ramone é flamengo, punk e não tem pena de cachorrada morta.

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo XVI

Ter, 21/10/08
por Arthur Muhlenberg |
categoria Hey Ho Mengo

galera-da-tonu.JPGSe há uma banda citada repetidamente neste espaço é o Black (and Red) Flag. Além de fazer um som animalesco, raivoso e brutalizador, as letras batem com os momentos pelos quais o Mengão passa no campeonato. Por exemplo, para o próximo confronto de quinta-feira, contra a alemãozada de Curitiba, alguma coisa encaixaria melhor do que a música “Revenge” (vingança)? Se houver uma música mais adequada, podem me mandar a dica que eu comento. Aliás, tá lançado o desafio: façam sugestões de músicas que se adaptem à situação do Mais Querido.

No primeiro turno essa turma que sofre da ausência crônica de sol e vitamina D nos ganhou por conta da escalação de um famoso jogador chamado CAGADA. Com um futebolzinho oriundo da Série B, retrancadinho e zé ruela, conseguiram fazer um gol sem querer e segurar a blitzkrieg do Mengão. Dali em diante, por conta da venda de alguns de nossos guerreiros, entramos numa fasezinha sem-vergonha do campeonato. Maldita janela de transferências. Maldito capitalismo.

Pois bem, agora é a hora em que a brincadeira penderá para o lado oposto. Esta vitória contra o Coxa nos colocará legal na rota rumo ao hexa. Alguém duvida? Semana passada foi aquela raiva por conta do vexame contra o Representante Mineiro Vindo da Série B, os eternos fregueses. Hoje a brincadeira já mudou de tom e os analistas de plantão tiveram de, com outras palavras, dizer: “merda, desgraça, a massa voltou”. É como dizem os suecos do International Noise Conspiracy: amanheceu de novo, o clima é outro (se liguem nos caras usando o Manto neste show com os punks do Rancid).

Jogamos mal demais. Graças. A hora é de palhaçadinha zero mesmo. Goleadinha de 1 x 0, daquelas que deixa o rival chateadinho, chorandinho pelas chances que tiveram e que bloqueamos com facilidade entediante. É foda, citando Bezerra, “toda vez que o Flamengo vence é aquele nhenhenhém”. Vão chorar na cama que é lugar quente. Aliás, na boa, já vi o Mengão derrubar de tudo: técnicos, times inteiros, torcidas. Agora, depois de dar mais uma pregada no caixão vascaíno, ver ex-presidente ameaçar o atual foi novidade. Digo o seguinte, correndo o risco de ser polêmico: não há pessoa de boa fé (pode até ser não-flamengo) que aceite um absurdo político como este. Este tipo de dirigente não pode mais ser tolerado. Nós flamengos queremos avacalhar rivais, queremos rir do Vasco, mas com democracia sempre.

Pois bem, agora é com a gente, galera. Leram com atenção o post do Arthur? Pois releiam. Imprimam, copiem-no e colem nos postes, nas casas e nos bares do país e do mundo. Ser flamengo é ser atuante, não um mero expectador. Dia desses ouvi um rapazote rubro-negro me dizer o seguinte: “que foda ver o Mengão disputando o título!”. Melhor ainda é conquistar esse campeonatinho entediante. Só mesmo nós para darmos graça ao certame. Portanto, pensem na letra dos californianos do NOFX, quando eles cantam que devemos fazer isso pela causa. Pela causa flamenga: vencer, vencer, vencer.

PS: se liguem na foto do chefe, junto com a galera firmeza da Torcida Organizada Ninho do Urubu (TONU), de São Luís. Nas palavras do boss, “rapaziada da melhor qualidade em uma das terras mais flamengas do mundo”. Ilha do reggae, ilha do Mengo!

Rondi Ramone é punk, flamengo e já não lembra qual foi a última vez que levou a sério um Flamengo x Vasco.

Mengão Sempre


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