apesar de não ter assistido ao jogo entre Atlético-MG e Santos, neste domingo (daqui da África do Sul apenas li algo pela internet), abro um pequeno espaço para a discussão dos erros da arbitragem. Sinceramente, faltou comunicação entre o árbitro Djalma Beltrami e seus assistentes. Algumas poucas palavras poderiam ter evitado tanta polêmica e confusão. Talvez o time da casa não tivesse marcado, nada tivesse sido anulado, etc. Melhor não pensar no que poderia ter sido.
Sobre o que de fato aconteceu, recebi uma quantidade grande de emails comentando a jogada. Por mais curioso que pareça, muitos torcedores do Galo se mostraram surpresos com as marcações, e reprovaram a atuação do árbitro, apesar das ações dele terem beneficiado seu próprio time.
Fui informado na tarde deste sábado sobre a verdadeira história da substituição do árbitro da decisão entre Goiás e São Paulo, neste domingo, no Bezerrão.
Obtive informações que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foi procurado na manhã deste sábado por uma pessoa que dizia que o árbitro Wagner Tardelli teria recebido uma correspondência às vésperas da partida. Ainda não se sabe se na correspondência continha suborno ou ameaças.
Preocupado em preservar o árbitro e o espetáculo, Ricardo Teixeira de imediato falou com Sérgio Correa, presidente da comissão de arbitragem, que procurou Wagner Tardelli. O árbitro negou ter recebido qualquer correspondência, mas, por precaução, a comissão decidiu afastá-lo da “decisão” deste domingo.
A bomba vem no fim: Ricardo Teixeira irá entregar o nome da pessoa que sabia sobre o caso na próxima segunda-feira, ao Ministério Público.
Após o sorteio entre Djalma Beltrami e Jailson Macedo Freitas, o baiano levou a melhor. E está com o abacaxi para descascar.
Na semana passada, durante o programa “Arena SporTV”, de Cleber Machado, o árbitro Carlos Eugenio Simon foi entrevistado, e declarou que um dos maiores erros da sua vida foi não ter marcado um pênalti a favor do Atlético-MG contra o Botafogo, no Maracanã, que decidiria vaga na semifinal da Copa do Brasil de 2007. Ao chegar em casa e ver o taipe, não conseguiu dormir e toda as vezes que pode, pede desculpas pelo erro. Ele foi muito elogiado por reconhecer esse erro, mas segundo um escritor famoso, Nelson Rodrigues, traições e erros nunca se podem confessar, porque serão um dia uma arma contra você.
No dia de hoje fui procurado por vários torcedores rubro-negros para saber: e agora, será que ele vai confessar e pedir desculpa mais uma vez? Todos se referindo ao pênalti não marcado em Diego Tardelli, no último domingo, aos 47 minutos do segundo tempo. Os mais fanáticos chegam a dizer que o Flamengo está fora da próxima Copa Libertadores por causa desse pênalti, dando uma responsabilidade maior a jogada. De fato, olhando o lance friamente pela televisão, o zagueiro do Cruzeiro e ex-Madureira, Léo Fortunato, foi muito estabanado para impedir um possível drible do Tardelli. Foi um pênalti claro, infantil e desnecessário. O interessante é que o Simon estava a menos de cinco metros da jogada. A pergunta que todos fazem para mim é a seguinte: faltou coragem ou o aspecto psicológico que impediu a marcação do pênalti?
Para mim, estava na cabeça dele a incerteza quanto a um lance ainda no segundo tempo do Toró no Thiago Ribeiro (possível puxão na grande área). Ele não tinha certeza se ao deixar o lance correr estava certo ou errado. Uma certeza eu tenho: aquilo impediu que ele interpretasse o lance do Tardelli corretamente. Foi um erro imperdoável e que ficará marcado na sua carreira, do árbitro que vai nos representar na próxima Copa do Mundo. Ainda não é oficial essa indicação, mas tudo leva a crer.
Obina sofre falta no meio de campo de Gustavo, zagueiro do Palmeiras. Leonardo Gaciba apita. O jogo está paralisado. Gustavo não continua com a ação faltosa e Obina, espertamente, escapa e anda 8 metros em direção ao gol defendido por Marcos. Nesse momento, Obina se abaixa, pega a bola com a mão e cobra rapidamente, ganhando uma vantagem por não ter cobrado a falta no lugar devido. Na seqüência, Fábio Luciano manda para Marcelinho, que toca para Íbson, e sai o segundo gol do Flamengo.
