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Primo Rica – Um Domingo Qualquer

qui, 16/04/09
por Arthur Muhlenberg |

Gringo Sinistro

Gringo Sinistro

Era um dia frio, sem chuva. Seria um dia chato, não fosse o Maracanã lotado e a expectativa de um título. Ele não era fanático, sequer tinha visto o estádio lotado na vida, até então. Tinha 13 anos e torcia, timidamente, para o Palmeiras, apesar de morar no RJ.

Naquele domingo seu pai o levou na final. De bandeira, camisa e ingresso na mão, chegou assustado com a multidão. Entrou faltando 15 minutos pra começar e, quando olhou em volta, disse: “Pai, quantas pessoas tem aqui?!?”.

- Muitas, filho… uma nação inteira, disse o pai.

Aquela multidão explodiu em faixas, bandeiras e papel picado minutos depois. O garotinho se encolheu com medo e sentou. Com 1 minuto de jogo a torcida levantou e não deixou que o guri visse mais nada. Ele ouvia, sentia, mas não assistia.

Seu pai, rubro-negro fanático, não tinha muita esperança de que seu pivete palmeirense um dia se envolvesse com futebol. Jamais mostrou grande interesse, e só torcia porque tinha um amigo que era palmeiras.

O Flamengo saiu ganhando, mas não bastava. Tinha que ser com 2 gols de diferença, ou nada. Seu pai explicou que “faltava um”, e o garotinho não entendeu. Afinal… vitória não é vitória de qualquer jeito?

Sofreu um gol, e ele não tirou sarro do pai como sempre fazia. Ficou triste, como que contagiado pela multidão. O outro lado, 40% do estádio apenas, fazia barulho, e ele ouvia o silencio da nação a sua volta. Segundo ele, o silencio mais dolorido que já escutou na vida.

O Flamengo fez o segundo, e o garotinho, se envolvendo com o jogo, vibrou. Pulou no colo do seu pai e o abraçou como se fosse um legítimo urubuzinho.
Não era, ainda.

A torcida começou a cantar o hino, que ele sabia de cor de tanto ouvir o pai cantar. Pela primeira vez, cantou num estádio, e fez parte da nação. A angustia de milhares não passou em branco. Em mais alguns minutos o garotinho suava e já rezava de mãos grudadas ao peito.
O Flamengo virou, mas não bastava.

40 minutos do segundo tempo. Mesmo com 2×1 no Placar, a nação ouvia gozações do outro lado. Ele não entendia, e fez o pai explicar, mesmo num momento dramático do jogo.

Atencioso, o pai sentou e contou pro garoto que o Flamengo precisava ter 2 gols de vantagem, porque a vitória por um gol empataria a soma de 2 jogos, e o empate era do rival. Ele não entendeu bem, mas simplificou em sua cabeça: “Mais um e ganharemos”.
Opa… “ganharemos”? Ele não era palmeirense?

E então, aos 43 minutos, onde alguns já se mexiam na direção da saída, uma falta do meio da rua. Seu pai vibrou e ele questionou: “O que foi? Foi pênalti!? “
- Quase isso, filho!! Dali pro Pet é pênalti!!, profetizou o pai, ignorando a distancia da falta.

A cobrança… o silencio eterno de 1 segundo e a explosão. Gol do Flamengo! Petkovic! E seu pai o abraça como nunca abraçou em toda sua vida. Pula, joga o garoto pra cima, beija, chora…
O garotinho, numa mistura de susto com euforia, olha em volta e, de braços abertos, comemora em silencio um gol que não era dele.

Sem razão, ele chora. E chorando, abraça o pai que, preocupado, rompe a alegria e pergunta: O que foi? O que foi? Se machucou?
- Não… Eu to feliz, pai!
Sem mais palavras, o pai sentou e abraçado ao garotinho deu um abraço de tricampeão. O jogo acabou, e os dois continuaram abraçados.

