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Maré Rubro-Negra Provoca Mortandade de Peixe

Seg, 12/11/07
por Arthur Muhlenberg |
categoria Brasileiro 2007

Assim que eu cheguei em casa do Maraca minhas meninas me perguntaram:

- Como foi o Flamengo, pai?

Elas são pequenininhas, 4 e 2 anos, então tenho sempre muito cuidado em falar apenas o essencial e explicar as minúcias e complexidades de um jogo de futebol de uma maneira que elas possam entender. Eu relato só o básico.

– O Flamengo ganhou, meninas! Foi 1 x 0 e o papai tá amarradão! Agora dá um beijo aqui no pai e vão dormir que amanhã tem escola.

Já ia me escornando no sofá pra assistir aos gols da rodada quando a Camila, a mais velha continuou o assunto:
- O Flamengo ganhou de quem, pai?

- Ganhou do peixe, filha. Vão dormir agora e deixa o papai ver um negócio importante aqui na televisão.

A Camila me deu um beijinho e já ia indo pro quarto dela quando a Emilia, a mais novinha e mais curiosa perguntou:- O Flamengo ganhou do peixe de 1 x 0 por quê, pai?

Eu queria muito ver os gols da rodada e a mesa-redonda da TVE que tava começando naquele momento, mas achei melhor levar as duas pra escovar os dentes e contar uma estorinha pra elas dormirem senão ia acabr perdendo o VT no Sportv2.

- Emi e Cami, dão beijo na mamãe e vamos pro quarto mimir que o papai vai contar tudo pra vocês.

Foi exatamente assim que aconteceu, garotas. Prestem muita atenção porque o papai só vai contar uma vez, tá? O peixinho pequenininho vinha nadando pela águas mansas do canal, todo alegrinho. Entrou no oceano e foi em frente, batendo as nadadeirinhas. Foi nadando e nadando pelo oceano todo azul, batendo as nadadeirinhas e ondulando o rabinho. Nadou muito, e aí chegou no Rio. E aí uma maré vermelha e preta muito sinistra começou a envolver o peixinho. A água que era azul e geladinha foi ficando quente, quente, e toda vermelha e preta. O peixinho tentava escapar, ia de um lado pra outro, mas estava tudo vermelho e preto e cada vez mais quente. O peixinho ficou com medo e fugiu pra praia. Mas tava tudo vermelho e preto lá também. Assustado e sentindo muito calor o peixinho foi fugindo por onde dava e acabou no Maracanã. Aí que o peixinho se deu mal. Além de estar tudo vermelho e preto, tava mais quente ainda por causa da torcida do Mengão que encheu todo o Maracanã. Era muita gente de vermelho e preto lá. Ai o peixe ficou ali, preso naquele mar vermelho e preto, sem ter pra onde fugir. O Flamengo foi apertando o peixinho cada vez mais e ele já quase não respirava. Aí um moço do Flamengo deu um chute lá pra perto do gol do peixe, o Obina deu uma cabeçada, o outro moço do Flamengo deu outra cabeçada e a bola sobrou praquele moço careca do Flamengo. Ele deu mais uma cabeçada e a bola foi parar dentro da rede do outro time. 1 x 0 Flamengo! E assim acabou a estória. Durmam com os anjos e boa noite, meninas.

A essa altura da saga a Camila já tinha dormido, mas a Emi é mais enjoadinha.

- E o peixinho pequenininho pai?- O peixinho morreu, Emilia. Boa noite.

Mengão Sempre

Se Liga, Vanderlei!

Sáb, 10/11/07
por Arthur Muhlenberg |
categoria Brasileiro 2007

Desde o tempo em que você fazia teu curso de treinador sentadinho no banco do Mengão, assistindo de pertinho ao monstruoso mestre Junior Capacete arrebentar durante anos à fio sem te dar a mínima chance de entrar em campo, que a torcida do Flamengo só fez crescer. A cada ano que passa fica mais bonita, mais poderosa e mais decisiva. Malandro demais se atrapalha. Vai nessa que a nossa torcida não entra em campo. Já já tu tá batendo na porta da Gávea pra pedir emprego. Nesses anos todos de treineiro você ainda não aprendeu que não se deve provocar a Maior Torcida do Mundo?

