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Maxi e os Rudimentos do Capitalismo.

Qua, 07/01/09
por Arthur Muhlenberg |

Bota o Retrato do Velho Outra Vez. Bota no Mesmo Lugar!Muito legal ver a torcida se mobilizando para a permanência do Vandinho. Ainda que eu não o considere essa coca-cola toda, valeu a união. Fui até elogiado pelo texto do post, que não escrevi, e por estar entrando em sintonia com a torcida. E desde quando a multifragmentada torcida do Flamengo é rádio pra ter que ser sintonizada? E tem mais, eu não sou um dos 2455 signatários do abaixo-assinado.

Nada contra o Vandinho, aliás, muito a favor dele, ainda mais se o comparamos ao inofensivo Josiel, que até agora só conseguiu mostrar que é jogador de timinho e que sentiu o peso do Manto. Mas já não tenho mais idade pra ficar gastando meu tempo com coisas sobre as quais não tenho nenhum poder. E acreditem nesse velho cínico e desiludido, os torcedores não tem o menor poder pra dizer que o Josiel ou o Maxi podem ser vendidos e o Vandinho não.

E não é porque a diretoria do Flamengo só faz cagada e não está nem aí pro que a torcida pede. Não, meus amigos. É que a tão esculhambada diretoria do Flamengo nesse caso também não tem nenhum poder. Porque o mercado em que o futebol se transformou só respeita as suas próprias leis. E lei que ta vigindo nesse caso é a tradicional e imutável lei da oferta e da procura.

Seria muito bom o nosso mundinho se quem determinasse a direção que a demanda tomasse fosse o vendedor. Mas, infelizmente para nós, é exatamente o contrário. Na hora de fazer negócio o privilégio da escolha é do comprador e de mais ninguém. Por isso que não adianta absolutamente porra nenhuma ficar esbravejando que o Flamengo tinha que vender o Maxi ou o Tardelli. O Flamengo não pode fazer nada se o mercado de bondes está estagnado. A crise é mundial.

E cá pra nós, se você olhar com olhos de comprador pro elenco do Flamengo, em especial para a gôndola de atacantes, quem é que vale a pena comprar? Obina não dá, só joga no Flamengo e deve custar bilhões de dólares. Se fosse possível para algum clube na terra comprar o Obina o Milan ou o Manchester já o teriam comprado.

Maxi também não parece ter muito espaço, já que o mercado pra atacantes pigmeus que não fazem gol também ta desaquecido. Tardelli é um péssimo negócio, provou isso mais uma vez pela sequencia de presepadas que protagonizou em seu primeiro ano na Gavea. Josiel, bem, o Josiel é um…, é um Josiel. Tal qualificação dispensa comentários.

Todo mundo concorda que o Flamengo tem que ter uma administração profissionalizada, com objetivos claros e transparência. Bom, o primeiro preceito de uma administração decente é não gastar mais do que se arrecada. O Flamengo precisa reduzir a folha de 2 paus por mês em pelo menos 20% pra se adequar aos novos tempos e só pode fazer isso desinchando o elenco.

Te peço que incorpore por 3 segundos o espirito do caboclo Adan Smith e me diga. Quem é ali no nosso elenco que tem algum valor de mercado? É, ele mesmo, o Vandinho. E agora, como é fica, o Flamengo acerta as contas ou agrada à torcida? Por mim acerta as contas, e pra você?

Mengão Sempre

As Veias Abertas do Rubronegrismo

Qui, 01/01/09
por Arthur Muhlenberg |

Henrique, Dida e Gérson com o MantoNão vejo a hora do Carioca começar. Não estou suportando sequer entrar na home do Flamengo aqui no globoesporte.com. Um monte de noticia nada a ver, que não dizem absolutamente nada para o heróico torcedor rubronegro. E juro para vocês que não é pela falta de noticias sobre contratações de impacto pro Fuderosão. Então trato de procurar outras leituras, mais agradáveis aos sentidos.