A festa rolando, os dois assistindo a tudo aquilo emocionados, o garotinho absolutamente embasbacado com a cena, já que nunca havia visitado um estádio lotado, muito menos uma decisão. O pai olhava pro campo e pro filho, porque sabia que, talvez, aquele fosse seu único momento na vida onde teria a imagem de seu garoto comemorando um titulo do time dele.

E chorava, sem vergonha nenhuma de quem estivesse em volta.

O menino foi embora pensativo, eufórico. Em casa, contou pra mãe com uma empolgação incomum sobre tudo que viveu naquela tarde. E não falava do jogo, apenas da torcida. Iludido por uma frase, contou pra mãe:

- Aí, no finalzinho, teve um pênalti! E o Flamengo fez o gol…
- Não filho… não foi pênalti! Foi de falta.
- Mas você disse que foi pênalti…
- Era modo de falar…. hahahahahah
- Então, mãe… aí, o cara fez o gol e a gente foi campeão!!!

Pronto. Aquele “a gente” fez o pai parar de colocar cerveja no copo, virar a cabeça lentamente e perguntar, com medo da resposta:
- A gente, filho?
(silencio…)
- É pai! O Mengão!!!!!

Emocionado, o pai abraçou o garoto e não falou nada. Ali, seu maior sonho virava realidade. A mãe entendeu, deixou os dois na cozinha e saiu de fininho, enquanto o pai começava a contar de uma outra final que viveu em mil novecentos e bolinha, com toda a atenção do novo rubro-negro.
Hoje o garoto tem 21, completados há alguns dias.

Quando seu pai perguntou o que ele queria de presente este ano, a resposta foi essa:
- Dois ingressos, uma bandeira, a camisa nova e ver você chorando igual aquele dia.

E há quem diga que “futebol é bobagem”…

Abs,
RicaPerrone

Mengão Sempre

507 Comentários para “Primo Rica – Um Domingo Qualquer”

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  1. 307
    Armando:

    Pros CHORÕES e ARCO-ÍRIS em geral, que nao conhecem RICA PERRONE,

    ele é SÃO-PAULINO !!!

    Entao, bando de CHORÕES-SOFREDORES-ETERNOS, NÃO TEM ninguem aqui “APELANDO” não!

    Apelar é coisa pra CHORÃO!!!!

    SRN!!!
    VDM!!!

  2. 306
    Thiago:

    Então quer dizer que o menino já com treze anos mudou de time???
    Isso pra mim é falta de caráter… “Maria vai com as outras”…

  3. 305
    VIPIJIT:

    Porra

    um guri de 13 anos e

    não sabe diferenciar penalti de falta?

    não entende que um jogo possa precisar ser vencido por 2 gols de diferença?

    Só podia ser flamenguista mesmo

    eta torcidinha bem sem qualidade essa

    textinho piegas e afrescalhado

    bem abaixo do que o Arthur geralmente coloca aqui

    depois reclamam que a torcida do Fluzão não respeita vcs.

    muito fraco né?

    Esse gurizinho ao merecia era uma bolada a lá Thiago Neves

    HUAHUAHAUAHUAHUAHAUHAUAHA

  4. 304
    S. Rolim:

    É chororô que não acaba mais rapaziada. O BOSTAfogo foi eliminado da copa do Brasil pelo americano. Buaaaaaaaaaa.

  5. 303
    alberto:

    na epoca tinha 13 anos.
    assistindo em casa solitario e rezando muito pra o pet bater com perfeiçao.
    o jogo + emocionante que ja assisti!
    obrigado por recordar momentos tao maravilhosos na vida de todos nos rubro-negros!!!
    SRN

  6. 302
    WENDEL MARCELO:

    EMOCIONANTE !!!!
    ISSO PODERIA VIRAR UM FILME !!!!!

  7. 301
    Mauricio -Viçosa-MG:

    maravilhoso o texto!!!!!!Me fez chorar.

  8. 300
    Renato:

    Pô, fiquei com vontade de chorar, mas não pude porque estou no trabalho. História da porra! Fiquei todo arrepiado!