Mengão Sempre

A Maior Maravilha do Mundo

Sáb, 10/11/07
por Arthur Muhlenberg |
categoria Brasileiro 2007


Confesso que fiquei surpreso com o post do blogueiro santista, McFly. Não pela quantidade absurda de abobrinhas, meias verdades e as reminiscências elípticas ao grande time do Santos do tempo do Pelé (para os santistas essas reminiscências devem ser obrigatórias pra não ficar sem argumento) que ele conseguiu espremer em apenas 16 linhas. Já que como todos os grandes diretores de arte, bem diagramar e usar os espaços da melhor maneira possível é um talento que lhe é natural. No mundo impiedoso e sem escrúpulos da publicidade, por mais insustentável, falacioso e muquirana que seja o texto do anúncio, eles (os art directors) dão sempre seu jeito de deixar bonitinho sem precisar gastar muito espaço.

É verdade que pra salvar aquele texto o Mauro precisou apelar, usando como ilustração uma adulteração grosseira de um símbolo carioca (e por extensão, rubro-negro) tão conhecido, tão identificado com a fé flamenga, que o resultado, ultrajante, lembrou a Mona Lisa com fogo no rabo do Marcel Duchamp. Que me perdoem os fãs do dadaísmo, mas no século XXI ninguém mais cai nesse caô. De toda sorte, em nome dos bons costumes artísticos e geográficos, me senti na obrigação de ilustrar esse post com um antídoto àquela heresia.

Mas o que mais me impressionou no aloprado post santista foi a tese amalucada de que o Maracanã não é a casa do Flamengo. Aliás, ele foi mais longe, disse que o Maracanã poderia até ser a casa do time dele. Aí eu fiquei mesmo preocupado com a saúde mental do rapaz. E logo no dia em que um dos mais inteligentes e confiáveis torcedores do Santos divulga a vexaminosa informação de que a torcida do peixe é a penúltima em média de público de todo o campeonato brasileiro? Penúltima, meus caros amigos, só não perde para a do Juventude. Não ria, ò amigo rubro-negro, reprime a tua gargalhada. O caso parece sério. Será que o bom McFly seqüelou geral?

Essa idéia absurda e sem sentido de que o Maracanã é de todos é conversa pra boi dormir. Não cola. Há algum tempo circula na Internet uma corrente cabeça com um email denúncia de que os americanos estão querendo considerar a Amazônia como zona internacional de preservação ambiental com administração da ONU, blá, blá, blá, e os brasileiros isso e aquilo, o capitalismo, nova ordem mundial etc e tal. E na mesma corrente tem uma resposta de um senador brasileiro dizendo que se assim fosse os americanos deviam entregar o Alaska, a Califórnia, o Fort Knox e o Starbucks Coffee para serem administrados pelo mundo livre já que os americanos isso e aquilo. Um papo de maluco chato à beça que só confirma o que qualquer pessoa com bom senso poderia pensar sozinha sem ter que ler um email enorme. A tese de que a Amazônia não é brasileira e de que o Maraca não é a casa do Flamengo é papo de imperialistas malucos ou de desocupados.

Pra que cargas d’água o Santos quer o Maracanã? Vai botar o que lá dentro? O direito internacional consagra desde o século XV o princípio do utti possidetis, que concede a posse de um território apenas a quem realmente o ocupa. Com aquela pujante e sempre presente torcida, como pretendem ocupar o Maior do Mundo? A Vila Belmiro, estádio com as dimensões ideais pra campeonato de botão, já é até grande demais. No mundo inteiro devem existir uns 35 rubro-negros para cada 3 santistas (sendo que um dos 3 torce pro Santos do México). E ainda assim ser Flamengo não é mesmo pra qualquer um. Por maior que seja a massa rubro-negra não é fácil fazer parte da maior torcida do planeta. Todo santo dia tem alguém querendo tomar algo que pertence por direito ao Flamengo. Continuem tentando, fanfarrões. Jamais conseguirão!

Os rubro-negros, do alto de sua superioridade histórica, numérica e moral, já aprenderam que justamente por essa condição devem ser também magnânimos e compreensivos com aqueles que habitam as profundezas do ocaso esportivo. Se a torcida deles é pequena não é porque eles querem, é porque eles não conseguem crescer mesmo. É fato que de 50 em 50 anos aparece um grande jogador lá pros lados daquele litoral paulista de escassa balneabilidade. Mas notem que o Pelé saiu de lá há 34 anos e o Robinho, isso ninguém com mais de 5 anos de idade discute, conseguiu mais torcedores pro Real Madrid do que pro Santos. Hoje em dia escolher espontaneamente torcer pro alvinegro praiano é o equivalente a eleger como restaurante preferido a lanchonete da rodoviária.