Hoje, durante o tradicional assado do primeiro dia do ano, um tio cordobês me mostrou um texto do Eduardo Galeano, escritor uruguaio maluco por futebol e famoso pelo livro cabeça dos anos 70, As Veias Abertas da América Latina, um clássico do tempo em que homem usava cabelo grande e bolsa à tiracolo. O texto, intitulado Por qué Todavia No Me Compré um DVD não tinha uma palavra sequer sobre o belo esporte. Mas dizia mais sobre o momento atual do Flamengo e do futebol do que tudo que tem saído na imprensa especializada nos últimos meses.

Galeano começava o texto assim: “O que acontece é que não consigo andar pelo mundo jogando as coisas fora e trocando pelo modelo seguinte só porque alguém teve a idéia de lhe agregar uma nova função ou diminuir seu tamanho.” E engatava uma segunda nessa linha de raciocínio dizendo que a geração dele (mais próxima da minha do que da molecada criada no danoninho) sempre teve dificuldade para jogar as coisas fora. Que foram ensinados desde pequenos que as coisas devem ser guardadas para que um dia voltassem a ter utilidade.

Depois de explanar longa e brilhantemente sobre a quantidade de coisas que, seguindo o conselho de pais e avós, guardou durante muitos e muitos anos nas gavetas da vida, concluía que no tempo em que Dondon jogava no Andaraí as pessoas compravam coisas para durar não apenas para toda a vida, mas também, para a vida daqueles que os sucederiam e para os filhos destes. Para no final admitir que seu medo era que com a moderna descartabilidade consumista a identidade se vai perdendo e junto com ela a memória coletiva que se vai jogando fora a cada troca de celular, de carro ou de elenco do time no fim de cada temporada. Se tiverem paciência leiam o texto que, infelizmente, só encontrei em espanhol.

Leiam e pensem se essa mania de trocar tudo e de jogar tudo fora ao fim de cada temporada, quando aplicada ao futebol, não acaba por solapar o que pra nós torcedores é o que há de mais precioso, isto é, a identificação do jogador com o clube e, por extensão, com a torcida.

Bem, não faz tanto tempo assim em que qualquer torcedor, até os modinhas e aqueles que só apareciam nas finais, sabia de cor e salteado o nome e as características de todos os jogadores do seu time, reservas e titulares. Não era difícil. Os jogadores ficavam anos nos clubes, criavam raízes. Mesmo os que não fossem cracaços eram queridos e admirados pelos torcedores.

Porque nesse tempo até os perebas do Flamengo tinham valor, porque eram os nossos perebas. Jogavam no nosso time e se orgulhavam para caramba disso. Nunca que um dos nossos dava uma entrevista dizendo que o clube do fulano ou do sicrano tinha mais estrutura ou que lá sei onde o salário não atrasava. Era quase como se fizessem parte da família.

E como era mesmo uma família ninguém na torcida aprovava ou achava normal dispensar metade de um elenco de um ano para o outro, ou mandar alguém embora porque teve um ano ruim. Quanta diferença pra hoje em dia. É a própria torcida que exige barcas repletas após cada jogo perdido. E que reclama se não enchemos o carrinho nos Peg-Pag da vida a cada dezembro.

Tal atitude me parece um anti-rubronegrismo perigoso. Porque se tem algo que sempre caracterizou o Flamengo foi a sua permanência e a sua irredutibilidade estóica. Pra dar só um exemplo brutal: vocês não se sentem ofendidos em sua inteligência ao ver que os mesmos boca-moles que clamavam pela eliminação física do Souza em julho agora em janeiro se lamentem porque ele vai jogar na aética gambazada do arraial sem praia? Fala sério.

Tal atitude incoerente não lhes parece uma falta de caráter terminal? Presta atenção torcidão maravilhoso e passional. Será que esse consumismo idiota que agora nos obriga a sempre comprar tudo novo e a jogar fora o que ainda poderia ter uma longa vida útil não está nos fazendo mais infelizes, intolerantes e menos rubronegros a cada ano? Pensem nisso e feliz 2009 pra geral.