O que me impressiona é que alguns torcedores vieram me perguntar porque que o juiz não deu a lei da vantagem. A lei da vantagem é facultativa e o árbitro decide aplicar ou não. O que não pode são torcedores justificarem que o Obina bateu fora do lugar porque o Gaciba não teria dado a tal lei da vantagem. Um erro não justifica o outro. É o mesmo que o juiz marcar uma falta na intermediária e a atacante querer bater a infração na meia-lua. Tá de brincadeira.
* Eu sou um admirador do estilo de arbitrar de Carlos Eugênio Simon. No entanto, quando está disposto a correr. Por causa da sua acomodação, ele deixou de dar dois pênaltis no clássico entre Fluminense e Vasco. Em ambos os lances, Simon estava muito longe da jogada, fugindo de sua tradicional característica, que é apitar sempre próximo da bola. Mas a culpa não é só dele, e sim da comissão de arbitragem da CBF que o escalou na última sexta-feira para Avaí e Ponte Preta, em Florianópolis, em um jogo dificílimo e debaixo de um temporal. Não deu outra. Domingo, no Maracanã, passeou no gramado. Para um árbitro com o seu prestígio, e que deverá ir a copa do mundo, por melhor preparado que esteja, não da para escalá-lo dessa forma.
* Eu que sempre reclamo dos árbitros que transferem para os assistentes a responsabilidade de um lance polemico, tenho que reconhecer que o árbitro Wilson Seneme agiu de forma correta em não levar em consideração a informação do assistente. Kleber Pereira não fez o gol com a mão. O assistente ao não correr para o centro, depois que o juiz apontou o gol, não podia ter ficado parado apenas por impressão de que houve alguma irregularidade, e sim, só se tivesse certeza, já que o juiz apontou o centro de campo. Wilson Seneme foi muito moroso, até certo ponto muito devagar ao consultar o assistente. Uma confusão muito grande e desnecessária pela falta de agilidade do árbitro.
Já o técnico Vanderlei Luxemburgo, com a desculpa de retirar os seus jogadores que reclamavam do arbitro dentro de campo, não tem o direito de invadir, e por isso foi justamente expulso. Imagine se todos os técnicos fizessem o mesmo para impedir uma decisão da arbitragem…
A vitória do SãoPaulo sobre o Botafogo na noite de ontem, no Engenhão, teve de tudo, sobretudo erros. No primeiro gol do Tricolor Paulista o goleiro Renan procurou sair rápido e errou, dando a bola de presente para o Jean, que teve calma de encobrir o goleiro e abrir o placar. No empate do Alvinegro, foi a vez do Miranda errar. Quis sair jogando e foi apertado pelo Wellington Paulista, que acabou marcando. Já no segundo gol do São Paulo, Leandro Guerreiro tocou a bola para Diguinho, que ao tentar domina-la, deixou-a escapar. Caminho livre para Dagoberto e Hernanes, autor do gol da vitória. É bom registrar que Diguinho após o jogo reconheceu não só o erro como também a falha do companheiro Renan. Mas, no assunto que me toca, que é a arbitragem, houve um erro duplo no gol que seria o empate do Botafogo.
A regra é clara. De uns anos pra cá, a Internacional Board, que confecciona regras, tem dado ênfases na lei do impedimento, e o jogador para ser punido não basta apenas estar em posição de impedimento, como estava o Wellington no momento do chute de Lucas. Ele tem que participar da jogada, isto é, tocar na bola, ou atrapalhar a visão do goleiro, por estar naquela posição adiantada. Para mim, o lance foi normal.
Sem querer justificar esses erros, eu quero dizer que o assistente, Renato Miguel Vieira, lá da linha lateral não dava para precisar se a bola havia tocado ou não no atacante do Botafogo. Embora, cá pra nós, o arbitro Sérgio da Silva Carvalho, que estava na entrada da área, estava de frente para o chute e viu que a bola passou por debaixo da perna dos defensores do São Paulo e a meio metro do Wellington. Daí a razão de ter apontado o centro do campo. Mas quando ele foi consultar o assistente, ele podia ter agradecido a informação e confirmado o gol. Ele errou também.