E por mais que eu fique aqui escrevinhando, escrevinhando, escrevinhando, nada que eu diga terá a força e a loquacidade de uma vitória do Flamengo no Domingo. O Mengão tem que provar que o Maraca lhe pertence é no campo, com vitória. Essa é a única prova incontestável em qualquer tribunal, até no profano STJD . E é isso que a torcida espera. Mas valeu a citação, McFly. Que todos os santistas morriam de inveja do Rio e do Flamengo todo mundo já sabia. Nem precisava você ter passado o recibo.

Mengão Sempre

70 mil Guerreiros!

Qui, 08/11/07
por Arthur Muhlenberg |
categoria Brasileiro 2007

Mais de 70 mil, no mínimo. 70.905 mil é o número dos ingressos que foram vendidos até quinta. A carga total é de 81 mil ingressos, o que é só uma ínfima fração da incontrolável torcida do Mengão. 70 mil e quebrados foi só pra quebrar mais um recorde de público. Como foi habitual durante todo o campeonato a torcida saiu na frente e já tá fazendo a parte dela. Alguém duvida que o Maraca no domingo vai ser uma gigante panela de pressão vermelha e preta? Cenário perfeito pra cozinhar o peixe em fogo alto. Só depende de nós. 4, 5, 1000! É a maior torcida do Brasil!

Galera, eu não mereço os elogios pela montagem porque não fui eu que fiz. Não sei quem foi o autor, esse sim, merece todos os parabéns.

Mengão Sempre

Libertadores 2008 – Jogaremos a primeira em casa

Qui, 08/11/07
por Arthur Muhlenberg |

E vai ser nesse domingo. É tudo uma questão de postura. Ao invés de ficar tentando, somando pontos suados em jogos difíceis pra ver se dá pé de disputar o mais importante campeonato do continente, o Flamengo tem é que tomar consciência de que já estamos em plena disputa da Libertadores da América 2008. E com a nada desprezível vantagem de jogar as duas primeiras partidas em casa, contra Santos e CAP. Precisamos de duas vitórias, no mínimo, e é pra isso que se deve trabalhar durante a semana na Gávea.

Nossos adversários nessa briga não são fracos, pelo contrário. Mas nesse campeonato Brasileiro o Flamengo provou que é contra os grandes e os fortes que nós sabemos jogar melhor. Fácil não vai ser, todo mundo sabe disso. Mas o momento do Mengão é bom e o time parece ter noção de que possui plenas condições de conseguir atingir a sua meta. E todo mundo há de concordar que, aparentemente, é muito mais fácil se manter na Libertadores do que chegar a ela.

Na hora do vamo ver, nossa torcida (a maior do mundo), nosso estádio (o maior do mundo) e o Manto Sagrado (a mais poderosa camisa do futebol mundial) fazem a diferença. Então, o segredo pra se manter na Libertadores 2008 está na cabeça dos jogadores. E no coração de cada torcedor. Domingo é decisão.

Mengão Sempre

Ter, 06/11/07
por Arthur Muhlenberg |
categoria Brasileiro 2007


\Quantas e quantas vezes a mesma comédia terá que se repetir? Será que a arco-íris não se cansa de tentar pegar carona na fama e no prestígio do Flamengo? Vejam vocês que patético, um time vence um campeonato duríssimo com sobras e quase sem sofrer ameaças à essa conquista. Mas ao invés de comemorarem e mostrarem orgulho pelo seu feito, o quê seus dirigentes e torcedores preferem fazer? Tentam débilmente tirar uma casquinha do Flamengo, evidenciando toda a sua inveja e insatisfação com o que são. O máximo que arrumam é um pouquinho mais de espaço na mídia. Vergonha total, coisa de timinho. Com atitudes mesquinhas e covardes como podem querer se igualar ao Flamengo? Nunca conseguirão.