Mengão Sempre

A Fera do Marketing - Parte 1

Sex, 19/12/08
por Arthur Muhlenberg |

Já faz o maior tempão que o assunto marketing esportivo ta sempre presente nos comentários dos torcedores aqui no Urublog. Mas é como se fosse um Cohiba na boca de um não fumante. Com todo o respeito, a maioria absoluta dos que enchem a boca pra falar em marketing não tem a menor idéia do que está dizendo. Há quem confunda marketing com publicidade, promoção ou sei lá o quê. Pra acabar com isso recomendo uma olhadinha na definição de marketing da Wikipédia, que está bem razoável. E pra nos explicar legal o marketing do Mengão convidei uma fera no assunto, talvez a maior de todas elas, pra um bate-papo aqui no Urublog. Presta atenção, galera. Com vocês, João Henrique Areias, o cara quando o assunto é marketing esportivo. Sente só o currículo da fera.

João Henrique Areias, 54, trabalhou na IBM Brasil de 1975 a 1987, nas áreas de vendas, marketing e comunicação. Em 1987, foi convidado pelo presidente do Flamengo Márcio Braga para assumir o marketing do clube, primeiro como diretor depois como vice-presidente. Desenvolveu a comercializou o projeto Copa União 87, que viabilizou o Clube dos 13, com investimentos inéditos no esporte brasileiro, da TV Globo, Coca-Cola, Varig, Editora Abril e Dover. É autor de dois livros Marketing no País do Futebol e Uma Bela Jogada - 20 anos de marketing esportivo, quem contém depoimentos de Zico, Junior, Sávio, Pelé, Ary Vidal, Márcio Braga, Carlos Augusto Montenegro entre outros. Atualmente ministra cursos de gestão e marketing esportivo. Mais detalhes no site www.jhareias.com .

Urublog: João, o marketing esportivo a cada dia ganha maior importância, não só na crônica esportiva que lhe dedica um espaço cada vez maior, mas também na conversa dos torcedores. Entretanto ainda existe uma grande desinformação sobre o que é o marketing esportivo. Você, que considero o inventor do marketing no Flamengo, poderia nos dizer, com exemplos, o que de positivo tem sido feito nessa área no Brasil?

João H. Areias: O Brasil avança a passos lentos nesta área. O marketing é um meio, um canal fundamental para geração de receitas dos clubes e de qualquer empresa. O Internacional e o Corinthians desenvolveram boas ações recentemente envolvendo estádio e torcedores. O São Paulo, clube mais organizado entre os 12 maiores do país, também explora bem. Mas ainda temos muito que desenvolver.

Urublog: Pode nos citar um exemplo negativo?

João H. Areias: O caso Flamengo - Nestlé no ano passado. Foi um festival de erros, com o clube querendo se eximir da culpa e a SUDERJ criticando publicamente a empresa. Ou seja, o cliente é meu (torcedor do Flamengo), mas eu te vendo uma quantidade de ingressos prá você fazer uma promoção com meu cliente e depois se algo dá errado eu não sou co-responsável? Se nos colocarmos do lado das empresas, a decisão de patrocinar o futebol é uma decisão delicada. Os executivos de outros potenciais patrocinadores, ao verem aquela enxurrada de criticas à Nestlé, podem ter redirecionado suas verbas para outros meios de comunicação mais tranqüilos.

Urublog: Pelo que eu pude entender você acha que faltou maior comprometimento do Flamengo nesse caso. O Flamengo não defendeu o seu cliente. O que você me diz então do modo absurdo que esse cliente do Flamengo é tratado pela Suderj, pela PM e pelo próprio Flamengo quando vai ao estádio? Você sabe que de uns anos pra cá a entrada do Maracanã nos jogos do Flamengo se tornou um verdadeiro inferno. Ao se manter essa postura não corremos o risco de matar a galinha dos ovos de ouro?

João H. Areias: Sem dúvida. A paixão do torcedor do Flamengo e grande, mas paciência tem limites. Na parede de cada sala de dirigente deveria ter a foto do torcedor. É para ele que todos os esforços precisam ser direcionados. Eles respondem não apoiando bons projetos, pela total falta de credibilidade gerada por este modelo de gestão.

Continua…

Mengão Sempre

A Fera do Marketing - Parte 2

Sex, 19/12/08
por Arthur Muhlenberg |

Urublog: João, você falou em projetos, logicamente que a ética profissional não vai lhe permitir detonar o trabalho feito pelo Depto de Marketing do Flamengo, entretanto a torcida (e eu também) gostaria de saber o que está ao alcance do nosso marketing. Até onde podemos ir, levando em consideração nossas limitações (falta de estádio, ausência de um programa de sócio off rio efetivo, etc.)?

