Pra Matar os Cornetas de Raiva
A chapa pode ser quente, mas os números são frios. Roubei esse texto lá do Blog da Flamengonet. Escrito pelo João Simões, que mesmo sob o coro das cornetas mantém o foco na realidade. Porque dizer que o Flamengo não está em evolução é uma tremenda imbecilidade. Quem é João Simões? Nasceu no Rio de Janeiro, em 1970. Formou-se em Engenharia Química em 1993. É autor do livro Olympus: os deuses da Grécia (Litteris, 1999) e do RPG Rebelião: Ascensão e Queda (Daemon e Universo Germinante, 2007). Desde 2000 dedica-se à pesquisa genealógica profissional, com artigos publicados em revistas da área. Com cinco anos de idade já se dizia Flamengo, mesmo sem acompanhar os jogos, o que só passou a fazer em 1978. Estava em casa grudado a um radinho de pilha quando Rondinelli cabeceou para fazer história, e pôde gritar seu primeiro “É Campeão!”. Continua gritando até hoje. Colabora para o Blog da FlamengoNET desde 2004.
O BALANÇO DO BRASILEIRO
Estando sem muito tempo para postar artigos, volto a este espaço desejando um Feliz Natal a todos os amigos do Blog. Deixando a emoção de lado, e a frustração de passar mais um ano sem ganhar o Brasileiro (num campeonato em que estivemos tão perto de conseguir isso; não fossem os tropeços perfeitamente evitáveis, mesmo com todos os problemas, erros, incompetências e burrices, poderíamos ter levantado o caneco do Hexa), faço aqui um rápido balanço numérico do campeonato. Como a matemática é fria, a decepção dos vexames e Maracanazos não cabe na análise.
Jogos: 38
Pontos ganhos: 64
Vitórias: 18 (47%)
Empates: 10 (26%)
Derrotas: 10 (26%)
Gols pró : 67 Média: 1,76
Gols contra: 48 Média: 1,26
Artilheiros: Íbson (11 gols), Léo Moura e Marcelinho Paraíba (8), Obina e Marcinho (7).
- Foi a nossa melhor campanha no período dos pontos corridos com 20 clubes; fizemos 64 pontos, contra 61 no ano passado. Em 2003 chegamos a 66 pontos, mas num torneio com mais participantes (24) e mais jogos. Em colocação não superamos a marca de 2007, quando fomos terceiros colocados, apesar de termos feito mais pontos.
- Igualamos nosso recorde em número de vitórias (18, em 2003), em números absolutos. O percentual de vitórias de 47% é o maior desde 1987, quando tivemos a mesma proporção de jogos vencidos.
- O percentual de derrotas, 26%, é o menor desde 1992, quando tivemos a mesma porcentagem.
- Em números absolutos, foi o melhor ataque de todos os Brasileiros, 67, graças ao número elevado de partidas. A média foi muito boa, simplesmente a mais alta dos últimos 25 anos, e uma das melhores da história. Médias mais altas somente em 1980 e 1982 (2,09, ambas), 1979 (2,1), 1983 (2,19) e 1976 (2,29). Um resultado bizarro, considerando que foi um time com atacantes que marcaram poucas vezes, e com uma infinidade de problemas na armação ofensiva.
- A defesa esteve dentro da média dos últimos três anos, nem muito boa, nem muito ruim.
- A artilharia, como sempre, foi pífia e ridícula. Numa campeonato de quase 40 partidas, o artilheiro teve apenas 11 gols, mesmo assim graças a uma série de pênaltis convertidos. Se considerarmos apenas os atacantes, a marca é ainda mais ridícula, Obina e Marcelinho Paraíba somados não chegam aos gols de Washington ou Keirrisson. Nossos atacantes fizeram menos gols do que veteranos semi-aposentados, como Edmundo e Paulo Baier, do que jogadores que ficaram parados por contusão, como o Borges, e jogadores que foram poupados por campeonatos paralelos, como Washington e Nilmar.
- Concluindo: estamos num patamar mais elevado do que nos últimos anos, quando sofríamos com ameaças de rebaixamento. Temos uma base que já joga junto há bastante tempo, e alguns jogadores poderiam ser melhor aproveitados. Há dois anos seguidos, estivemos entre os cinco melhores times do Brasil. Tivemos alguns jogadores incluídos na Seleção do Campeonato, o que para mim só vai servir para valorizá-los para futuras vendas (aliás, eu acho que esta seleção do campeonato só tem este objetivo mesmo, sinalizar para os empresários: “levem estes!”). É preciso que haja cabeça fria, inteligência e competência para manter o que está funcionando e mudar o que está errado. Se isso vai acontecer, não sei…
João Simões
Mengão Sempre
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Que bela merda, hein? Se o Mengão não consegue ganhar nem do primitivo e faltoso time dos papa-pamonha, vai ganhar de quem? A Libertardores ta cada vez mais difícil e, mais uma vez, precisamos vencer pra ficar dependendo de um monte de uns e outros sem camisa, sem título e sem tradição. Que mancada, Flamengo.