Não adianta espernear, arco-íris, as provas do que digo estão aí em todos os veículos de comunicação desde a semana passada. Não interessa quem é o campeão, no Brasil, quando o assunto é futebol, só se fala de Flamengo. E até dirigentes obscuros de timinhos periféricos, cuja alegada maior conquista esportiva foi obtida na delegacia do Pina, como aqueles ridiculos papagaios de pirata, buscam aparecer na foto e assim jogar alguma luz sobre suas existências quase secretas. Nem assim conseguiram. Sossega, leoa. A história está aí pra provar que quem nasceu pra segundona chega no máximo na série C.

Às vezes até eu fico na dúvida, será que o Flamengo é tão grande assim? Ou seus adversários é que são muito pequenos? Mas a dúvida passa rapidinho. O Mengão é maior que tudo.

Mengão Sempre

* Por uma dessa coisas inexplicáveis da tecnologia o último post bugou brabo. Tive que refazer e assim se perderam os comentários. Peço desculpas aos 92 comentaristas que foram deletados, os web masters já estão buscando uma solução.

A Última Derrota

Dom, 04/11/07
por Arthur Muhlenberg |
categoria Brasileiro 2007

Que droga, apesar de todo o universo conspirando a nosso favor, deixamos cair e quebrar a série de vitórias que tava tão maneira. Verdade que jogamos muito mal, no primeiro tempo nem jogar mal conseguimos. Impressionante como os domingos ficam sem graça quando o Mengão não cumpre seu destino de vencer, vencer, vencer. Nada pior do que mandar aquele “eu já sabia”, mas tava na cara que o jogo ia ser ruim pra nós.

O Joel escalou malzão. A facção “só o amor constrói” do meio de campo, i.e, Christian, Jaílton e Toró, que tem sido um diferencial tático quando temos o Souza fazendo o pivô e prendendo a bola até que alguém menos grosso chegue de trás, com a ausência do centroavante se transforma na nossa maior fragilidade. Com o Ibson marcadão e exageradamente nervosinho, não havia ninguém pra passar uma bola decente pro Maxi e pro Obina.

Não era preciso possuir grandes poderes de previsão pra adivinhar o que ia acontecer. Ficamos horas sem dar um misero chute a gol. O Cruzeiro veio pra cima, e mesmo com um pênalti irregular no primeiro gol (o beque do Madureira fez falta no Maxi no inicio da jogada), mereceu a vitória porque apertou mais e mostrou mais vontade. Joel, que já tinha escalado mal, demorou muito pra trocar as peças. Eu não consigo entender porque o Joel não fez logo as substituições quando o time estava nitidamente na roda. Esperou muito e pagamos por esse vacilo.

Foi boa a volta do Renato Augusto, quem sabe ele não pode ser o detalhe que fará a diferença na reta final. Mas tirando isso o jogo foi totalmente esquecível. Felizmente o Flamengo vem dando sorte com os resultados dos oponentes diretos. Se o palmeiras perder bem (saldo de gols agora é seminal) podemos até permanecer no G4. Vamos torcer e secar porque tudo pode acontecer. Espero que os caras na Gávea tenham consciência de que, definitivamente, essa foi a última partida do campeonato que o Flamengo podia perder.

Mengão Sempre

O Cruzeiro já não vale mais nada!

Dom, 04/11/07
por Arthur Muhlenberg |
categoria Brasileiro 2007


Enquanto isso a valorização do Flamengo é real. Nesse sábado, mesmo sem entrar em campo, as chances do Primeiro Pentacampeão Brasileiro de Pessoas de Bem (Almeida, Gustavo, in Blog da Flamengonet, 2007) de chegar ao principal campeonato continental aumentaram de 60 para 67%. Uma valorização maior que as ações do Google. Fato que só confirma o que todo rubro-negro já sabe há muito tempo: torcer pro Flamengo nunca dá prejuízo.

Por isso, rubro-negro, é hora de economizar pras passagens internacionais. Domingo, no Mineirão, o Flamengo tem tudo para garantir a participação na Libertadores 2008. Se depender da torcida, que vai perturbar muito os azulzinhos dentro da casa deles, essa Libertadores já foi pra conta.

Mengão Sempre

Já que parece que eles não sabem ler…

Sex, 02/11/07
por Arthur Muhlenberg |
categoria Brasileiro 2007

As causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações.