João H. Areias: Com este modelo de gestão do Flamengo, nem um ganhador do prêmio Nobel faria muito mais do que os rapazes estão fazendo. Eles não têm autonomia, são profissionais comandados por dirigentes voluntários e prá piorar tudo (ou quase tudo) precisa ser aprovado por um conselho deliberativo que leva 300/400 pessoas ao plenário (inclusive eu e você que somos conselheiros). Imagine qualquer empresa ter um processo decisório como este?

Se olharmos o núcleo do negócio futebol, como uma pirâmide teremos 3 níveis - no nível mais acima o TIME (visão de curto prazo) que está no campo de visão do torcedor e do dirigente voluntário. No nível abaixo está o ESTÁDIO (visão de médio prazo) com os fatores técnicos (vantagem de jogar em “casa”) e econômico (receitas de estádio) onde o Flamengo perde a oportunidade de faturar alto e na base da pirâmide o CT-Centro de Treinamento (visão de longo prazo) ou fábrica de jogadores.

Em 2006, nos 6 meses que estive no Fla-Futebol, enfatizamos o CT, criamos a primeira campanha EU AMO O FLA, com a camisa desenhada pelo Ziraldo e com o valor arrecadado o Flamengo conseguiu construir os 2 primeiros campos do Ninho do Urubu. Ao mesmo tempo, fomos jogar 16 partidas do Brasileiro em Volta Redonda, que nos permitiu sair de uma receita líquida de apenas 200 mil reais no Brasileiro de 2003, para mais de 3 milhões em 2004. Ali tivemos a oportunidade de gerenciar e criar as receitas de estádio, como se fosse nosso ao contrário do que acontece com o Maracanã.

Note que dou 3 visões para TIME - ESTÁDIO - CT. O dirigente voluntário com mandato de 3 anos (+3 se reeleito) sempre concentrou seus esforços no TIME esquecendo o ESTÁDIO e o CT, por motivos óbvios.

Urublog: João, isso é uma coisa que o torcedor nunca entendeu. Por que se descontinuaram esses projetos que foram bem sucedidos? E acrescento, por que o profissional João H. Areias não continuou esse trabalho que vinha fazendo no clube? A direção não mudou, não houve ruptura política, o que te afastou do Flamengo?

João H. Areias: Houve uma promessa de profissionalização através da criação do Fla-Futebol. O curioso é que o presidente Márcio Braga criou e apoiou a iniciativa, mas alguns dirigentes, como o vice Arthur Rocha,  eram contra e faziam de tudo para acabar com o inicio da profissionalização. Conseguiu. Fui o primeiro a perceber e saí. Em seguida veio o caso Dimba e no final do ano o Júnior e o Sobrinho sucumbiram à cultura do dirigente voluntário.

Urublog: João, nota-se claramente que sua visão da administração do Flamengo é muito profissional, voltada para resultados, como deveria ser em qualquer empresa. Mas nós sabemos que o Flamengo não é uma empresa, muito pelo contrário, em certos aspectos é uma verdadeira casa da mãe joana. Considerando-se as limitações impostas pelo nosso estatuto, você vê alguma possibilidade do Flamengo aderir plenamente ao profissionalismo sem que o futebol se separe da parte social do clube ou essa separação preconizada pelo Marcio Braga é mesmo inevitável?

João H. Areias: É um passo inicial, mas acho que a profissionalização deve se estender a todas as áreas, incluindo os esportes olímpicos e o social. A mudança que preconizo, não implica no Flamengo se tornar uma empresa, mas num modelo transitório, com os dirigentes voluntários num conselho gestor e logo abaixo uma diretoria totalmente profissional.

Urublog: Mas a impressão que a maioria dos sócios do Flamengo tem é que essa separação vai colocar nessa empresa que será criada pra gerir o futebol todas as receitas e deixar para o quadro social apenas as dívidas que vem se acumulando nos últimos anos e que são virtualmente impagáveis. Esse risco é real ou tudo não passa de um problema de comunicação?