O mais interessante é que o goleiro Rogério Ceni, após tentar a defesa e não conseguir evitar o gol ficou deitado de barriga pra cima alguns segundos lamentando o gol de empate quase ao final do jogo, que praticamente tiraria o São Paulo da posição invejada da tabela. E, ao ver que os jogadores corriam e apontavam para o bandeirinha, ele correu também muito mais para apoiar os companheiros na pressão do que propriamente ter convicção de que o gol foi ilegal.
Todos nós vimos na Olimpíada que o jogador de vôlei costuma fazer corta-luz na rede. Isto é, ele finge que corta, faz o movimento com o braço e vem um companheiro por trás para definir o ponto. Se um atacante fizer esse corta luz no futebol para a bola entrar direto ou o companheiro fazer o gol de cabeça, o arbitro não pode marcar toque de mão, mas pode punir esse atacante por atitude antidesportiva. Tiro livre indireto.
Essa é a explicação para que você, leitor, entenda a situação. Em nenhum momento no primeiro gol do Fluminense sobre o Palmeiras o Washington fez um movimento de que iria dar um soco na bola e deixou de dar. O que aconteceu foi que a cobrança da falta foi muito bem cobrada, tanto que o Martinez não conseguiu impedir que o Washington fosse na bola, mesmo que atrasado. Washington, na verdade, foi até atrasado e todo desengonçado, como ele é. Quando viu que não tocaria na bola, ele tira o corpo e, ao mesmo tempo o braço da frente, impedindo o toque de mão. Desta forma que eu vi o lance e interpretei como gol legal.
Aliás, o goleiro Marcos, entrevistado pela TV GLOBO ao retornar para o 2º tempo, reclamou justamente da sua defesa que permitiu que o Washington surgisse à sua frente. Em nenhum momento reclamou de alguma irregularidade nesse aspecto. Apenas correram em cima do juiz achando que ele tinha dado tiro livre indireto, o que não foi verdade, fortalecendo o meu argumento que naquele momento comentava o jogo para a TV Globo.
Pergunta do Bem, Amigos desta segunda-feira:
Um zagueiro salva o gol com a mão. A bola bate na trave, volta e o atacante faz o gol. Se você fosse o arbitro:
a) Daria o gol e expulsaria o zagueiro?
b) Marcaria o gol e não expulsaria o zagueiro
c) Daria pênalti e expulsaria o zagueiro
d) Daria gol e cartão amarelo
Cardápio de hoje: Paella Valenciana e vinho de Rioja. Se o Ronaldo, convidado de hoje, não quiser, come uma salada.
O Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sergio Corrêa, tanto colocou nos sorteios o seu “juiz da moda” que acabou enjoando dele como é a moda: tudo passa. Para mim, ele é uma revelação desse Campeonato Brasileiro justamente porque teve a coragem de se diferenciar dos outros. Isto é, deixar o jogo correr sem medo de perder o controle da partida. Diferentemente de outros árbitros que ficam picotando o jogo com apitos estridentes e desnecessários, paralisando o andamento do jogo. Assim, não há a preocupação de que o jogo descambe para a violência e ele tenha que tomar uma medida mais drástica.
A crítica que sempre fiz ao Leandro Vuaden, que muitos colegas do “Bem, Amigos” não entenderam, é que ele estava exagerando, e tinha que encontrar um meio termo.
Nesse último domingo, estava escutando o jogo pela Rádio Globo, quando José Carlos Araújo, o Garotinho, disse uma frase que resume tudo: “Deixar a bola rolar não é deixar o pau cantar”. Essa “suspensão” que a comissão de arbitragem deu ao Leandro Vuaden tem seus motivos. E pelo menos acalma os enfurecidos torcedores tricolores, revoltados com a não marcação de dois pênaltis.
Uma atitude longe de ser a solução, até porque outros também deixam de marcar pênaltis e não acontece nada. O importante seria uma conversa muito mais técnica com o arbitro promissor. Caso contrário, é mais uma esperança que fica pelo meio do caminho.