Sex, 02/11/07
por Arthur Muhlenberg |
categoria Brasileiro 2007

Arthur Schopenhauer

Quem acompanha o que venho escrevendo aqui no Urublog desde julho está cansado de saber que abuso do direito de ser parcial e irracional. E que muitas vezes uso dos argumentos mais idiotas e sem vergonhas para exaltar o meu time e diminuir os adversários. Faço isso com plena consciência, amparado pelo entendimento de que o discurso tendencioso e bairrista é, antes que uma prerrogativa, uma característica dos verdadeiros torcedores. Não me envergonho de me desculpar com aqueles que se sentiram ofendidos, mas reitero que é apenas papo de torcedor e que não devo ser levado tão à sério.Sei que muita gente, até mesmo alguns rubro-negros, não gostam do meu estilo, mas como não sou jornalista esportivo e não represento oficialmente o pensamento institucional do Flamengo, os meus deslizes éticos na defesa incondicional do Mengão não prejudicam o direito de ninguém e não merecem reprimenda maior do que alguns xingamentos no sistema de comentários. E mesmo que a maior parte dessas ofensas seja barrada pela moderação do blog, podem ter certeza que tenho recebido a justa cota de puxões de orelha de quem não aprecia o que escrevo. Sou torcedor e, por mais incrível que pareça aos meus detratores, quero crer que tenho consciência de onde termina a galhofa e o clubismo e onde começa o desrespeito às regras de boa convivência em sociedade.

Essa consciência ética, que geralmente se aprende em casa com papai e mamãe, é o que anda faltando aos dirigentes do tricolor paulista no lamentável episódio envolvendo uma inútil taça que dormitou durante 20 anos em um cofre escuro da Caixa Econômica Federal. Sem o menor despeito afirmo que essa taça nada representa, é um adereço decorativo que não faz jus ao título brilhantemente conquistado pelo Flamengo em 1987, enfrentando os maiores clubes do país. Será que algum de vocês já se sentiu menos Pentacampeão por que essa taça não está juntando poeira na Gávea?

Durante esses 20 anos, em momento algum, nem mesmo por um segundo, os torcedores conscientes e de bom caráter (de todos os times, até mesmo os do Sport, campeões da Segundona) que acompanharam a disputa do Brasileiro de 1987 tiveram qualquer dúvida sobre quem foi o verdadeiro campeão. E quando em 1992, o Flamengo conquistou o mesmo campeonato pela quinta vez, todos souberam que o Flamengo era mesmo o primeiro Pentacampeão do Brasil. Não importa muito o que se diz da boca pra fora, a verdade reside é na consciência de cada um. Cada um que entre em acordo com a sua. Ou não, o dia do julgamento pode ser que nunca chegue.

Se a postura malandra, aética e canalha que alguns dirigentes do campeão de 2007 tem adotado ao negar o pioneirismo do Flamengo em matéria de pentacampeonatos nacionais irrita a muitos rubro negros, ela envergonha ainda mais a muitos torcedores do São Paulo. Que se constrangem ao ver um momento de justa comemoração de uma brilhante conquista esportiva empanado por uma cartolagem indigna que aposta na memória curta da população e não busca honrar a palavra empenhada por seus predecessores.

A Lei de Gérson, desvio moral renegado até mesmo pelo Canhota de Ouro, que a batizou compulsoriamente, é a justificativa preferencial dos malfeitores que se amparam na impunidade endêmica que solapa as estruturas do país, para obter vantagens sabidamente imeritórias. Esses dirigentes que não honram o clube que representam fariam melhor se buscassem seus irmãos éticos nas enxovalhadas casas legislativas brasileiras, onde seu comportamento vergonhoso poderia até passar despercebido e jamais provocaria tamanho repúdio.

Como torcedor que ainda se lembra muito bem das circunstâncias em que se deu a disputa de 87, tenho a mais tranqüila certeza de que sempre fomos os primeiros Pentacampeões. Depois de longos 20 anos, fomos finalmente igualados em nossa marca, e isso é coisa comum no esporte, não envergonha ou engrandece ninguém. Futebol se joga e se vence no campo. Esperamos, sinceramente, que os maucaratistas de plantão e seus métodos condenáveis de administrar o que não lhes pertence se mantenham afastados do objeto de nossa paixão.

É tranqüilizador saber que a verdadeira Taça do Campeonato Brasileiro de 1987, a Copa União, está muito bem guardada. Na sala de troféus daquele que a conquistou com talento, suor e dedicação e a ergueu com muita justiça na tarde de 13 de dezembro de 1987. Se a taça que representa nosso Penta está com Zico, então está com Deus.

Mengão Sempre


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