João H. Areias:  É difícil prever. Vai depender de quem gerenciar o projeto. Insisto que um modelo transitório seria mais adequado, formado por uma diretoria profissional abaixo do Conselho Gestor (formado pelo presidente e vice-presidentes eleitos, mais uns 7 rubro-negros notoriamente vencedores em suas áreas de atuação), selecionariam um Diretor Executivo (que faria o papel do presidente no dia a dia) um Diretor Esportivo para atividade-fim (Futebol e Esportes Olímpicos) um Diretor de Negócios para as atividades-meio (marketing, comunicação e tecnologia-novas mídias) e um Econômico para as atividades de retaguarda (administração, finanças, RH, jurídico, patrimônio, etc.), cobriria as duas atividades esportivas. Acrescentaria um Diretor Social (atividade-fim) para cuidar do clube e seus sócios. Este modelo não implicaria em grandes mudanças estatutárias e prepararia o clube para no futuro, se for o caso se transformar empresa em parte ou em sua totalidade.

Urublog: João, pra encerrar essa nossa conversa queremos saber se você ainda tem vontade de trabalhar com o Mengão? Ou essa é uma página virada na sua vida profissional?

João H. Areias: Quero morrer fazendo algo pelo Flamengo. A ele devo minha carreira no esporte. Se não for possível na parte administrativa, gostaria de me dedicar ao Centro de Treinamento que formaria além de jogadores, os profissionais necessários para as diversas áreas

Mengão Sempre

O Amor é Lindo. Mas Quero Minha Parte em Dinheiro.

Sáb, 06/12/08
por Arthur Muhlenberg |

Money, so they say Is the root of all evil today.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amigos, já passa muito da hora do almoço e até agora nada do AFA pintar por aqui. Eu sei que ele tá em Curitiba desde o começo da semana por causa de uma merenda antiga então imagino que o milionário rubro-negro deva estar colocando o carnê em dia. Enquanto ele não brota podemos debater aqui um assuntinho desimportante que tem aparecido aí pela órbita do Fuderosão nesses dias. A tardia, inevitável e há muito esperada, mudança do nosso patrocinador.

Bem, já falei dezenas de vezes que a Petrobrás é prejudicial ao Flamengo. Uma empresa que comercializa um produto não muito popular pelos resíduos que deixa em todo o planeta, com uma composição acionária de viés estatal e agora, ainda por cima, em indisfarçável dificuldade financeira não pode mesmo ser patrocinadora do Mengão Fuderosão Atrator Master de Capitais e Ativos e Força Econômica Indomável da Natureza.

Chegou a hora da galera do marketing do Flamengo mostrar ao que veio. Pegar a pastinha e ir pra pista pra arrumar o novo patrocinador. E não me apareçam com empresa muquirana que não tenha ações comercializadas na Bolsa de Nova York ou Nasdaq, patrocinar pro Mengão tem que ter bala na agulha e visão global dos negócios. Arrisco algumas modestas sugestões. Microsoft, Google, Itaú-Unibanco, BHP Billiton, Nokia, Sony ou Intel. Todas empresas lideres em seus segmentos. Tá bom pra começar, né? Agora vão trabalhar que o tempo é curto, a crise é braba e eu quero o meu dia 5 na conta.

Mengão Sempre

O Manto Sagrado Na Pista

Qua, 01/10/08
por Arthur Muhlenberg |

Manto Sagrado - O OriginalA notícia do divórcio já era esperada há algum tempo, mas dado o tamanho dos cônjuges, o maior clube e a maior empresa do país, o impacto do acontecimento ainda será sentido durante muito tempo. Depois de 25 anos de parceria, talvez num dos mais longevos contratos na história dos patrocínios esportivos em todo o mundo, Flamengo e Petrobrás vão abrir. Demorou.

Ninguém discute que 25 anos é muito tempo pra qualquer relação. E essa do Mengão e da petroleira em particular já estava se esgarçando há muito tempo. Não houve mesmo clima pra comemorar bodas de prata. E vamos logo cortando a palhaçadinha e falando francamente: a Petrobrás pediu pra sair. Mas não se lamentem, rubro-negros, ela nunca pagou um preço justo pela brutal exposição que obtinha ao se associar ao Manto Sagrado, que como todos sabem é o mais categorizado e valioso espaço publicitário do país. Isto é um fato. Reitero: - demorô!