Pergunta do “Bem, Amigos” desta segunda-feira, feita pelo instrutor de arbitragem de são Paulo Erri. Um estudioso que gosta de fazer perguntas quer pegar seus alunos:
Um jogador é expulso quando entrava no seu vestiário, viu que o seu goleiro foi encoberto por um atacante e que a bola ia entrar no seu gol. Ele sai correndo, consegue entrar em campo, toca na bola com a mão, mas não consegue impedir o gol. Se você fosse o arbitro:
A) Aplicaria a lei da vantagem e o gol
B) Marcaria pênalti
C) Daria bola ao chão
D) Daria tiro livre indireto
Vale um jantar. E hoje é um Filet à Parmegiana com salada de batata, acompanhado por vinho português da região do Douro.
Até final do mês o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, estará levando em mãos para a sede da FIFA, em Zurique, uma nova lista de árbitros para o quadro da instituição máxima do futebol no ano de 2009. Conforme o presidente da comissão de arbitragem da CBF, Sérgio Correa, prometeu em varias entrevistas, a condição de árbitros e assistentes não é vitalícia. Sérgio pediu que os árbitros não costurassem o escudo da FIFA na camisa, e sim colocassem um velcro, porque a qualquer momento quem não tivesse em boa fase seria substituído. E assim já o fez nos últimos anos. Sendo que em 2008, provavelmente venham substituições que vão causar impacto.
É bem provável que três árbitros sejam substituídos do quadro. O carioca Djalmi Beltrami, o carioca-catarinense Wagner Tardelli e o mineiro Alício Pena Jr. Cogita-se o retorno do paulista Wilson Seneme e a promoção de outros dois mais jovens. A razão dessa substituição é que esses árbitros não tenham muito mais a dar em termos de arbitragem internacional.
Não é uma informação oficial, mas está correndo na rádio do apito a todo vapor.
O STJD deu um belo exemplo de punições rigorosas pra quem reclamava de impunidade. Uma das razoes da indisciplina e violência que acontecem no futebol brasileiro em alguns casos é que os tribunais acabam passando a mão na cabeça dos réus. Era só ter um advogado competente para garantir a absolvição.
Mas nesse ano o tribunal resolveu agir com rigor. O árbitro agora relata na sumula, como foi o caso de Jorge Henrique, do Botafogo e Léo, do Grêmio, que trocaram cotoveladas com a bola em jogo. Com base na sumula de Héber Roberto Lopes, os jogadores pegaram 120 dias cada. Outro caso é do jogador Carlos Alberto, que sequer foi citado na súmula, mas as imagens da TV mostraram um ato reprovável. Punição de 8 jogos.
Mas teve um caso que está me intrigando, e é um precedente perigoso. O uruguaio Richard Morales deu um carrinho no jogador do Botafogo, que para muitos, ao rever o lance, era caso passível de expulsão – apenas levou um cartão amarelo. Não vi o jogo, não posso julgar em quais circunstancias e situação de jogo aquele carrinho foi dado. Posso até achar que cabia um cartão vermelho, mas tenho que respeitar a interpretação do árbitro.
Daí o auditor do tribunal discordar da decisão do árbitro e considerar que aquilo foi uma agressão, e aplicar uma punição de 8 jogos, é um precedente perigoso. Ao mesmo tempo em que o tribunal está desconsiderando a decisão da autoridade máxima em campo, está extrapolando as suas funções. E, para fazer o serviço completo, teria que punir o árbitro por não aplicar corretamente as leis do jogo, como consta no código disciplinar. Esta função de punir o árbitro administrativamente por não ter interpretado corretamente aquele lance cabe muito mais à comissão de arbitragem do que propriamente ao tribunal.
Portanto, considerar esse tipo de punição é exagero. O que vai provocar um pedido de efeito suspensivo e que, se concedido, vai acabar deixando o tribunal de saia justa.
Carioca de Copacabana, onde começou apitando futebol de praia, aos 16 anos de idade, ingressou na Federação Carioca de Futebol, promovido logo em seu primeiro ano para apitar o campeonato profissional.
Foi árbitro da FIFA durante 21 anos, período em que apitou duas Olimpíadas (Montreal - 76 e Seul - 88) e duas Copas do Mundo (Argentina - 78 e Espanha - 82), além de outros Campeonatos Mundiais. O ponto máximo de sua carreira foi na Copa do Mundo de 82, em Madri, na Espanha, quando apitou a final da competição.
Encerrou a carreira em 1989, quando foi convidado para ser comentarista da Rede Globo de Televisão.