
Se liga, Andrade, o povão quer 4-4-2, irmão!
Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.
17 anos atrás, um grande rubro-negro, na qual permanecemos sob sua simbólica sombra, levantou no gramado do Maracanã o nosso 5º titulo Brasileiro. Esse importante acontecimento veio como um grande farol de esperança para milhões de rubro-negros que tinham crescido junto com o clube. Ele veio como uma alvorada para iluminar a longa noite da arcoirizada sem-vergonha e mal vestida.
Mas 17 anos depois, o Flamengo ainda não voltou a vencer. 17 anos depois, a vida do rubro-negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação das Libertadores e dos Mundiais.
17 anos depois, o rubro-negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material da paulistada. 17 anos depois, o rubro-negro ainda adoece de amor e se encontra exilado em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós voltamos nosso olhar para a Gávea, a capital de nossa nação, para trocar um cheque. Quando os fundadores de nossa nação escreveram as magníficas palavras da constituição do Flamengo, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo torcedor do Flamengo seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os rubro-negros, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade.
Nós também viemos para recordar ao mundo essa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de triunfo.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da zona do rebaixamento ao caminho iluminado pelo sol do Hexa Campeonato. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça para a pedra sólida da realização. Agora é o tempo para fazer da nossa predestinação para a vitória uma realidade para todos os que se irmanam sob as cores rubro-negras.
Seria fatal para a Nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos rubro-negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 2009 não é um fim, mas um começo.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física ou intelectual.
Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à nação rubro-negra que não devemos ter uma desconfiança para com a nossa mulambada. Eles vieram perceber que o sucesso deles é ligado indissoluvelmente ao nosso sucesso. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos do Mais Querido do Mundo, “Quando vocês estarão satisfeitos?”
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Flamengo for vítima dos horrores indizíveis do preconceito anti-flamengo. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho rubro-negro de felicidade e justiça.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo nos estados mais xenófobos, estados que transpiram com o calor da injustiça, que transpiram com o calor de opressão e do preconceito, serão transformados em um oásis de liberdade e justiça Flamenga.
Eu tenho um sonho que minhas pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da sua camisa ou da sua bandeira, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Fuderosão será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressaremos aos nossos lares rubro-negros. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, torcer juntos, lutar juntos, zoar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livres.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade em que tremula um pavilhão vermelho e preto, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho samba de exaltação à Bahia:
“Zum, Zum, Zum, Zum, Zum, A Torcida Quer Mais Um. Flamengo, Flamengo…”
Rumo ao Hexa, Mengão!
*Exageradamente baseado no clássico discurso de Martin Luther King, ex-meia esquerda do Mengão.
Perfil Novo no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=5143623302988134452&rl=t
Liga Urublog: http://cartolafc.globo.com/cartola/liga/detalhesLiga.ssp?leagueId=185041
Urublog no Twitter: http://twitter.com/Urublog
Comunidade do Urublog no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=39866197
Mengão Sempre