Me permitam abandonar a fanfarronice habitual e alinhar alguns poucos argumentos que corroborem minha irredutível opinião: - para o Flamengo, o fim desse patrocínio é uma notícia tão boa quanto o telefonema de Celso Garcia pra Modesto Bria avisando que ia levar um menino chamado Artur pra treinar na Gávea.

O Flamengo finalmente terá a oportunidade de buscar justa remuneração pela cessão de sua valiosíssima imagem e de sua extraordinária e incomparável capacidade de gerar mídia e exposição para as marcas a ele associadas. A Petrobrás pagava apenas 20 milhões de reais por ano para ter suas marcas estampadas no Manto Sagrado em todas as modalidades esportivas. Uma quantia muito próxima a de alguns outros clubes que disputam a Primeira e a Segunda divisão do Brasileiro.

Ora, não é necessário sequer discutir imponderabilidades tais como prestígio nacional e internacional, beleza plástica ou tradição. O simples cotejo entre o número de torcedores do Flamengo e consumidores efetivos de produtos de qualquer outro clube nacional coloca o Flamengo em uma outra categoria muito superior em termos absolutos e relativos. Logo, um contrato que remunera ao Flamengo com quantias muito próximas às pagas aos co-irmãos é essencialmente injusto e leonino.

Para a Petrobrás, que lucra bilhões de dólares por ano e paga 15 salários por ano aos seus diretores 20 milhões é uma quantia ínfima, uma pechincha. Do ponto de vista moral é como se a cada mês a gigante petroleira capitalista e arrogante enquadrasse o modesto e assalariado Flamengo na subida do morro, lhe tomasse o que tem de mais valioso e o deixasse apenas com o da condução para que pudesse continuar trabalhando para ser assaltado no mês seguinte.

Já faz tempo que a Petrobrás não vem tratando o Flamengo com o devido respeito que merecemos. A repetida e abjeta retenção de nossas verbas em função de impedimentos burocráticos facilmente contornáveis quando há boa vontade das partes é imperdoável e indicativa de uma inexplicável predisposição ao dolo. Fala sério. Onde já se viu travar a grana de alguém porque esse alguém tem dívidas? Vou glosar o Nelsão:

Sou um admirador enternecido de todos os que devem, seja gente, seja clube. De resto, olhemos o território nacional, em toda a sua extensão. Difícil encontrar um brasileiro sem dívidas. Insisto: - um brasileiro sem dívidas é o que há mais de mais utópico, inexeqüível e, mesmo, indesejável. Que clube ou pessoa poderia atirar no Flamengo a primeira pedra? Ninguém. Nós vivemos e sobrevivemos à base das dívidas que contraímos, com uma espontaneidade tão amorável e tão brasileira.

E ao mesmo tempo em que nos fazia essa indesculpável cachorrada, a Petrobrás pagava religiosamente o patrocínio do Foguinho, mesmo com o antimpático clube do chororô sendo acusado de ter dois CNPJs  e tendo até que vender o bilau do Manequinho pra consertar as cadeiras destruídas pelas tricoletes enfurecidas no Vazião. Qual a explicação para esse tratamento diferenciado?

A verdade é que o Flamengo tem sua parcela de culpa nesse processo. Depois que o contrato foi fechado em 1983, o que fizeram os homens de marketing do Flamengo? Se acomodaram e foram abrindo as pernas aos poucos, com reajustes pontuais e cessão de áreas maiores da camisa. O resultado mais visível foi a inclusão de cores estranhas ao clube no Manto.

Essa conspurcação, além de ser um sacrilégio, é prova de pusilanimidade e tibieza na hora de negociar com a impiedosa produtora de hidrocarbonetos. Com o fim do contrato o marketing do Flamengo terá a oportunidade de se redimir. Seja qual for o novo patrocinador, que ele seja informado de antemão que verde, amarelo e azul não devem jamais voltar a macular nosso Manto, salvo na forma de escudetos.

É também uma ótima oportunidade para que os patrocínios de cada esporte sejam negociados separadamente, potencializando os ganhos para o clube e seus parceiros. Em outras palavras, tá na hora do marketing do Flamengo aproveitar a oportunidade e boa fase do time para negociar um contrato condizente com o tamanho do Mengão e da sua torcida. De preferência com alguma empresa que não esteja contibuindo de maneira tão decisiva para a destruição do planeta. É hora de mostrar serviço e sensibilidade.