  9. 299
    chico surfe:

    TEMOS LIDO COISAS MUITO INTERESSANTE BACANA A RESPEITO DO MENGAO,SO TENHO A DIZER UMA COISA OBRIGADO,
    VMS PARA CIMA MENGAO…

  10. 298
    Davi Ferreira:

    Chorei feito uma criança lendo esse texto. Parabéns.

  11. 297
    Miguel, Um Flamenguista em Portugal:

    O que se pode falar quando se lê ou ouve uma historia dessa? Rica Perrone, a única coisa que podemos falar é que está perfeito. É uma historia perfeita contada perfeitamente. Único adjetivo que se pode comentar é a perfeição. Obrigado por nos deixar mais alegres do que somos. Mais esperançosos do que somos. Mais livres do que somos. MAIS RUBRO-NEGRO DO QUE SOMOS.

    Um abraço, e se não quiser postar nunca mais, não nos sentiremos tristes nem constrangidos não. Você já pode ficar tranquilo pro resto da sua vida pelo bem que fez a uma nação inteira ao deixar sua letra aqui hoje. Novamente agradeço com lágrimas.

    SRN

    Miguel. Um Flamenguista e perdido em Portugal.

  12. 296
    BRUNO E KAUAN:

    Porra Rica, essa foi f.o.d.a…Ainda naum consegui parar de chorar. Infelizmente nao pude viver um momento de maraca com meu pai, mas espero viver muitas dessas emoções com meu filho e mostrar pra ele o que o avo dele nos deixou de herança “O Amor pelo Mengão”. SRN.

  13. 295
    Felipe:

    Po ainda bem q o rica naum faz essas paradas lá no blog do chorafogo né.. senaum somados a eliminaçao vergonhasa contra o americano ao texto do rica iriamos ter uma inundaçao no rio de janeiro e só haveria jogo depois de 1 mes :P… texto muito foda… sempre q eu vou no maracana e vejo a torcida cantando e vibrando sempre bate uma puta emoçao… meu filho eh novinho ainda.. 3 anos só… jah torce muito sempre que ouve fogos grita gol do flamengo… sempre q um locutor grita gol.. ele grita do flamengo rsrsrs… mas eh muito novinho pra levar no estadio… eu ainda levo ele… pra ter esse tipo de emoçao ai.. poder gritar é campeao e deixar o moleque sentir a cada batida do coraçao dele a euforia da naçao vai deixar ele ainda mais flamenguista… tah no sangue.. vlw pelo texto!!

  14. 294
    Bosco:

    Geral ficou muito emocionado. Arthur, nao lembro de um texto que fez tanto marmanjo e marmanja chorar.
    Ja viu como os comentarios, todos, se expressam da mesma maneira? Impressionante, nao?

    Eu passei um perrengue o dia inteiro no trabalho por causa desse texto. Trabalhei muito, mas nao tirei o texto e essa sensacao da cabeca.
    fiquei ate com dor de cabeca.

    Maneiro mesmo.

  15. 293
    Rodrigo:

    Se ler 10 vezes choro 10 vezes!!!!

    Meus parabéns!!!

    Vc melhor do que muito flamenguista entendeu o que é amar um clube, honrar uma camisa!!!

    Lindo texto

  16. 292
    Fernando:

    Simplesmente sensacional.To chorando! Parabens Rica pelo texto, simplesmente emocionante!!!

  17. 291
    gera:

    isso sim eh uma historia emocionante… puta q pariuu,

  18. 290
    flapixaba:

    Eles falam q os flamenguistas sao os mulambos, mas a torcida deles de pseudo malado, coloca 27 mil torcedores no domingo em sao paulo ou o Flu no rio, ou no sul, enquanto o mengao empurra + de 40 mil no Pará, e pode ser na quarta chuvendo que dá no mesmo.

  19. 289
    Renato:

    Hoje o pai deve chorar de desgosto vendo o Flamengo a beira da falencia…

  20. 288
    Leonardo Mercio - Marco Island, FL:

    Po, Rica.
    Voce me quebrou, cara.
    Fiquei uns 5 minutos chorando feito crianca.

    Meus parabens, e muito obrigado.

    Leo.

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