Tenham uma certeza, o fim desse casamento marca o fim de uma era para o futebol nacional. Da mesma maneira que o contrato entre o Flamengo e a Petrobrás foi sempre o grande balizador para todos os outros clubes e seus patrocinadores, a partir do próximo contrato o Flamengo estabelecerá novos paradigmas. Porque esse é o destino do Mengão, ser o grande abre-caminhos do futebol nacional. O Flamengo está na pista. Vamos ver quem é que se garante pra chegar junto.

Mengão Sempre

Olha o Pacotão!

Qua, 20/08/08
por Arthur Muhlenberg |

Meus camaradas, os nossos enxovalhados cartolas demoraram pra ir ao mercado, mas também quando foram foi “de com força” e encheram o carrinho. Tudo bem que já foi meio na xepa e que tirando o Josiel, artilheiro-rebaixado de 2007 e maior inspiração do santista Kleber Pereira em 2008, é uma cambada de wannabes virtualmente ignotos.

Nada que os desabone, já que a rica história do Flamengo está repleta de molambos desconhecidos que alcançaram os píncaros da glória sob a égide do invencível Manto Sagrado. Então nada de preconceitos e cornetagens antes da hora pra não passar recibo de otário.

Do atacante Fernandão só sei que é homônimo do cara do Inter e que jogou no América. Belas credenciais, hein? Do meia-atacante Fernando, oriundo do Mixto (uma das 4 camisas mais escrotas do futebol brasileiro) sei menos ainda já que não comprei o pay-per-view da Série C onde o cara era um dos artilheiros.

O Everton eu conheci na mesa redonda da FlaTV há umas semanas atrás e o moleque me disse textualmente que é Flamengo. Menos mal, mas ainda assim resolvi perguntar a um especialista o que acha do nosso reforço. Procurei o Rodrigo Wieller, blogueiro do Paraná e ele deu todo o serviço.

Arthur,

se vocês esperam um cara daqueles camisa 10 de antigamente, que lança, toca de primeira e etc, o Everton é o cara errado. Mas se querem um jogador diferenciado, capaz de conduzir bem uma bola, abrir espaços com habilidade e chegar de trás batendo no gol, esse cara é o Everton.

Sua especialidade não é ser aquele terceiro meia, de toque refinado, normalmente batedor de faltas e com visão de jogo. O Everton é aquele quarto homem de meio-de-campo, que cai pelos dois lados (principalmente pela esquerda) e encosta a todo momento nos atacantes.

É um jogador rápido, ágil, bom driblador e com potente chute de meia distância.

E sim, estou indignado com a saída dele, talvez o único diferencial desta merda de time que temos nesse ano. Mas entendo a diretoria, já que precisamos desesperadamente de elenco e, em troca dele, virão 3 jogadores… Aliás, agora é a minha vez de perguntar a você, Arthur: o que esperar de Fabrício, Rômulo e Éder???

Abraço.


Rodrigo Wieller

Valeu, Wieller, suas impressões são animadoras e espero que você esteja certo em sua avaliação. Quanto à sua pergunta me confesso meio ignorante sobre o Fabrício, nunca o vi jogar. Sobre o Éder só digo que ele arrebenta nos treinos e é uma nulidade nos jogos. Rômulo é artigo fino, um jovem meio-campista que também faz o terceiro zagueiro com muita seriedade e disposição. O cara tem bom porte físico e sempre que entrou no time agradou.

Mas certamente a galera aqui do Urublog, muito mais bem informada do que eu deve ter opinião diversa e vai poder te dizer melhor se os malandros prestam ou se estão indo só pra sujar roupa de treino. Pros olheiros de plantão peço que façam suas considerações diretamente no Blog do Paraná e ajudem meu camarada paranista, que está boladão, a dirimir suas dúvidas.

Pra encerrar esse post mercantilista que só fala de macho de calção se faz necessária uma referência à nossa inspiradora Didiou, forte candidata ao posto de Musa (tá no G4 desde que começou a disputa), que abrilhanta a nossa torcida e livra a cara do blogueiro. Uma boa quarta-feira pra geral.

Mengão Sempre

Aaaaaah! É Paraíba!!

Qui, 14/08/08
por Arthur Muhlenberg |

Quem espera sempre alcança. O cara levou 33 anos pra jogar num grande clube. Demorou, mas abalou. Veio logo jogar no maior de todos. Chegou cheio de moral, mas é bom ir se preparando pras cobranças. A galera quer ver gol. Boa sorte pra ele.

Mengão Sempre

Hey Ho Mengo-VI

Ter, 12/08/08
por Arthur Muhlenberg |

Jailton Pega Geral no Winning Eleven TambémNós torcedores somos uma merda. Bastou uma vitoriazinha sem vergonha para acharmos que está tudo legalzão novamente? Sejamos sinceros: vencemos na nossa pior apresentação em todo o campeonato. Em nenhum dos outros sete jogos tenebrosos fomos tão mal quanto na peladinha contra o Patético Paranaense.

Vou abrir o jogo com vocês: se nos últimos 16 anos demos um mole pros adversários encostarem na galeria flamenga de títulos, não podemos repetir a dose este ano. Kléber Leite: tu tá vacilando, cara. Vacilando. Demorou pra cacete pra repor o elenco. Demorou não, ainda está demorando. E, pior, admitiu isso publicamente. Ficou feio demais. E o Márcio Braga conceder entrevista queimando o próprio elenco? Tenho certeza que pegou muito mal dentro do escrete.

Não é que eu esteja lamentando o fato de Morales e Josiel terem mudado de idéia quanto a vir jogar no Mais Querido. Afinaram. É claro que a culpa é nossa mesmo. Não é todo carinha que tem culhão para jogar num caldeirão como o nosso. Aqui é pra vir pra ganhar. Ficou de frescurite, vai pra Laranjeiras - que, aliás, nada a braçadas de Phelps rumo ao seu lugar comum, as divisões inferiores. Perder o clássico pro Ipatinga decretou o destino dos freqüentadores de série C.

Só que o fato dos dois atacantes terem afinado não inocenta os CEOs, os altos executivos flamengos, que estão envergonhando geral no quesito contratações. O que que é? Tá faltando dinheiro? Tá faltando habilidade? Tá faltando disposição? Não precisa muita gente. Dois ou três caras resolvem. Agora, ficar dependendo de jogador reserva do reserva do Boca Juniors? Pára com isso. Deve ter uma legião de jogadores doidos para vestir a camisa de único time grande desse país.

Mas estou mudando de assunto. Hoje eu queria mesmo é elogiar aquele que foi o símbolo do jogo: Jaílton. É isso mesmo. Quando é pra elogiar, tem que elogiar. Quem aí ouviu o jogo no radinho tá ligado que a cada quatro segundos o nome do cara era mencionado. Jaílton hoje é o Toró de ontem. Faz suas cagadas, é evidente, pois o futebol não foi generoso com ele. Mas anda acertando mais do que errando.

Alguns anos atrás uma banda punk alemã chamada Tidal veio dar uns passeios pelo Brasil. Turnê independente, shows pequenos, fora dos esquemões culturais, só pra turma que vive mesmo o punk. E numa das letras dos caras havia a sentença perfeita para o jogo de sábado. Em especial para o Jaílton, que se não é um Deus da Raça, anda honrando legal nosso Manto:

Às vezes as coisas mais sinistras e poderosas nascem da merda.

Mas estamos à milhas longe do que devemos ser. Sr. Leite e Sr. Braga, façam seu trabalho direito. A Nação está vigiando. E a parte que cabe à Magnética será feita, apoiar e defender suas cores, podem ter certeza disso.

Rondi Ramone é punk, e tá cada dia mais doidão

Mengão Sempre

Timeo Danaos et Dona Ferentes

Qui, 24/07/08
por Arthur Muhlenberg |

Virgilio sabia das coisas, mandou essa frase na Eneida há mais de 5000 anos atrás. O significado é:

“Desconfie dos gregos, mesmo quando eles nos mandam presentes.”

Falou tudo. Olho vivo, Mengão. Cavalo não desce escada e jabuti não sobe em árvore.

Não tô botando nenhuma fé nessa venda do Souza pro Panathinaikos. E vocês?

Mengão Sempre


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